Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador paixão e amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador paixão e amor. Mostrar todas as postagens

18 de jun. de 2017

Ridículas e Ridículos

Fantasias, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 18-06-2017.
Fantasias *, criado em 18-06-2017.

Todas as cartas de amor...


Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras, Ridículas.
As cartas de amor, se há amor, Têm de ser Ridículas.
Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas.
A verdade é que hoje As minhas memórias Dessas cartas de amor É que são Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas, Como os sentimentos esdrúxulos, São naturalmente Ridículas.)

(Fernando Pessoa — Poesias de Álvaro de Campos, 21/10/1935 )

Há um que de ridículo em filmes e seriados para (pré)adolescentes que resiste até mesmo em comédias românticas para adultos. Nos orientais com toque de ocidentais, de certa forma, há um entrelaçamento de filosofia de vida nos discursos que, retirados da cena, caberiam em projetos de pensamento, mas, na cena, tornam-se piegas e fazem juz ao comportamento de muitos dessa faixa de idade. Fiz uma compilação de trechos que, mais que ilustrar, pode ser usado como ponto para reflexão.

  1. — Cante para mim. Você nunca cantou para mim.
    — Que música?
    — Uma que me faça lembrar de você, que faça você se lembrar de mim, que lembraremos durante muito tempo.

  2. Essa noite, as estrelas estão especialmente radiantes, o tempo passa, eu recordarei as suas palavras com apego, nostalgia e tristeza, até a noite terminar.

  3. Ah! dias felizes, aquelas promessas sussurradas ao ouvido, agora atraem tristeza. Não por culpa sua. É apenas uma súbita vontade de chorar porque foi um lindo sonho.

  4. O amor pode ser travesso, faz quem não acredita nele sentir seu maior poder.

  5. Olhando para trás, percebo que todos protegem alguém que lhe é precioso, lutando, se machucando. E que todos são capazes de ser ferozes. Inclusive eu.

  6. Me tornei uma árvore que se curva; as imponentes, o tufão derruba.

  7. Inúmeras vezes, eu assisti as pessoas nascerem e morrerem. Então, eu pensei, por que se esforçam tanto se vão morrer? Todos vão envelhecer, ter rugas, vão morrer de muitas e diferentes formas.
    Por que se esforçar, como se até viver fosse um ato de guerra? Para um olhar atemporal, é patético e inútil.
    Só se pauta em morte quem não entende que ninguém vive para morrer. Os momentos dão importância à vida. É possível viver, mesmo com um final previsível. É algo tão simples, mas leva tempo para aprender.

  8. Algo como um ditado oriental diz:
    Você deve dizer as suas despedidas antes do fim; quando ele vier, não haverá tempo para isso.

  9. Tenha orgulho de saber isso. Se você viver muito mais tempo que eu, talvez até esqueça, mas tenha orgulho de ter sido importante para mim.
Pois é, verdades podem ser encontradas em qualquer lugar, basta estar acessível e coletar o importante, mesmo em meio ao que se poderia chamar 'lixo' ou 'popularesco'.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 18 de junho de 2017.

* Todas as frases são de Meu amor das Estrelas, um seriado coreano que assisti na Netflix. Momentos 'pastelão' são entremeados com conceitos filosóficos e românticos, uma espécie de existencialismo para pré adolescentes (ops!). O importante nessa aventura, além de dar um tempo para descanso e riso, é entender que, quando se garimpa, pedras preciosas são encontradas onde menos se espera. Um destaque é a linda melodia tema My destiny na voz suave de Lyn que, como Fernando Pessoa indica, precisa ser ridícula para ser de amor:

Meu Destino

Se eu tivesse me permitido uma vez mais, se eu pudesse vê-lo novamente.
Nas minhas lembranças do passado, dentro dessa dor, chamo por você.

Você é o meu destino, meu tudo.
Eu o chamo em silêncio.
Você é o meu único amor, todo o meu prazer.
Você é meu amor para sempre.

Venha para o meu lado, se você ainda me ama.
As lágrimas nos meus olhos tentam dizer 'Eu o amo'.

Você é o meu destino, meu tudo.
A única coisa que não mudou foi o meu amor por você.
Você é o meu único amor, todo o meu prazer,
Meu destino.

Mesmo que o mundo mude, você sabe que eu só vou amar você?
Eu chamo por você.

12 de jun. de 2015

A vida em vermelho

Vida em vermelho criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 12-06-2015.
Vida em vermelho, criado em 12-06-2015.

Estudos de psicologia das cores e da cromoterapia relacionam a cor vermelha à motivação, novidade e recomeço. Pioneirismo, persistência, prosperidade e gratidão. Expressão de reações básicas como crueldade, revolta e brutalidade.
Elementos da cor são usados em tratamento contra hipertensão, anemia e inflamações; no combate ao esgotamento e princípio de resfriado.
Na filosofia oriental a cor está ligada ao chakra chamado cóccix (na base da coluna vertebral) e conecta-se a rins, bexiga, quadris, pernas e glândula adrenal.
Em nível espiritual, à autoconsciência, à sobrevivência e aos instintos básicos de luta e fuga, estabilidade e segurança.

(Mais informações em Vermelho — http://pt.wikipedia.org/wiki/Vermelho)


Vermelho é tudo. Bem, pelo menos é só enquanto o vermelho flui pelas veias há chances de se dizer que há vida humana. Mas a vida não se presta apenas à utilidade, ela se manifesta provocante, pulsante e promotora das possibilidades. É irreverente, imprevisível, simplesmente mágica.
  • A paixão é vermelha e viva, não se subjuga aos ditames e regras sociais, acontece e pronto. Se espalha como as chamas e desfaz os controles.
  • A sedução é vermelha, brilhante nos lábios e provocante na intimidade das roupas e nos sapatos de salto altíssimos.
  • A embriaguez é vermelha nos olhos que se iluminam com a intensificação do brilho que projeta a alma, incontida, inconformada com o aprisionamento cotidiano.
  • Tudo que é urgente e é expresso de forma contundente é apresentado em vermelho: do perigo, nas placas ou sinais de trânsito, à fome, nas cores dos logotipos e ambientes de restaurantes e fast foods.
O cérebro humano reage desde a ancestralidade à cor, de forma tão marcante que acredita-se estar registrado em nosso DNA. É algo da esfera do inconsciente, do automático — reagimos sem pensar, já que o fazemos antes mesmo de conseguir racionalizar a questão.

Então, não sei você, mas nesse dia de namorados não é muito indicado mudar time que tá ganhando. Mas fuja do convencional, capriche no ambiente, nos detalhes e na inventividade.

