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20 de jul. de 2015

Alterimizade

Alterimizade, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 18-07-2015.
Alterimizade*, criado em 18-07-2015.

O termo amizade carrega o sentido de um relacionamento afetivo sem conotações romântico-sexuais; envolve o conhecimento mútuo e a afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo. Originada no instinto de sobrevivência da espécie, das relações interpessoais durante a vida, tornou-se a mais comumente desejada de ser constituída, diferenciando-se do coleguismo onde interesses afins ganham prioridade sobre o companheirismo.

No início dos tempos, descobrimos que só compartilhando a vida seria possível, iniciando com a sobrevivência, conquistar uma vida melhor. Dos agrupamentos à sociedade telemidiática, a manutenção de contatos utilitários tornou-se indispensável.

Avançamos um pouco ao verificar que isso não bastava. Com o prazer da confidência e o apoio nas fraquezas, a solidariedade ganhou terreno e se qualificou como necessária para além de suas funções iniciais. Lentamente, o utilitarismo cedeu prioridade em prol da vivência compartilhada, da combinação das forças e das emoções, de um desejar o mesmo bem que a si mesmo.

Claro que não foi igual em toda a espécie, mas aprendemos a carregar o outro dentro de nós — imagética e energeticamente — e geramos o amigo, alguém que pode, ou não, ter nosso sangue e é receptáculo de nosso amor, que coexiste conosco, dentro de nossa alma.

Aos poucos, esse tipo de conexão além de genérico tornou-se genético, marcando a raça humana com a necessidade do companheirismo. Isso alcançou força incomum ao ponto de dotarmos o mundo com o reflexo da nossa alma e projetamos em todas as relações existentes esse conceito. Construímos um mundo onde as criaturas são fontes e propiciadoras dessa forma de contato — inclusive domesticamos animais em função dessa sensação de aconchego. Está muito claro que, quando completamente isolada, uma pessoa enlouquece.

Muitos, como eu, apreciam a fantasia e a transcendência associadas a essa ligação, identificando-a nos contatos entendidos como físicos e espirituais. Passamos a produzir o entendimento da unicidade entre os seres, orgânicos ou não, e adotamos os conceitos e práticas de preservação e colaboração: o universo tornou-se meu amigo: mexeu com ele, mexeu comigo. Há pensamentos que propõem haver níveis superiores de energia e conhecimento, dotando-os da capacidade dessa forma de relacionamento com os seres humanos.

Em qualquer aspecto que se olhe, a transcendência que é efetivada nesse tipo de relação nos propõe algo maior que o isolamento produzido por poder, ganância, ódio e outras mesquinharias ainda tão presentes nos contatos sociais. No diferente eu encontro o que preciso para realizar meu potencial humano quando a alteridade me leva, além do reconhecimento da existência de um outro, a estabelecer uma das mais belas experiências que a humanidade pode desejar vivenciar. Algo que, por falta de um conceito estruturado, vou nomear alterimizade.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 20 de julho de 2015.

* O neologismo tenta dar conta das conexões que estabelecemos com a diferença, de forma positiva atuando no sentido de complementaridade. Ao potencializar o outro, amplio as capacidades de existência plena e feliz em mim.

15 de jul. de 2015

Cristalino

Cristalino criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 15-07-2015.
Cristalino, criado em 15-07-2015.

O que você pensaria se eu cantasse desafinado? Você se levantaria e me abandonaria?
Empreste-me seus ouvidos e lhe cantarei uma canção. Tentarei não sair do tom!
Ah, eu consigo, eu vou longe, eu tentarei, com uma pequena ajuda de meus amigos!

O que eu faço quando quem amo está distante? (preocupa-lhe a solidão?)
Como eu me sinto ao final do dia? (entristeceu-se por estar sozinho?)
Ah, eu consigo, eu vou longe, eu tentarei, com uma pequena ajuda de meus amigos!

Você precisa de alguém? (Eu preciso de alguém para amar!)
Pode ser qualquer pessoa? (Eu quero alguém para amar!)
Ah, eu consigo, eu vou longe, eu tentarei, com uma pequena ajuda de meus amigos!

Você acredita em amor à primeira vista? Sim. Estou certo que acontece a toda hora!
O que você enxerga ao apagar a luz? Não posso contar, pois sei que isso é meu.
Ah, eu consigo, eu vou longe, eu tentarei, com uma pequena ajuda de meus amigos!

(Beattles — With a little help from my friends)


Nada tão revigorante quanto criança. O aprendizado com os fluxos inconstantes e diversificados — por segundos apenas, estratificados — me parece a cristalização momentânea, conceito compartilhado pelo Eric, o pai do Pedro, um sujeitinho que eu reconheci ontem.

— "Eu gosto do verde. Esse, e do escuro também, e gosto do azul". E eu percebo o gostar de mexer, encaixar, descobrir profundidades e experimentar (às vezes com um olhar crítico da Patrícia, ao lado!). É preciso participar, ganhar um pouco (ou muito) da atenção, interrompendo o diálogo alheio. Alheio a ele e ao seu interesse.

E uma tarde inteira vai passando, os movimentos do pensamento sendo reordenados — às vezes é preciso apenas trocar as posições das peças que estão sendo usadas. Vale tentar, afinal de contas o mundo não acaba amanhã. Relaxa!

E o duro e pesado fardo das questões sociais, da participação consciente, da busca de novas formas de expandir as condições de expressão de outras potências vai se tornando um pouco menor, mais leve. Não por que as questões tornaram-se mais simples, por que nós nos permitimos equilibrar as forças do medo com as da amizade. Há fantasmas, sim! Assustam-me, como também ao Pedro. Saem com a capa balançando e dão um grito que pega a gente de surpresa. Passado o susto, esquecemos. Vamos em frente.

Guardo comigo o brilho dos lindos olhos na hora do sopro da sorte sobre as mãos quase fechadas, porque guardam uma moeda bem sacudida, antes de se dizer 'Cara ou Coroa?'. O riso e a gargalhada alta, quase um grito de agradecimento para a vida, sai ingênuo e encantador. Mais um ponto! Faltam mais um, três vezes, pra chegar ao 10 e ganhar a partida.

Assim como falta pouco para se restabelecer a ordem no meu universo: os pontos de identificação já se estabeleceram e o contato pleno se realizou. A energia flui novamente, porque desbloqueada.

Hoje, um dia depois, enquanto aguardo a operação de olhos de minha mãe, me embalo com esses sentimentos tão engrandecedores da alma. Me permito ao espírito efetivar novas forças a fim de que possam ser transmitidas como um imenso desejo de sucesso para a intervenção cirúrgica, de modo a retornar uma visão de mundo cristalina para a dona Marilda de Oliveira Teixeira, assim como retornou a minha com a grande ajuda de um pequeno amigo*.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 15 de julho de 2015.

* Eu contava com apenas sete anos de idade, quando um grupo de jovens inconformados com a hipocrisia de uma época se reuniram, passaram dias juntos. Foi o Woodstock. Talentos que definiram um novo rumo para a música mundial se apresentaram. Como todo movimento sem determinações prévias, houve excessos dos bons e dos maus.
Uma das boas marcas desse encontro ficou registrada interpretação de Joe Cocker para a música dos Beatles With a little help from my friends (Paul McCartney, com a última frase de John Lenon).
A mensagem se mantém viva e cristalina: É possível, com uma pequena ajuda dos amigos! Indico duas das interpretações do Joe Cocker: a do Woodstock (1969) e a do Queen's Golden Jubilee (em 2002, com participações de Phil Collins, na bateria, e Brian May na guitarra.)

25 de jun. de 2015

Vamos divagar devagar?

Divagar, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 25-06-2015.
Divagar*, criado em 25-06-2015.

Comunhão
Harmonia no modo de sentir, pensar, agir;
ato de realizar ou desenvolver alguma coisa em conjunto;
união ou ligação;
compartilhamento, identificação.
Ação ou efeito de comungar.
Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.
De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus…

(Bíblia, Filipenses 2:4-5)


Eu gosto de promover um vinho, uma cerveja, um café, um filme ou um outro qualquer que reúna os amigos, companheiros na partilha dessa jornada incrível que é ser e manifestar o Ser.

Talvez porque eu vivencio um monte de coisas ao mesmo tempo por conta das necessidades tão constantes como a de ler, de escrever, de desenhar, de assistir seriados e filmes. E da que menos tenho construído oportunidades: conversar à toa.

Não lhe deve ser estranha a ideia de que divagar sobre qualquer assunto com alguém enriquece. Pena que alguns encontros são fugidios, duram muito pouco, e os assuntos ficam entrecortados por outros que se promovem 'o da vez' bem no meio do papo. Há um fluxo incontínuo nos contatos que conseguimos estabelecer para dialogar.

Reconheço que jogar conversa fora deve ser uma opção, mas não é a minha. Então o divagar que proponho é pensar colaborativamente para ter um vislumbre dos mundos que um outro conseguiu estruturar, suas vivências em função deles. Transversalizar sem nenhuma necessidade de universalizar as ideias.

Dificilmente na atualidade alguém dirá que vive em um único mundo, a não ser no da alienação. Os intercâmbios que fazemos no cotidiano dão uma mostra dessas facetas que se constituem e nos tornam diversos: simultaneamente estudantes, trabalhadores, pais, irmãos e milhões de outras configurações a que nossa personalidade esteja sendo submetida e precisa construir facetas para dar conta.

Sou um admirador dessa capacidade em contínuo desenvolvimento no ser humano. Tento ser um estudioso, melhor, um observador criterioso dela. Identifico que amplia-se o leque dessas facetas quanto mais alguém se envolva em fazer conexões sem concessões, sem querer fazer apropriações indébitas do outro e assim desconfigurá-lo.

