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19 de set. de 2014

Rotular é tornar o pontual a referência.

Senhor de si, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 19-09-2014
Senhor de si, criado em 19-09-2014.

Transcender
Os espaços, uma a um, devíamos
Com jovialidade percorrer,
Sem nos deixar prender a nenhum deles
Qual um pátria.
O Espírito Universal não quer atar-nos
Nem nos quer encerrar, mas sim
Elevar-nos degrau por degrau, nos ampliando o ser.

(Hermann Hesse - O jogo das contas de vidro, p.447)


Sem sua ousadia não há o que esperar da vida. Estou falando de forma direta, não alegórica ou metafórica. Desde que haja alguma forma de construção, há o possível, o viável, a invenção de si. São eles que se opõem ao estruturado, ao modelado e conduzem à ausência e ao vazio.

Essa espera não no sentido de esperança, ainda que, de algum modo, possa abarcá-la se entendida como projeção, como sonho, como elemento transformador por produzir mobilidade.

Um momento ímpar está acontecendo, em todas as épocas, em diversas esferas da vida, onde quer que os seres humanos estejam se transformando e buscando por mudanças. Costumes e práticas apenas são os indicadores de algo a que se opõem e se agitam grupos de pessoas indocilmente, envolvendo-se numa luta contra a mesmice.

E muito do que se vê pode ser considerado exagero, forçação de barra, imposição - principalmente se percebido de um ponto de vista mais tradicionalista. E aqui se resume a polarização, o antagonismo que tem levado ao extremismo pontual. Sim, é pontual. Mesmo com tanta propaganda querendo rotular todos por conta da ação de uns muito poucos.

Mesmo quando você age de forma mais exacerbada, vez ou outra, isso não dá a ninguém o direito de tachá-lo descontrolado. Se todos tem seus momentos assim, isso não pode torná-lo referência.

Então, por que os meios de comunicação (e muitos os que os reproduzem) tacham pejorativamente pessoas ou movimentos sociais que trazem uma reformulação do padrão que eles ditam? Dos brincos e tatuagens, aos cortes de cabelo e estilos de vestir - quase sempre acompanhados de linguajar, formas de musicar e poetizar novos -, toda era é uma nova era que modifica a anterior.

Desnecessário o gigantismo da tentativa de contê-la, quaisquer que sejam as vias. A repetição do Assim é o certo, quase sempre vem acompanhada da ignorância de que esta também foi uma prática nova. Não se pretende arrazoar, esclarecer, apenas determinar. Surgem vozes iradas, clamando o fim do mundo - há séculos fazem isso! - criando novos apocalipses para amedrontar e controlar. Baseados em que? Costumes.

O mais indelével dos direitos humanos, o ser senhor de si mesmo, quer-se dominado. O maior medo é, se mudar, as vozes que ditam o certo e o errado perderão seu poder. Tentam esconder o fato de que as rupturas sempre acontecerão e que é possível harmonizar o novo com o antigo, há espaço para ambos.

É preciso ousadia, repito, para abrir as asas, saltar no vazio e desconhecido, para descobrir a maravilha que é o voo. O menor dos insetos alados sabe disso. Mas, por mais que muitos dos antigos e os novos-antigos citem as águias, os condores em alegorias da transformação que permite a ampliação da potência de vida pessoal, continuam preferindo as caixas, os ninhos, as asas deformadas por falta de uso. E não admitem que os outros tentem. Fazem isso, ameaçando: 'vai, mas não volta'; se fizer isso, não será mais meu …'; 'isso é coisa de …'; 'filha minha …'; e muito mais.

Antes que eu me esqueça, ao exemplificar as forças conservadoras não é necessário citar qualquer grupo ou prática: todos temos a semente dela em nosso interior, também. Ser cuidadoso é dialogar, avaliar as questões, alinhar os prós e os contras. É se dispor ao apoio do seres que se individualizam. Esse processo eles o percorreram de qualquer forma, agora ou depois, apoiados ou solitários.

E quando uma nova forma de estar em sociedade ocorre, ela é assimilada aos poucos e torna-se parte do antigo modo. Entender e superar tal processo sem gerar mais seres podados, enrustidos, mal-amados, rancorosos, vigiadores do alheio é um desafio imenso.

A vida exige que o ser aflore. E quando o processo de vir à tona ocorre, nada o impede. Pode-se podar todas as manifestações, viver protegido ou escondido, tentar iludir-se ou aos outros. É uma opção. Mas há outra: pode-se lutar para se manifestar de forma única, também.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 19 de setembro de 2014.

* […] Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida.
Na parede da memória, essa lembrança é o quadro que dói mais.
Minha dor é perceber que, apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.
Você pode até dizer que eu tô por fora ou, então, que eu tô inventando.
Mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem.
(trecho de 'Como nossos pais' - Antonio Carlos Belchior)

30 de ago. de 2014

Energia em formato de memória

Memória, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 29-08-2014.
Memória, criado em 29-08-2014.