Acompanhado ou em caça, melhor usar as mais eficientes armas disponíveis para conquistar momentos inesquecíveis. Alce voos inusitados, conquiste uma nova fronteira e promova o prazer em seu novo encontro.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 12 de junho de 2015.

* Vermelho como o céu (Rosso come il cielo) é o título de um maravilhoso filme italiano que conta a história da vida de Mirco Mencacci, renomado editor de som da indústria cinematográfica italiana, a partir das experiências de sua infância em um orfanato para crianças cegas. Indico esta resenha bem feita, onde se encontra, também, um link para o vídeo no youtube.

Outra boa indicação é o filme Amor em vermelho (Moulin Rouge!), cujo tema é a maravilhosa música de Elton John Your song, que ganha versão nova para o filme.

19 de dez. de 2011

Sugado

Cupido
Cupido dobrando seu arco*

Novo mundo - grande horizonte
Abra os olhos e veja que é verdade.
Novo mundo - do outro lado das assustadoras ondas azuis
(David Wilcox))

A dor, a saudade, a sensação de solidão, sentimentos partidos, a vontade imensa de rever. A lista pode prosseguir tão facilmente que assusta.

Sim, estou discorrendo sobre o término de um relacionamento. Talvez, após a perda considerada sem retorno, a forma de luto mais difícil para o ser humano enfrentar.

Claro que, como para tudo, há uma solução. Ou várias. Qual delas se aplicará e imprimirá a marca desejada para mente e coração voltarem a conviver em paz, e permitirá a liberdade do espírito que foi aprisionado?

Meu guri, sobrinho emprestado há muitos anos, está vivendo uma experiência assim. Ele acha que estou longe dele, que não o apoiei quando me enviou uma mensagem sms solicitando força.

E é aqui que a experiência de vida nos orienta a dar os passos. Envelhecer nos dá uma noção de espaço-tempo um pouco mais ampliada. Uma pequena elevação na qual subimos e avaliamos o campo abaixo: ambos os lados e o centro; distâncias e passos a serem dados, por qualquer dos lados; uma análise um pouco melhor do campo de forças existente.

Mas, não existe remédio para a dor, quando se acredita em falta. Pode colocar um F maiúsculo nela, pois é capaz de eliminar as conquistas, as forças absorvidas, os momentos felizes como um buraco negro das galáxias que retira toda a luz do seu redor como um campo magnético imenso puxando tudo para o seu interior faminto.

Meu menino está se sentindo assim: sugado.

Para ele, a questão está apenas ali. E ele não é diferente da maioria, nesse caso.

Mas essa frase anterior é apenas quase verdadeira, pois o meu guri é alguém extremamente diferenciado em suas práticas de vida. Escolheu caminhos que o fortaleceram como ser pensante, como ser social, como ser espiritual e que o encaminharam para um patamar de nível superior: a produção de sua vida influi diretamente na de muitos, sua energia se amplia e alcança mundos que são desconhecidos por ele, como certamente milhões de pessoas diriam se o tivessem conhecido e sabido dos investimentos que fez na ordem do desconhecido - aquela ordem em que a fé é suprema.

Mas é quase impossível para ele nesse momento ampliar seu olhar e aplicar a Visão (têm olhos, mas não vêem). Se o fizesse teria avaliado o momento como todos os outros vividos - nenhum é melhor ou pior do que outro - se o encarar como um desafio de vida. Desafio que ele buscou, ao seguir a meta do aperfeiçoamento.

Insensibilidade não é o que eu estou passando. Ao contrário, estou me empenhando em descobrir as formas de transmitir-lhe a forma dele mesmo obter energia extra que o fará conseguir ultrapassar não apenas esse momento, mas todo e quaisquer outros que venham ao seu encontro.

Como ser pensante que é, meu sobrinho não está passando pela vida: ele a vive intensamente. Intensidade essa que o atravessa agora e o potencializa para aprender com o campo dos encontros.

Silêncio pode ser uma grande arma para quem ama utilizar. Mas em outros momentos é preciso expressões manifestas. 'Vôe por todo o mar e volte aqui pro meu peito...' um trecho da música O Vento, do Jota Quest, em que a banda registra em poesia cantada essa questão é um exemplo de a dor gerando algo bonito que ultrapassa o momento e atinge milhões de pessoas, numa sequência exponencial.

A força que cada um possui depende de aonde é aplicada. Muitos demolidores aprenderam isso na prática. Viram o desafio gigantesco ruir aos seus pés, com aplicação nos pontos certos da carga explosiva que possuem. Tudo tem seu calcanhar de Aquiles. Basta avaliar e achá-lo.

Mas um processo assim não merece ser interrompido, nem mesmo atrapalhado com uma força externa. Estragaria o poder do aprendizado, a alegria da vitória e colocaria em outras mãos o troféu.

Sei disso e ajo da maneira que considero melhor. Um poderoso silêncio que carrega uma intenção inflexível de colaborar com a grande ordem do universo a fim de que todo o campo de energia ao redor dele colabore (algum tempo atrás ouvi a expressão 'conspirar' para isso) para que esse guerreiro saia do campo de batalha vitorioso e certo do aperfeiçoamento conquistado junto com a energia de vida que o potencializará para enfrentar os próximos desafios.

A você, meu querido Francis Lauer** (Santa Maria - RS), meus melhores pensamentos, sentimentos e ações.

Aguardo para ouvir, com alegria, a história de sua superação.

Meu abraço afetuoso e meu intento de que você Caia na PAz! (Amor e Entendimento!!!)

Wellington de Oliveira Teixeira, em 19 de dezembro de 2011.


* Cupido dobrando seu arco, cópia romana de um original grego atribuído a Lisipo, Musei Capitolini, Roma.

** Nos áureos tempos do mIRC (dinossauro das mensagens instantâneas, de hoje), participávamos de salas de bate-papo que discutia o mundo desconhecido, invisível, espiritual. E dele, naquela época apenas um gurizinho, recebi bons textos e pude compartilhar boas conversas. Até hoje não tivemos a oportunidade de um encontro pessoal, mas isso não impediu a grande amizade que se desenvolveu.

9 de out. de 2011

Se eu fosse escrever uma história de amor

História de amor, criado por História de amor, criado em 09/10/2011
História de amor, criado em 09/10/2011

Eu procuro um amor Que ainda não encontrei
Diferente de todos que amei...
Nos seus olhos quero descobrir Uma razão para viver
E as feridas dessa vida Eu quero esquecer...

Pode ser que eu a encontre Numa fila de cinema
Numa esquina Ou numa mesa de bar...

Procuro um amor Que seja bom prá mim
Vou procurar Eu vou até o fim...
E eu vou tratá-la bem Prá que ela não tenha medo
Quando começar a conhecer Os meus segredos...

