Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador energias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador energias. Mostrar todas as postagens

25 de ago. de 2015

É preciso estender a visão de mundo

Visão de mundo, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 25-08-2015.
Visão de mundo, criado em 25-08-2015.

32. E o mestre disse em meio ao silêncio:
"No caminho de nossa felicidade encontraremos o conhecimento para o qual escolhemos esta vida. É assim que aprendi hoje e prefiro deixá-los agora para seguirem o seu caminho como desejarem."
(Richard Bach — Ilusões. As aventuras de um messias indeciso, p.25-26)

Às vezes preciso rir de mim mesmo, tenho bons motivos para isso: vario, flutuo, me desencontro uma boa parte das vezes. Assemelho-me, do atual ponto de vista, como as ondas do mar em dia ensolarado e ventoso — pode até ser algo lindo de se observar; mas em outros momentos, a percepção pode ser bem diferenciada, especialmente quando estou lidando com os processos de sobreviver e conquistar obstáculos ou intempéries.

Nem melhor nem pior que ninguém, até acredito que há processos de desenvolver a vida bem mais ricos que o meu e que me encantam. Pessoas capazes de dar nó em pingo d'água no enfrentamento de suas questões (e a de outros, simultaneamente).

Eu já adotei o modo aprendiz nesse jogo da vida. Nele, capitanear os rumos é algo bem complicado, mas necessário. Em algum momento é preciso deixar o banco da escola e ir praticar. Então, procuro estagiar e buscar experiências e experimentações com outros que possuem o mesmo objetivo; criar grupos de interação que me permitam produzir e absorver desenvolvimentos.

Quando reflito sobre o quanto fui isolacionista, até me surpreendo com essa prática atual — não foi a idade que a trouxe, disso tenho certeza; foi a vivência e a transformação da vivência em aprendizado. Aqui e ali, me obrigo a um encontro comigo, sozinho, para ver os resultados. Me debruço sobre os rabiscos produzidos, os altos e baixos do terreno conquistado e o alcance que a nova energia conquistada na caminhada me permitirá ir, na próxima aventura. Gosto tanto que adotei a nomeação de poder pessoal (encontrada nos ensinamentos de Dom Juan, um xamã da tribo Yaqui) para essa força propulsora da vida.

Por fim, faço uma arguição em nível bem profundo: Qual a força de vontade me guia? As propostas e práticas que adotei produziram caminhos de liberdade ou de aprisionamentos? Continuo em paz comigo e com o percurso que faço? Compartilho com outros guerreiros os seus e os meus modos de superação, sem invadir-lhe a jornada pessoal?

Só após responder cuidadosa e verdadeiramente a essas questões eu me permito seguir nessa busca de ampliar a absorção e a difusão desse espectro de energia luminosa que torna a vida algo melhor para todos. Há realidades e planos de realidade, todas com potencia para expansão ou desperdício da força que se tem. Uma coisa já faz parte do meu reservatório de conhecimentos: para ir adiante, vivendo com plenitude, é preciso estender a visão de mundo, interagir e unir forças*.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 25 de agosto de 2015.

* Este pode ser considerado um modus operandi da natureza da evolução. São consideradas espécies evolutivamente complexas, aquelas capazes de autoconsciência. Reconhecer-se no espelho tem sido o método de avaliação dessa capacidade. Primatas, golfinhos, orcas e elefantes compartilham com os humanos essa capacidade.
Em comum, essas espécies demandam um grande período de cuidado dos pais e uma vivência social posterior, resultando em desenvolvimento de emoções e entendimento da alteridade (eu e o outro). Diferentemente de espécies cuja relação social é totalitária (abelhas, formigas ou cupins possuem estratificação social), a evolução da inter-relação amplia a criação das conexões complexas que denominamos amor.

15 de jul. de 2015

Cristalino

Cristalino criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 15-07-2015.
Cristalino, criado em 15-07-2015.

O que você pensaria se eu cantasse desafinado? Você se levantaria e me abandonaria?
Empreste-me seus ouvidos e lhe cantarei uma canção. Tentarei não sair do tom!
Ah, eu consigo, eu vou longe, eu tentarei, com uma pequena ajuda de meus amigos!