Confie em seu poder pessoal: é tudo o que temos neste mundo misterioso.
A escuridão é como o vento, uma entidade desconhecida à solta, que pode lhe pegar se não tiver cuidado.
Você deve entregar-se ao seu poder pessoal, fundir-se com ele…
Um guerreiro é impecável quando confia em seu poder pessoal,
sem considerar que ele seja pequeno ou grande.

(Dom Juan, em Viagem a Ixtlan de Carlos Castañeda, p.161-162)
É quando os fios de cabelo da nuca arrepiam e uma estranha sensação, vaga, de estar fora do tempo, é subtituída por outra que cola na mente uma certeza; não em outro.

Nesse momento, único em efeitos, em que perco o senhorio de mim, ao mesmo tempo em que me expresso mais verdadeiro que nunca; não em outro.

Só quando preciso encontrar um modo de racionalizar - qualquer um - para que esse encontro da alma com o infinito, com o atemporal, não me faça ultrapassar os limites de um corpo cada vez menos interessado no estático, no substancial, no sequencial; só nele.

Eu me confidencio, calmamente, que este tempo de vida é pequeno; que as marcas estampadas no invólucro individualizante cumpriram sua função; que os motivos encontrados para realizar essa jornada se esgotaram; que tudo se iguala e por isso mesmo ganha o mesmo status: não há importância pois tudo tem valor; que não há dor na paz, na aparência, talvez; que é quando um antigo fluxo se expande que um novo núcleo se aglutina: a vida não se desfaz se reconstitui em outras vias; que, a novidade chega não para ocupar o lugar do antigo, ela estabelece um novo;

Apenas um flash, um estalo. Em um piscar de olhos o tudo torna-se nada, melhor, visibiliza-se como apenas uma camada transparente - como as da cebola - que por um exato e ínfimo instante é permeável e permite ser transposto.

Não mais substância, o que se configurou forma desfaz-se e torna-se, aos poucos, o que sempre foi: uma energia que flui e ganha, em todos, o formato de uma memória.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de agosto de 2014.

* Quando converso com algumas pessoas sobre poder pessoal, cito o conceito de capacidades pessoais bem conhecido por cristãos, resumido em uma parábola (uma ilustração que permite a absorção imediata de um conceito difícil), como a que a palavra talento pode significar poder, capacidade ou habilidade pessoal, além do conceito de bem, gravado em moeda com esse mesmo nome.
Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens.
E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe.

(Bíblia - Mateus 25:14-15)

24 de mai. de 2014

Vulcanos

Vulcanos, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 24-05-2014.
Vulcanos, criado em 24-05-2014.

Vulcão é um tipo de montanha, uma estrutura geológica.
Sua produção é realizada por magma, gases e partículas quentes quando emergem à superfície.
Para além do magma derramado, sua função é injetar poeira, gases e aerossóis na atmosfera
— sem a dose projetada a transformação da superfície retardaria.
Mesmo que inconscientemente, somos pequenos vulcões nas relações que estabelecemos na terra.

(Wellington de Oliveira Teixeira)


Dói, para si e para quem atinge.

Mas, um vulcão que não expele suas lavas não cumpre sua função porque não basta tê-las aceitado dentro de si: sendo substrato e fruto do mundo inteiro, a ele deve retornar.

O significado da dor que sofreu ou da que causou só aparecerá depois; o entendimento da energia gasta e das consequências, muito tempo depois — talvez depois de estar extinto.

Nossa linearidade impede de entendermos o processo.

É necessário retornar à helicoide, ao cone cuja ponta está na base. Um pequeno furo capaz de transbordar imensos jarros produtores de vida.

Talvez por isso as espinhas nos rostos para corações adolescentes: hora de transformar a casca exterior.

Talvez, repito por não ter outra palavra para expressar, somente assim aprendamos que nesta vida o passageiro é apenas isso. Sua viagem por ele também.

E enquanto não entendermos as interpenetrações das realidades (cada um possui a sua) não alcancemos a beleza desse engendramento.

A terra, a areia, o tijolo, as ferramentas e tudo o mais usado, jamais alcançarão os desígnios do engenheiro. Será preciso ultrapassar o tempo da construção para se apreciar o resultado, ainda porque nenhum de nós teve a chance de olhar a planta original.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 24 de maio de 2014.

* Para Diogo de Azevedo Ramos, um filhote de vulcão.

14 de mai. de 2014

Tubulações em máquinas desejantes

Tubulações, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 14-05-2014.
Tubulações, criado em 14-05-2014.