Eu procuro um amor Uma razão para viver
E as feridas dessa vida Eu quero esquecer...
Pode ser que eu gagueje Sem saber o que falar
Mas eu disfarço E não saio sem ela de lá...

(Segredos - Frejat)


Se eu fosse escrever uma história de amor, eu não saberia iniciar e nem terminar.

É que eu creio que a gente nunca sabe quando o amor começa, quando a sua marca se torna indelével na alma e imprime seu toque ímpar, aquele que nos modifica para sempre. Momento tão distinto assim é algo que, de tão interessante, deveria ter uma placa de aviso afixada no caminho da vida. Tipo um aviso de estrada ou arco de entrada das cidades litorâneas do Rio de Janeiro.

A bem da verdade, acho até que, após algum tempo, ela aparece e fica exposta, mas não creio que seja no momento exato quando o amor chega, me parece que espera um tempo para confirmar a sua veracidade e só então se fixa.

Essa questão de veracidade tem a ver com a confusão que se faz entre um romance, uma paixão, um encontro casual ardente, que também deixam alguma marca, com esse sentimento e movimento interno que nos transtorna e, de vez em sempre, nos transforma.

Acredito, também, que o final de um romance é algo acontece. Pequenos romances podem ser como uma hospedaria ou hotel: local bom para ficar por algum tempo, mas não para se morar. É que, para mim, o amor se eterniza no local aonde fez morada algum dia. A impressão é que se a gente chega a dizer adeus, ele ignora e fica em stand by. É como uma casa de campo ou de praia que se visita apenas num período de férias ou feriado. Fica lá, esperando ser habitada uma outra vez. E como você sabe, é possível se ter mais de um tipo de moradia... e, para mim, de amor.

Algumas vezes, me divirto com a meninada de hoje, expondo a sua vida em redes sociais e comunicadores instantâneos. 'ALGUM-NOME, você é o amor da minha vida', 'ALGUM-NOME, vou te amar pra sempre'... e alguns dias depois, tudo de novo, mas o ALGUM-NOME é outro. Acontece assim. Início, meio e fim com duração imediata, quase instantânea, e fugaz.

Frejat fez uma divertida música*, com um toque de humor muito especial, e num trecho ele diz 'Homem não chora por dor nem por amor... Esse meu rosto vermelho, molhado, é só dos olhos pra fora. Todo mundo sabe que homem não chora.' Se eu fosse tentar encontrar um ponto aonde diria que o romance realmente acaba, diria que é exatamente aí, quando um homem faz isso que o Frejat canta [meu riso veio espontâneo aqui e foi tão legal que quis registrar].

Mas histórias de amor não são histórias comuns, não são histórias de romances, apesar de haver muito romance nelas. Não me aventuraria afirmar que sejam para todos, como para mim, eternas. Todos os meus amores moram comigo naquela moradia que citei acima. E, para a minha felicidade, apesar de sempre haver mais vagas, a minha casa está lotada: as últimas entradas foram de Miguel e Lucas, irmãos gêmeos, nascidos há cerca de oito meses, filhos dos meus afilhados Jaqueline e Felipe.

E realmente não sei quando começou, se foi antes do nascimento, se quando eu os peguei no colo e os abençoei, num outro momento de cuidado. Mas aconteceu. E, agora, é para sempre.

Um dia desses, após um período muito desafiador e sofrido para o Miguelzinho, que havia saído da UTI de um hospital por problemas no pulmão, fui com meus afilhados visitá-lo. Algo que vi, me marcará para sempre a história com ele. Ele sorriu e deu uma risada, do tipo gargalhada, linda, maravilhosa. Naquele momento eu percebi que o amor já havia se instalado. A placa se elevou e o arco ganhou nome.

Bem, como eu disse no início, contar história de amor para mim é complicado, pois não acredito que possa finalizar.

Um dia, há muito tempo atrás, me apaixonei por uma música** mas, por não gostar da tradução que fizeram para ela, me pus a trabalhar a imagem que ela me trazia, o seu contexto, a sua mensagem e, ao concluir sua tradução, entendi que o que nela estava escrito seria a marca registrada de minha vida. Fica então como uma espécie de substituto para o final...

O tempo de uma vida não basta para se viver uma amizade:
Amigos São Amigos Para Sempre!!!

Wellington de Oliveira Teixeira, em 1º de outubro de 2011.


* 'Homem não chora' (Frejat) você assiste em http://www.youtube.com/watch?v=fD93ALYXNNI&feature=related.
** Friends (Michael W. Smith) você assiste em http://www.youtube.com/watch?v=IbPKaIozS-c

29 de jul. de 2011

Eu te amo


Eu te amo, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 28/07/2011.Eu te amo, criado em 28/07/2011.


As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento, na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte, e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)



Pensar amor é algo de uma complexidade incrível. Pensar amor gera elucubrações, emoções, conflitos relativos às suas formulações e manifestações.

Houve alguém que me fez criar um modo de expressar esse sentimento de uma forma inusitada para mim.

Antes de prosseguir, é preciso esclarecer que foi em um período complexo, fortemente tradicionalista e conservador, onde as formas de expressão eram restringidas e palavras podiam gerar mundos dolorosos. Mais ainda, olhares canhestros se faziam presentes e quem quisesse ultrapassá-los deveria pagar um preço altíssimo.

Então, surge um grupo de loucos que passa a pregar Paz e Amor como solução para a frieza da guerra entre potências e como um modo de vida a ser adotado por todos que quisessem ir além das grades da prisão das ideologias dominantes.

Não propunham estruturação, mas liberdade de expressão. Criticavam as estruturas sociais que impunham a internalização dos sentimentos e das emoções em prol de um modo social de externalização padronizada.

Claro, foram rotulados imediatamente de subversivos. Furiosos discursos e práticas passaram a invadir o cotidiano de pessoas simples incitando gestos contra o novo movimento, produzidos pela poderosa voz da mídia televisiva e radiofônica. A voz dos poderosos.

Levou um bom tempo, mas o movimento frutificou e modificou a forma das pessoas expressarem seus sentimentos, as suas emoções. E conseguiu se enraizar na vida do povo, que agora já conseguia ver com bons olhos algumas das formas de expressão da nova geração.

Com relação a mim, só após muitos anos eu pude deixar de expressar meus sentimentos por siglas, mas nunca mais esquecerei de como eu dizia 'eu te amo'. ETA!

Wellington de Oliveira Teixeira, em 29 de julho de 2011.

* Um bom exemplo desse período de transformações pode ser visto em Sociedade dos poetas mortos, de 1989, dirigido por Peter Weir e ganhador do Oscar de Melhor Roteiro Original, além de indicação nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator (Robin Williams).