O que eu faço quando quem amo está distante? (preocupa-lhe a solidão?)
Como eu me sinto ao final do dia? (entristeceu-se por estar sozinho?)
Ah, eu consigo, eu vou longe, eu tentarei, com uma pequena ajuda de meus amigos!

Você precisa de alguém? (Eu preciso de alguém para amar!)
Pode ser qualquer pessoa? (Eu quero alguém para amar!)
Ah, eu consigo, eu vou longe, eu tentarei, com uma pequena ajuda de meus amigos!

Você acredita em amor à primeira vista? Sim. Estou certo que acontece a toda hora!
O que você enxerga ao apagar a luz? Não posso contar, pois sei que isso é meu.
Ah, eu consigo, eu vou longe, eu tentarei, com uma pequena ajuda de meus amigos!

(Beattles — With a little help from my friends)


Nada tão revigorante quanto criança. O aprendizado com os fluxos inconstantes e diversificados — por segundos apenas, estratificados — me parece a cristalização momentânea, conceito compartilhado pelo Eric, o pai do Pedro, um sujeitinho que eu reconheci ontem.

— "Eu gosto do verde. Esse, e do escuro também, e gosto do azul". E eu percebo o gostar de mexer, encaixar, descobrir profundidades e experimentar (às vezes com um olhar crítico da Patrícia, ao lado!). É preciso participar, ganhar um pouco (ou muito) da atenção, interrompendo o diálogo alheio. Alheio a ele e ao seu interesse.

E uma tarde inteira vai passando, os movimentos do pensamento sendo reordenados — às vezes é preciso apenas trocar as posições das peças que estão sendo usadas. Vale tentar, afinal de contas o mundo não acaba amanhã. Relaxa!

E o duro e pesado fardo das questões sociais, da participação consciente, da busca de novas formas de expandir as condições de expressão de outras potências vai se tornando um pouco menor, mais leve. Não por que as questões tornaram-se mais simples, por que nós nos permitimos equilibrar as forças do medo com as da amizade. Há fantasmas, sim! Assustam-me, como também ao Pedro. Saem com a capa balançando e dão um grito que pega a gente de surpresa. Passado o susto, esquecemos. Vamos em frente.

Guardo comigo o brilho dos lindos olhos na hora do sopro da sorte sobre as mãos quase fechadas, porque guardam uma moeda bem sacudida, antes de se dizer 'Cara ou Coroa?'. O riso e a gargalhada alta, quase um grito de agradecimento para a vida, sai ingênuo e encantador. Mais um ponto! Faltam mais um, três vezes, pra chegar ao 10 e ganhar a partida.

Assim como falta pouco para se restabelecer a ordem no meu universo: os pontos de identificação já se estabeleceram e o contato pleno se realizou. A energia flui novamente, porque desbloqueada.

Hoje, um dia depois, enquanto aguardo a operação de olhos de minha mãe, me embalo com esses sentimentos tão engrandecedores da alma. Me permito ao espírito efetivar novas forças a fim de que possam ser transmitidas como um imenso desejo de sucesso para a intervenção cirúrgica, de modo a retornar uma visão de mundo cristalina para a dona Marilda de Oliveira Teixeira, assim como retornou a minha com a grande ajuda de um pequeno amigo*.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 15 de julho de 2015.

* Eu contava com apenas sete anos de idade, quando um grupo de jovens inconformados com a hipocrisia de uma época se reuniram, passaram dias juntos. Foi o Woodstock. Talentos que definiram um novo rumo para a música mundial se apresentaram. Como todo movimento sem determinações prévias, houve excessos dos bons e dos maus.
Uma das boas marcas desse encontro ficou registrada interpretação de Joe Cocker para a música dos Beatles With a little help from my friends (Paul McCartney, com a última frase de John Lenon).
A mensagem se mantém viva e cristalina: É possível, com uma pequena ajuda dos amigos! Indico duas das interpretações do Joe Cocker: a do Woodstock (1969) e a do Queen's Golden Jubilee (em 2002, com participações de Phil Collins, na bateria, e Brian May na guitarra.)

30 de ago. de 2014

Energia em formato de memória

Memória, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 29-08-2014.
Memória, criado em 29-08-2014.