Capítulo 1: As máquinas desejantes
Em toda a parte são máquinas, de maneira alguma metaforicamente;
máquinas de máquinas com seus acoplamentos, suas conexões.
Uma máquina órgão é ligada em uma máquina fonte:
uma emite o fluxo e a outra corta.
O seio é uma máquina que produz leite,
e a boca, uma máquina acoplada nela. […]
Em toda a parte, máquinas produtoras ou desejantes,
as máquinas esquizofrênicas, toda a vida genérica:
eu e não-eu, exterior e interior não querem dizer mais nada.

(O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia — Gilles Deleuze e Félix Guattari*)


Não é preciso muita imaginação para se perceber que o corpo humano é um emaranhado de tubos. Tubulação passível de macro e micro observações nesta máquina desejante que é incrivelmente complexa em cada um dos seus mínimos detalhes. Mas, nada basta em si próprio, o desejo acontece nele e o faz ser o que ele é — ou não.

Funcionalmente falando, esses tubos transportam energia, lubrificação, sustentação e, alguns muito especializados, informação. Cada um, quando novo, precisa de cuidado no manuseio e utilização. Não exigir a utilização de sua capacidade ou tensionamento máximos, até que estejam preparados para isso, é o melhor modo de se evitar que rompam. Porém, mesmo com o uso cuidadoso, há o desgaste natural que ultrapassar a inércia impõe.

Porém, essa máquina vem com peças de reposição, os famosos sobressalentes, que vão substituindo as desgastadas com o passar do tempo. Um processo automatizado e muito bem coordenado de troca e eliminação dos resíduos indesejados.

Quanto ao arsenal de tubulações de um ser humano, eles entopem, perdem elasticidade, a pressão e a força, fazendo com que a qualidade com que desempenhavam suas funções se reduza. Mas criamos tecnologias para prolongar a vida útil de tais equipamentos. Pesquisamos composições que, quando reunidas com o combustível que abastece o corpo, tornam o processo de desgaste muito menor: limpeza, lubrificação, aditivos que estimulam um desempenho melhor. No entanto, mesmo com as tecnologias cirúrgicas e os novos produtos com base em nanotecnologias, isso ainda tem um limite — e é preciso respeitá-lo.

Mesmo em uma cultura de supervalorização das novidades, as antigas máquinas possuem funcionalidades, algumas das vezes, exclusivas. O filme Sete Vidas** nos apresenta o uso de prensas que imprimem cartões exclusivos ou gravuras. Grandemente valorizadas pela dificuldade extrema de se conseguir o mesmo efeito digitalmente. Exclusividade e raridade lhes promovem a importância.

De certa forma, no fim das contas, cada peça da máquina consegue se estabelecer e permanecer em função daquilo que produz: as efetivas permanecem, as ineficientes são substituídas.

Por menor que tenha sido o seu tempo útil, cada contribuição, sem exceção, permite que todas deixem o seu legado: um funcionamento que podemos chamar de vida.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 14 de maio de 2014.

* Bruno Cava, em sua resenha de O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia diz:
Toda a realidade se cria no desejo e pelo desejo, num movimento para dentro e para fora, que se diferencia inclusive em si mesmo, uma vastidão intensiva. Por sermos tocados pelo desejo, sempre há algo em nós que nos convoca para além do que somos. O desejo nos chama de um nome estranho e nós respondemos — outros.
[…]Por isso, nenhuma pessoa, nenhuma coisa, nada basta em si próprio. Sempre se pode ativar um excedente, uma carga delirante que desborda e embaralha.
Aqui, nenhum vitalismo à vista: tem desejo de vida e tem desejo de morte. Do contrário, as pessoas nunca se suicidariam.


** Sete Vida é um filme de 2008, onde o protagonista sofre depressão por se julgar culpado de um acidente que causa a morte de sete pessoas. Tentando se redimir decide salvar o mesmo número de pessoas mortas no acidente, doando partes de seu corpo.

6 de mai. de 2014

É preciso aprender a sofrer

Aprendendo a sofrer, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 06-05-2014.
Aprendendo a sofrer, criado em 06-05-2014.

O sofrimento proporciona-nos a melhor protecção para a sobrevivência,
uma vez que aumenta a probabilidade de darmos atenção aos sinais de dor
e agirmos no sentido de evitar a sua origem ou corrigir as suas consequências.

António Damásio — neurocientista.


Dor física ou moral, padecimento, amargura, desgraça, desastre, agrura, desconsolação, desgosto, mágoa e pesar. Não importa seus sinônimos, o sofrimento é algo que atinge a todos. É preciso aprender a sofrer.

Engraçado dizer isso. Sempre que eu uso essa expressão, logo me contradigo dizendo 'Engraçado não, interessante!'. Tem certas coisas que, por mais que a gente queira, repete e não abre mão porque fazem parte de nossa alma. Inclusive o modo de sofrer. Cada um tem o seu, e não é preciso muito esforço para encontrar suficientes elementos da psicologia para afirmar tal fato.