23 de jul. de 2011

Sincronia e Diacronia

Coração Metálico, criado por Luiz Carlos da SilvaCoração Metálico, criado por Luiz Carlos da Silva**

Saussure indica os dois eixos que "todas as ciências deveriam ter interesse em assinalar":
O eixo das simultaneidades,
concernente às relações entre coisas coexistentes,
de onde toda intervenção do tempo se exclui, e
O eixo das sucessões
sobre os quais não se pode considerar mais do que uma coisa por vez,
mas onde estão situadas todas as coisas do primeiro eixo com suas respectivas transformações."
http://pt.wikipedia.org/wiki/Diacronia)

Tentar explicar o que acontece em momentos de sincronia total é algo muito difícil.

Palavras como irreal, incrível, magnífico precisariam de um upgrade para começarem a se aproximar daquilo que se tenta dizer.

Amar e fazer amor podem ser coisas diferentes no cotidiano. A realidade do mundo atual criou uma certa mistura de termos.

A atualidade é muito passageira (Heráclito e Clarisse, vocês firmaram escola!) e, momentaneamente falando, os conceitos de hoje não me satisfazem. Sexo por sexo, pode até ser interessante para adolescentes com cargas hormonais tão potentes que desequilibram quaisquer tentativas de racionalizar. Não para um homem maduro.

E, entendam bem, não vejo problema algum na sexualidade adolescente. Vivi a minha cota e, como muitos, fui impulsionado a expressá-la em ocasiões e de formas muito estranhas, constrangedoras, complicadas. E, claro, com (in)consequências (in)esperadas. Com ou sem realização pessoal. Mas com os conflitos, fui me construindo como ser sexual e agradeço a todas as pessoas que contribuíram para a construção do que eu chamo de meu equilíbrio emocional.

E esse é um outro conceito muito frágil. Todo mundo sabe que uma paixonite o desmorona com facilidade.

Mas um amor antigo merece respeito. Segundo meu irmão, 'anos de casa contam'. Não se constrói uma conexão limpa e clara sem doação, sem entrega, sem abertura para receber e aceitar a entrega do outro, sem pequenas ou grandes brigas ou rancores, sem intimidade.

E, nem acredito que pensei nisso, um único encontro pode valer muito e superar os muitos anteriores. É que lembrei-me do nosso anterior. Claro, que poderia ter sido apenas um outro nessa série tão antiga, tão simples, e que já conta com o esperado de ser mais um ótimo. Esse não.

Tento me recordar os toques, carinhos, olhares, silêncios que já compartilhamos. Me permito revisitar uma história com altos e baixos (muito mais altos que baixo, diga-se de passagem...) e prefiro sentenciar mais uma vez que não houve outro igual.

Outra vez, sim, pois por várias vezes a vivência superou a expectativa e a experiência elevou um nível a mais o jogo do amor.

E, como bom amante que sou, prefiro guardar comigo todo o sentimento do momento e permitir que a energia extra gerada reafirme as bases do amor e provoque a urgência de mais um encontro.

O que aconteceu? Simples (?) sincronia de corpo, de alma e de espírito. Um instante de puro êxtase que perdurou muito depois que fui embora.

De novo, obrigado por permitir a minha invasão ao seu interior e por me dizer que isso gerou plenitude em você.

Foi de uma sincronia mágica, pra mim também.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 23 de julho de 2011.

* Tomei emprestado termos/conceitos da linguística para comentar um momento especial dentro de uma sucessão, também especial.
** http://www.fotografodigital.com.br/luis-carlos-da-silva-10474.html

14 de jul. de 2011

Vazio, suspiros e saudades

Vazio suspiros e saudades criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 05/07/2011Vazio, suspiros e saudades, criado em 05/07/2011

Se um dia você for embora
Não pense em mim, que eu não te quero meu
Eu te quero seu

Se um dia você for embora
Vá lentamente como a noite que amanhece
sem que a gente saiba exatamente como aconteceu

Se um dia você for embora
Ria se teu coração pedir, Chore se teu coração manda,
Mas não esconda nada que nada se esconde.

Se por acaso um dia você for embora
Leve o menino que você é

(Meu Menino - Nana Caymmi*)

E, num instante, você partiu.

Não sei dizer o quanto isso me partiu, naquela época.

Eu era um daqueles que apostam nos sonhos, dos que acreditam que o amor completa todas as coisas, assim como nos completa.

Me vi diante dos pedaços de mim, sem ter como alterar os fatos.

Era tudo parte do inexorável poder do necessário da ordem dos acontecimentos.

Mas quem disse que adolescentes acreditam em consequências? Perigo? Jamais!

Tudo estava dentro daqueles desejos, por mais absurdos que fossem, por mais desesperantes nos momentos em que apareciam, por mais febril que nos deixassem durante as noites insones entrecortadas de vazio, suspiros e saudades.

Fazer loucura era normal. Expor-se além do necessário, trivial. Tudo valeria a pena para aproximar-se. Encontrar era muito.

Gato e rato. A fuga era um brinquedo perverso e a adrenalina subia tanto que não havia como fugir de tentar novamente.

Hoje, após tantos anos, um que de saudosismo bate à porta. E, apesar do que poderia imaginar, não quero abri-la: todas as feridas saram, os ossos calcificam, o coração volta a bater com outra cadência, por outro alento e por novas questões.

Ainda assim, não creio que devo abandonar as memórias, impedir os sentimentos de me inundarem por alguns momentos e transbordarem por meus olhos ausentes da vida cotidiana. Isso faz parte dessa coisa chamada amor.

E todo amor é pra sempre.

Até poderia ter dito "isto é, o amor verdadeiro", mas não acredito em nenhum outro tipo.

E daqueles que se foram para sempre - não importa para qual distância ou a quanto tempo - me permito que a alma me inunde. Revivo a força do encontro e dos muitos momentos partilhados.

É que um pouquinho de paz é necessário para vivermos uma vida plena e todos os que nos tornaram um pouquinho melhores merecem ser recordados com aquela tranquilidade linda que só os que respeitam a vida podem se permitir. E também ofertar.


Wellington de Oliveira Teixeira, em 14 de julho de 2011.

* Obrigado a você, Dê, por ter me ensinado a apreciar a Nana e a preferir o amor que cuida.

15 de mar. de 2011

Pensamento reticente, etcétera

Reticente, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 16/03/2011
Reticente, criado em 16/03/2011.