Por conta da imensidão em cada um, meus encontros exigem lentidão do tempo exterior, o deixar rolar sem se preocupar. Me esforço para torná-lo incomum, a fim de que, ao passar, possa vagar e não correr, de modo a permitir que os pontos de convergência se (re)estabeleçam.

Nesse momento, para mim, reside o sentido e a potência do contato: o que flui de carona nas palavras e gestos promove acréscimos, mesmo quando não simultâneos; torna os instantes em comum preciosos e desejáveis; promove certo nível de irmandade que não é predefinido, que respeita o processo do outro e que se permite um grau de identificação.

Nossas singularidades se assemelham nas possibilidades inerentes a todos e na capacidade de se produzir, por vontade própria, estímulos visando a integralidade e a realização de cada um individual e coletivamente. Só isso basta para afirmar que comunhão é algo incrível**.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 25 de junho de 2015.

* Daniel Levinson afirma que "ficar vagando não é de ‘graça’ – exige recursos. Você tem que escolher como vai usá-los”. Por isso, deixar a mente vagar ao mesmo tempo em que não se esquece das obrigações futuras lhe dá tempo para explorar outros aspectos do mundo – e ficar mais inteligente. Ele está estudando agora a conexão entre os dois, e como as pessoas podem controlar isso.

** É preciso restabelecer a noção e a construção do modo solidário de viver aonde as interferências são efeito de um desejo pessoal e fruto de um contato potencializador — sempre ao encontro das necessidades individuais. De forma alguma deve ser entendido como dependência, mas fortalecimento e incentivo recíprocos. Individuação é a base do processo de coletivização que pode alcançar seu auge quando ocorre sinergia e comunhão.

24 de mai. de 2014

Vulcanos

Vulcanos, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 24-05-2014.
Vulcanos, criado em 24-05-2014.

Vulcão é um tipo de montanha, uma estrutura geológica.
Sua produção é realizada por magma, gases e partículas quentes quando emergem à superfície.
Para além do magma derramado, sua função é injetar poeira, gases e aerossóis na atmosfera
— sem a dose projetada a transformação da superfície retardaria.
Mesmo que inconscientemente, somos pequenos vulcões nas relações que estabelecemos na terra.

(Wellington de Oliveira Teixeira)


Dói, para si e para quem atinge.

Mas, um vulcão que não expele suas lavas não cumpre sua função porque não basta tê-las aceitado dentro de si: sendo substrato e fruto do mundo inteiro, a ele deve retornar.

O significado da dor que sofreu ou da que causou só aparecerá depois; o entendimento da energia gasta e das consequências, muito tempo depois — talvez depois de estar extinto.

Nossa linearidade impede de entendermos o processo.

É necessário retornar à helicoide, ao cone cuja ponta está na base. Um pequeno furo capaz de transbordar imensos jarros produtores de vida.

Talvez por isso as espinhas nos rostos para corações adolescentes: hora de transformar a casca exterior.

Talvez, repito por não ter outra palavra para expressar, somente assim aprendamos que nesta vida o passageiro é apenas isso. Sua viagem por ele também.

E enquanto não entendermos as interpenetrações das realidades (cada um possui a sua) não alcancemos a beleza desse engendramento.

A terra, a areia, o tijolo, as ferramentas e tudo o mais usado, jamais alcançarão os desígnios do engenheiro. Será preciso ultrapassar o tempo da construção para se apreciar o resultado, ainda porque nenhum de nós teve a chance de olhar a planta original.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 24 de maio de 2014.

* Para Diogo de Azevedo Ramos, um filhote de vulcão.

26 de dez. de 2013

A sustentabilidade emocional

basta amar, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 20-12-2013
basta amar, criado em 20-12-2013

Aí não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre,
mas somente Cristo, que será tudo em todos.
Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia,
de bondade, humildade, doçura, paciência.
Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem.
Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós.
Mas, acima de tudo, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição.
Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo.
E sede agradecidos.
(Bíblia - Colossenses 3:11-15).


Conheço muita gente. Me tornei amigo de algumas e o inverso também ocorreu.

Dentre aqueles que tive a oportunidade de acompanhar ou conviver por mais tempo, alguns me surpreendem até hoje pela capacidade conhecida como resiliência. Enfrentam constantemente situações de alta complexidade, sofrem com intensidade e carregam marcas no corpo e na alma. Resistem, ultrapassam e superam.

Me encanta essa disponibilidade para a vida, que até mesmo acontecimentos sórdidos não consegue desfazer.

Ponto em comum que consegui alinhar pela observação e contato foi uma forte carga emocional que tende a ser positiva: veem os acontecimentos como produtores de aprendizado e crescimento pessoal ou como um desafio a ser superado pela fé.

Todos encaram não como super-heróis as situações, não se isolam, buscam na participação de pessoas de confiança o apoio. De certa forma, é esse suporte emocional aliado ao aprendizado anterior que os permite atravessar o momento e a dificuldade sem caírem pelo caminho.

Esse ano, nas postagens de rede social, vi muitos pedidos de amigos que precisavam desse suporte. Enfrentaram situações drásticas que atingiram a si mesmos ou a pessoas muito próximas. E o impacto gerado foi avassalador. Vi, também, o retorno de muitos com palavras de conforto, de incentivo e de solidariedade. E foi com essa ampla rede sustentadora que o dia-a-dia de alguns desses meus amigos foi conquistado e seus males minimizados.

Está até parecendo que estou escrevendo algo como os conselhos que infestam os livros de 'auto-ajuda'. Mas minha meta diverge disso. O que pretendo é demonstrar que cada um tem o enfrentamento necessário para a sua vida. Deve encará-lo singularmente, pois é uma luta pessoal. A rede de apoio é algo a se acessar nos momentos em que a lucidez não é uma companheira. Não é um suporte fixo, onde me jogo e todos me seguram, menos eu.

Creio que o sinal que deve ser dado é: me incentive a ultrapassar; me mostre os pontos fortes que possuo, pois não estou vendo neste momento; amplie minha rede de contatos naqueles lugares que ainda não fiz algum; participe desse momento naquele aspecto em que eu sou imaturo ou sem aliados.

Bem, presença física, em alguns casos é essencial. Mas, talvez, na maioria dos outros, um bate-papo, uma mensagem, uma imagem com mensagem clara relativa à situação, podem ser a melhor opção. Permitem aquela solidão que impulsiona o ultrapassamento.

Acredito que seres humanos são dotados de uma capacidade de enviar pensamentos, sentimentos e outras formas de energia para outros, assim (repito, é uma opinião minha), uma rede de seres desejando intimamente um bem a outro podem influenciar o campo de forças que essa pessoa se encontra e auxiliá-la a atravessá-lo.

Por isso escolhi como tema sustentabilidade. Há um texto bíblico que exorta esta rede com um 'suportai-vos em amor'. E minha turma, rapidamente, passou a usar numa brincadeira, a de ter que suportar um sujeito chato. Mas tive a oportunidade de estudar um pouco mais profundamente o texto e verificar que falava de um conjunto de pessoas que com a manifestação de seu amor formam uma viga de sustentação. Peças em um emaranhado que auxiliam no completar o quebra-cabeça.

Hoje, embora busque até o último momento seguir com minhas próprias forças, não me impeço de recorrer àqueles que confiantemente me permito estar próximo para buscar a crítica, auxílio na elaboração de estratégias de vida para mais uma vez vencer um desafio.

Somos únicos. Indivíduos que nascem e morrem sozinhos. Mas nada nos impede de, ao percorrer este intervalo, nos aliarmos e nos fortalecermos naquilo que cada um traz de melhor em si.

Por isso, desejo que tudo que intento em favor daqueles que amo (dos conhecidos e dos desconhecidos) possa se concretizar: um mundo onde o respeito à diversidade inerente ao ser humano produza a paz.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 26 de dezembro de 2013.

* Notas

21 de nov. de 2013

A spinozidade da vida

spinozidade, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 21/11/2013
Spinozidade, criado em 21/11/2013

Não é por julgarmos uma coisa boa que nos esforçamos por ela, que a queremos, que a apetecemos, que a desejamos,
mas, ao contrário, é por nos esforçarmos por ela, por querê-la, por apetecê-la, por desejá-la, que a julgamos boa".
Espinoza, Ética, parte 3 prop. 9 esc.

A cada novo dia, outra teoria clássica é derrubada. Fundamentos que nos embasaram o pensamento, construídos a partir de definições pré-estabelecidas, perderam seu poder sustentador.

Bem, muitos não gostam e nem desejam aceitar que as definições que fizer se perderão com o tempo. Talvez, por isso, a temporariedade da construção do pensamento como um enigma é o que se propõe para nós outros.

Da física e da química que aprendi no fundamental e no secundário quase nada mais resta de pé. Que bom! Não tenho que me estabelecer como base de estrutura sólida, imutável, independente da variação que se estrutura no momento.

Pego o spin como exemplo: ele definia a direção do giro de uma partícula atômica. Portanto, seu campo magnético. Mas (e físicos, por favor, me ajudem), essa é uma visão muito estreita da realidade, uma vez que o fator giromagnético depende de carga, da espécie de partícula, da vetorialização e angulação, etc.

Me permitam utilizar essa entidade matemática e suas consequências como apoio para repensar meu caminho.

Em cada época, as ondulações do mar da vida produziram as condicionantes de minha apropriação da realidade. Houve épocas em que a dor era tão poderosa que nublava qualquer tentativa de raciocínio, mas o pensamento se estabelecia e produzia o necessário. Aconteceu, da mesma forma, quando era a alegria que assomava o terreno e quando todos os meio-termos se apresentaram, também.

Quem ou o que sou está diretamente relacionado com isso. A vida é isso. Momento.