Confie em seu poder pessoal: é tudo o que temos neste mundo misterioso.
A escuridão é como o vento, uma entidade desconhecida à solta, que pode lhe pegar se não tiver cuidado.
Você deve entregar-se ao seu poder pessoal, fundir-se com ele…
Um guerreiro é impecável quando confia em seu poder pessoal,
sem considerar que ele seja pequeno ou grande.

(Dom Juan, em Viagem a Ixtlan de Carlos Castañeda, p.161-162)
É quando os fios de cabelo da nuca arrepiam e uma estranha sensação, vaga, de estar fora do tempo, é subtituída por outra que cola na mente uma certeza; não em outro.

Nesse momento, único em efeitos, em que perco o senhorio de mim, ao mesmo tempo em que me expresso mais verdadeiro que nunca; não em outro.

Só quando preciso encontrar um modo de racionalizar - qualquer um - para que esse encontro da alma com o infinito, com o atemporal, não me faça ultrapassar os limites de um corpo cada vez menos interessado no estático, no substancial, no sequencial; só nele.

Eu me confidencio, calmamente, que este tempo de vida é pequeno; que as marcas estampadas no invólucro individualizante cumpriram sua função; que os motivos encontrados para realizar essa jornada se esgotaram; que tudo se iguala e por isso mesmo ganha o mesmo status: não há importância pois tudo tem valor; que não há dor na paz, na aparência, talvez; que é quando um antigo fluxo se expande que um novo núcleo se aglutina: a vida não se desfaz se reconstitui em outras vias; que, a novidade chega não para ocupar o lugar do antigo, ela estabelece um novo;

Apenas um flash, um estalo. Em um piscar de olhos o tudo torna-se nada, melhor, visibiliza-se como apenas uma camada transparente - como as da cebola - que por um exato e ínfimo instante é permeável e permite ser transposto.

Não mais substância, o que se configurou forma desfaz-se e torna-se, aos poucos, o que sempre foi: uma energia que flui e ganha, em todos, o formato de uma memória.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de agosto de 2014.

* Quando converso com algumas pessoas sobre poder pessoal, cito o conceito de capacidades pessoais bem conhecido por cristãos, resumido em uma parábola (uma ilustração que permite a absorção imediata de um conceito difícil), como a que a palavra talento pode significar poder, capacidade ou habilidade pessoal, além do conceito de bem, gravado em moeda com esse mesmo nome.
Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens.
E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe.

(Bíblia - Mateus 25:14-15)

15 de ago. de 2014

Momento do equilíbrio

Momento do Equilíbrio, criado por Wellington de Oliveira Teixeira entre 14 e 15-08-2014
Momento do Equilíbrio, criado entre 14 e 15-08-2014.

Mas a mim me interessa exclusivamente que eu seja capaz de amar o mundo,
de não sentir desprezo por ele, de não odiar nem a ele nem a mim mesmo,
de contemplar a ele, a mim, a todas as criaturas com amor, admiração e reverência.

(Hermann Hesse - Sidarta, p.122-123)


Podemos ignorar ou não perceber, mas vivemos, instante após instante, sob o signo do desequilíbrio.

Instabilidades construídas intermitentemente impedem o saborear aquelas brechas onde a quietude assume - mas não a confunda, de forma alguma, com o fazer nada. É um não fazer da rotina diária que intuitivamente nos leva a restaurar os pontos que nos conectam às correntes de forças do universo, ampliar nossa integração com o todo.

É quando sentimos a paz emergir, controlar, até mesmo quando situados no centro de um campo de força de uma tempestade — tudo ao redor desabando e nada o atingindo.

É como meditar em movimento, uma espécie de Tai chi chuan: vencer o movimento por meio da quietude; a dureza pela suavidade e o rápido pelo lento.

Entender naturalmente a sua natureza, na natureza, usando apenas as grandes forças naturais: um fluxo contínuo de água, que percorrendo aclives, declives e obstáculos segue continuamente a encontrar-se com o equilíbrio.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 15 de agosto de 2014.

* No taiji (ou tai chi) há um entendimento das energias ampliado filosoficamente. O ji (极) remete à grandeza suprema enquanto o qi (气) do kung fu ao desenvolvimento da energia interna do praticante. Nas duas vertentes o equilíbrio é um ponto central.
Amplie seu conhecimento sobre o taichi em http://pt.wikipedia.org/wiki/Tai_chi_chuan

9 de jun. de 2014

O que importa à vida

Substrato, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 09-06-2014.
Substrato, criado em 09-06-2014.

