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30 de set. de 2015

Sintonia com a plenitude.

Sintonia, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 30-09-2015.
Sintonia, criado em 30-09-2015.

Distonia
Distúrbio neurológico que promove contração involuntária e espasmos; afeta locais específicos (músculos, membros) ou o eixo corporal. Inclui Tremores, cãibra, deterioração da escrita e dificuldade ou incapacidade para manusear objetos (caneta, flauta ou tacos de golfe.
Uma forma comum é que acontece com quem ficou muito tempo em pé numa fila e, de repente, a perna treme, mas há casos bem mais graves.

Um mundo confuso gera confusão, em alguns momentos ocorre uma ego ou sócio distonia, que pode ser entendido como um desacordo entre as questões internas e externas de um indivíduo ou deste com o seu meio. Se isso acarretar inação ou imobilismo poderá gerar depressão. Já aconteceu de entrar num processo semelhante e ser surpreendido com uma mensagem ou contato revigorante *.

É tão bom quando alguém sintoniza sua necessidade momentânea e age, mesmo sem racionalizar. Logo a seguir me alertei: 'Não espere que isso aconteça sempre!'. Momento de conspiração entre seres é um alívio que a Ordem proporciona ao guerreiro que, apesar de uma vida de lutas, se fragiliza.

Nada se mantém inabalável — toda a natureza flutua em estações ou ciclos: fraqueza ou fortaleza, suavidade ou intensidade e outras oposições são apenas modos que o núcleo dos seres vivencia em seu desenvolvimento. As máscaras momentâneas utilizadas nas interações não dão conta da totalidade, mas podem ser expressivas ao refletirem características pessoais. O silêncio, o não dito, o ocultado são como uma pausa que invariavelmente modifica o fluxo da música.

Ser pleno é viver conscientemente a impossibilidade humana de expressão de todas as potencialidades simultaneamente e de modo diário. Brilhos tem efeitos surpreendentes, mas com duração. A mesmice, a repetição, a imutabilidade gera adaptação e tédio, produz distonia. Só na transformação o frescor da plenitude se mantém.

Sintonize os fluxos ao seu redor, permita-se vagar por momentos, vivencie alguns instantes de ócio. Faça-os por nada, não defina resultados prévios. Experimente o não fazer e, aos poucos, seus efeitos (como os da pausa na música) se insinuarão até que se manifestarão de fora para dentro e de dentro para fora — se quer uma analogia, é como um fluxo de respiração que energiza a sua vida e o mantém vivo.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de setembro de 2015.

* Há coisas cujo valor não pode ser medido em preço. Como a mensagem que recebi em 1996, que finaliza com essas frases:
Mas, neste momento apesar de nossos corpos limitados pela distância (talvez, seja até por isso) eu conseguiria gritar sem medo para você: EU TE AMO! Pois como não poderia amar alguém que me mostrou caminhos que nunca sonhei trilhar, mundos que eu nunca sonhei explorar e coisas que nunca sonhei descobrir.
Espero que você se contente com meu amor, pois é a coisa mais pura e verdadeira que eu tenho para lhe dar.
Eu te amo, amigão!
Friends are friends forever!!!

10 de jan. de 2015

Remendos soldados

Remendos criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 10-01-2015
Remendos, criado em 10-01-2015.

Será que é assim que termina, pensei, será que tudo o que um Mestre diz
não passa de um amontoado de palavras bonitas que não o podem salvar do primeiro ataque de um cão raivoso?

(Richard Bach — Ilusões. As aventuras de um Messias Indeciso)


Um dia tive a coragem de me contradizer algumas das crenças mais protegidas, a da inteireza. O que torna alguém pleno não consegue torná-lo inteiro, como peças complementares todas se encaixando. Somos um mosaico com várias reentrâncias, inclusive algumas arestas que machucam os que tentam uma aproximação indesejada. Para ser um pouco mais direto, somos apenas remendos.

Talvez por conta dessa minha ousadia, pude perceber que geramos pequenos bolsões de ordem, algumas áreas estruturadas como as redes de descanso onde nos permitimos o tempo de [re]composição. Nelas nos tornamos reclusos, nos permitimos as viagens de coração e de alma, incontáveis para quem quer que seja. Lá temos que ficar desnudos e, talvez, lá é que alcancemos a percepção das aglutinações, das possibilidades de reunir os pedaços que foram absorvidos nos encontros e desencontros da caminhada.

Entendi que o preço de iluminar um pouco mais determinada parte é fazer alguma outra empalidecer. Como focos de canhões de luz, nossa energia é direcionada em feixes para acomodar a necessidade mais imediata, aquilo de que precisamos em um exato momento. O que convencionamos ser a realidade nos toma e nos absorve, quase que completamente*.

A partir desse voo, reuni alguns dos aprendizados anteriores e resolvi aceitar algo que posso com certeza afirmar ser meu maior desafio: criar as condições de iluminar plenamente cada pedaço reunido e gerar uma solda que os reúna numa singularidade, simultaneamente. Pode parecer algo absurdo, um tipo de alucinação ou fábula, mas, se acontecer de conseguir, quem sabe até aonde conseguirei ir?

Esse é o meu voo, qual é o seu?

Wellington de Oliveira Teixeira, em 10 de janeiro de 2015.

* Todo o cotidiano nos embaça a visão quando nos faz acreditar na rotina e na repetição e não na transformação.

Fé na fé

Fé na fé criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 09-01-2015
Fé na fé*, criado em 09-01-2015.