E como uma mecânica quântica, o campo magnético da vida (que eu adotei com o nome de campo de possibilidades) proporciona e propulsiona atitudes, atos e encontros.

Meus queridos amigos mais jovens têm dito que me tornei hermético e com isso tenho produzido uma escrita obscura para eles. Talvez. Mas o simples preto no branco não se estabelece mais como parâmetro para minhas interpretações da realidade.

Os gestos que meu corpo aprendeu tiveram que receber adaptações ou reconstruções. Fiz o mesmo com meus julgamentos.

O olhar que produzo, diariamente, como realidade é apenas isso: uma produção e não é algo em si. O si, aí, sou eu. A realidade em mim e para mim.

Meu mundo se expandiu a ponto de acoplar outras realidades e a diferenciação se tornou o ponto central para qualquer raciocínio.

Gosto muito da ideia dos criacionistas de que Deus não repetiu nada, produziu a diferença em si, no mundo e nos relacionamentos. A beleza que observamos e vivenciamos se sustenta nisso.

O modo como cada um se propõe a vivenciar, a partir de suas próprias construções de mundo uma determinada realidade, é algo que cabe exclusivamente a essa pessoa. Assim, nossas valorações sobre o outro, seus atos, suas características acabam se tornando nada mais que uma forma de incluirmos a sua participação em nosso mundo.

Tenho sido conhecido como um ativista, especialmente com relação à Educação que considero a pedra fundamental na abertura dos mundos existentes em cada ser. Vou para a vida, participo de discussões, enfrento cacetetes por acreditar nisso.

E agora, nessa etapa de uma jornada que me é mais surpreende por não ter que se estabelecer em instituições estruturantes, e por possibilitar as (des)cobertas e (des)construções, eu honro os vínculos estabelecidos sem os laços que aprisionam. Sou grato pelos encontros que tive e por aqueles que se estruturaram de tal forma que estão aí na ordem do mundo. E do meu mundo. Sem nenhuma obrigação ou determinação de modo.

Talvez, uma das maiores conquistas da minha vida tenha sido essa: adotar, como prática, esse respeito ao tempo do outro, do momento do outro, e de estar aberto ao encontro - quando este se apresenta como possível, viável ou necessário.

Apenas uma visão (uma dentre tantas outras) que vou adotando conforme o aprendizado do ser e sua completude o exigem. Plenitude não é mais uma palavra para mim. É um desafio que altera o meu modo operandis para ser e estar de um modo pleno nessa ordem que a Ordem me permitiu vivenciar.

Se isto servir para dar partida para um outro ou novo pensamento, fique a vontade. Compartilhar é algo que me faz bem.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 21 de novembro de 2013.

* Li na wikipedia que o Spin não possui uma interpretação clássica, ou seja, é um fenômeno estritamente quântico, e sua associação com o movimento de rotação das partículas sobre seu eixo - uma visão clássica - deixa muito a desejar.

** Baruch Spinoza foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz.

10 de jan. de 2013

Germano ou o germinar de uma amizade

Germano Sá-Britto, Capão da Canoa em 31/08/2012
Germano Sá-Britto, Capão da Canoa em 31/08/2012


porque o tempo de uma vida não basta para se viver uma amizade.
Amigos são amigos para sempre.*

Coisas passíveis de transformação, aos poucos podem ir ganhando um status de permanentes e o tempo perde a capacidade de corroer, o caso da amizade.

Vamos, primeiramente, esclarecer um pouco a questão: sonhei que escrevia para ele. Seria algo pleno para mim, até sonhar novamente. Se repetiu-se, é que algo ainda não foi resolvido, adequadamente.

Sei que é um pouco inconveniente isso de se começar dando explicações. É como querer se justificar por fazer algo que se quer. Algumas vezes utilizei esse recurso, talvez pela falta de confiança em mim mesmo. Mas não é esse o caso, agora.

Esse gaúcho, na foto, de sotaque e práticas desconexas é um menino-homem historiador. E, desse modo, construiu a sua história comigo: trocando histórias de vidas.

Ao fim de minha jornada de trabalho, que coincidia com término de suas aulas, ficávamos nas redondezas da UFF matando a fome, a sede, e a vontade de prosear. Pizzas marcaram nossos encontros, assim como, em algumas ocasiões, cervejas. Porém, mais importantes foram as análises de pensamentos, de projetos e de práticas da vida. Essa convivência, por fim, tatuou minha alma de forma indelével.

Ao terminar a sua graduação, questões de busca de melhores oportunidades profissionais que as do Rio, projetaram a sua ida para São Paulo. Claro, precedida de alguns encontros muito interessantes, inclusive pela dificuldade relativa aos ônibus nas madrugadas (apelidados de sereno). Valia a pena.

Dificuldades iniciais marcaram sua chegada ao outro estado. E, durante um longo período, um certo silêncio marcou nosso espaço. Mas os recursos virtuais começaram a proporcionar uma certa reaproximação. E, com isso, outras histórias alcançaram meus olhos e ouvidos e trouxeram um pouco de alegria à minha saudade.

Na vez passada, as coisas estavam mais bem organizadas, seus projetos com mais certezas que dúvidas e me pareceu que suas vivências paulistanas estavam refletindo nos seus atos mais segurança. Como sempre, mais um bom encontro.

Mas o garoto que havia nele tinha uma questão ainda a resolver e precisava de uma participação minha. E, até hoje fico a pensar na escolha que fiz. Talvez, a preocupação de não construir nenhum obstáculo ao nosso espaço ou o medo de uma mudança nos nossos costumes - sei lá o quanto mais pesou na resposta - pode ter criado algum obstáculo para o fluxo contínuo de nossa alma: uma certa falta de coincidência de práticas históricas e atuais comportamentos parece ter retirado um pouco da nossa simultaneidade.

Certamente, não foi um prejuízo que se possa considerar grande, mas parece que algo se transformou.

E, quando tento explicar de uma maneira racional, me digo que estranhei aquele meu guri, por conta de sua transformação em um homem bem resolvido. Mesmo sendo um motivo de felicidade para mim, parece que não ocorreu a sincronia entre aprendizados na alma e na razão. E, por conseguinte, foi preciso algum tempo para que ocorresse a integração entre eles.

Hoje, sei que nossa vivência criou algo que não pode ser apagado ou extinguido. Por isso, aguardo seu retorno para que, juntos, possamos reacender os momentos onde pensamentos e práticas seguiam concomitantes, pois, isso sim, bastaria para deixar 'a mente quieta, [quiçá] a espinha ereta e o coração tranquilo'**.


Wellington de Oliveira Teixeira, em 10 de janeiro de 2013.

* Trecho de Friends, música de Michael W. Smith.

** Trecho de coração tranquilo, incluída em Serra do Luar, ambas de autoria de Walter Franco e interpretadas por Leila Pinheiro.

21 de nov. de 2012

Uma boa ideia

Er e a lição das areias e do mar, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 21/11/2012
Er e a lição das areias e do mar, criado em 21/11/2012.

Custei um pouco a compreender o que estava vendo, de tão inesperado e sutil que era:
estava vendo um inseto pousado, verde-claro, de pernas altas.
Era uma 'esperança', o que sempre me disseram que é de bom augúrio...
Dentro do fiapo de pernas não havia nada dentro:
o lado de dentro de uma superfície tão rasa já é a própria superfície.
Parecia um raso desenho que tivesse saído do papel verde e andasse...
(Clarice Lispector - A descoberta do mundo)


Há uma boa ideia de anos atrás, nasceu um garotinho que, de cara, teve uma rede de desafios imensa para ultrapassar, se quisesse sobreviver.

Mesmo o fato de 'desenganar' a esperança da família com relação à sua vida - algo que os médicos fizeram, na época - não conseguiu ultrapassar a fé de pessoas que apostaram em sua sobrevivência e se postaram ao seu lado e se dispuseram à lutar como ele.

Não me recordo dos fatos, mas certamente isso tornou mais fácil minha escalada rumo à recuperação, meu ir vencendo cada etapa de restauração, ainda que com dificuldades e, muito provavelmente, com dores. As mesmas que me acompanharam durante muito tempo a vida, por conta de uma constituição inicial frágil.

E digo isso não como um lamento mas um hino de vitória, um poderoso Aleluia que invade meu ser plenamente, que me sensibiliza e me proporciona um respeito imenso pelos seres que são agraciados com a vida e agradecidos por estarem imersos nela.

Em especial, valorizo aqueles que a percebem como um dom valioso e que resolvem percorrer suas fases com reverência e humildade, diante de sua magnitude, e que, assim fazendo, transmitem força de vida aos que estão ao seu redor.

Nesse dia, que tenho escolhido para me recordar o valor de cada ser**, quero expressar a minha gratidão àqueles que compartilham comigo essa jornada: aos que se tornaram meus desafios e aos que foram meus aliados, pois reconheço que todos tem contribuído para o meu aperfeiçoamento.

Depois de tanto tempo, aprendi que alguns desses me referenciaram e são, insisto ainda nessa forma de pensar, valorosos guerreiros por serem capazes de doar a sua energia em prol da construção de um outro ser pleno.

Caiam, todos vocês, na PAz!
[o tempo de uma vida não basta para se viver uma amizade:]
Amigos São Amigos Para Sempre!!!

Wellington de Oliveira Teixeira, em 21 de novembro de 2012.

*Base para a arte: Wellington em Arraial do Cabo-RJ, JUL-2012. Foto: Luis Claudio da Rocha Prét.

Mito de Er

O pastor Er, da região da Panfília, morreu e foi levado para o Reino dos Mortos. Ali chegando, encontra as almas dos heróis gregos, de governantes, de artistas, de seus antepassados e amigos. Ali, as almas contemplam a verdade e possuem o conhecimento verdadeiro.