"Você é a única pessoa que pode decidir se a minha verdade
é autêntica para você ou se é bobagem - falei.
Os princípios pelos quais eu morreria, os mais altos valores que conheço…
para você são sugestões, são possibilidades.
Você escolhe, e por isso aguenta as consequencias.
Cada sim, não e talvez criam a escola que você chama de experiência pessoal."
(Richard Bach - Fugindo do Ninho - uma aventura do espírito)

"A verdade que negamos a alguém torna-se o lixo que vai entulhar a nossa alma"
(Wellington de Oliveira Teixeira - Ser Pensante)

Creio que as reticências foram inventadas para aqueles momentos em que você põe um ponto que seria o final em uma frase, mas, logo a seguir, novos pensamentos chegam freneticamente e tomam conta sem que você consiga ordená-los ou impedi-los.

É diferente do etcétera que você usa porque já dá para parar de escrever pois o que vier é fácil de completar, é óbvio, é simples, etc.

O pensamento reticente não é etcétera e tal. Incomoda. Como uma paixão, ele toma conta da cabeça, não importa quão importante sejam os pensamentos do momento. Vem, se estabelece e, quase sempre, atrapalha.

O pensamento do apaixonado é como ser assaltado por sombras, mesmo quando o dia está iluminado.

Certo. Exagerei um pouco. Digamos que paixão é o tipo sem noção. Não percebe que não é o momento certo para chegar e insiste em ficar. Tipo aquele sujeito que em toda festa você procura evitar. Conhece o tipo, né?

É que ele se aproveita do menor espaço disponível para abrir uma brecha enorme. Basta uma pequena foto, uma pequena frase, poucas palavras ditas ou um segundo de solidão na alma.

O pensamento dos apaixonados é reticente. Confirmem ou neguem, a paixão é a mestre em tomar nossos pensamentos durante o dia. Ou à noite. É como uma doença. E, que eu saiba, ainda não inventaram um remédio para os doentes de paixão.

O que fazer então? Talvez o melhor seja relaxar, gastar um tempinho com ela e tentar ir adiante.

No meu caso, vou direto ao encontro de um meio de expressar a questão: escrevo ou desenho, ou ambos.

Se resolve ou não a questão incial eu não sei. Até creio que não. Mas que dá um segundo de paz a alma, certamente dá!

Wellington de Oliveira Teixeira, em 15 de março de 2011.

* Me apaixonei, quando garoto, por Fernão Capelo Gaivota, Longe é um lugar que não existe e Ilusões - aventuras de um messias indeciso, livros do Richard Bach que se tornaram instrumentos que me ajudaram a moldar o meu próprio pensamento.

27 de fev. de 2011

Só pros sábios

Implosão, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 27/02/2011
Implosão, criado em 27/02/2011.

"A osmose pode ser vista como um tipo especial de difusão em seres vivos."
(wikipedia).
"Um guerreiro considera todas as possibilidades e depois resolve acreditar de acordo com suas predileções íntimas."
(Porta para o Infinito - Carlos Castaneda)


Há muito que foi retido,
quero tocar novamente, gerar um novo sentido,
habitá-lo o corpo e a mente.

Saudade é saudável.
Mais ainda ver-tocar, o instinto acender,
reacender o olhar,

explodir por implosão,
desabar só por cansaço, e a luz de um coração
no meu deixar um rastro.

Só você e só você
faz meu mundo renascer. Digo algo só pros sábios:
osmose é amor nos lábios.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 27 de fevereiro de 2011.

* Sempre me senti intrigado com a palavra osmose. A ideia de compartilhar algo por contato é fascinante. Hoje, baixou uma onda de poeteiro e arteiro, por pura saudade.

8 de jan. de 2011

Adolescentes

Mantenha o CharmeSnoop, Mantenha o Charme


“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado:
pensava que, somando as compreensões, eu amava.
Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente…”
(Clarice Lispector)


Há quem vire as costas para o amor, sem entender a magia e o milagre que ele representa na nossa vida.

Há os que não compreendam que quem não cuida do seu próprio amor e o defende, ainda que lhe cause dor, não entendeu que se você não o faz, ninguém fará por você.

Há muitos que perderam a noção de que ele em todas as suas expressões é, em si, a razão da nossa existência. Pois é ele quem gera em nós a amizade, o cuidado familiar, o desenvolvimento das habilidades e capacidades e desejos pessoais, e o encontro com a Ordem suprema.

Quando era adolescente, eu fui descobrindo - e aprendendo com - as várias faces do amor. E, mesmo agora, adulto, a marca que me ficou desse aprendizado traz um doce aroma do que foi vivido: como a memória de um perfume e o cheiro de uma pessoa amada.

Ao remexer, rearrumar e refazer meu espaço e minhas coisas (coisa que gosto de fazer ao final de cada ano), joguei muita coisa fora, outras guardei com carinho, novamente.

E, foi assim que reacendi o ponto de aglutinação** das energias que foram geradas em mim, naquela época. E revivi aqueles momentos com toda a sua intensidade. Por alguns instantes, voltei a ser adolescente.


Como se pudiesse elegir en el amor
Como si no fuera un rayo que te parte los huesos y te deja estaqueado en la mitad del patio.
[Como se pudéssemos escolher no amor
Como se não fosse um raio que te parte os ossos
e te deixa imobilizado na metade do pátio.]
(Rayuela - Julio Cortázar)

Fica tudo tão difícil sem você
Tudo me faz sentir frio sem você
Tudo desaba sem você
Eu tenho tudo mas não consigo sem você
Minha solidão é um grito sem você
E não basta se me aconchegam os medos
Fica tudo tão difícil sem você
Sem você.
[Não consigo lembrar o filme que tinha esse poema no final]***


Wellington de Oliveira Teixeira, em 08 de janeiro de 2011.

* Poster que eu tinha no meu quarto, quando adolescente.
** Conceito
apresentado pelo índio Juan Matus em que somos um a espécie de casulo luminoso e as nossas percepções ficam registradas em um feixe energético dentro dele. Quando acessadas, são reativadas, fazendo com que revivamos a experiência. (O Fogo Interior, capítulo 7 - Carlos Castañeda - ed. Record, 1984.)
*** O texto original é o da música Todo Sin Vos em http://letras.terra.com.br/sandra-mihanovich/196532/.

10 de jul. de 2010

Senhor da dor - duas faces

Senhor da dor, criado Wellington de Oliveira Teixeira, em 10/07/2010Senhor da dor*, criado em 10/07/2010


Solidão a dois
De dia faz calor, depois faz frio.
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em homicídio.
Mas, no fundo, eu nem ligo...
(Eu queria ter uma bomba - Barão Vermelho)


Senhor da dor

Quem é esse Senhor que vence com dor?
Que fechou o portão e impediu o amor?

Amá-lo é bem perigoso: ele impõe o seu mundo.
E, se tentar se explicar, ele o faz ficar mudo.

E ao vê-lo perdido,
pode crer, finge tudo.
E ao vê-lo vencido,
pode crer, força tudo.