Tendemos a repetir algo que funcionou, de alguma maneira, em uma determinada oportunidade. Pela crença de que irá funcionar sempre ou como uma estratégia de começar tentando por aquilo que já foi eficaz — tipo um determinado remédio que seu corpo se adapta melhor.

Podemos comparar com a fé de que após a noite o dia chegará. Bem, até é muito provável que a terra complete seu ciclo, assim como o fato de estar vivo para apreciar tal acontecimento. Mas isso não é uma certeza absoluta.

Algumas tendências de pensamento afirmam que diante da ausência de algum elemento básico à sobrevivência criamos um reflexo conceitual e passamos a vivenciá-lo: é o entendimento ou surgimento da perda ou da falta. Há correntes na psicologia que definem esse processo como fundamental para a formação de um ser humano.

Dependendo do estado de espírito circunstancial, o efeito pode ser algo simples e superável rapidamente ou — me confirmem os que lidam com tendências depressivas — pode causar um estrago emocional desproporcional.

O que surpreende é a maneira como lidamos com aquilo que nos causa dor: calados, resmungando, chorando, gritando, e por aí vai o leque de opções que caracterizam cada um.

Apesar de, na maioria das vezes, não termos a chance de evitá-la, podemos encarar a dor por meio de um filtro racional: ela é parte da vida, é um elemento necessário ou formador de nós mesmos. E para nos ajudar, citar um exemplo simples como as injeções em momentos de doença.

Não tão simples, são as dores ligadas aos problemas de relacionamento — especialmente os de longa duração. Farta literatura romântica ilustra casos de que alguém tornou-se uma parte de si e seu afastamento é imediatamente sentido como sofrimento. Casos de separação, divórcio ou morte são exemplares. Esse último, que produz separação definitiva, exige uma nova forma de lidar, uma vez que cada ser humano e suas relações conosco são muito diferenciadas.

Quaisquer filtros que apliquemos ficam aquém do que o luto produz. Por isso, há apenas uma forma de reagir: aprender a sofrer.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 06 de maio de 2014.

* Filtros são entendidos aqui como elementos que protegem ao mudar a configuração do que se percebe, assim como óculos escuros em ambiente ensolarado.

23 de abr. de 2014

Ladrilhos e fragmentos


Ladrilhos, criado em 22-04-2014.

Parte da genialidade de Einstein consistiu em perceber que embora as colisões ocorram com muita frequência,
como as moléculas são muito leves, colisões isoladas não têm efeito visível.
As mudanças de direções observáveis só ocorrem quando, por pura sorte,
as colisões numa direção particular forem preponderantes[…].
Quando einstein fez as contas, descobriu que, apesar do caos no nível microscópio,
havia uma relação previsível entre os fatores[…].

(Leonard Mlodinow - O andar do Bêbado: como o acaso determina nossas vidas, p. 178)


É possível não se gostar da ideia, mas somos um apanhado de ladrilhos sobrepostos em uma superfície que não é plana, nem um pouquinho, e, por mais que a gente queira, não se complementam bem. Tem tortuosidades, reboco aparente, partes descascadas, infiltrações e tudo o mais que garante a não homogeneidade, apesar de a apresentarmos como tendo.

Como o núcleo da terra, estamos em ebulição constante que liquidifica todo o material absorvido e o transforma, com um gasto considerável de energia.

De vez em quando, a mistura não se dá facilmente e ocorrem reações turbulentas que, de tão violentas, extravasam à superfície. Exatamente como os vulcões. Conforme o tempo passa, a massa se esfria e solidifica, criando uma nova carcaça. Assim se transforma a face visível.

Essa é a versão natural dos acontecimentos. Excepcionalmente, porém, esse processo também acontece provocado por tempestades emocionais que remexem com nosso conteúdo interior como num caldeirão de bruxa. Por ser um processo súbito, os raios de grande intensidade e velocidade penetram a superfície e, como os que provocam as trovoadas ensurdecedoras, atraem a nossa atenção.

Dependendo da capacidade de administrar suas consequências — um processo que pode ser demorado, doloroso, mas sempre revelador — a descaraterização da superfície ocorre e alguns não se reconhecem mais. É o surgimento de um novo eu, fundido como ferro ao fogo.

O que revelará, só se mostrará após o tempo de resfriamento. Para quem é cuidadoso consigo mesmo, talvez (quem sabe?), se houver dedicação cuidadosa ao processo de aparamento das arestas e polimento de sua superfície, a modelagem possa ser realizada de acordo com o perfil que sua vontade determine.

Em todos os casos, não há retorno quando acontece. A transformação ocorre e os ladrilhos se modificam, ou se perdem.

Somos um mundo rico em transformações de microescala. Fragmentos copiando a ordem natural da natureza cósmica. Afinal, nossas partículas não são tão diferenciadas de nós perante o todo.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 22 de abril de 2014.