Er fica sabendo que todas as almas renascem em outras vidas para se purificarem de seus erros passados até que não precisem mais voltar à Terra, permanecendo na eternidade. Antes de voltar ao nosso mundo, as almas podem escolher a nova vida que terão. Algumas escolhem a vida de rei; outras, a de artista ou a de sábio.

No caminho de retorno à Terra, as almas atravessam uma grande planície por onde corre um rio, o Lethé (em grego, 'esquecimento'), e bebem de suas águas. As que bebem muito, esquecem toda a verdade que contemplaram; as que bebem pouco, quase não se esquecem do que conheceram.

As que escolheram vida de rei, de guerreiro ou de comerciante rico são as que mais bebem das águas do esquecimento; as que escolheram a sabedoria são as que menos bebem. Assim, as primeiras dificilmente (talvez nunca) se lembrarão, na nova vida, da verdade que conheceram, enquanto as outras serão capazes de lembrar e ter sabedoria, usando a razão. as almas

15 de nov. de 2012

Super são, não supressão

Supressão*, criado em 15/11/2012

Precisamos transformar a realidade deste mundo não com mais ódios e preconceitos.
Devemos trazer ideias novas e defendê-las com bons argumentos.
Negar outras ideias não nos leva a nada além de um fundamentalismo.
E como me entristece ver o ódio que tem sido gerado por tanta gente no mundo
pela incapacidade de respeitar o pensamento alheio
e de entender que cada um está num determinado patamar de seu desenvolvimento pessoal
e precisa, mais do que qualquer outra coisa, de estímulo para ir adiante
e descobrir seus valores e construir algo bom para si e para os que estão ao seu redor.


Quando não percebemos a cooptação de nosso pensamento, a supressão de nossa capacidade crítica provoca uma lacuna que é capaz de anular ou mesmo extinguir o respeito e o amor ao próximo. A isso eu chamo de aprisionamento da alma.
Wellington de Oliveira Teixeira

Não sei bem o que está acontencendo atualmente (já há muito tempo, talvez) quando uma certa força produtora do nada anda permeando os pensamentos e as vontades, principalmente de uma determinada juventude.

Penso, reflito, tento fazer uma avaliação cuidadosa que não busque no saudosismo uma referência, provoco um rearranjo do meu pensamento e principalmente das estruturas das minhas lógicas, tudo em busca de produzir um pouco mais de clareza sobre esse contexto de realidade aonde os jovens perderam as esperanças, os ideais, projetos políticos e estão se agarrando às correntes de pensamentos fundamentalistas de forma acriteriosa.

Essa vontade me tomou a alma a partir do momento em que um menino - que se tornou um sobrinho de alma há alguns anos atrás -, de uma hora para outra, começou a apostar as suas fichas em frases e pensamentos extremamente fundamentalistas. Numa linguagem que historicamente aprendi a usar, direitistas, muito próximos de fascistas. Mas, aceito de bom grado evitar esses termos daqui para adiante, em prol da busca de conciliar as diferenças e evitar as forças que estão esgarçando as linhas de contato.

Quando conheci o Francis Lauer, cujo nome de usuário numa rede de chats antiga (mIRC) era Zack-, me encantei com a sua capacidade, generosidade, força de vontade e busca de conhecimento.

Na época, ele era um adolescente que vivia alguns conflitos e buscava ultrapassar algumas questões de vida. Eu, buscava algumas teorias e pensamentos que embasassem aquilo que eu chamava de magia da vida.

Após o falecimento de meu Bruninhu, tristeza e uma certa falta de vontade me afastaram das salas de bate-papo e de muitos convívios, do dele não.

Vi, com atenção e preocupação, os novos passos de seu caminho. Busquei me inteirar das novas formas de pensamento, de religiosidade, de escolaridade, com o objetivo de estar pronto a compartilhar, sempre que solicitado por ele, das questões que o atravessavam.

Considero que fizemos um percurso muito bonito de amizade e respeito, independente da distância que existe entre Santa Maria (RS) e São Gonçalo (RJ). E, até então, não houve nada que tivesse conseguido atravessar o bom relacionamento e confiança que partilhávamos.

Hoje, já um jovem adulto, vi a transformação de seu pensamento e propostas de vida. Algumas questões que eu tranquilamente afirmaria serem opiniões e crenças pessoais que não denunciavam nada além de sua busca por expressão, de valorização da vida, e de sua fé (coisas que, a mim, sempre provocavam respeito) mudarem para posicionamentos bastante radicais.

Percebi que um determinado pensamento passou a ser dominante. Não o seu, mas o de um certo grupo que se aglutina sob o nome fiat libertatis. Do que pude observar, nas postagens no facebook, um grupo de políticos e empresários que defendem práticas e conceitos sociopolíticos bem ortodoxos e conservadores que está expresso no lema que adotam: conservador nos costumes e liberal na economia. Coisa até comum para quem quer sacralizar suas ideias, utilizam-se de frases em latim para dar um verniz aos seus posicionamentos e pronunciamentos. Em português claro: fundamentalismo.

Buscando ser cuidadoso no meu posicionamento, pude observar como a defesa da vida, na qual o Francis se engajou, expresso contra a prática do aborto, se expandiu para posicionamentos políticos e capitalistas, em alguns momentos beirando ao contraditório.

Em um desses momentos, expressou que era melhor que crianças trabalhassem nas fazendas em regime análogo à escravidão do que estarem em uma escola, já que, neste governo, estariam aprendendo o socialismo ou o comunismo - algo inaceitável na visão deles.

Por me posicionar, como sempre fiz, contrário à essa visão, no dia 28 de outubro, ele simplesmente não quis mais ter-me na sua lista de contatos do facebook e, pelo que posso avaliar, como amigo.

Meu maior medo é que - apesar de tão talentoso como é - ele perca o rumo da vida que estava construindo tão bem: uma busca incessante por crescimento pessoal e a proposta de fé que abrangia uma prática consciente de compreensão. Mais que isso, uma visão ampla, em que respeito e amor ao próximo eram partes integrantes e fundamentais.

Mas quero crer que talvez eu esteja exagerando um pouco e a minha preocupação e carinho tenham me levado a imaginar mais do que a realidade possa me oferecer como visão. Que meu guri esteja vivendo um percurso necessário ao seu crescimento pessoal que, logo logo, será ultrapassado e do qual se erguerá fortalecido e pronto para continuar o exercício do amor e respeito ao próximo acima de qualquer convenção social.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 15 de novembro de 2012.

*Supressão: ação ou efeito de suprimir; eliminação, lacuna, omissão, abolição, anulação, cessação, derrogação, extermínio e extinção.

13 de mai. de 2012

Lucas: uma nova história começa

Lucas, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 10-05-2012
Lucas, criado em 10/05/2012

Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.
Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto.
Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos.
O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca.
E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?
Qualquer que vem a mim e ouve as minhas palavras, e as ob-serva, eu vos mostrarei a quem é semelhante:
É semelhante ao homem que edificou uma casa, e cavou, e abriu bem fundo, e pôs os alicerces sobre a rocha; e, vindo a enchente, bateu com ímpeto a corrente naquela casa, e não a pôde abalar, porque estava fundada sobre a rocha.
Bíblia, Lucas 6:42-49

Filhote é algo importante porque carrega um pedaço de nossa alma com ele, de acordo com a tradição dos guerreiros toltecas (nos ensinamentos de Dom Juan*). O deslocamento é por gênero, isto é, da mãe para a filha e do pai para o filho. Parecido com o X ou o Y da biologia.

É como uma medida inicial do sopro divino que recebemos - uma certa faixa de emanações dentre as do universo - e nos potencializa, nos individualiza e nos capacita a sermos conhecedores, estruturadores de realidades, visualizadores e idealizadores de mudanças, construtores de originalidades e perpetuadores da Totalidade da Ordem.

Pois é, o LUCAS se derivou do LUiS ClAudio da Rocha Prét e, agora em 2012, deve sair do casulo aonde Ana Flavia Garcia Costa o embala e cuida para mostrar sua construção a este plano do mundo. Todo mundo já imagina o que vem por aí, com pais tão belos como os que ele possui...

Mas ele construirá uma beleza própria, um arcabouço para acolher a energia com a qual se apropriará da vida. E, na sua trilha, uma quantidade imensa de beleza de gestos e de atitudes aguardam para ser apropriados e armazenados por ele e tornarem-se sua fonte pessoal de força para a caminhada e para o retorno à Origem.

Algumas pessoas - do mesmo modo como eu fazia anos atrás - questionam o trazer alguém novo à vida quando há tantos que poderiam ser acolhidos e cuidados do mesmo modo, o que, além de colaborar com a melhoria de vida iria diminuir as misérias existentes.

Outros, questionam essa vinda por visualizarem um futuro sombrio, um mundo com muitas nuvens escuras e tempestades que tornarão a vida muito difícil, senão impossível.

Defendo ainda, muitas partes desses argumentos. São válidos, sim. Mas descobri, por meio da experiência e das forças que concentrei em minha vida, que essa é apenas uma parte da história.

Tempestades vem e vão. São assustadoras, mexem com nossos temores mais profundos e com a memória genética de um passado aonde os fenômenos naturais eram reverenciados.

Tempestades produzem seus efeitos, transformam o que tocam e geram na superfície tocada algo novo: isso acontece em toda a natureza (humanos ou não).

Tempestades ensinam que, por pior que pareça a situação, logo após o sol volta a brilhar, o mundo se refaz, a vida continua.

E apesar de sermos como uma espécie de vírus destruidor desse planeta, temos em nós, também, o campo de possibilidades da transformação diante do terrível, do insolúvel ou improvável, do que denominamos de morte.

Então, cada semente nova que plantamos, cuidamos e ajudamos a florescer pode trazer a resposta para aquela doença sem cura, para aquela visão míope que impede de vermos o adiante e para aprendermos a reestruturar o caminho.