Se erguer seu olhar, terá um superior.
E pra que se humilhar? Ele é imune a dor!

Parte em dois o caminho, com pesar eu sussuro.
O que sobra de tudo só se mostra no escuro.




Listen, I am alone at a crossroads
I'm not at home in my own home
And I've tried and tried to say what's on mind
You should have known
(Listen - Beyoncé)



Senhor da dor

Quem é esse senhor que vence a dor
quando fecha o portão e impede o amor?

Amar é bem perigoso: ele impõe o seu mundo.
E, se tentar explicar, ele o faz ficar mudo.

E pra vê-lo perdido,
pode crer, finja tudo.
E pra vê-lo vencido,
pode crer, force tudo.

Se erguer seu olhar, tenha um superior.
E pra que se humilhar? Seja imune a dor!

Parta em dois o caminho, com pesar eu sussuro.
O que sobra de tudo só se mostre no escuro.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 10 de julho de 2010.

* Tudo tem mais de um ângulo, mais de uma versão, mais de uma face: há quem está do lado de quem é senhor e quem prefere ser senhor de si.

8 de jun. de 2010

Não querer mais que bem querer

Talheres - Arte sobre foto*, criado em 08/06/2010.

O amor é bom, não quer o mal. Não sente inveja ou se envaidece...
É um não querer mais que bem querer.
(Monte Castelo - Legião Urbana)


Sabe, queria ser bem romântico ao escrever esse texto, mas fiquei obstruído. Amar é complicado. Ser amado é tanto ou mais. E tentar unir esses amores... [haja esforço!].

Mas se a humanidade, após séculos e séculos, ainda busca esse encontro idealizado, talvez, e reparem que eu disse talvez, haja um grande possível nele que ultrapassa todas as outras questões.

Você, assim como eu, já deve ter a sua coleção favorita de músicas românticas [mesmo que não queira confessar!]. E, entre tantas falando sobre o amor, fiquei bastante encucado [intrigado, cismado; preocupado, inquieto.] com a frase de uma delas: 'É um não querer mais que bem querer.' Convanhamos: que maneira complicada de dizer que querer bem [a alguém ou a algo] é a única coisa que se deseja!

Mas, ser pensante que sou, saí em busca de entender as razões da frase. Me recordei que no encarte do cd Quatro Estações havia um comentário de que a música Monte Castelo era uma adaptação de um poema de Luis de Camões (soneto número 11) e de um texto da Bíblia (I Coríntios 13). Descobri então que o trecho da música que havia me encucado [agora você já sabe o que é, né?] é uma citação direta do soneto, que transcrevo abaixo [viva São Google. Santa Wikipedia, Batman!]:

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Para o Renato Russo, a resposta à pergunta de Camões contida nos últimos versos [que pergunta? Se o amor é tão contrário a si mesmo, como pode seu favor (sua atuação) causar (gerar) a amizade nos corações humanos?], encontra-se no texto bíblico de I Coríntios 13. Lá o amor ganha o status de a potência máxima da vida:


'Ainda que eu [cita trocentas coisas] e não tivesse amor, nada seria.'
'O amor nunca falha;'
'Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.'

Mas tem uma coisa a mais [Ser Pensante é FlÓriDA!]: ele entitula a música de Monte Castelo [olhe a citação no final do texto com **], e mistura ódio (uma guerra mundial) e amor [será que é só para complicar as coisas?].

Pensei, pensei... [saiu fumaça...] até que me lembrei de uma aula na faculdade, onde o professor de filosofia Claudio Ulpiano [esse era Ser Pensante, mesmo!] mandou essa: o amor e o ódio estão na mesma face de uma moeda. A indiferença é que está do outro! Cá com meus botões, será que o Renato teve aulas com ele, também? Talvez por isso é que ele simplesmente decreta: É só o amor que conhece o que é verdade.

Isso tudo para dizer 'eu te amo'. E eu lhe pergunto: será que o meu amor sabe disso?

Wellington de Oliveira Teixeira, em 08 de junho de 2010.

* A foto base dessa montagem está disponível em:
http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?gwt=1&uid=810050098124745897&aid=1233812923&pid=1274843911441

** A Batalha de Monte Castello foi travada ao final da Segunda Guerra Mundial e marcou a presença da Força Expedicionária Brasileira entre as tropas aliadas que tentavam conter o avanço das forças do Exército alemão, no Norte da Itália. [wikipedia, é claro!]

4 de jun. de 2010

Um anjo de cueca branca

sem título, da zimzoo.com

Não vos esqueçais da hospitalidade,
porque por ela alguns, não o sabendo,
hospedaram anjos.
(Hebreus 13:2)

Já dominamos a energia do vento, dos mares, do sol.
Mas no dia em que o homem souber dominar a energia do amor,
será algo tão importante como foi a descoberta do fogo.
(Teillard de Chardin)

O amor é uma doença da qual ninguém quer livrar-se.
Quem foi atacado por ela não procura restabelecer-se,
e quem sofre não deseja ser curado.
(ditado persa)


Para quem estranhou esse título e a ilustração escolhida, peço um pouco de paciência. Tem tudo a ver com um acontecimento que tive a oportunidade de vir a conhecer, por meio do relato de uma pessoa amiga e que vou narrar, agora. Aconteceu na véspera de um feriado de corpus christ, como esse de hoje.

Essa pessoinha gosta muito de viver intensamente e é bastante ativa: agenda social lotada, faz parte do seu cotidiano. Está sempre cercada de companheiros - amigos e amigas - em todos os lugares.

Vibrante poderia ser dito que é uma outra grande característica dela: ainda não aconteceu, mas o clima já está 'tenso' - uma expressão que ela me ensinou, a pouco tempo, e que serve para dizer praticamente tudo, principalmente vibrante e exuberante, desde que ocorram simultaneamente. A língua portuguesa brasileira é pródiga em se superar!

Quem costuma se utilizar de mensageiros eletrônicos (messenger ou outro) sabe que basta acrescentar um emoticon (imagem que denota um sentimento) em suas frases para que ganhem mais força de expressão. E numa dessas conversas noturnas, após minha chegada do trabalho, tive uma grande surpresa. O diabinho vermelho e saltitante estava em dose dupla na frase: o clima do outro lado estava 'tennnnnsoooo'.

Curioso com tanta agitação, pensei 'o que aconteceu?'. E eu, rapidamente, digitei a pergunta. A resposta inesperada foi a de que ela tinha encontrado um milagre, um acontecimento sem par, algo como se alguém tivesse um unicórnio trotando em seu quintal.