Em verdade, em verdade vos digo:
Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou.
Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.
(Bíblia — João 13:16-17)

Com efeito, esse é o mistério da consciência.
Os seres humanos afastam-se desse mistério; nós nos afastamos da escuridão, das coisas que são inexplicáveis.
Encarar a nós mesmos em outros termos é loucura.
Portanto, não despreze o mistério do homem em você sentindo pena de si mesmo ou tentando racionalizá-lo.
Despreze a estupidez do homem em você, compreendendo-a. Mas não se desculpe por nenhum dos dois; ambos são necessários.
Uma das grandes manobras dos espreitadores é contrapor o mistério à estupidez que há em cada um de nós.

(Carlos Castañeda - O Fogo interior, p.177-178)


Fui tomado por um pensamento: Aprender o que importa à vida e não a mim mesmo.
Durante muito tempo a ordem da vida era a transformação, e tudo o que existia era fruto de um elemento anterior.

Assim foi o olho por olho, cujo entendimento era o de que para se gerar a vida era necessário uma vida; somente com a semente germinava uma planta, num ciclo da vida reiniciando com o que se denominou morte. Aquela visão de recomeço, pros antigos: a passagem de uma forma à outra, exigia o fim da anterior, cujo bom aprendizado era ofertado pelas borboletas.

Bem, de certa forma era a única opção existente até algum momento quando a Ordem gerou um novo estatuto, o da transmutação, e foi possível a transfiguração. Nele, o elemento básico não era de ordem física, nem espiritual, nem emocional, mas uma síntese inseparável de tudo o que havia, e, por sua essência, denominou-se amor.

Emissários apresentaram a nova Lei. Os que permitiram-se um novo modo de acesso à Ordem, descobriram seu poder regenerador, multiplicador e aperfeiçoador.
Essa seria a história que eu contaria, se tivesse a habilidade de contá-las de um modo convincente. Como tantas outras, buscando apenas espelhar um aprendizado de eras, que se acumulou nas tradições — as religiosas, inclusive — apenas para tentar demonstrar que o sentido da vida é a própria vida, mas em sua plenitude.

Como tudo que se combina e se transforma nas reações e sínteses de um corpo humano, apenas um espelhamento do que acontece no universo: um só corpo, uma só mente, um só espírito. A totalidade.

A nova Lei determinava que no que convencionamos denominar de partes constituintes — do mais ínfimo, nano ou outra palavra que defina o menor possível — estava o fundamento de tudo. Nela foi-nos apresentado o sentido do quem quiser ser o maior, seja como o menor, espelhe-se e aja no que há de mais simples. A reversão de um modo ser e estar estabelecido com a tecnologia da sobrevivência, a genética do mais adaptável, a preponderância do mais forte.

Os que dominavam no mundo de então estavam exauridos com a preocupação pela manutenção de seu poder que não podiam ter vidas próprias, sentimentos em seu estado mais puro — tudo girava em torno de uma perspectiva estratégica de trocas interessadas e manipuladas: me sirvam que eu os defendo; sacrifiquem-se e serão abençoados; seu sangue em troca da paz.

E com a fundação da nova ordem ocorreu a reversão, a possibilidade da aglutinação em prol do todo. Na busca da plenitude de cada um, o bem maior para o coletivo. E a lógica pôde ser aplicada em todas as esferas da existência. Não a igualdade para todos, mas a diferenciação máxima: conjuntos de células diferenciadas estruturando, por união, órgãos diferenciados, que desenvolvem funções que estruturam um conjunto e constituem uma totalidade. Todos plenos, todos exercitando seu potencial máximo, todos solidários.

Foi assim que seu fundador demonstrou que a beleza do mundo e sua sustentação e plenitude não podem existir sem seu substrato: a energia. E a energia deste novo mundo era o amor.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 09 de junho de 2014.

* Há diversas visões que tentei aglutinar nesse texto. Práticas dos antigos e dos novos xamãs, sacerdotes ou pensadores.
Penso que não precisamos jogar fora as lições, do mesmo modo que não precisamos repetir as práticas ou costumes apenas por si mesmo. Não devemos temer ser os produtores de um novo modo de lidar com os velhos problemas.
Apenas isso: o aprendizado que ultrapassa o si mesmo é o que importa à vida.