Nesse momento é assim que imagino a chegada desse meu novo Lucas: esperança para um mundo que poderá, como o seu xará, vir a transformar sua realidade - o também Lucas foi aquele médico amado do passado, citado na Bíblia.

E que, como ele, venha a nos relembrar que não apenas a ciência, mas o amor e o cuidado curam; que quando nos dispusermos a ouvir a história de cada um, entenderemos que o aprendizado produz os efeitos mais duradouros; que ao compartilharmos essas experiências, outros serão capazes de reavaliar seu percurso - e isso transforma vidas.

E não, não estou pré-determinando os meus desejos ou o dos seus pais sobre a criança. Principalmente porque sei da disposição de alma que eles possuem, o valor do aprendizado de suas vidas que são manifestados em muitos momentos da nossa convivência. E isso, sim, quer dizer algo. Exemplos vivos, respeito ao ser e vontade de acertar são mais poderosos que qualquer forma de educação formal. É a transmissão de algo que não se nomeia, pois é o fruto do que eles acumularam em sua jornada e que foi usando para contribuir para a melhoria de suas vidas e a de todos ao seu redor.

Então, a força desejante de minha vontade será dirigida ao pequeno ser para que, desde já, seu aprendizado esteja moldando um ser que irá abrir as portas do infinito, vencer as ilusões dessa forma de ser no mundo e, com isso, caminhar em plenitude.

Isto porque o que mais esse mundo precisa é de seres plenos, seres pensantes que entendam o mundo só é mundo porque somos nós que o construímos e depende apenas de nós o transformá-lo.

E, por um certo momento de egoísmo, espero que, como aconteceu com o meu afilhado, o texto que escrevi possa ser lido pelo Lucas e eu ainda esteja por aqui para conversar com ele a esse respeito, pois essa foi uma experiência maravilhosa que eu tive e gostaria de compartilhá-la com ele.


Wellington de Oliveira Teixeira, em 13 de maio de 2012.
* Nos livros de Carlos Castaneda

Aninha, minha linda, um feliz dia das mães para você.

2 de mai. de 2012

O modo como sou chamado


UFF, Gragoatá Bloco N do ICHF, por Wellington de Oliveira Teixeira em 16/12/2011
UFF, Gragoatá Bloco N do ICHF, por Wellington de Oliveira Teixeira em 16/12/2011



Paixão, amor, ódio e agonia
viram marcos, viram dores ou viram poesias.
Canibais instintos, livros em fogueiras...
o mar ao longe, bem na beira, move areias.
(Movimento - Wellington de Oliveira Teixeira)

E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração. (Bíblia - Jeremias 29:13)


EU TE AMO (Português do Brasil), Ich Liebe Dich (Alemão), Ek is lief vir jou (Africano), Te dua(Albanês), Ohiboka(Árabe), Obicham te (Búlgaro), Dangsinul Saranghee yo (Coreano), Jeg Elsker Dig (Dinamarquuês), Te Amo (Espanhol), Je T'aime (Francês), S'ayapo (Grego), Ani Ohev Otach (Hebraico), Ik Ben Verliefd op je (Holandês), I Love You (Inglês), Ja Te Volim (Iuguslavo), Ti Amo(Italiano), Kimi o ai shiteru(Japonês), Bahi Bak (Libanês), Wo Ai Ni(Mandarim), Eg Elskar Deg (Norueguês), Amo-te (Português de Portugal), Ya tebya Liubliu(Russo), Jag a'lskar dig(Sueco), Miluji Te(Theco), Seni Seviyorum(Turco), Toi yeu em(Vietnamita), Mena Tanda Wena(Zulu).

Apesar de formas tão diferentes de dizer, a manifestação não se altera, em essência. Basta entender para que haja o efeito da fala. Se eu compreendo, sou atingido pelo alcance da expressão.

Durante minha vida fui chamado por diversos nomes: well, tonlingwell, ton ou tio Ton, big, amor, querido, mano, moleque, filho, pai, sobrinho, vô, lindo, feio, coração, crioulo, índio, dentre os que eu me lembro. Não importou o modo, o importante é que me chamaram e eu atendi ao chamado.

Alguém me dise que era besteira alguém esclarecido como eu ficar chamando Deus, Jesus. Que isso que as filosofias e religões apresentam como uma Consciência superior não posui nome.

Para mim, também, não há realmente nenhum rótulo possível.

Mas então por que que eu chamo de Deus ou de Ordem? Por que eu não me importo quando outros utilizam outros nomes para designar essa mesma concepção, ou algo assemelhado?

Minha cultura ocidental é permeada de conceitos prévios à minha existência que, querendo ou não, me permearam e me construíram em certo grau.

Ao mesmo tempo, me instrumentalizou com filosofias, técnicas e ciências de modo a poder relativizar o meu egocentrismo. Foi importante entender que se eu sinto dor, os outros também sentem. Se eu me alegro, outros também o fazem. Mas o que gera um ou outro em mim, não é o mesmo que irá gerar no outros os sentimentos análogos.

A cultura latina da alimentação me fez um apaixonado por massas, arroz-feijão-bife-batatafrita-ovo-salada, frutas e legumes originais [não aqueles de lata, vidro ou saquinho]. Só que muitas dessas coisas que me referenciam, não existem, nativamente, em outros locais do mundo.

Fiquei horrorizado ao ver refeições feitas com escorpiões fritos, lesmas e bichos vivos.

E você pode compreender essa minha reação, não pode? O diferente é algo difícil de assimilar.

Foi por aí que vi como é difícil, também, desfazer aqueles rótulos que impusemos aos outros por seu comportamento, modo de pensar, vivências, falas, costumes, cor, etc.

Superar essa concepção me ajudou a entender que, se eu hoje entendo algumas dessas diferenças e elas não mais me atingem, nem agridem, como não o fará um ser infinitamente superior a mim?

Foi esse um dos mais difíceis aprendizados de minha vida: entender que não importa como o chamam, mas que o chamem.


Wellington de Oliveira Teixeira, em 02 de maio de 2012.


* Lista de títulos e nomes de Deus (apenas os Judaico-Cristãos)

Vários dos termos abaixo mencionados são títulos aplicados ao nome divino, como Shadday (Todo Poderoso), e outros termos. A palavra El em hebraico significa literalmente "forte", "poderoso", comumente traduzido pelo título "Deus". Predominantemente, nas referências feitas nas Escrituras Hebraicas(Velho Testamento) mencionando a identificação do nome de Deus (Ex.: Sal. 83:18; Amós 5:8; Isaías 42:8, etc.), é utilizado o tetragrama יהוה, comumente traduzido por Iavé, Javé, ou Jeová. Nem todas estas traduções são aceitas por todos os cristãos. (Leia a respeito em http://pt.wikipedia.org/wiki/Nomes_de_Deus)
Aará - Meu Pastor
Adon Hakavod - Rei da Glória
Adonay (חשם) - Senhor
Attiq Yômin - Antigo de Dias
Divino Pai Eterno - uma concepção a Deus Pai El (אל) - Deus "Aquele que vai adiante ou começa as coisas"
El-Berit - Deus que faz pacto ou aliança
El Caná - O Deus Zeloso
El Deot - O Deus das Sabedorias
El Elah - Todo Poderoso
El Elhôhê Israel- Deus de Israel
El-Elyon (עליון אל)- Deus que faz pacto ou aliança
El-Ne'eman - Deus de graça e misericórdia
El-Nosse - Deus de compaixão
El-Olan (םאל על)- Deus eterno, da eternidade
El-Qana - Deus zeloso
El Raí - O Deus que tudo vê
El-Ro'i - Deus que vê (da vista)
El-Sale'i - Deus é minha rocha, o meu refúgio
El-Shadday (שרי על)- Deus Todo-Poderoso
Eliom - Altíssimo
Elohim – (plural) (אלחים)- Deus; Criador "implícito o poder criativo e a onipotência"
Eloah – (singular) (ה׀לא)- Deus; Criador "implícito o poder criativo e a onipotência"
Gibbor - Poderoso
Há'Shem – (השם)- O Nome - Senhor - o mesmo que YHVH
Jehoshua - Javé (ou Jehová) é a Salvação
Javé Jire - também conhecido como Deus de Abraão, Isaque e Jacó.
Kadosh - Santo
Kadosh Israel - Santo de Israel
Malah Brit - O Anjo da Aliança
Maor - Criador da Luz
Margen - Protetor
Mikadiskim - Que nos santifica
Palet - Libertador
Rofecha - Que te sara
Salvaon - Senhor Todo-Poderoso
Shadday (שרי) - Todo Poderoso
Shaphatar - Juiz
Yahweh - Javé
Yaveh (Ha'Shem) El Elion Norah - O Senhor Deus Altíssimo é Tremendo
Yaveh (Ha'Shem) Tiçavaot - Senhor das Hostes Celestiais
Yeshua - Jesus o Nome sobre todo o Nome
YHWH – (יהוה) - Tetragrama; Um nome difícil, quase impronunciável, de Deus; quase sempre traduzido por Senhor.
Yehoshua - (Jesus)é o Salvador
Javé - (Ha'Shem) é a Salvação
YHWH (Ha'Shem) Eloheka - O Senhor teu Deus
YHWH (Ha'Shem) Elohim – (יהוה אלהים) - Senhor (criador) de todas as coisas
YHWH (Ha'Shem) Hosseu - O Senhor que nos criou
YHWH (Ha'Shem) Jaser - O Senhor é Reto
YHWH (Ha'Shem) Jireh – (יהוה ידח) - O Senhor proverá – Deus proverá
YHWH (Ha'Shem) Nissi – (יהוה נסי) - O Senhor é a Minha Bandeira
YHWH (Ha'Shem) Raah – (יהוה דעה) - O Senhor é o Meu Pastor
YHWH (Ha'Shem) Rafa – (יהוה דפה) - O Senhor que te sara
YHWH (Ha'Shem) Sabaoth – (Sebhãôh) – (יהוה צכאח) - Senhor dos Exércitos
YHWH (Ha'Shem) Shalom – (יהוה שלום) - O Senhor é Paz
YHWH (Ha'Shem) Shammah – (יהוה שמה) - O Senhor está presente; O Senhor está ali
YHWH (Ha'Shem) Tsidikenu – (יהוה צדקנו) - Senhor Justiça nossa; O Senhor é a nossa Justiça
Yochanan (Yehochanan)- João - no sentido de Deus se compadeceu, Deus teve misericórdia

22 de abr. de 2012

Dizer sem palavras?