As frases que se seguiram, até agora, me fazem rir:

Acabei de ficar com um garoto que nunca vi na minha vida. Cara ele foi embora.
Ele chegou à meia noite, disse que era de São Paulo, que veio ver a vó dele, etc.
Conversamos.
Meu deus, estou de boca aberta comigo. ASUHASUHSAHUAS.
Muuuuuuuuuuuuuito feliz.
Nossa ganhei meu dia, completamente! Nossa, estava sem fôlego.
Que cueca box branca perfeita. Fiquei louco só de olhar.
Eu quero que todo dia bata um desconhecido assim na minha porta!

Estou até acostumado com as explosões emocionais dessa pessoa, mas nunca tinha visto com tal intensidade: Os diabinhos saltitantes estavam em todas as frases.

Acontece que eu acredito que vida é um caldeirão de vivências e que podemos aprender com cada uma - as nossas e a de nossos semelhantes. E, esse episódio, é marca registrada disso: a vivência de alguém transbordar e contagiar quem dela participa ou toma conhecimento. Pra mim, isso é potência de vida. E é bom que todos possam desfrutar de momentos que os elevem à enésima potência de sua alma. Confesso ter ficado um pouco enciumado com a força da sua experiência.

Ainda falamos de livros, de encontros com amigos, quando a poeira baixou um pouco. No fim da conversa, algo me inspirou a dizer: 'vai sonhar com o seu anjo... hora de eu ir dormir.'

E, já na minha cama, antes de fechar os olhos imaginei um anjo de cueca branca.

Tive que rir.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 04 de junho de 2010.


* Porrinha é uma figura!

3 de jun. de 2010

O sabor do inesperado

Dor, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 03/06/2010Dor, montagem com escultura grega antiga em 03/06/2010.

A vida sem freio me leva, me arrasta, me cega
no momento em que eu queria ver.
O segundo que antecede o beijo, A palavra que destrói o amor
Quando tudo ainda estava inteiro No instante em que desmoronou
Palavras duras em voz de veludo E tudo muda,
Adeus velho mundo.
Há um segundo tudo estava em paz.
Cuide bem do seu amor. Seja quem for...
(Cuide Bem Do Seu Amor - Os Paralamas do Sucesso)

"Vem e me diz o que aconteceu, Faz de conta que passou
Quem inventou o amor? Me explica por favor.
Enquanto a vida vai e vem, você precisa achar alguém,
que também possa lhe dizer: 'Quero ficar só com você'.
Quem inventou o amor?"
(Antes Das Seis - Legião Urbana).


Preciso escrever algo bem intimista. Produto deste feriado e da frente fria que veio com ele. Vontade de ficar encolhido, enrolado, protegido.

Gosto de novidades, mas, como uma grande parte da população, fico receoso quando a encaro: dizem que temos medo do novo ou do diferente.

As possibilidades produzem um pouco do efeito surpresa e muitos preferem não ter expectativas relativas a algo ou a alguém. Protegem-se, com certeza, com essa atitude. Mas a que preço?

A espera e a esperança carregam o desconhecido consigo, porque estão sempre no futuro e sempre na incerteza, do mesmo modo que a expectativa.

O mais interessante disso é que, mesmo quando já intuímos algo, ou antecipamos um acontecimento, dificilmente agimos. Assim, o necessário nos atropela ou nos faz desviar da rota que havíamos traçado.

Pena? Não sei. A vida não é uma linha reta e percursos se cruzam em locais e momentos diferentes. Nova chance? Não sei. Pode ser...

E, a despeito do que possamos encontrar em algo ou alguém, do quanto possamos nos assustar com as novidades, é melhor ter sempre descobertas que viver na mesmice.

Um grande barato desta vida é o fato de, a cada passo que
você dá, ser supreendido: o inesperado é uma das maiores potências desta ordem em que vivemos. Ao contrário do sal, o inesperado não tem dosagem exagerada e, talvez seja ele o tempero que torna este mundo mais saboroso.

Alguém quer um salzinho para colocar na batatinha frita?

Wellington de Oliveira Teixeira, em 03 de junho de 2010.

* Me reapaixonei pela cultura grega. Antes eram as filosofias de vida, agora são as esculturas.

28 de fev. de 2010

Intenções viciosas

Intenções viciosas, criado em 28/02/2010.

Quantas intenções viciosas há assim que embarcam, a meio caminho, numa frase inocente e pura!
Chega a fazer suspeitar que a mentira é muita vez tão involuntária como a transpiração."
(Dom Casmurro - Machado de Assis)


Estou pensando em como, tantas vezes, sorrimos e disfarçamos um olhar que está tomado pela presença de alguém.

Estou refletindo no porquê de não desejarmos a transparência total em ser e estar, qualquer que seja a situação ou lugar.

Estou perplexo por a gente fingir que não sente o que sente, distrair-se para não ser levado por uma onda de sentimentos que podem ser avassaladores.

Estou tentando achar motivos para que a gente tente enganar a si mesmo em alguns momentos.

E acabo sempre me dando a mesma resposta: medo de sofrer.

E, por conta desse medo, concluo que desistimos de uma parte importantíssima de nós ou abrimos mão de uma experiência que poderia ser nova e plena.

Desorientação é um mecanismo de poder muito usado - até contra si mesmo.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 28 de fevereiro de 2010.

* Algumas vezes, me recordo dos momentos fantásticos que compartilhamos e da sensação mágica que ficava muito tempo depois. Dava vontade de cantar...

"Depois de ter você Pra que querer saber que horas são,
Se é noite ou faz calor, Se estamos no verão Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve Uma canção como esta?
Depois de ter você Poetas pra quê? Ou deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas?
Depois de ter você…
"
(Depois de ter você - Adriana Calcanhoto)

24 de jan. de 2010

Tranquilidade e incompletude

Ondas de leveza, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 21/01/2010Ondas de leveza, criado em 21/01/2010.

"Às vezes, no silêncio da noite eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado, juntando o antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto? Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho! Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem..."
('Sozinho' - Peninha*)

Momentos de tranquilidade, de paz, de segurança são algo especial.

Ainda assim, por si só, não são capazes de gerar plenitude.

Eu gosto quando chego em casa, de madrugada, e me vejo escrevendo sobre os sentimentos e pensamentos que me atravessaram durante o meu dia.

A sensação é de que (e como é bom dizer isso) mais uma vez valeu a pena.

Sei que muitos saíram, tiveram (des)encontros e voltaram um pouco frustrados - como já aconteceu comigo várias vezes.

Hoje eu tive excelentes momentos com familiares e em roda de amigos que geraram em mim esses sentimentos tão bons.

Ficou apenas a sensação de que a paz sussurrou pra mim esses últimos dias.

E, agora, quando chego em casa, me pego pensando em você, com saudade.

Claro que isso não estraga nada, mas deixa uma marca de incompletude, assim como nesse texto que não consigo achar um modo de terminar.