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
(Bíblia — Hebreus 11:1)


São duas as vias fáceis para quem não quer se comprometer em buscar entender a parte que cabe a cada um de nós nesse misterioso universo: dizer que Deus ou o homem faz tudo. Ambos os casos exigem fé em um determinado modo e é isso que torna todos seres humanos pessoas de fé.

Mas… a fé não exige qualquer tipo de religião mesmo sendo ela quem sustenta o modo individual ou pessoal de estar no mundo.

Uns poucos incentivam a conciliação entre a fé religiosa e a científica, e encaminham o desenvolvimento de novas noções básicas ou sustentadoras de um novo modo de vivenciar esses mundos que eram, anteriormente, estritamente distanciados. Todos sabem que essa separação promoveu ódios e violências e discriminações e muita morte através dos séculos, e eles querem impedir a progressão disto ou reverter esse quadro.

Dizem que há uma fé cega. Não creio. O que percebo é a produção de ideias geradoras de divisões: somos nós ou eles. Toda e qualquer semelhança é descartada para evitar o que consideram contaminação. Esquecem que enquanto não for adotado o respeito que desejamos para nós para o usarmos com os outros nenhum valor religioso ou científico poderá ser qualificado positivamente como valoroso.

Não é permissivismo acolher um outro respeitosamente, nem desrespeito o declarar nossos valores pessoais. Cada um deve ter a chance de se pronunciar e defender seus valores (fique claro, de forma não agressiva), entendendo que ninguém tem que pensar igual, nem mesmo semelhante para ter o mesmo valor que nos concedemos.

Você pode crer-se certo (e deve!) antes de optar por qualquer caminho de ação, mas permita ao outro a mesma liberdade de opção. Sempre haverá os pontos comuns, as interseções aonde a manifestação de amor poderá ter lugar e desfazer os pontos de desencontros.

Pode até ser que o mundo não se torne aquilo que você deseja ou crê ser o melhor possível, mas certamente será um lugar com mais cordialidade, respeito e, por isso mesmo, com pessoas mais felizes e com chances de serem realizadas. A perfeição individual é aquela plenitude que pode ser alcançada nos mais corriqueiros atos. Busque a sua, facilite a do outro: todo ser necessita e toda contribuição é bem-vinda.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 09 de janeiro de 2015.

* Há uma expressão que gosto muito 'levar fé em', que carrega uma positividade tão grande que envolve a participação ativa de quem a expressa: traduz um crer manifesto, numa aposta em algo, numa força desejante positiva para que algo dê certo.

30 de out. de 2014

Reflexos infinitos

Reflexos infinitos, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 04-10-2014
Reflexos infinitos*, criado em 04-10-2014.

Com cada início de vida, a roda das decisões começa a girar reproduzindo os mesmos processos anteriores,
e apenas uma decisão permite se distanciar da repetição em busca de algo original.
É isso que define tornar a vida expressiva ou não.

(Wellington de Oliveira Teixeira)


Me remeto àquelas improváveis possibilidades que eu pude dispersar ou reunir em uma única e simples decisão.

Por que, após elas, nos tornamos apenas isso, limitação. Perdemos a infinitude em prol da concretização.

Num paradoxo que me escapa ao entendimento, mesmo restrito às escolhas que foram estabelecidas, instituímos, após cada uma, um novo e infinito campo de possibilidades.

Nisso somos seres de quem somos, nisso a Ordem se estabelece em nós, nisso exploramos a cada encontro uma plenitude seguida de transformação.

Nisso contribuímos com a plenitude e a transformação da Ordem: reflexos infinitos, qual um único raio de sol atravessando uma minúscula gota d'água que gera, não apenas por si, um fragmentário e belo campo luminoso.

Energia luminosa que, uma vez liberada, não é possível mais cercear, por que cada reflexo se expande em múltiplos reflexos, numa escala infinita.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de outubro de 2014.

* Reflexos que escapam da similaridade com seus originais tornam-se autênticos.

21 de out. de 2014

Sempre com e por amor

Sempre com amor, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 21-10-2014
Sempre com amor*, criado em 21-10-2014.

…Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta.
(Bíblia — Mateus 5:24)


Não me levem a mal, nem me coloquem pra mais da metade no caminho do mal. Meus posicionamentos, convergências, divergências deveriam mostrar meu profundo respeito por cada pessoa com quem travo bons combates, sempre no campo das ideias: mostro quem sou sem rodeios.

Ao provocá-lo com desafios lógicos ou apenas emocionais, investindo no que sei ser seu possível e aguardar o melhor dos seus posicionamentos, apenas tento me ofertar a chance de ver seu desenvolvimento pessoal - e, simultaneamente promover o meu.

Somos humanos e um pouco preguiçosos, acostumados com as comodidades desse século: não é mais preciso ir ao rio com o balde; gira-se uma torneira e abracadabra!, a água sai para seu uso (ops!, menos em SP - me permitam a ironia). Perdemos um pouco o bom costume de digladiar, irmanamente, em mesa de bar ou de escola, cada um buscando o aprimoramento dos seus argumentos para tornar alegre a noite com sabedoria, vinhos e paixões. Mas não deixamos de precisar do conhecimento, do prazer e do amor.

Encaro os dias já contados, e a um mês de distância da nova idade, com olhos no adiante não no que passou - mesmo sempre voltando e recorrendo à sua fonte que me ensina a não cometer os mesmos erros.

Já provoquei indizíveis questões em mãe, pai, irmão, amigo, professor, chefe ou subordinado. A alguns, sofrimento; a outros, alegria - em momentos diversos fui um ou outro para cada um. Toda música, livro, pintura que merece ser chamado de bom acabam por ter um trecho preferido exaltado e, que bom, deixamos passar aqueles que não estiveram a altura. Mas todos temos uma obra prima, aquela que fica irrepreensível, a que nos denomina, e essa é a que estou trabalhando: produzir encontros fortes, saudáveis, enriquecedores.