M3P turbilhão, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 19/07/2007
M3P turbilhão, criado em 19/07/2007
A gente está um pouco só no deserto.
- Entre os homens também, disse a serpente.

(O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry)

Quando não sei dizer com palavras, fico buscando uma imagem dentro de mim.

Ela tem que vir à tona, alcançar a superfície e se transferir para um arquivo de computador.

O motivo? Não sei bem. Tento muito poucas vezes explicar. Um possível poderia ser o fato de que gosto de alcançar as pessoas e, quem sabe, lhes dar um momento de contemplação de si mesmas: só por torná-las um pouco mais felizes, eu me sinto também assim.

Espero que o tempo não tenha apagado as boas marcas da história de nossa amizade em você, porque na superfície do meu coração elas continuam muito claras:

Amigos São Amigos Pra Sempre!

Estou aqui e, quando você sentir necessidade, ao seu lado.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 19 de julho de 2007.

*Imagem e texto enviados para Marcelo Mendonça Pereira, músico e grande amigo.

5 de mar. de 2012

Reconstruindo percepções


Língua de águas, criado em em 16/01/2008


Caro Amigo*,

Nesse período de tempo de nosso convívio, aconteceu de haver continuidade de pensamentos e sentimentos. E tentei produzir, desse novo momento, o jogo de palavras que pudessem expressar o que aconteceu entre nós.

Palavras são apenas instrumentos. Nós fazemos uso, e devemos cuidar delas, principalmente por que são um excelente meio de construção de si mesmo – o que projeto, mesmo que parcialmente, me representa de modo que me espelho e nos vejo.

Caminhos se produzem e são produzidos em si mesmos.

Cai na PAz!


Está chovendo. Gotas mais que gostosas de uma cachoeira sobre um corpo que, apesar de antes não se deixar umedecer e refrescar-se por medo da força da queda d'água, ousou tentar.

Uma, duas, três vezes e percebeu que era mais o frio posterior do que o toque da água que provocava aquela sensação de ter que sair logo. Num outro momento se assustou e se afastou: descobriu que a água pode ser rasa e frágil ou caudalosa e destruidora.

E, agora o tempo passado, retornou o desejo de tentar, experimentar aquela incrível sensação do novo, do refrigério da alma, do sentir-se amado e tocado pela fluidez — mágica é a palavra para descrevê-la.

E veio, vindo aos poucos, ao encontro do reencontro consigo. Como seria? Como reagiria? O que permitiria? O que ousaria?

E aconteceu que a água não estava mais caudalosa: corria e caia com suavidade e não era invasiva.

Os poucos toques só trouxeram paz e a capacidade para saber que a força voltara a fluir: o magnetismo entrou em ação para vir trazendo do universo as pequenas peças de encaixe que recomeçaram a completar o grande quebra-cabeça do primeiro encontro.

Os antigos pontos de afluência se ativaram, os pontos de aglutinação se reacenderam trazendo consigo percepções bem leves e estruturando um novo campo de forças - e um pouco da antiga temerosidade pelos rumos dos acontecimentos.

Mas a água trouxe o relaxamento, a paz, e seguiu acessível sem deixar de seguir seu caminho. Mais que isso, a certeza de que era hora de mergulhar, sentir-se imerso em sua imensidão e aprender com seu mundo de transformações constantes.

Uma sombra de dúvida pairou ainda: há o preparo para sentir-se absorvido, entrar e deixar-se levar, para reinventar o modo de ser? É possível equilibrar dois modos de vida tão diferentes, sem se perder?

A lua cheia do alto do centro do planeta emitia um halo de luz ao seu redor e a pequena garoa que caía só fez realçar a beleza de sua aparição: equilíbrio no céu e, na terra, um sorriso teimava aparecer por causa da imensa paz no ser.

E eu sussurrei no seu ouvido palavras de amizade e amor e depois foi sua vez de ligar para eu saber que você fora capaz de ouvir, mesmo sem saber o quê.

Dormi e acordei pleno de vida.


Wellington de Oliveira Teixeira, em 15 de abril de 2006.

* Para Cµssa e Zé Henrique que me ensinaram um pouco mais da minha própria vida

30 de dez. de 2011

Arco-íris

Kundalini, criado em 27-12-2011

Se fosse fazer uma teoria sobre a vida, resumiria em poucas palavras: a vida se compõe de energia de amor e fé que fazem funcionar todos os entes dos mundos existentes ou ainda não e produz intercâmbio entre eles.
Wellington de Oliveira Teixeira

Um dia alguém me ensinou e eu quero honrar a herança deixada, honrar a sua disposição de espírito e honrar o seu espírito de doação.

Sinto saudades dos mestres que a vida me proporcionou e que seguiram por outra direção, na rota de seu destino, como Seres Pensantes que são.

Um deles, Celio, na época em que eu trabalhava na Reitoria da UFF, no intervalo do trabalho, após me ensinar os primórdios dos bancos de dados (no caso, o dbase - um software pré-histórico, para os dias de hoje), me convidou para ir ao Ponto Jovem da Miguel de Frias para lancharmos.

O que se seguiu foi uma experiência que guardo comigo, até hoje.

Em frente, a praia, o céu limpo, o sol radiante, poucos transeuntes, ele me apresentou um conceito da energia violeta.

Talvez seja melhor discorrer um pouco sobre faixas de energia, para esclarecer a questão, um pouco. Pois bem, as cores, como a conhecemos em sua faixa visível aos olhos humanos, nada mais são do que frequência energética dentro de um espectro limitado, com cores variando entre o branco, o amarelo, o vermelho, o azul e suas intermediárias e misturas em diferentes graus. Cada cor tem a sua medida mensurada. Na lista não incluí a ausência de cor, que chamamos de preto, mas incluí o branco, que é a soma de todas as cores.

Como iniciei o meu relato, por conta de um espetáculo da natureza, um maravilhoso arco-íris que se apresentou por alguns instantes, fui introduzido a uma questão complicada: as energias que todos os seres compartilham e como elas atravessam e entrelaçam tudo o que há.

O ponto de vista dele utilizava como ponto de partida o conceito da física, como narrei anteriormente, e seguia para um caminho um pouco menos perceptível e muito mais conceitual, isto é, tudo é energia. Questionava como seria possível deslizar entre as suas faixas, quais propriedades que determinada faixa representaria, que influências dentro do espectro visível da vida de cada um poderia apresentar.

Uma a uma, foi descrevendo, e me impressionando com a forma de raciocínio e as implicações que a sua lógica produzia em relação à vida cotidiana.

O grande momento, para mim, foi quando ele descreveu o que ele citou a energia violeta que chamou de kundalini**. O nome e o conceito, naquela época, me eram desconhecidos e os famosos chakras, ou núcleos de energia, que estão divididos num corpo, eram apenas vagas concepções da época em que havia lido O Manto amarelo e A Terceira Visão*, influenciado pelo pensamento holístico do meu tio Nagil Teixeira, que gostava de leituras carregadas de pensamentos orientais.

A energia de vida, que promovia equilíbrio e gerava uma interface entre os seres e podia ser acessada e utilizada para fins altruístas era uma forma de ver o mundo muito diferente do que eu havia aprendido nos bancos de uma igreja batista, aos domingos, mas nao distante demais ou incompatível com o meu entendimento sobre questões espirituais.

A apresentação dele foi tao importante que a partir daquele dia fui buscar novas formas de entender o mundo, novos modos de ler o que chamava de realidade. Tentei encontrar pessoas que possuíam visão diferenciada e mais trabalhada que a minha. Trabalhei novas ideias e passei a formular as minhas próprias teorias sobre a vida.

Hoje, posso dizer que me sinto muito mais seguro de mim e de minhas formas de pensamento, até mesmo mais feliz.

Então, ao terminar esse ano de 2011, nada mais justo que agradecer àqueles que se dedicam a buscar o conhecimento e a transmiti-los, mestres no verdadeiro sentido da palavra, educadores que transformam o mundo pela forma como propiciam a mudança na vida dos que os encontram.

A esses seres pensantes, minha gratidão, meu respeito e meu desejo que Caiam na Paz!

Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de dezembro de 2011.

* Livros de Lobsang Rampa de 1966 e 1956, respectivamente.
** Kundalini ou em sânscrito: कुंडलिनी, significa algo como "enrolada como uma cobra" ou "aquela que tem a forma de uma serpente", é a energia que transita entre os chakras, o poder espiritual primordial ou energia cósmica que jaz adormecida no centro de força situado próximo à base da coluna, e aos órgãos genitais.
É a energia do Universo em seu aspecto Purna-Shakti, total, como potencial, sendo o Prana-Shakti o aspecto biológico, ou fisico, como calor, eletricidade, etc. Conheça um resumo em http://pt.wikipedia.org/wiki/Kundalini

19 de dez. de 2011

Sugado

Cupido
Cupido dobrando seu arco*

Novo mundo - grande horizonte
Abra os olhos e veja que é verdade.
Novo mundo - do outro lado das assustadoras ondas azuis
(David Wilcox))

A dor, a saudade, a sensação de solidão, sentimentos partidos, a vontade imensa de rever. A lista pode prosseguir tão facilmente que assusta.