Vulcanismo é um fenômeno geológico que ocorre do interior da Terra para a superfície, quando há o extravasamento do magma em forma de lava, além de gases e fumaça e é resultado das características de pressão e temperatura contidas no subsolo.
(Brasil Escola)

Por se tratar de um processo que ocorre em uma escala temporal mais lenta, durante o processo de fragmentação natural as espécies tendem a se adaptar às transformações da paisagem; em contrapartida com o forte aumento do intensivo processo de fragmentação gerado pelas atividades humanas, a perda estrutural e qualitativa de habitat tem aumentado o número de espécies ameaçadas.
(R. B. Primack - Essentials of conservation biology)

13 de abr. de 2014

Saudosismo ou saudade

Saudade, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 13-04-2014
Saudade, criado em 13-04-2014.

Lobo.
Eu, você, João girando na vitrola sem parar.
E eu fico comovido de lembrar o tempo e o som. Ah! Como era bom.
Mas chega de saudade.
A realidade é que aprendemos com João pra sempre a ser desafinados.
Ser.
Chega de saudade!

(Caetano Veloso - Saudosismo)


Saudosismo não é saudade.

Polêmico? Verdade! Então farei algumas considerações e espero que você as acompanhe, se possível, cuidadosamente.

Saudoso é quem permite que sinais anteriores efetuem na mente e no corpo efeitos singulares. Desculpe-me, compliquei. Tentemos ir por outra via. Imagine alguém recordando a alegria de ter carregado uma criança em seus braços e ter recebido um olhar, um sorriso e uma mão acariciando o seu rosto, em resposta. Nesse exato momento, um sorriso lhe brota nos lábios, um lágrima escorre na face e o coração diz para o dono: o mundo é lindo.

O saudosista é quem não permite que novos sinais efetuem o mesmo efeito em seu corpo, apenas os anteriores. Pela analogia, não permite que o adulto - que é aquela criança hoje - lhe promova tais sentimentos.

Um e outro recorrem ao passado como fonte de reativar forças, mas avalio que apenas um o faz de uma forma saudável. A vida é um continuum, inesgotável fonte de novos estímulos. Independente de tempo de vida, ou mesmo condição física, todos os seres vivos são capazes de se apropriar deles por meio de encontros ou de imagens mentais. Pense em alguém cego como capaz de fazê-lo por meio dos auditivos e faça outras considerações semelhantes. Creio que será o suficiente para avaliar a minha proposição.

Dizem que não envelhece quem se apropria do momento presente para projetar novos futuros. Ficam idosos, sim, e seus corpos ficam desgastados e com inúmeras questões resultantes deles, porém, tais efeitos são enfrentados de forma coerente: impedidos de extrapolar e desbotar todos os outros aspectos da vida.

Como disse, não é questão de idade, muitos jovens estão encarcerados em um passado, em uma relação anterior ou um momento cuja habilidade era notória e merecia elogios. Alguns querem permanecer na época em que lhes era permitido errar de forma inconsequente.

Não preciso fazer um compêndio para deixar claro um posicionamento: o uso do passado é uma ferramenta eficaz. Porém, como todo e qualquer bom instrumento, tem possibilidades de uso opostas. É preciso avaliar aquele que nos trará potência para a vida, momentos de prazer, elevação da alma.

Uma sugestão: promova boas recordações, se permita um pequeno túnel do tempo onde você resgate dos acontecimentos o poder que eles possuem de serem eternos em seus efeitos; faça isso sem abdicar dos novos acontecimentos que o cercam no exato momento em que você viaja ao passado. Como? Conte uma história de vida para alguém, uma que o inspire a ir adiante. O que você vive pode ser exclusivamente seu, mas pode efetuar muito mais quando compartilhado.

A vida é uma árvore com rede ramificada e interligada: raízes e galhos que se multiplicam para potencializar os seres que sustenta; distintas camadas sobrepostas que fortalecem; passado e presente numa totalidade única, mesmo que só percebamos a camada mais externa e atual.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 13 de abril de 2014.

* Saudosismo como movimento cultural português do inicio do século XX refere-se a mais do que sentimento individual, a saudade é elevada a um plano místico (relação do Homem com Deus e com o mundo, ânsia nostálgica da unidade do material e do espiritual) e corresponde a uma doutrina política e social.

26 de mar. de 2014

Sinalizando mudanças

Wellington de Oliveira Teixeira
Foto para o jornal Sete Dias, 07-03-1982 *.

Olhar as águas de um riacho, sentí-la, vivê-la,
é uma forma de se receber energias bio-físicas e se reencontrar consigo mesmo.
Espero vencer na vida, conseguir um emprego, vencer as barreiras que me esperam,
mas nunca perderei minha identidade humana.
Wellington de Oliveira Teixeira, em 07-03-1982.