Não desejo a concordância plena, apenas a sinceridade dos posicionamentos. É verdadeiro e é pleno? Por favor, me dediquem, se possível. Estou me esforçando para promovê-lo com a minha própria prática.

Sou persistente, bato na mesma tecla com pausas diversas; é assim que sai a música: tem samba de uma nota só.

Sinta-se extremamente respeitado quando me dedico a um embate com você - você tem o status de merecedor; alguns, talvez maioria, prefiro não usar o meu pouco e precioso tempo de vida para tal.

E, daqui a pouco, quando o vento me levar, espero que você possa dizer: o filho, irmão, primo, pai, tio, avô, amigo, colega, ou o que quer que tive o prazer de ser seu, foi um cara que promovia o aperfeiçoamento pessoal de todos que encontrava. Esse foi o método escolhido por ele para se aperfeiçoar. Errou feio em muitas coisas, mas jamais irei questioná-lo por ter sido verdadeiro e pleno naquilo que fez, pois fez sempre com (e por) amor.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 21 de outubro de 2014.

* Dedico esta postagem ao meu afilhado Carlos Roberto, aniversariante neste dia.

28 de ago. de 2014

Intuir é possível

Intuir, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 28-08-2014.
Intuir, criado em 28-08-2014.

Intuição sempre constrói meu próprio abrigo, desculpe amigo, se eu não sei o que dizer.
Se estou aqui agora é porque faz sentido, minha esperança é bem maior do que sei ser.
Eu sou inteiro e é mais honesto ser assim porque de mim ninguém vai ter coisa melhor
do que tentar eternamente achar em mim o que há de luz, o que há de sombra, o que há de só.

(Fábio Jr. - Intuição)


Já ouvi incontáveis histórias de percepção instantânea que surpreendeu uma pessoa quando, em um milésimo de segundo, tomou uma decisão que influiu diretamente no desenrolar dos acontecimentos.

Intuição é o nome que comumente damos para um processo fantástico que o cérebro é capaz de executar que pode ser comparado aos sistemas de computador que operam em multitarefa. Sabe aquelas ações que ele executa enquanto você usa outras funções? Ações do tipo ir baixando e avaliando a periculosidade de um arquivo enquanto você troca mensagens com alguém e, simultaneamente, abre uma nova janela para ver a foto enviada.

Uma experiência usual, a consciência foca a ação do seu dia a dia, como ir para algum lugar, e ele trabalha agrupando informações em segundo plano: enquanto você vê alguém na rua, próxima ou distante, o cérebro vê tudo dessa pessoa e ao seu redor, gravando o contexto. Faz isso e armazena os dados coletados para gerar novas informações.

Em uma ação inconsciente para você ele correlaciona as novas informações com os padrões já estruturados de experiência e, em caso de emergência, envia um sinal imediato.

Fantástico isso, não é? O que me impressiona é o fato de que muitas pessoas acreditam que intuir é algo de histórias fantásticas, deixando de lado exercitar e utilizar um instrumento valioso para o nosso viver diário.

Preconceitos não estão ligados apenas a raças e à sistematização de preceitos. Relacionam-se, predominantemente mais, ao que somos capazes de admitir no contexto de nossas vidas e ao que, ao contrário, bloqueamos por desconhecimento dos processos de produção ou de constituição.

Geralmente, cientistas e pesquisadores precisam diariamente se desvencilhar de sua visão de mundo estabelecida para constituir as novas formas de pensar de uma sociedade, em bases não acorrentadas ao senso comum. Ao mesmo tempo, esse desenvolvimento pode ser produzido por pensadores de comunidades consideradas menos desenvolvidas. Não à toa, o processo de intuir que plantas com determinados formatos poderiam ter uso medicinal, produziu experiências que geraram os chás, infusões e pastas poderosas, altamente cobiçadas pela indústria farmacêutica ou cosmética.

Na próxima vez que comprar um produto de beleza, ou sua mãe, ou outro parceiro de vida lhe der um aviso, não titubeie, avalie com calma. Intuições não respondem à interpretação simples. Há muito mais razões…

Wellington de Oliveira Teixeira, em 28 de outubro de 2014.

* Jung propôs que a Sensação e Intuição são coisas diversas, mas estreitamente relacionadas ao modo de perceber ou sentir o mundo: agem como um sensor. Razão e Sentimento ligados ao julgamento e à avaliação.
Todas são modalidades da percepção e do pensamento (os processos cognitivos) que o ser humano usa para se guiar na vida. Precisam ser integrados para que a personalidade possa ser equilibrada e saudável, independente de transformar-se sempre, a partir de situações diversas.

22 de jul. de 2014

Construtos

Construtos, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 22-07-2014.
Construtos, criado em 22-07-2014.

São os signos da linguagem que deram origem às ciências abstratas.
Uma qualidade comum a várias ações engendrou as palavras vício e virtude;
uma qualidade comum a vários seres engendrou as palavras feiura e beleza.
Alguém disse um homem, um cavalo, dois animais;
em seguida, alguém disse um, dois, três, e toda a ciência dos números nasceu.
Ninguém tem ideia de uma palavra abstrata.
Notaram-se em todos os corpos três dimensões, o comprimento, a largura e a profundidade;
tratou-se de cada uma dessas dimensões, e daí todas as ciências matemáticas.
Toda abstração não é senão um signo vazio de ideia.