Sim, estou discorrendo sobre o término de um relacionamento. Talvez, após a perda considerada sem retorno, a forma de luto mais difícil para o ser humano enfrentar.

Claro que, como para tudo, há uma solução. Ou várias. Qual delas se aplicará e imprimirá a marca desejada para mente e coração voltarem a conviver em paz, e permitirá a liberdade do espírito que foi aprisionado?

Meu guri, sobrinho emprestado há muitos anos, está vivendo uma experiência assim. Ele acha que estou longe dele, que não o apoiei quando me enviou uma mensagem sms solicitando força.

E é aqui que a experiência de vida nos orienta a dar os passos. Envelhecer nos dá uma noção de espaço-tempo um pouco mais ampliada. Uma pequena elevação na qual subimos e avaliamos o campo abaixo: ambos os lados e o centro; distâncias e passos a serem dados, por qualquer dos lados; uma análise um pouco melhor do campo de forças existente.

Mas, não existe remédio para a dor, quando se acredita em falta. Pode colocar um F maiúsculo nela, pois é capaz de eliminar as conquistas, as forças absorvidas, os momentos felizes como um buraco negro das galáxias que retira toda a luz do seu redor como um campo magnético imenso puxando tudo para o seu interior faminto.

Meu menino está se sentindo assim: sugado.

Para ele, a questão está apenas ali. E ele não é diferente da maioria, nesse caso.

Mas essa frase anterior é apenas quase verdadeira, pois o meu guri é alguém extremamente diferenciado em suas práticas de vida. Escolheu caminhos que o fortaleceram como ser pensante, como ser social, como ser espiritual e que o encaminharam para um patamar de nível superior: a produção de sua vida influi diretamente na de muitos, sua energia se amplia e alcança mundos que são desconhecidos por ele, como certamente milhões de pessoas diriam se o tivessem conhecido e sabido dos investimentos que fez na ordem do desconhecido - aquela ordem em que a fé é suprema.

Mas é quase impossível para ele nesse momento ampliar seu olhar e aplicar a Visão (têm olhos, mas não vêem). Se o fizesse teria avaliado o momento como todos os outros vividos - nenhum é melhor ou pior do que outro - se o encarar como um desafio de vida. Desafio que ele buscou, ao seguir a meta do aperfeiçoamento.

Insensibilidade não é o que eu estou passando. Ao contrário, estou me empenhando em descobrir as formas de transmitir-lhe a forma dele mesmo obter energia extra que o fará conseguir ultrapassar não apenas esse momento, mas todo e quaisquer outros que venham ao seu encontro.

Como ser pensante que é, meu sobrinho não está passando pela vida: ele a vive intensamente. Intensidade essa que o atravessa agora e o potencializa para aprender com o campo dos encontros.

Silêncio pode ser uma grande arma para quem ama utilizar. Mas em outros momentos é preciso expressões manifestas. 'Vôe por todo o mar e volte aqui pro meu peito...' um trecho da música O Vento, do Jota Quest, em que a banda registra em poesia cantada essa questão é um exemplo de a dor gerando algo bonito que ultrapassa o momento e atinge milhões de pessoas, numa sequência exponencial.

A força que cada um possui depende de aonde é aplicada. Muitos demolidores aprenderam isso na prática. Viram o desafio gigantesco ruir aos seus pés, com aplicação nos pontos certos da carga explosiva que possuem. Tudo tem seu calcanhar de Aquiles. Basta avaliar e achá-lo.

Mas um processo assim não merece ser interrompido, nem mesmo atrapalhado com uma força externa. Estragaria o poder do aprendizado, a alegria da vitória e colocaria em outras mãos o troféu.

Sei disso e ajo da maneira que considero melhor. Um poderoso silêncio que carrega uma intenção inflexível de colaborar com a grande ordem do universo a fim de que todo o campo de energia ao redor dele colabore (algum tempo atrás ouvi a expressão 'conspirar' para isso) para que esse guerreiro saia do campo de batalha vitorioso e certo do aperfeiçoamento conquistado junto com a energia de vida que o potencializará para enfrentar os próximos desafios.

A você, meu querido Francis Lauer** (Santa Maria - RS), meus melhores pensamentos, sentimentos e ações.

Aguardo para ouvir, com alegria, a história de sua superação.

Meu abraço afetuoso e meu intento de que você Caia na PAz! (Amor e Entendimento!!!)

Wellington de Oliveira Teixeira, em 19 de dezembro de 2011.


* Cupido dobrando seu arco, cópia romana de um original grego atribuído a Lisipo, Musei Capitolini, Roma.

** Nos áureos tempos do mIRC (dinossauro das mensagens instantâneas, de hoje), participávamos de salas de bate-papo que discutia o mundo desconhecido, invisível, espiritual. E dele, naquela época apenas um gurizinho, recebi bons textos e pude compartilhar boas conversas. Até hoje não tivemos a oportunidade de um encontro pessoal, mas isso não impediu a grande amizade que se desenvolveu.

9 de out. de 2011

Se eu fosse escrever uma história de amor

História de amor, criado por História de amor, criado em 09/10/2011
História de amor, criado em 09/10/2011

Eu procuro um amor Que ainda não encontrei
Diferente de todos que amei...
Nos seus olhos quero descobrir Uma razão para viver
E as feridas dessa vida Eu quero esquecer...

Pode ser que eu a encontre Numa fila de cinema
Numa esquina Ou numa mesa de bar...

Procuro um amor Que seja bom prá mim
Vou procurar Eu vou até o fim...
E eu vou tratá-la bem Prá que ela não tenha medo
Quando começar a conhecer Os meus segredos...

Eu procuro um amor Uma razão para viver
E as feridas dessa vida Eu quero esquecer...
Pode ser que eu gagueje Sem saber o que falar
Mas eu disfarço E não saio sem ela de lá...

(Segredos - Frejat)


Se eu fosse escrever uma história de amor, eu não saberia iniciar e nem terminar.

É que eu creio que a gente nunca sabe quando o amor começa, quando a sua marca se torna indelével na alma e imprime seu toque ímpar, aquele que nos modifica para sempre. Momento tão distinto assim é algo que, de tão interessante, deveria ter uma placa de aviso afixada no caminho da vida. Tipo um aviso de estrada ou arco de entrada das cidades litorâneas do Rio de Janeiro.

A bem da verdade, acho até que, após algum tempo, ela aparece e fica exposta, mas não creio que seja no momento exato quando o amor chega, me parece que espera um tempo para confirmar a sua veracidade e só então se fixa.

Essa questão de veracidade tem a ver com a confusão que se faz entre um romance, uma paixão, um encontro casual ardente, que também deixam alguma marca, com esse sentimento e movimento interno que nos transtorna e, de vez em sempre, nos transforma.

Acredito, também, que o final de um romance é algo acontece. Pequenos romances podem ser como uma hospedaria ou hotel: local bom para ficar por algum tempo, mas não para se morar. É que, para mim, o amor se eterniza no local aonde fez morada algum dia. A impressão é que se a gente chega a dizer adeus, ele ignora e fica em stand by. É como uma casa de campo ou de praia que se visita apenas num período de férias ou feriado. Fica lá, esperando ser habitada uma outra vez. E como você sabe, é possível se ter mais de um tipo de moradia... e, para mim, de amor.

Algumas vezes, me divirto com a meninada de hoje, expondo a sua vida em redes sociais e comunicadores instantâneos. 'ALGUM-NOME, você é o amor da minha vida', 'ALGUM-NOME, vou te amar pra sempre'... e alguns dias depois, tudo de novo, mas o ALGUM-NOME é outro. Acontece assim. Início, meio e fim com duração imediata, quase instantânea, e fugaz.

Frejat fez uma divertida música*, com um toque de humor muito especial, e num trecho ele diz 'Homem não chora por dor nem por amor... Esse meu rosto vermelho, molhado, é só dos olhos pra fora. Todo mundo sabe que homem não chora.' Se eu fosse tentar encontrar um ponto aonde diria que o romance realmente acaba, diria que é exatamente aí, quando um homem faz isso que o Frejat canta [meu riso veio espontâneo aqui e foi tão legal que quis registrar].

Mas histórias de amor não são histórias comuns, não são histórias de romances, apesar de haver muito romance nelas. Não me aventuraria afirmar que sejam para todos, como para mim, eternas. Todos os meus amores moram comigo naquela moradia que citei acima. E, para a minha felicidade, apesar de sempre haver mais vagas, a minha casa está lotada: as últimas entradas foram de Miguel e Lucas, irmãos gêmeos, nascidos há cerca de oito meses, filhos dos meus afilhados Jaqueline e Felipe.

E realmente não sei quando começou, se foi antes do nascimento, se quando eu os peguei no colo e os abençoei, num outro momento de cuidado. Mas aconteceu. E, agora, é para sempre.

Um dia desses, após um período muito desafiador e sofrido para o Miguelzinho, que havia saído da UTI de um hospital por problemas no pulmão, fui com meus afilhados visitá-lo. Algo que vi, me marcará para sempre a história com ele. Ele sorriu e deu uma risada, do tipo gargalhada, linda, maravilhosa. Naquele momento eu percebi que o amor já havia se instalado. A placa se elevou e o arco ganhou nome.

Bem, como eu disse no início, contar história de amor para mim é complicado, pois não acredito que possa finalizar.

Um dia, há muito tempo atrás, me apaixonei por uma música** mas, por não gostar da tradução que fizeram para ela, me pus a trabalhar a imagem que ela me trazia, o seu contexto, a sua mensagem e, ao concluir sua tradução, entendi que o que nela estava escrito seria a marca registrada de minha vida. Fica então como uma espécie de substituto para o final...