24 de mai. de 2014

Vulcanos

Vulcanos, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 24-05-2014.
Vulcanos, criado em 24-05-2014.

Vulcão é um tipo de montanha, uma estrutura geológica.
Sua produção é realizada por magma, gases e partículas quentes quando emergem à superfície.
Para além do magma derramado, sua função é injetar poeira, gases e aerossóis na atmosfera
— sem a dose projetada a transformação da superfície retardaria.
Mesmo que inconscientemente, somos pequenos vulcões nas relações que estabelecemos na terra.

(Wellington de Oliveira Teixeira)


Dói, para si e para quem atinge.

Mas, um vulcão que não expele suas lavas não cumpre sua função porque não basta tê-las aceitado dentro de si: sendo substrato e fruto do mundo inteiro, a ele deve retornar.

O significado da dor que sofreu ou da que causou só aparecerá depois; o entendimento da energia gasta e das consequências, muito tempo depois — talvez depois de estar extinto.

Nossa linearidade impede de entendermos o processo.

É necessário retornar à helicoide, ao cone cuja ponta está na base. Um pequeno furo capaz de transbordar imensos jarros produtores de vida.

Talvez por isso as espinhas nos rostos para corações adolescentes: hora de transformar a casca exterior.

Talvez, repito por não ter outra palavra para expressar, somente assim aprendamos que nesta vida o passageiro é apenas isso. Sua viagem por ele também.

E enquanto não entendermos as interpenetrações das realidades (cada um possui a sua) não alcancemos a beleza desse engendramento.

A terra, a areia, o tijolo, as ferramentas e tudo o mais usado, jamais alcançarão os desígnios do engenheiro. Será preciso ultrapassar o tempo da construção para se apreciar o resultado, ainda porque nenhum de nós teve a chance de olhar a planta original.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 24 de maio de 2014.

* Para Diogo de Azevedo Ramos, um filhote de vulcão.

17 de mai. de 2014

Emoldurando histórias

Emoldurando histórias, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 17-05-2014
Emoldurando histórias, criado em 17-05-2014

Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.
E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.
Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas.
Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.
Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.

(Bíblia— I Coríntios 12:4-12)


É tão bom poder registrar fatos da vida e realizar práticas que nos valorizam. Especialmente visando futuras boas recordações ou reacender sentimentos que produzem alegrias, reflexões e nos reafirmam a capacidade de superação.

Não. Isso não é um egoísmo, no sentido comum dado ao termo. É criar pequenos oásis na vida. Produzir estações aonde você pode ir para permitir-se, num breve momento de descanso, refrescar-se e reavaliar a jornada no arenoso cotidiano.

Nesta madrugada, aceitei a sugestão do Zidson Arduim e ouvi a gravação de uma palestra que recapitulava a questão do eu, com base nas práticas passadas (reconheço que eficientes à época), e que desqualificava algumas das teorias que embasam práticas atuais, em especial as que valorizam as capacidades e possibilidades de uma pessoa e incentivam seu desenvolvimento.

Exemplificando com inúmeros livros e projetos que visam auto-ajuda (adorei quando citou que esse auto relacionava-se ao faturamento do autor) questionou muitos destes ensinamentos. Me deterei na questão do espelho e do cultivo de um eu centrado em si mesmo.

De imediato, ponto para ele por ter encarado a questão do egocentrismo, remetendo-a à prática deletéria de glorificação da alegria e o denegrimento da tristeza e seu correlato na juventude contrapondo-se ao medo doentio do envelhecimento: um tudo deve estar maravilhosamente bem e belo para ser bom.

Fiquei, porém, detido a refletir sobre as consequências propostas por ele após a expansão do raciocínio inicial. Sinceramente, me vi tentado a dizer que usou de silogismo (premissa verdadeira, conclusões falsas ou não tão verdadeiras assim — por validarem apenas um determinado percentual do todo).

Questiono seu uso do texto bíblico do minimizar o Eu para que o Cristo sobressaia, uma vez que não foi contraposto aos que sugerem que o Cristo deve ser visto em você ou naqueles que propõem o investimento no crescimento pessoal (físico, emocional e espiritual) para tornar-se valoroso instrumento do Espírito.