(Diderot: O sonho de D’Alembert - Coleção Os Pensadores, p.280)
*


A estruturação de qualquer elemento exige alguns substratos comuns. Real ou imaginário, a percepção inicia o processo e o desejo o embasa. E essa tem sido uma questão que atravessa, literalmente, grande parte das áreas do conhecimento. Não há, de teorias a práticas, absolutamente nada que escape dessa formulação: somos fundamentalmente seres desejantes e por (e no) desejo produzimos cultura.

Alguns pensadores buscam apontar e visibilizar o processo de geração de cultura de um determinado grupo e a constituição de novos hábitos a partir dos interesses comuns. Outros, navegam na captura do desejo, na aculturação acrítica, onde a imposição mesmo que disfarçada a promove.

Da inicial necessidade de proteção básica da vida, criamos variações que chegaram até a não tão atual assim conquista de status, produzindo relacionamentos, objetos, linguagem, cerimoniais e determinantes ético-morais e religiosos. Todos são fabricados. Não são prévios, muito menos naturais. No entanto, pelo prolongamento da prática, acabamos por naturalizá-los e normatizá-los. O normal passa ser a nossa forma de falar, de ser e de estar, então, os padronizamos.

Um dia encontramos um estrangeiro — migrante ou imigrante em nossas terras — e descobrimos a alteridade como possibilidade, depois do estranhamento. Pontuo, aqui, o início do fim da teoria da normalidade.

Aquele que se dispõe a observar ou avaliar as diferenças poderá se sentir atraído a aprender com a nova forma. Esse desejo, estimulador do contato, poderá viabilizar diálogos não intermediados pelo conhecimento prévio dos vocábulos. Gesticulações, referenciações aos objetos e práticas, seguidos da palavra usada por cada um para o mesmo, dicionariza a relação.

Em pouco tempo, poliglotas constituídos dialogam e referenciam um mundo novo, cuja absorção dos novos padrões culturais é facilitada. Pode parecer complicado, mas é um fato corriqueiro e diário.

Estudiosos como Piaget apontaram a graduação na construção da inteligência utilizando o conceito de camadas sobrepostas e apontaram que – como em qualquer construção – uma absorção não concluída ou parcial poderia gerar as rachaduras na estrutura. Apesar de, em regra, incapazes de fazer ruir o edifício, impedem um avançar mais pleno da manifestação das capacidades individuais. Apontaram mais além, o processo explica a radicalidade da capacidade humana de adaptação.

Pense na maturação social, onde uma criança amplia suas referências da família e vizinhos, para a escola e para o mundo: conteúdos, costumes, interesses, conceitos e práticas diversos se presentificam e põem em xeque a unicidade dos valores recebidos. Por curiosidade, por avaliação, por necessidade e por participação, muitos são adotados momentaneamente ou absorvidos. O universo pessoal é expandido.

Esse processo é análogo aos estudos realizados por pesquisadores (cientistas ou não) no seu caminho de descobertas, de confirmações e refutações dos conceitos e valores vigentes. A expressão pensar fora da caixa denota esse conceito.

As ciências sociais e psicológicas estão incluindo a incapacidade de lidar com a questão da variação, da mudança, do aprimoramento ou da transformação como uma das causas da constituição da rigidez nas pessoas.

Seja pela radicalização ou pela inflexão, o mundo daqueles que se agarram ao constituído e determinado como padrão mostra o quanto as construções internas são frágeis. O terror à possibilidade de ruir o arcabouço por conta da troca ou retirada de uma peça, faz com que a rejeição total, intransigente e determinista de um modelo crie, não uma pessoa, um elemento repetidor, impedindo a evolução e o processo de individualização e realização pessoal.

O construto chamado fundamentalismo está carregado dessa processual formalização, que ignora os efeitos do que ódios, agressões, distorções e torturas podem causar aos seres humanos em prol da modelagem comportamental e de pensamento. Sua sobrevivência exige seres docilizados, cujo potencial transformador seja encapsulado em formulações prévias, frases repetidas, posicionamentos irrefletidos mas seguidos à risca. Isso pode ser obtido pelo discurso manipulador ou pela ação direta dos aparelhos de repressão. Em ambos os casos, o resultado é único e triste: quem sofre seus efeitos clama por liberdade, mesmo que silenciosamente.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 22 de julho de 2014.

* Diderot propõe a existência um nível organizacional da natureza, um verdadeiro sistema onde tudo está unido, uma cadeia contínua, das formas mais primitivas de organização da matéria até as mais complexas, nos domínios do humano.
Animado por um fluxo, como concebido por Heráclito de Éfeso (séc. VI-V a.C.), o universo é obediente às leis formuladas por Descartes para a matéria; é dinâmico e em permanente transformação, em vez de estático e criado como um conjunto de coisas fixas, como concebia a tradição aristotélica e escolástica cristã.

24 de mai. de 2014

Vulcanos

Vulcanos, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 24-05-2014.
Vulcanos, criado em 24-05-2014.

Vulcão é um tipo de montanha, uma estrutura geológica.
Sua produção é realizada por magma, gases e partículas quentes quando emergem à superfície.
Para além do magma derramado, sua função é injetar poeira, gases e aerossóis na atmosfera
— sem a dose projetada a transformação da superfície retardaria.
Mesmo que inconscientemente, somos pequenos vulcões nas relações que estabelecemos na terra.

(Wellington de Oliveira Teixeira)


Dói, para si e para quem atinge.

Mas, um vulcão que não expele suas lavas não cumpre sua função porque não basta tê-las aceitado dentro de si: sendo substrato e fruto do mundo inteiro, a ele deve retornar.