Não dê as costas a possíveis futuros antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles.
O que a lagarta chama de fim de mundo, o mestre chama de borboleta.

Richard Bach - Ilusões - As aventuras de um Messias indeciso


Alguns pensamentos me contagiam, talvez porque possibilitam a inversão de um modo de encarar determinadas questões. É o caso do que definimos como fim.

Se nos permitirmos o cuidado de analisar, o ponto que finaliza uma frase é o mesmo que já possibilita o início de outra.

Por algum motivo o fechamento não ocorre, a questão se estende para uma perda, suscita em nós um certo saudosismo, a vontade de não abrir mão. Em qualquer dos casos, produz acorrentamento. Selecionei uma palavra forte, não é? Mas, não se iluda, ela representa muito bem a cadeia de pensamentos que nos obriga a manutenção e impede o afastamento ou desligamento.

Nem tudo, porém, deve ser visto como impeditivo, uma vez que a capacidade de referenciar-se está ligada à retenção de alguns aspectos importantes da vida. Assim, ao se guardar um acontecimento ou experiência passada, sustentamos o bom ou mau sentimento que nos proporcionou: isso é o que podemos chamar, em sentido amplo, de aprendizado emocional ou intelectual.

Dou exemplos: todos conhecemos o uso como gíria da palavra legal (legal, cool, nice, do inglês). Alguém sabia que 'legal' vem do inglês do século XII, e significa tolo ou estúpido? Como eu disse, as coisas se transformam e o novo modo pode suceder ao uso que era comum, até mesmo o padrão assumido. Pense, então, no uso da palavra 'sinistro', que foi febre há algum tempo atrás, no Brasil, ou o irritante 'tá ligado?' carioca. Em breve outros termos ocuparão seu lugar.

Quando pararmos de encarar os términos como negativos, poderemos absorver um encantador conceito: desenvolver-se é ultrapassar o limbo das repetições e buscar o novo, o diferencial ou as mudanças. É ir adiante carregando apenas o que se conquistou que nos fortalece. É avançar.

Talvez, fim seja apenas isso: a marca da transição.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 26 de março de 2014.

* Essa é a primeira vez que publico essa foto e o trecho da primeira entrevista que dei na vida, para o jornal Sete Dias, quando passei em primeiro lugar para o curso de Psicologia da UFF, há 32 anos atrás. Muitas coisas mudaram, inclusive eu mesmo. Mas meus ideais conseguiram superar o tempo.

24 de mar. de 2014

Sem medo

Sem medo, montagem criada por Wellington de Oliveira Teixeira em  20-03-2014
Sem medo, montagem criada em 20-03-2014.

Estava pensando em como o tempo nos transforma por meio dos desgastes: ficar idoso é um processo básico da natureza.
Avalio também aqueles que o ultrapassam, resistindo ao envelhecimento expressando a sua alma, experimentando as novidades, inventando novos horizontes diariamente.
[quem sabe se por uma forma oculta de sabedoria eu estava, ali, tentando alcançar o futuro com as mãos?].
(Wellington de Oliveira Teixeira - Postagem em 20-03-2014 no facebook)


Não tenho medo.

Não tenho medo de imaginar como possíveis conversas com forças que me são invisíveis, mas capazes de acessar o conteúdo de minhas reflexões expressas em falas, escritos, imagens, sonhos e práticas de vida;

Não tenho medo de ter sido algo aprendido o nomear, sentir e expressar essa força que denominaram amor e escolhi chamar de Ordem;

Não tenho medo de pensar que já fui unicelular e ao ir evoluindo ou me aperfeiçoando, esteja caminhando para a plenitude desse meu corpo e me aproximando da perfeição de ser.

Não tenho medo das teorias do criacionismo nem das que afirmam um processo divino intermediado pelo criacionismo.

Não tenho medo de considerar espelho e enigmas essas imagens ou mitos religiosos, avaliando-os como parábolas para nos ensinar lições fundamentais à vida.

Não tenho medo de alinhar razão e fé, acreditar que mais, muito mais do que eu possa imaginar, sejam os até agora segredos das naturezas divina e humana;

Do que eu tenho muito medo é de que, sendo tudo isso possível e sensível, eu apenas abra mão por não poder provar ou por encarar uma falta de explicação.

É por isso que eu me permito vivenciar e admitir que mesmo não alcançando explicação, sigo em frente, realizando singularmente a minha plenitude e pensando que, em algum momento após aprender e me desenvolver e me tornar aquilo que (mesmo indefinível) era chamado de perfeição, poderei acessar a Ordem e me tornar uno com ela.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 20 de março de 2014.

* A seleção de fotos não segue uma cronologia fixa, foram escolhidas pela facilidade de acesso.

29 de jul. de 2013

A vida é como uma casa.