Wellington de Oliveira Teixeira, em 24 de janeiro de 2010.


* Curioso como as vezes alguém consegue dar potência a algo que não é seu a ponto de todos referenciá-lo e não ao autor como dono da obra, como é o caso dessa música que ficou marcada com a voz do Caetano Veloso, Sandra de Sá e Tim Maia.

8 de jan. de 2010

A vida voa

A vida voa, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 13/01/2010A vida voa, criado em 13/01/2010

A falsidade tem um infinidade de combinações
mas a verdade só tem um modo de ser.
(Jean-Jacques Russeau)

Ouvi um dia você me falar
Futuro é longe pra gente ficar
A dica que você me deu foi boa
Ao ter você eu fiquei rindo à toa

No outro dia você quis falar
De um tal futuro que pra nós não há
E a dica que você me deu foi boa
Grudar demais é o que mais enjoa

Ouvi conselhos em minha vida toda
E o que eu vivi eu não vivi à toa
Eu já fingi, fugi, corri de mim. E agora?
Eu vou sair e fazer outra história

Depois de um tempo você vem falar
Ficar foi bom, é hora de reprisar
E a dica que eu lhe dei foi boa
Melhor amar senão a vida voa.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 17 de março de 2006.

* Letra para uma música que eu apenas comecei e deixei de lado, por falta de oportunidade.



4 de dez. de 2009

O silêncio é monocromático

Assombração, criado em 04/12/09.

"Não existiria som se não houvesse o silêncio.
Não haveria luz se não fosse a escuridão,
[…] Tudo o que cala fala mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão…"
(Certas Coisas - Lulu Santos)

Dualidade é um bem universal (inclusive nas oposições, mas nem sempre nelas) e por meio dela podemos gerar o mundo.

Difícil? Pense comigo: quando se põe duas cores num papel existe diferença e logo podemos dizer essa e aquela. Se só existisse uma cor, simplesmente não existiria a palavra cor.

Pense no quente e no frio, barulho e silêncio... tudo se diz através da justaposição, da comparação ou da oposição. No encontro entre as coisas, cada uma delas passa a existir individualmente. Eu e você, por exemplo.

Uma forma diferente da dualidade é a dúvida.

Ficar em dúvidas é um acontecimento comum na vida de qualquer pessoa. E, no meu caso, se relaciona a busca de uma opção que seja a melhor para o momento. Está intimamente ligada a capacidade de fazer julgamentos diante de questões. E o nosso julgamento se faz a partir de avaliações racionais e emocionais.

Mas, para além do julgamento, o que se faz presente é aquela sensação de insegurança que muitas vezes nos domina na hora das escolhas, principalmente quando as opções são, entre si, excludentes. Querer e saber que, ao escolher, vai-se abrir mão, perder algo que também se quer. O ou - de esse ou aquele -, nessa hora, é um fator torturante.

Então, se permita um tempo de calma, decida-se e diga. Não deixe pra dizer depois, por que o silêncio não se expressa por cores: ele é monocromático.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 03 de dezembro de 2009.

* Nas suas palavras: 'fiquei confuso!'

27 de out. de 2009

Sorrir ao chorar

auto-retrato, em 27 de outubro de 2009
auto-retrato, em 27 de outubro de 2009

"Pegando a palavra". Pego a palavra e faço dela coisa.
Peguei a alegria e fiz dela como cristal brilhíssimo no ar. A alegria é um cristal.
Nada precisa ter forma. Mas a coisa precisa estritamente dela para existir."
(Um sopro de vida - Clarice Lispector)

Às vezes, basta um pequeno momento de conexão:
um pensamento e um simultâneo toque no telefone.
Você não atende, mas já sabe quem foi.

Pelo filme, que você vê, uma lágrima está caindo,
Pela ligação, um sorriso brotando.

E, ultrapassando a surpresa, um pensamento:
Há algo mais que uma vontade de estar
e é a vontade de ser.
Do ser 'Cada um com seu cada um'
que foi uma frase que eu aprendi
e passei a usar para dizer
'siga seu próprio caminho'.

Quando se faz uma escolha
também se rejeita as outras opções;
Você fez as suas, certo?
Siga em paz!

Wellington de Oliveira Teixeira, em 27 de outubro de 2009.

* Interessante como o modo de escrever dos meus afilhados está influenciando o meu próprio.
* Clarice em alguns momentos me parece com o
Michel Foucault no seu livro “As palavras e as coisas” que defende que o filósofo deve escavar as entrelinhas dos discursos e práticas – como o arqueólogo escava seus sítios.

30 de jul. de 2009

Fases

Fases, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 30/07/09. Fases, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 30/07/09.

*.

Escrevi sobre os fases como momentos estruturados com uma certa continuidade mas que anunciam as mudanças e que eram períodos que o ser humano vivia, como uma linha do tempo.

Mas fases tem outras características peculiares: elas nos mostram a sequencia dentro do trajeto de um ponto a outro.

Vejo também como um certo encadeamento de ações que se sustentam por alguns momentos até que algo dispare a mudança.

A estruturação de seu movimento parece ser a linearidade com pequenos e determináveis pontos de ruptura.

O grande barato de se olhar os acontecimentos a partir das fases é a invenção de uma permanência que inexiste. Por exemplo, acreditamos ser a mesma pessoa no decorrer da vida, quando apenas carregamos alguns rastros e marcas de vivências na memória - inclusive na afetiva. Essa é uma crença que nos leva a também querer ver uma certa permanência nas outras coisas e pessoas.

Socialmente falando, podemos nos considerar um conjunto de pessoas que se atrelam umas as outras por conta de pequenas ou grandes determinações de procedimentos que, na maioria das vezes, apenas tentam criar um modelo de permanência por fases.

Aceitamos atitudes e ações diferentes para a infância, a adolescência, a juventude, a maturidade e a velhice; em cada uma pequenas discrepâncias são facilmente aceitas. Mas não aceitamos uma certa curvatura no processo: nada de crianças agindo como adultos e nem de adultos agindo como crianças. Uma fase não deve retroceder nem adiantar demais. Tudo tem que ficar nas proximidades, sem sair do controle.

É bom termos um certo controle do que passamos e a percepção das pequenas rupturas que geram em nós a mudança. Como nos relacionamentos, há fases como em encanto-paixão-amor, esse conjunto também inclui aproximação e separação dos envolvidos, por diversos motivos.

Mas um bom motivo para se pensar as fases é que fica claro para você mesmo alguns dos passos que foram dados para se chegar aonde se chegou. E, é claro, ter o prazer de perceber que se está em movimento e não estagnado.

Vamos em frente.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de julho de 2009.

* Depois eu coloco uma citação que estou procurando. Ninguém é de ferro!