O significado da dor que sofreu ou da que causou só aparecerá depois; o entendimento da energia gasta e das consequências, muito tempo depois — talvez depois de estar extinto.

Nossa linearidade impede de entendermos o processo.

É necessário retornar à helicoide, ao cone cuja ponta está na base. Um pequeno furo capaz de transbordar imensos jarros produtores de vida.

Talvez por isso as espinhas nos rostos para corações adolescentes: hora de transformar a casca exterior.

Talvez, repito por não ter outra palavra para expressar, somente assim aprendamos que nesta vida o passageiro é apenas isso. Sua viagem por ele também.

E enquanto não entendermos as interpenetrações das realidades (cada um possui a sua) não alcancemos a beleza desse engendramento.

A terra, a areia, o tijolo, as ferramentas e tudo o mais usado, jamais alcançarão os desígnios do engenheiro. Será preciso ultrapassar o tempo da construção para se apreciar o resultado, ainda porque nenhum de nós teve a chance de olhar a planta original.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 24 de maio de 2014.

* Para Diogo de Azevedo Ramos, um filhote de vulcão.

17 de mai. de 2014

Emoldurando histórias

Emoldurando histórias, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 17-05-2014
Emoldurando histórias, criado em 17-05-2014

Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.
E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.
Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas.
Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.
Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.

(Bíblia— I Coríntios 12:4-12)


É tão bom poder registrar fatos da vida e realizar práticas que nos valorizam. Especialmente visando futuras boas recordações ou reacender sentimentos que produzem alegrias, reflexões e nos reafirmam a capacidade de superação.

Não. Isso não é um egoísmo, no sentido comum dado ao termo. É criar pequenos oásis na vida. Produzir estações aonde você pode ir para permitir-se, num breve momento de descanso, refrescar-se e reavaliar a jornada no arenoso cotidiano.

Nesta madrugada, aceitei a sugestão do Zidson Arduim e ouvi a gravação de uma palestra que recapitulava a questão do eu, com base nas práticas passadas (reconheço que eficientes à época), e que desqualificava algumas das teorias que embasam práticas atuais, em especial as que valorizam as capacidades e possibilidades de uma pessoa e incentivam seu desenvolvimento.

Exemplificando com inúmeros livros e projetos que visam auto-ajuda (adorei quando citou que esse auto relacionava-se ao faturamento do autor) questionou muitos destes ensinamentos. Me deterei na questão do espelho e do cultivo de um eu centrado em si mesmo.

De imediato, ponto para ele por ter encarado a questão do egocentrismo, remetendo-a à prática deletéria de glorificação da alegria e o denegrimento da tristeza e seu correlato na juventude contrapondo-se ao medo doentio do envelhecimento: um tudo deve estar maravilhosamente bem e belo para ser bom.

Fiquei, porém, detido a refletir sobre as consequências propostas por ele após a expansão do raciocínio inicial. Sinceramente, me vi tentado a dizer que usou de silogismo (premissa verdadeira, conclusões falsas ou não tão verdadeiras assim — por validarem apenas um determinado percentual do todo).

Questiono seu uso do texto bíblico do minimizar o Eu para que o Cristo sobressaia, uma vez que não foi contraposto aos que sugerem que o Cristo deve ser visto em você ou naqueles que propõem o investimento no crescimento pessoal (físico, emocional e espiritual) para tornar-se valoroso instrumento do Espírito.

É fundamental distinguir a vida centrada em um eu do imagético social (a todo custo, bem sucedido, lindo, sempre novo, feliz e disposto) do eu sustentador de um ser, aquele sem o qual a pessoa desaba, se desidentifica e perde a energia para vivenciar os acontecimentos da vida — tão bem representada pelo que considero ser a maior doença contemporânea: a depressão.

Dito isso, retorno ao que me propus escrever, isto é, produzir ações e pensamentos que me capacitem a encarar não apenas o cotidiano, mas constituírem-se um reservatório para aqueles momentos em que nos esgotamos em função das necessidades nossas e as dos que amamos.

Assumo de antemão que gosto da ideia dos quadros e das fotografias como uma alegoria desse pensamento. Geralmente porque estão associados aos nossos momentos de alegria, quando estamos descontraídos, acompanhados de pessoas que são do nosso agrado ou amadas. Uma pequena olhada e nos proporcionamos momentos de reconforto, sorriso, boas reflexões.

Produzir algo assim liga-se intimamente a uma atitude proativa de construir e vivenciar os momentos e permitir o cultivo de um eu não auto-centrado. Sólido em si, mas amplo o suficiente para entender que na composição com outros se dá uma multiplicação das próprias potências: capacidades que estão diretamente relacionadas à permissão de ser e estar compartilhando um mundo completamente imprevisível, extraordinário e infinito em possibilidades.

Meu ponto de vista defende que não é destruindo o eu, mas o qualificando que alcançaremos a verdade bíblica, pois nos aproximaremos dos parâmetros estabelecidos pelo próprio Cristo: como a si mesmo.

Sugiro que não deixe passar despercebido o fato de que ele estava nos dando a sua maior contribuição: o amor como a única e máxima referência da vida. Ele fez disso um revisionismo de toda a antiga lei — aquela do tirou-perdeu, matou-morreu, olho por olho.

O atributo que inseriu transforma-nos por uma nova perspectiva: a ampliação do entendimento de quanto melhor conseguir ser, quanto mais aprimoramento, quanto mais próximo da perfeição ou do máximo possível, melhor a contribuição realizada para toda a humanidade.