Reconstrução, criado por Wellington de Oliveira Teixeira, em 28/07/2013
Reconstrução, criado em 28/07/2013.

Não brinco, não. Digo apenas o que percebi. O conhecimento pode ser transmitido, mas nunca a sabedoria.
Podemos achá-la; podemos vivê-la; podemos consentir em que ela nos norteie; podemos fazer milagres através dela.
Mas não é dado pronunciá-la e ensiná-la. Esse fato, já o vislumbrei, às vezes, na juventude.
Foi ele que me afastou dos mestres.
(Sidarta - Hermann Hesse, p.118)

Não sei explicar bem. É como se pudesse sentir antecipadamente algo do meu futuro. Fluxos de emoções que tomam corpo e caem como gotas dos meus olhos. Ambíguas, como um quê de tristeza que penetra um momento bom, daqueles que podemos ter após aprendermos uma lição importante e deixarmos para trás um ciclo da nossa vida.

É como quando se consegue ultrapassar um limite, por ter tido a coragem de encarar o desafio, como quando vencemos a covardia que era uma companheira inseparável e nos permitimos lutar, apanhar mas não abrir mão.

Quase como em meio ao deserto, quando já muito sofrido, marcado pelo sol, perdendo as esperanças, surpreender-se ao descobrir que o oásis não era uma ilusão de óptica, mas um lugar para se permitir um pouco de repouso.

Gosto de obras. Pequenas construções e transformações no ambiente em que vivo. Talvez, um pedaço do meu pai que ficou em seus filhos. Aconteceu, esses dias, de ir às compras para o que anualmente me proponho: produzir a chance de renovar meus sentimentos, a forma de olhar e vivenciar o apartamento onde moro.

Dá trabalho, é cansativo, produz irritações, mas, conforme vai aparecendo o resultado o ânimo é refeito e se mantém por um bom período. O olhar ganha aquele brilho especial ao ver o que se renovou.

No hoje, maçanetas novas, estantes para a área de serviço, estruturas metálicas para equipamentos da cozinha... que vão se multiplicando com os sonhos, da mesma forma como foram a (re)pintura dos cômodos, a remodelação dos móveis anteriores - que desmontados deram origem a outros diferenciados e com nova e expressiva camada exterior.

E, num instante para o descanso, quando se para e olha para o que se fez, um sorriso se esboça, um brilho volta ao olhar e mais uma vez a energia recarrega o corpo e a alma porque é hora de aproveitar os frutos do que se plantou.

É isso. Algo simples e corriqueiro, um fugaz momento que se perpetua na alma.

Hoje re[...]assisti ao filme Tempo de Recomeçar. Como sempre, foi o suficiente para eu entender que a minha construção tem duração, mas o que dela for gerado pode ganhar a eternidade.

Sem nem mesmo sonhar com tanto, me satisfaço por me permitir entrever marcas de um possível futuro onde, diante de uma nova etapa de construções, eu possa afirmar a vida e o que ela tem de bom.

A vida é como uma casa*.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 28 de julho de 2013.

* Life as a House (2001 - no Brasil, Tempo de Recomeçar). George Monroe (Kevin Kline) é um arquiteto de meia idade com uma vida amarga que descobre-se repentinamente com câncer incurável. Decide-se por destruir a casa que o pai lhe deixou e construir uma casa para seu filho Sam (Hayden Christensen), problemático, rebelde, usuário de drogas. Aos poucos a construção proporciona a reaproximação com o filho, as pazes com Robin (Kristin Scott Thomas), sua ex-esposa e com vizinhos.

** Dedico esta postagem para a minha mãe Marilda de Oliveira Teixeira e para a Dayla Maria Perrier de Faria Valentim, aniversariantes desse mês de agosto.

15 de jul. de 2013

Nosso interno-ambiente


Conhecimentos, fotografia base: desenho no banheiro do ICHF.*

"Pois então" — pensou —, "já que todas aquelas coisas passageiras me escorregaram por entre as mãos, acho-me novamente sob o sol, sozinho, como nos dias de infância. Nada possuo, nada sei fazer, nada posso realizar, nada aprendi. Não é mesmo estranho? Agora, que já não sou nenhum jovem, que meus cabelos já ficaram grisalhos, que minhas forças diminuem, volto à estaca zero, lá onde estive em criança!" Mais uma vez, esboçou um sorriso. Sim, seu destino era deveras singular. Ele ia abaixo e novamente se encontrava nessa terra totalmente vazio, tolo, desamparado. Mesmo assim, sentia-se incapaz de afligir-se por isso. Antes, pelo contrário, tinha vontade de dar uma gargalhada, de rir-se de si, de zombar desse mundo esquisito, estúpido.
(Sidarta - Herman Hesse, p.81-82)


A novidade é a coisa mais antiga no mundo.