É fundamental distinguir a vida centrada em um eu do imagético social (a todo custo, bem sucedido, lindo, sempre novo, feliz e disposto) do eu sustentador de um ser, aquele sem o qual a pessoa desaba, se desidentifica e perde a energia para vivenciar os acontecimentos da vida — tão bem representada pelo que considero ser a maior doença contemporânea: a depressão.

Dito isso, retorno ao que me propus escrever, isto é, produzir ações e pensamentos que me capacitem a encarar não apenas o cotidiano, mas constituírem-se um reservatório para aqueles momentos em que nos esgotamos em função das necessidades nossas e as dos que amamos.

Assumo de antemão que gosto da ideia dos quadros e das fotografias como uma alegoria desse pensamento. Geralmente porque estão associados aos nossos momentos de alegria, quando estamos descontraídos, acompanhados de pessoas que são do nosso agrado ou amadas. Uma pequena olhada e nos proporcionamos momentos de reconforto, sorriso, boas reflexões.

Produzir algo assim liga-se intimamente a uma atitude proativa de construir e vivenciar os momentos e permitir o cultivo de um eu não auto-centrado. Sólido em si, mas amplo o suficiente para entender que na composição com outros se dá uma multiplicação das próprias potências: capacidades que estão diretamente relacionadas à permissão de ser e estar compartilhando um mundo completamente imprevisível, extraordinário e infinito em possibilidades.

Meu ponto de vista defende que não é destruindo o eu, mas o qualificando que alcançaremos a verdade bíblica, pois nos aproximaremos dos parâmetros estabelecidos pelo próprio Cristo: como a si mesmo.

Sugiro que não deixe passar despercebido o fato de que ele estava nos dando a sua maior contribuição: o amor como a única e máxima referência da vida. Ele fez disso um revisionismo de toda a antiga lei — aquela do tirou-perdeu, matou-morreu, olho por olho.

O atributo que inseriu transforma-nos por uma nova perspectiva: a ampliação do entendimento de quanto melhor conseguir ser, quanto mais aprimoramento, quanto mais próximo da perfeição ou do máximo possível, melhor a contribuição realizada para toda a humanidade.

Nada mais do que construir um si mesmo amável, desejada e decididamente expansionista e coletivizador: Um por todos, logo, todos por um.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 17 de maio de 2014.

* Dom Juan questiona a vontade de simplesmente fazer desaparecer a angústia da vida e os sentimentos confusos sem nenhum esforço para tal — algo bastante atual e representado pela medicalização da vida.
Se por um lado, Em casos extremos, um drinque permitia a um homem um momento de paz e desapego, um momento para saborear algo que não se repete., por outro, utilizar-se sempre do mesmo artifício, é fugir da realidade:
Você é demais - disse ele. Daqui a pouco vai pedir um remédio de feiticeiros para remover tudo que o aborrece, sem fazer nenhum esforço de sua parte, apenas o esforço de engolir o que lhe for dado. Quanto pior o gosto, melhor o resultado. Esse é o lema do homem ocidental. Você quer resultado, um poção e você está curado.
(Carlos Castaneda — O Lado ativo do infinito, p.126-127).

30 de abr. de 2014

Reviravolta

Reviravolta, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 30-04-2014.
Reviravolta, criado em 30-04-2014.

s.f. Ato ou efeito de desfazer a volta;
giro ou volta sobre si mesmo, firmando-se apenas em um dos calcanhares;
volta rápida, pirueta, contravolta: o ginasta fez uma reviravolta.
Mudança brusca: reviravolta de opiniões.

(http://www.dicio.com.br/reviravolta/)


Hoje eu escolhi focar nos momentos felizes de pessoas conhecidas, amigas e ver como a vida é diversificada: estonteantemente capaz de produzir felicidade nas situações onde prevalece uma tristeza.

A bem da verdade, acredito que é mais uma capacidade humana de determinar a dosagem que se permitirá vivenciar de cada uma - a cada momento.

Sim, às vezes precisamos desviar o foco da nossa atenção, por alguns momentos, de determinados aspectos da realidade. Ela pode ser bastante dura, especialmente naquelas situações de grandes dificuldades que envolvem você e uma pessoa amada.

Há um determinado desgaste, que surge nesses casos, que ultrapassa o cansaço físico. Ele mina com as certezas e seguranças e corrói a esperança. Isto é, se não houver o devido cuidado e respeito a si mesmo.