Nada mais do que construir um si mesmo amável, desejada e decididamente expansionista e coletivizador: Um por todos, logo, todos por um.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 17 de maio de 2014.

* Dom Juan questiona a vontade de simplesmente fazer desaparecer a angústia da vida e os sentimentos confusos sem nenhum esforço para tal — algo bastante atual e representado pela medicalização da vida.
Se por um lado, Em casos extremos, um drinque permitia a um homem um momento de paz e desapego, um momento para saborear algo que não se repete., por outro, utilizar-se sempre do mesmo artifício, é fugir da realidade:
Você é demais - disse ele. Daqui a pouco vai pedir um remédio de feiticeiros para remover tudo que o aborrece, sem fazer nenhum esforço de sua parte, apenas o esforço de engolir o que lhe for dado. Quanto pior o gosto, melhor o resultado. Esse é o lema do homem ocidental. Você quer resultado, um poção e você está curado.
(Carlos Castaneda — O Lado ativo do infinito, p.126-127).

28 de mar. de 2014

Caverna inexplorada

caverna inexplorada, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 28-03-2014
caverna inexplorada *, criado em 28-03-2014

Há um lugar místico em mim. Algo assim bem escondido:
um planeta inexplorado, um horizonte perdido.

(Ego Trip - Viagem ao Fundo do Ego)


Imagino que todos possuem um lugar místico em si, onde experimentam as forças que o desafiam nessa vida. Uso esta proposição filosófica nas avaliações dos encontros e desencontros diários, não relacionando-a com ser ateu ou proferir uma fé.

Sendo seres espirituais, teríamos nesta dimensão propriedades e habilidades diferenciadas das biológicas e psicológicas.

E, entenda: proposições genéricas, como essa, me permitem viajar sem ter que comprovar, apenas especular.

Por isso, prossigo propondo que essas sensações de alinhamento com a natureza, os sentidos de integração com o universo, a capacidade de doação de um amor que ultrapassa a própria vida (instinto ou lógica) teriam seu lugar de desenvolvimento nela. Especialmente aquelas que nos dão uma sensação de crescimento interior, de aperfeiçoamento na vida.

Como todas as outras dimensões, poderia ser manejada permitindo um determinado nível de decisão de iluminá-la, de aprender com ela, de expressá-la.

Como desenvolvemos capacidades físicas e psicológicas, como emocionalmente estamos à merce do equilíbrio conseguido nessas esferas, dependeríamos de sua manipulação ou desenvolvimento para nos tornarmos seres espirituais plenos.

A ideia pode ser fascinante, não é?

Daí, o meu respeito a todos, religiosos (independente de seu credo) ou não, que produzem diariamente práticas de encontro, de harmonização, de respeito, de integração e de solidariedade.

Um olhar diferenciado, sim. Mas uma proposta não tão inovadora, assim. E, mesmo não desejando adotá-la, fica um desafio aqui: descubra a parte de si que atende a esses requisitos e a desenvolva.

Quando se começa explorar uma caverna, a escuridão pode ser o primeiro obstáculo a se encarar, que, aos poucos, sendo ultrapassado, poderá gerar descoberta e prazer.

Aonde a busca o levará eu não sei. Mas posso apostar que tem o potencial de torná-lo muito mais feliz.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 28 de março de 2014.

* Quando nos permitimos iluminar aquela parte de nós que ficou obscura, podemos descobrir que a caverna pode nos trazer imensas aventuras e descobertas.

8 de jul. de 2013

Por um acaso

Acaso, criado por Wellington de Oliveira Teixeira, em 08/07/2013
Acaso**, criado em 08/07/2013.

Eu
quando olhos nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro do meu centro
este poema me olha
Paulo Leminski (1944 – 1989)


Me permitam apresentar uma questão que me incomodava há muito anos: o chamado acaso e sua relação com Deus.

Negado ou afirmado, sempre com grande ênfase, evitado ou escamoteado com o uso de outras palavras, o acaso me parece tão importante quanto o conceito de necessidade - já que ambos permitem o conceito de evolução.

O acaso é aquele elemento de aleatoriedade infinita - em escala humana - que permite um viés mais simples para equacionar livre arbítrio e vontade divina.

Pois bem, esse modo de encarar o acaso permite sugerir que havendo uma voluntariedade ou desejo produz-se uma atração no campo das possibilidades propiciando encontros que permitem a assimilação de novos elementos.

Assim, para mim, o acaso é um dos maiores presentes de Deus para a humanidade, pois permite que as transformações e aperfeiçoamentos ocorram sem nenhum predeterminismo.

Se nossos encontros acontecem numa intervenção deste acaso, nossos relacionamentos também estão marcados por sua ação, mas sempre a partir de nossa vontade. Ao se entrar em um relacionamento afetivo que ganha prioridade emocional, como na amizade e no amor, as interações tornam-se muito mais poderosas produzindo, a partir das micro transformações no contato, mudanças no indivíduo como um ser. Essas relações são mais prazeirosas e marcantes e, portanto, as mais buscadas.

Essas relações profícuas, as infinitas pequenas assimilações e variações que permitem, os milhões de pequenos aperfeiçoamentos no indivíduo que vão transformando-o (não se esqueçam que tudo iniciou a partir da expressão de sua vontade) produzem o que aprendi a denominar de plenitude como ser - um estado de realização físico-psíquico-espiritual.

Meu entendimento - com base em conceitos filosóficos-cristãos - é de que a vontade de Deus para a humanidade se constituiu, de forma clara, com a identificação dela com Ele na manifestação do amor. Penso isso porque é no amor que, ao objetivar a felicidade de outrem, cedemos parte de nós mesmos. E, um paradoxo humano, esse me parece ser o único caso que ao se dar não se perde nada, ao contrário, a felicidade e a realização torna-se plena: portanto, agindo assim, o ser humano se torna mais identificado com Deus. "E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele" (1 João 4:16-17).