O tempo de uma vida não basta para se viver uma amizade:
Amigos São Amigos Para Sempre!!!

Wellington de Oliveira Teixeira, em 1º de outubro de 2011.


* 'Homem não chora' (Frejat) você assiste em http://www.youtube.com/watch?v=fD93ALYXNNI&feature=related.
** Friends (Michael W. Smith) você assiste em http://www.youtube.com/watch?v=IbPKaIozS-c

13 de ago. de 2011

Golfinhos e afilhados


Golfinhos, pintura em parede feita por Wellington, Tiago e Tayane em 1995Golfinhos, pintura em parede em 1995.

Oh, pedaço de mim, Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento, É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim, Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco, Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim, Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto, A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim, Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada, É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim, Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo, E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor

Adeus.

(Pedaço de Mim - Chico Buarque)*


Histórias são para ser contadas, mesmo com tão poucos bons contadores de histórias.

Uma expressão de uso comum para designar mentirosos é Contador de história. Está implícito aí uma referência pejorativa, já que ninguém aguenta ficar ouvindo baboseiras. Daí outra boa expressão: meu ouvido não é pinico!

De vez em quando, a vida proporciona um encontro especial com uma pessoa, um texto, um filme, que apresenta uma boa história.

Gosto de classificar desse modo aquelas que nos divertem, nos emocionam, nos prendem a atenção e, com isso, nos ensinam. Àquelas que não têm público alvo e alcançam de crianças a adultos. As que permitem a simplificação para torná-las acessíveis a todos, independente do modo como foram escritas ou apresentadas.

Tenho observado que o exercício de contar histórias aperfeiçoa a capacidade de criá-las (isso vale também para os mentirosos, infelizmente!).

Um dos meus afilhados, Tiago, na semana passada completou 19 anos e resolveu fazer um projeto: pintar as paredes do seu quarto, para representar o seu mundo, hoje. E, para isso, me pediu uma contribuição: uma arte.

Tiago e sua irmã Tayane, quando tinham três e dois anos, respectivamente, adoravam momentos criativos. Leituras, pinturas, jogos, filmes, tudo era um bom pretexto para momentos de grande prazer e compartilhamento.

Um dia, a mãe deles propôs algo muito interessante, que logo prendeu a atenção dos dois: pintar a área de trás da casa que estava com uma pintura um pouco (talvez demais!) mal feita.

Seria uma atividade para todos e cada um poderia expressar-se como quisesse. Para iniciar, começou a criar flores na lateral de uma das paredes, numa espécie de moldura. Ao que eles, com olhos refletindo o brilho dos momentos de travessura, não demoraram a pegar pincéis, tintas e a começar a criar a sua arte.

Lembro-me de Tiago perguntar-me se eu pintaria. Ao que eu repliquei: você vai me ajudar? O riso e a felicidade dele foram suficientes para me incluir no projeto.

Lembro-me, também, que eu tinha assistido, algum tempo antes, o filme Imensidão Azul**. Inspirado nele, fiz uma área retangular e deixei que meus afilhados pintassem de várias tonalidades de azul, colocando alternadamente, cada um em meu colo. Por fim, incluí os dois do modo como achei que deveriam ser naquele momento: dois golfinhos brincalhões, com um mundo de águas ao seu redor para se divertirem.

Contei para o Tiago a história dessa aventura e daqueles momentos de sua infância. Nesse instante, percebi que a magia daquele momento foi revisitada e reacendida, em ambos.

Sem sombra de dúvidas, uma boa história torna-se atemporal e possui a capacidade de avivar em nós o valor da vida e dos sentimentos mais plenos que somos capacidades de vivenciar.

Ao término de nossa conversa, pensei 'é hora de imaginar o que irei desenhar dessa vez'. Afinal de contas, meu afilhado já é um homem com experiências próprias e merece algo que reflita tudo o que já conquistamos.

Depois, com um sorriso bem maroto surgindo em meus lábios, desejei para ele muitas histórias como essa para contar para o mundo.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 13 de agosto de 2011.


* No caminho para o aeroporto Santos Dummont, eu e o Tiago fomos conversando sobre os monstros sagrados da música e seu valor na atualidade. Um dos nomes avaliados foi o de Chico Buarque.
** Le grand bleu, dirigido por Luc Besson. O filme contava a história de Jacques Mayol, conhecido como "homem-golfinho" (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Mayol).

26 de jul. de 2011

Os pequenos fundamentos da vida

Enfrentando o fantasma, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 25/07/2011Enfrentando o fantasma, criado em 25/07/2011.

A duração de uma vida não é suficiente para se viver uma amizade.
Amigos São Amigos Pra Sempre!
(Friends - Michael W. Smith)

A construção de jovens que queiram agir com correção em relação a sustentabilidade passa por um aprendizado.

Só terá a clareza para avaliar possíveis questões socioambientais os que tiverem em sua história aquele instante mágico em que fica paralisado diante das expressões naturais: da graciosidade simultanea à ferocidade do movimento de um jaguar; da engenhosidade do tecido das teias das aranhas; da intricada geometria e engenharia das casas de abelha; da força brutal das erupções vulcânicas, dos tsunamis, dos tremores de terra; e da delicadeza do magnetismo da aurora boreal. E, no caso humano, dos pequenos gestos de um bebê ao processo de crescimento e maturação do corpo, alma e espírito.

É preciso ensinar que a beleza se encontra nos olhos de quem vê, mas a natureza é pródiga em criar possibilidades de encantamento que podem ser diferentes para cada um, mas no todo, é universal. Todos possuímos a sensibilidade para tal e todos somos atingidos por seus eventos.

É preciso alertar para o lado obscuro, que nós humanos possuímos, capaz de engendrar no interior do ser um vilão ou um herói, dependendo de como for trabalhado.

É preciso amar incondicionalmente a vida, em todas as suas formas, e estar pronto a pequenos sacrifícios para que ela prospere e possa retribuir prodigamente, como é natural a todo amor.

É preciso aglutinar campos energéticos que atraiam outros seres e permitam o compartilhamento sem a deleção das individualidades, a não ser naqueles momentos onde o amor funde as pessoas em uma e em que não sabemos distinguir-nos de um outro.

É preciso acreditar na capacidade de transformação e de superação que todos nós possuímos e precisamos usar dia após dia.

É preciso mostrar com atos e atitudes que um ser pensante é aquele que entende isso, e busca ser pleno em tudo que faz, não para provar nada para ninguém, mas para afirmar que é possível e que vale a pena.

É preciso apostar que a vida é maior, o amor é maior, e que não custa tentar e apostar naquele pequeno grão de fé que existe em todos nós, naquele pequeno grão de mostarda...

Descobri, no meu aprendizado, que a família com que me acerquei - os nascidos parentalmente e os anexados e adicionados por afinidade ou diversidade - foi de fundamental importância para que o solo da minha vida pudesse frutificar.

Descobri na amizade uma força estruturadora de uma eficácia incrível, um suporte magnífico contra as grandes forças devastadoras do ódio, do desamor, da intolerância, do sofrimento e da dor.

Descobri na fé e na esperança o poder de ir adiante. Mas foi no amor que tive a maior revelação: podemos ser melhores do que somos, por nós mesmos, quando incluímos alguém dentro de nós, a partir da partícula divina, pois descobri que o melhor nome para Deus é amor.

E, felizmente, consegui entender que cada um tem seu próprio processo de descobertas e de aprendizados. Mais que isso, um tempo próprio para a absorção da amplitude do que conquistou, até que possa por em prática em sua vida. Por isso, disse no início desta postagem, que 'a construção de jovens que queiram agir com correção em relação a sustentabilidade passa por um aprendizado', que agora complemento: primeiramente nosso para que haja o do outro.**


Wellington de Oliveira Teixeira, em 26 de julho de 2011.


* Esse texto eu escrevi para me lembrar - em qualquer momento difícil no futuro - que vale a pena ser e estar nesse mundinho chamado Terra.
** Acrescentei esse parágrafo no dia 28 de julho, pois o texto me pareceu incompleto por não mostrar que o processo de aprendizado não é de mão única.

15 de jun. de 2011

O choque

O choque, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 14/06/2011
O choque, criado em 14/06/2011

Não estejais inquietos por coisa alguma;
antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento,
guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.
(Bíblia - Filipenses 4:6-7)

O dia-a-dia é aquele mestre que prega peças em seus alunos: de vez em quando dá uma prova surpresa e, é claro, pega quase todo mundo desprevenido.

Em alguns momentos, faz-nos sentir que as portas começaram a se fechar, as cores a desbotar e a vida a murchar.

É algo muito estranho: o positivo pode tornar-se negativo e, com isso, levarmos um choque.

Bichos soltos esse tal de medo, essa tal de insegurança. Bicho estranho esse tal de humano.

É... um dia de tristeza é algo assim.

Mas dias tristes são normais, tanto quanto os felizes. Aprendemos com os dois tipos. É meio estranho o fato de ser típico acabarmos destacando apenas os tristes.

Mas, de repente, basta um pouco de esforço nosso para que pareça que a porta começou a se abrir, a luz começou a brilhar e aquela flor a florecer.

Descobrimos que somos mais do que pensamos e que podemos ir além.

E a vida entra nos trilhos, a caminhada prossegue.

Sorrindo? Ainda não, mas quase.

Um esboço já vale a pena: é suficiente para nos encorajar e para despreocupar os que estão ao nosso redor buscando nos fazer sentir melhor.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 15 de junho de 2011 .

* Para o meu irmão, Beto Lobo, que está aprendendo a ver a mão de Deus e a Sua ação nos fatos de sua vida diária.