É certo que somente encarando o desafio poderemos ultrapassá-lo. Mas é certo, também, que focar um ponto apenas, por muito tempo, provoca uma visão turva ou nebulosa.

Então, equilibrar-se nessas horas é precisamente dosar o foco no alvo, permitindo-nos um descanso de tempo em tempo para que, ao voltar, a visão esteja mais liberta e possa perceber e avaliar os detalhes, novamente.

Para ampliar a analogia, é ousar criar uma nova perspectiva, fazer um giro sobre si mesmo e dar uma reviravolta.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de abril de 2014.

* Adorei saber que é o Mathias quem está a caminho, Mariana!

24 de mar. de 2014

Desequilíbrio inicial

Desequilíbrio, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 24-03-2013
Desequilíbrio, criado em 24-03-2014

Dom Juan: Pois bem, um guerreiro começa com a certeza de que seu espírito está desequilibrado;
aí, vivendo num controle e consciência completos mas sem pressa nem compulsão,
ele faz o máximo para conseguir esse equilíbrio.

(Carlos Castaneda - Porta para o Infinito, p.31-32)

Incomodado com a maneira de reagir a alguns acontecimentos de minha vida, peguei o livro Porta para o Infinito para recordar alguns pensamentos do Dom Juan que deram origem a diversas formas que tenho de me expressar. É preciso reaprender diariamente para poder reafirmar ou refazer seus próprios conceitos. Nada deve se estabelecer como imutável na vida, especialmente o aprendizado pessoal adquirido com a vida.

Na época em que fiz a primeira leitura, além de bem novo, eu era devorador de literatura e o livro me pareceu fantástico demais: feiticeiros, poderes, práticas de vida de não-fazer…

No entanto, os pontos de vista apresentados eram extremamente sedutores para uma mente questionadora como a que eu possuía. Então, me entreguei à leitura e avaliação das propostas apresentadas. O fiz tentando abstrair meus preconceitos. Lembro-me que me propus buscar uma visão de mundo de um determinado indígena, no caso o Dom Juan, e a afirmação que me encantou, de início, foi a de que era preciso buscar esclarecimentos, não apenas explicações convenientes.

Seu método, para isso, consistia em acumular um poder pessoal por meio da transformação das práticas diárias: o não-fazer. Este se apresentou como uma prática que possuía um imenso poder ao liberar nossa energia gasta com a repetição, com as nossas rotinas, com as nossas aceitações sem questionamentos e tudo o que nos mantém preso à mesmice, que causa o tédio ou que impede um aperfeiçoamento.

Era tudo de que eu precisava: essa proposição gerou a abertura de um portal dimensional para reavaliar tudo em tudo. Minha busca me levou a trilhar diversos caminhos, a praticar novos esportes, a tentar novas teorias do conhecimento, a experimentar novos sabores e a me afirmar como pessoa e a ter voz sobre o que eu chamava de minha vida.

Hoje, recordando um dos conceitos que mais me seduziram, o da humildade do guerreiro, me recordei de algumas características que assumi como importantes para a minha vida: a busca da impecabilidade em ações e sentimentos, a meus próprios olhos, e não aos olhos de espectadores; a aceitação daquilo que sou não como fonte de pesar mas como um desafio vivo; a não baixar a cabeça para ninguém e não permitir que ninguém o faça para mim.

Tem sido uma aventura e tanto caminhar usando esses conceitos, afinal, não há como forjar um triunfo ou uma derrota. Repito com o Don Juan, que mais uma vez colaborou para que eu ordenasse meus pensamentos e sentimentos: 'Um guerreiro está nas mãos do poder e sua única liberdade é escolher uma vida impecável'.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 24 de março de 2014.

* Para Roberta Ozorio, que hoje estava carente.

30 de dez. de 2011

Arco-íris

Kundalini, criado em 27-12-2011

Se fosse fazer uma teoria sobre a vida, resumiria em poucas palavras: a vida se compõe de energia de amor e fé que fazem funcionar todos os entes dos mundos existentes ou ainda não e produz intercâmbio entre eles.
Wellington de Oliveira Teixeira

Um dia alguém me ensinou e eu quero honrar a herança deixada, honrar a sua disposição de espírito e honrar o seu espírito de doação.