Penso - a partir dos pressupostos de minha fé - que podemos alcançar a vontade de Deus sem nenhuma imposição, por meio desse instrumento maravilhoso que é o acaso. Com ele, é possível crer que, ao manifestar o seu amor a partir da nossa origem, por meio do acaso ele nos dotou dos elementos de aglutinação que permitem refletirmos em nossa existência a sua própria essência: a procura do amor, a incorporação do amor, a manifestação do amor e a transmissão do amor. Quem sabe?, talvez o mais importante ciclo reprodutivo que a humanidade já percebeu ser capaz.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 08 de julho de 2013.

* Era para ser apenas uma anotação no facebook, mas tomou vida própria.

** Acaso (do latim a casu, sem causa) é algo sem motivo ou explicação aparente. Há, pelo menos, três sentidos diferentes, dependendo do sentido dado à palavra causa:
Algo que acontece sem finalidade ou sem objetivo, isto é, algo sem causa final. Oposto, filosoficamente, à teleologia.
Algo que ocorre independente de um determinado precedente, um efeito não predisposto. Oposto, filosoficamente, ao pré-determinismo.
Algo não-explicável por suas (cor)relações (simultânea ou precedente), portanto sem qualquer determinação. Oposto, filosoficamente, ao determinismo.
Definições feitas com base na wikipedia http://pt.wikipedia.org/wiki/Acaso

30 de jan. de 2013

Anna Carolina

Anna Carolina 17, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 30/01/2013
Anna Carolina 17, criado em 30/01/2013

Não dê as costas a possíveis futuros antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles.
Richard Bach


Bem, hoje é o aniversário de Anna Carolina Vieira e eu posso dizer, com certeza, da minha satisfação em vê-la crescer dessa forma linda. Tão linda que torna sua bela aparência apenas um complemento que dá moldura para todas as outras belezas que também possui.

Na busca de palavras para lhe dizer, meu amorzinho, que não fossem contrárias à expressão do seu modo de ser e estar no mundo, escolhi essas: viva todos os momentos que Deus lhe conceder nessa nova idade com graciosidade e com a firmeza de quem busca afirmar a sua plenitude.

Após reler o que havia escrito e pensar que nem sempre o caminho é florido e o sol brilha sem queimar, resolvi acrescentar algumas outras palavras...

E se algum momento for um pouco mais difícil, creia estar encarando um novo e bom desafio: é com eles que nos superamos e ultrapassamos nossos próprios limites.

Mas ainda estava faltando um detalhe: o olhar de todos os que a rodeiam. É verdade que é sempre bom ser agradável com todos, respeitar mesmo quem não conhecemos e ser cuidadoso de modo especial com quem amamos. E, é claro, isso não é simples nem fácil. Depois de refletir mais um pouco, resolvi escrever...

Ser o melhor de si mesmo é um presente de extremo valor que podemos ofertar primeiramente a nós mesmos e depois aos que nos amam de verdade. E, esse modo de ser, certamente, refletirá algo bom para todos.

Bom, aniversário deve marcar mais que uma etapa nas suas conquistas (mesmo aquelas que lhe proporcionam os melhores prazeres que a vida tem para dar), deve expressar com clareza: ultrapassei um limite. E, agora, independente do que venha, eu já estou indo além.

E eu creio que há no mundo apenas uma coisa melhor que se ultrapassar: é saber que foi dando e recebendo amor que se conseguiu.

Agora que eu compliquei tudo, melhor não deixar de falar como todo mundo: Feliz Aniversário!

(E deixo entre parênteses o que diz minha alma: O meu amor, a minha alegria e o meu agradecimento por você ser uma neta tão maravilhosa.)

Grande beijo.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de janeiro de 2013.

21 de nov. de 2012

Uma boa ideia

Er e a lição das areias e do mar, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 21/11/2012
Er e a lição das areias e do mar, criado em 21/11/2012.

Custei um pouco a compreender o que estava vendo, de tão inesperado e sutil que era:
estava vendo um inseto pousado, verde-claro, de pernas altas.
Era uma 'esperança', o que sempre me disseram que é de bom augúrio...
Dentro do fiapo de pernas não havia nada dentro:
o lado de dentro de uma superfície tão rasa já é a própria superfície.
Parecia um raso desenho que tivesse saído do papel verde e andasse...
(Clarice Lispector - A descoberta do mundo)


Há uma boa ideia de anos atrás, nasceu um garotinho que, de cara, teve uma rede de desafios imensa para ultrapassar, se quisesse sobreviver.

Mesmo o fato de 'desenganar' a esperança da família com relação à sua vida - algo que os médicos fizeram, na época - não conseguiu ultrapassar a fé de pessoas que apostaram em sua sobrevivência e se postaram ao seu lado e se dispuseram à lutar como ele.

Não me recordo dos fatos, mas certamente isso tornou mais fácil minha escalada rumo à recuperação, meu ir vencendo cada etapa de restauração, ainda que com dificuldades e, muito provavelmente, com dores. As mesmas que me acompanharam durante muito tempo a vida, por conta de uma constituição inicial frágil.

E digo isso não como um lamento mas um hino de vitória, um poderoso Aleluia que invade meu ser plenamente, que me sensibiliza e me proporciona um respeito imenso pelos seres que são agraciados com a vida e agradecidos por estarem imersos nela.