Está na moda o conceito de inovação. Ele carrega em si a ideia de criar algo novo, diferenciado, transformador, ruptor de uma sequência ou de um modo de ser, estar ou desenvolver.

Empresas procuram a preço de outro pessoas com o talento de produzir o inesperado e, para isso, vão buscar em locais ou práticas mais inusitados. Vou propor apenas um exemplo: músicos para empresas de tecnologia. Você deve saber que a Lady Gaga é a nova diretora de criação da Polaroid e que o William Adams, mais conhecido como Will.i.am (do grupo Black Eyed Peas), vai colaborar no desenvolvimento de novas tecnologias da Intel.

Algo estranho, que percebo por trás desse movimento de transformação, é a produção da insaciável sede consumista: o capitalismo vendendo que velho é ruim, novo é bom. Quer saber, o pior é que acreditamos nisso: dizemos que um celular ou laptop de 2 ou 3 anos atrás é uma porcaria.

Na contramão disso, o espanhol Benito Muros está sendo ameaçado de morte por causa de sua criação: uma lâmpada que dura no mínimo 25 anos - que tem por base uma que existe em um parque de bombeiros de Livermore (Califórnia), acesa há mais de 111 anos.

Poucos, talvez, conheçam o conceito, mas a Obsolescência Programada é um acordo de muitos fabricantes para desenvolverem produtos de curta durabilidade de modo a obrigar-nos a adquirir novos produtos que seriam desnecessários se produzidos como antigamente. Você pensa: até aí, tudo bem, tem sempre novidade no pedaço. Mas esquece de que o seu inconsciente absorve, também, esse conceito para as outras áreas de sua vida, inclusive a afetiva.

Apresento de forma não-moralista a questão dos relacionamentos: vejo, a todo momento, imagens e frases nas postagens de redes sociais, nos diálogos ao vivo, que há o desejo de encontrar alguém para amar, para construir um vínculo e (para alguns) constituir uma família e viver uma experiência até a morte como em UP Altas Aventuras. Na prática, apresentamos imagens dos pequenos vôos das baladas, dos encontros fortuitos em finais de semana, dos namoros que duram até a primeira briga e o status do face serem alterados. Essa incoerência surge de onde?

A questão do novo que os negociantes expõe exaustivamente em seus comerciais é a coisa mais velha que o mundo já produziu e se chama transformação: nada se perde, tudo se transforma.

Assim, o inverno dá lugar à primavera, o frio ao calor, a cobra troca a pele e você suas células mortas, as unhas, cabelos... Isso se chama renovação.

Mas a natureza ensina que não é necessário desqualificar o antigo: ele é a estrutura eficaz que permite as mudanças. É na harmonização entre o antes e o depois que se estrutura um presente.

Algumas pessoas optam pelo caminho do monge e se retiram da agitação para meditar. Querem, com isso, não impedir o novo, a novidade de vida, mas melhorar a base deste processo abrindo mão do desnecessário. Isso se chama purificação.

Como eu disse, meu objetivo não é moralização de uma forma de ser social, mas propor uma avaliação dela. A sua própria avaliação. A experiência e a observação ensinam que só precisamos ter elementos que nos ativem a capacidade de pensar, o resto somos nós que fazemos, inclusive trilhar um outro caminho.

Por falar nisso, os antigos chamavam isso de metanóia ou mudança de mente que determinava um novo rumo para a vida.

Viu?, antigos tem muito para a ensinar-aprender com os novos. Essa é a proposição simples e diária da natureza: a busca do equilíbrio.

A palavra que eu queria dizer, que só agora me tomou é transitoriedade. Exatamente o que acontece com tudo. É o Iazul! (Tudo passa!) da história de Malba Tahan**.

Existe algo na ordem do necessário que determina que parte do antigo permaneça no novo e a essa forma de permanência nós humanos aprendemos a denominar de eu. Hora de melhorarmos nosso interno-ambiente.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 15 de julho de 2013.

* Me encanto com a gurizada do ICHF - Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da UFF. Essa é uma amostra do que eles produzem por lá e nos incentiva a reavaliar toda a estrutura de conhecimento.

** "Quando o homem atravessa período de felicidade, de alegria, de sorte e tranquilidade, deve pensar no futuro e ser comedido em suas expansões, sóbrio em suas atividades.
Convém que o afortunado não esqueça: IAZUL (isso passa). A roda do destino é incerta. A vida é cheia de mudanças.
Há ocasiões, porém, em que nos sentimos tristes, enfermos, feridos sentimentalmente, caminhando sob nuvens de infortúnios.
Para que o ânimo volte ao nosso espírito, proferimos cheios de fé, fortalecidos de esperança: I A Z U L! Isso passa. Sim, tudo passa.
Virão dias melhores, dias calmos e felizes. A prosperidade e a boa sorte voltarão a iluminar a nossa jornada. A saúde será reconquistada. E a serenidade procurará pouso em nosso coração."