Sinto saudades dos mestres que a vida me proporcionou e que seguiram por outra direção, na rota de seu destino, como Seres Pensantes que são.

Um deles, Celio, na época em que eu trabalhava na Reitoria da UFF, no intervalo do trabalho, após me ensinar os primórdios dos bancos de dados (no caso, o dbase - um software pré-histórico, para os dias de hoje), me convidou para ir ao Ponto Jovem da Miguel de Frias para lancharmos.

O que se seguiu foi uma experiência que guardo comigo, até hoje.

Em frente, a praia, o céu limpo, o sol radiante, poucos transeuntes, ele me apresentou um conceito da energia violeta.

Talvez seja melhor discorrer um pouco sobre faixas de energia, para esclarecer a questão, um pouco. Pois bem, as cores, como a conhecemos em sua faixa visível aos olhos humanos, nada mais são do que frequência energética dentro de um espectro limitado, com cores variando entre o branco, o amarelo, o vermelho, o azul e suas intermediárias e misturas em diferentes graus. Cada cor tem a sua medida mensurada. Na lista não incluí a ausência de cor, que chamamos de preto, mas incluí o branco, que é a soma de todas as cores.

Como iniciei o meu relato, por conta de um espetáculo da natureza, um maravilhoso arco-íris que se apresentou por alguns instantes, fui introduzido a uma questão complicada: as energias que todos os seres compartilham e como elas atravessam e entrelaçam tudo o que há.

O ponto de vista dele utilizava como ponto de partida o conceito da física, como narrei anteriormente, e seguia para um caminho um pouco menos perceptível e muito mais conceitual, isto é, tudo é energia. Questionava como seria possível deslizar entre as suas faixas, quais propriedades que determinada faixa representaria, que influências dentro do espectro visível da vida de cada um poderia apresentar.

Uma a uma, foi descrevendo, e me impressionando com a forma de raciocínio e as implicações que a sua lógica produzia em relação à vida cotidiana.

O grande momento, para mim, foi quando ele descreveu o que ele citou a energia violeta que chamou de kundalini**. O nome e o conceito, naquela época, me eram desconhecidos e os famosos chakras, ou núcleos de energia, que estão divididos num corpo, eram apenas vagas concepções da época em que havia lido O Manto amarelo e A Terceira Visão*, influenciado pelo pensamento holístico do meu tio Nagil Teixeira, que gostava de leituras carregadas de pensamentos orientais.

A energia de vida, que promovia equilíbrio e gerava uma interface entre os seres e podia ser acessada e utilizada para fins altruístas era uma forma de ver o mundo muito diferente do que eu havia aprendido nos bancos de uma igreja batista, aos domingos, mas nao distante demais ou incompatível com o meu entendimento sobre questões espirituais.

A apresentação dele foi tao importante que a partir daquele dia fui buscar novas formas de entender o mundo, novos modos de ler o que chamava de realidade. Tentei encontrar pessoas que possuíam visão diferenciada e mais trabalhada que a minha. Trabalhei novas ideias e passei a formular as minhas próprias teorias sobre a vida.

Hoje, posso dizer que me sinto muito mais seguro de mim e de minhas formas de pensamento, até mesmo mais feliz.

Então, ao terminar esse ano de 2011, nada mais justo que agradecer àqueles que se dedicam a buscar o conhecimento e a transmiti-los, mestres no verdadeiro sentido da palavra, educadores que transformam o mundo pela forma como propiciam a mudança na vida dos que os encontram.

A esses seres pensantes, minha gratidão, meu respeito e meu desejo que Caiam na Paz!

Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de dezembro de 2011.

* Livros de Lobsang Rampa de 1966 e 1956, respectivamente.
** Kundalini ou em sânscrito: कुंडलिनी, significa algo como "enrolada como uma cobra" ou "aquela que tem a forma de uma serpente", é a energia que transita entre os chakras, o poder espiritual primordial ou energia cósmica que jaz adormecida no centro de força situado próximo à base da coluna, e aos órgãos genitais.
É a energia do Universo em seu aspecto Purna-Shakti, total, como potencial, sendo o Prana-Shakti o aspecto biológico, ou fisico, como calor, eletricidade, etc. Conheça um resumo em http://pt.wikipedia.org/wiki/Kundalini