Em especial, valorizo aqueles que a percebem como um dom valioso e que resolvem percorrer suas fases com reverência e humildade, diante de sua magnitude, e que, assim fazendo, transmitem força de vida aos que estão ao seu redor.

Nesse dia, que tenho escolhido para me recordar o valor de cada ser**, quero expressar a minha gratidão àqueles que compartilham comigo essa jornada: aos que se tornaram meus desafios e aos que foram meus aliados, pois reconheço que todos tem contribuído para o meu aperfeiçoamento.

Depois de tanto tempo, aprendi que alguns desses me referenciaram e são, insisto ainda nessa forma de pensar, valorosos guerreiros por serem capazes de doar a sua energia em prol da construção de um outro ser pleno.

Caiam, todos vocês, na PAz!
[o tempo de uma vida não basta para se viver uma amizade:]
Amigos São Amigos Para Sempre!!!

Wellington de Oliveira Teixeira, em 21 de novembro de 2012.

*Base para a arte: Wellington em Arraial do Cabo-RJ, JUL-2012. Foto: Luis Claudio da Rocha Prét.

Mito de Er

O pastor Er, da região da Panfília, morreu e foi levado para o Reino dos Mortos. Ali chegando, encontra as almas dos heróis gregos, de governantes, de artistas, de seus antepassados e amigos. Ali, as almas contemplam a verdade e possuem o conhecimento verdadeiro.

Er fica sabendo que todas as almas renascem em outras vidas para se purificarem de seus erros passados até que não precisem mais voltar à Terra, permanecendo na eternidade. Antes de voltar ao nosso mundo, as almas podem escolher a nova vida que terão. Algumas escolhem a vida de rei; outras, a de artista ou a de sábio.

No caminho de retorno à Terra, as almas atravessam uma grande planície por onde corre um rio, o Lethé (em grego, 'esquecimento'), e bebem de suas águas. As que bebem muito, esquecem toda a verdade que contemplaram; as que bebem pouco, quase não se esquecem do que conheceram.

As que escolheram vida de rei, de guerreiro ou de comerciante rico são as que mais bebem das águas do esquecimento; as que escolheram a sabedoria são as que menos bebem. Assim, as primeiras dificilmente (talvez nunca) se lembrarão, na nova vida, da verdade que conheceram, enquanto as outras serão capazes de lembrar e ter sabedoria, usando a razão. as almas

30 de set. de 2009

Nudez de alma


misturadedesenhosdeoutros, foi feita em 31-08-2009 misturadedesenhosdeoutros**, foi feita em 31-08-2009.

"Posso voar mas não posso controlar o corpo
Que sorri para o mundo, escuta a música
Faz a dança e cativa sem parar."

Pós TPM - Dirty Fastfood*
(http://dirtyfastfood.blogspot.com/pos-tpm.html)


Que minha arte não me represente, mas me apresente; que não seja marcas que eu fiz, mas minhas marcas que ousei deixar vir à tona e tonalizar a tela; o meu próprio voo de descobrir nas misturas e formas iniciais a ideia que sobressai e ganha plano e me força às mudanças e alterações no que já estava dado - até que eu perceba que apenas um dado no todo e não algo estabelecido como um todo.

E me deixo levar, inventar, descobrir e redescobrir porções, criar camadas sobre outras e efeitos sobre efeitos até que algo em mim olha e vê e sabe que disse algo e que, por isso, me disse.

Então é só inventar uma moldura e não deixar que ela modele todo o caminho traçado e domine a conquista feita com o processo da descoberta.

É melhor ficar sem cobertura, nem cercas. Só de vez em quando, pra dizer que uma ideia se fechou por alguns instantes. E, depois, me permitir modificá-la, restabelecer o vínculo apenas para permitir que fluxos outros tenham vez, talvez os que não tiveram voz no primeiro embate, no primeiro encontro, no primeiro olhar.

E por que não? Há mais olhares possíveis pra cada cena, sempre, como há mais de uma forma de ler, tocar, cantar, escrever, sonhar.

É só um voo. E vôos são as coisas mais difíceis da vida: raridade hoje em dia, porque voo é o encontro de você com a vida, é a expressão de tudo que se armazena e se guarda e se destila. Voo é o encontro consigo mas num plano superior, onde se consegue tudo. Voo é o momento em que nada lhe toca, nada lhe detém, nada lhe contém, nada desvia você de você. E é o momento em que não havendo nada mais para acrescentar, basta crer. Crer que a plenitude se instalou e proporcionou a um ser o se tecer sem temer o vir a ser, o devir e o se desfazer. Por que é bom me dizer, me desdizer, para que haja um novo dizer sobre mim: alteridade em mim, novidade em si, uma nova idade para se viver.

Risco, sim, porque é arriscado viver, se sustentar no fio da teia de uma aranha, mas sem se prender, sem se perder, nunca se esconder, talvez, se proteger.

Um pouco de exposição, mas sempre a ação, sempre a expansão e a busca pela captura do instante do seu olhar, para provocar e fazer fluir e para passar adiante o que me provocou de início.

E torcer para que a construção seja outra, distinta e tão potente quanto a minha e aninhe outras questões: um processo sem fim que se irradia e ilumina quem quiser ser elo e se permitir ser verso ou qualquer outra forma de expressão.

Quem sabe uma nudez de alma, a luz da aura para poder sorrir?


Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de setembro de 2009.


* Uma pessoa que eu amo a maneira como se expõe e que, da mesma forma que se joga largada, se permite uma consistência de ser e estar.
** Espero ter em breve o nome do autor do anjo e da foto para fazer os créditos da minha mixagem.