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20 de nov. de 2016

Particularidades, Peculiaridades e Periculosidades

Cinco.Cinco, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 20-11-2016
Cinco.Cinco*, criado em 20-11-2016.

Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista.
Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída.
Sou um homem que escolheu o silêncio grande.
Criar um ser que me contraponha é de dentro do silêncio.

(Clarice Lispector — Um sopro de vida, p.29)


Escolhi, antes de iniciar a segunda parte desta década da minha trajetória de vida, verificar se — e o quanto, neste período — as transformações vivenciadas me auxiliaram no projeto de tornar-me um pouco mais eficiente na absorção do que amplia o aprendizado e torna a vida mais agradável, sempre que possível para outros, além de mim.

Muito do que avaliei como importante facilmente se encaixou em três categorias: estão nas particularidades, possuem peculiaridades intrínsecas e exigem uma exposição de um nível especialmente perigoso – o peito aberto ao novo e ao outro. Nenhum admitiu o contato egoisticamente manipulativo. Estavam no caminho onde a doação daquilo que se vai conquistando é o necessário: o mais fundamental ponto de equilíbrio.

Encontros plenos acatam cada particularidade, nas mínimas peculiaridades, mesmo quando promovem riscos — inclusive o de morte. Erro após erro, intercalados de tão poucos acertos, a experimentação foi gerando pequenos centros de conhecimento. Tentativa após tentativa de transmiti-los sem repassar as excentricidades, menos ainda os desequilíbrios, inseguranças e afetos negativos, fortaleceram esses núcleos.

Seria muito bom se os gráficos fossem representados só com cores vibrantes pontuando positividades, embalados por uma música contagiante e efeitos mirabolantes de transição. Aliás, seria fantástico.

Mas, em que pese não ter negativado na maior parte, há resíduos de passado que resistem em interferir — e conseguem! — desconstruindo vários pontos do que considero minha integralidade: há ansiedades que me deslocam o equilíbrio na hora de interferir na realidade; há novas concepções que desafiam o meu olhar perscrutador e avaliativo; há fragilidades ao lidar com intrusões, com decepções, com perdas.

Ainda que os processos racionais tenham avançado, ficaram aquém de outros mais sensíveis ou de níveis holísticos com a Ordem.

Na exterioridade, a 'camaleosidade' foi trabalhada arduamente. Resultou significativamente em maior facilidade de acatar os estranhamentos, assimilar as diferenças, interagir com o desconhecido [quase] sem sucumbir à propensão de desqualificar nenhum e ninguém.

Internamente, as novas configurações restauraram zonas devastadas por outros que (pura incapacidade minha) não consegui impedir; restabeleceram pontos de contato com personalidades que não havia encontrado pontos de identificação (pura imbecilidade minha) para estabelecer conexões potentes; estabeleceram, nos processos de doação de sentimentos, energias e força de vontade, um ponto estratégico onde a integridade não se fragiliza.

Sob esse ponto de vista e de elaboração de pensamentos, acato com felicidade a ideia de que avancei nos propósitos que estabeleci quando zerei a década, cinco anos atrás.

Mas isso exigiu um processo de alquimia e me obriguei, inclusive, a produzir um perímetro de distanciamento de todos: foi o ponto de partida fundamental para poder encarar a segunda metade desta etapa. Falta pouco para o cinco.cinco.

Já que decidi compartilhar essas reflexões, vou cruzar o limite de não explicar as imagens que crio (veja a nota de rodapé desta postagem). É um bom começo flexibilizar sem quebrar as barreiras, os absolutos, os determinantes que constitui estrategicamente: permeabilizar meus pontos de referência.

Pois bem: expus as minhas particularidades, expressei minhas peculiaridades e sei que isso é um processo perigoso, mas necessário. É que eu quis que você soubesse dessa nano transformação em todos os níveis e do fato de que sou agradecido por ter sido parte integrante dela (até você que eu não conheço!).

Um grande abraço, Caiam na PAz!

Wellington de Oliveira Teixeira, em 20 de novembro de 2016.

* Na imagem que ilustra esse texto utilizei de medidas, números e letras que identificam o 5 e o ponto. Seu núcleo foi exclusivamente estruturado em cinquenta e cinco camadas de pentaedros com medidas 5,5 a partir de centésimos de milímetro (o novo computador passou no teste!) para representar a nova idade. Em seguida, percebi que era essencial inserir, também, os elementos incompletos e em reestruturação, até conseguir reconfigurá-los a este ser que me torno.

21 de nov. de 2014

Um adulto que a criança se orgulharia

Life goes on criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 20-11-2014.
Life goes on*, criado em 20-11-2014.

Um Deus infinito pode se dar inteiro a cada um dos seus filhos.
Ele não se distribui de modo que cada um tenha uma parte,
mas a cada um ele se dá inteiro, tão integralmente
como se não houvesse outros

(Aiden Wilson Tozer, citado por William P. Young em A Cabana, p.203)


Vi uma imagem com a legenda: A criança que você era teria orgulho de quem você é? E essa é realmente uma questão que gostaria de encarar com esse texto queonde me permiti ser bem intimista.

Com certeza, o que me tornei não foi apenas fruto dos meus desejos, uma vez que houve uma imensa carga de desafios para os quais não estava preparado e sucumbi. Bem, não é com orgulho que alguém se recorda dos seus erros, no entanto, fico feliz por ter conseguido encarar as minhas derrotas. Cada guerreiro sabe o peso dos enfrentamentos que escolhe assumir, e é isso que me faz olhar o passado com bons olhos: eu me superei.

Claro que houve várias concessões: pedaços de mim que ficaram para trás, como tributo, no altar da vida plena, mas, das dores no corpo e na alma surgiu um ser humano coletivista.

Falta de modéstia? É! Com muito orgulho que vejo aonde cheguei, apesar da imensidão do que me afirmavam ser impossibilidades, por conta do contexto social e suas enormes dificuldades, por conta do modelo cultural, por conta da falta de referências no caminho que optei por trilhar.

De certa forma, a trilha que abri incentivou aqueles que vieram depois e, hoje, tenho a alegria de ver as novas gerações da família seguindo por um caminho consolidado. Isso reafirma que tudo valeu a pena.

Mas não pense que os créditos são todos meus, claro que não! Sem o precioso e amoroso suporte e incentivo que recebi, o caminho teria sido muito, mas muito mais difícil e, muito provavelmente, mais acidentado. Então, um componente fundamental da minha alegria é saber que na solidão de cada caminho há a possibilidade de se criar conexões e alianças que nos fortalecem, nos esclarecem, impedem a perda gradual da essência da vida que permite nossa plenitude como ser. Meus verdadeiros amigos - isto inclui, especialmente, os familiares - estiveram e estão ao meu lado.

Realização é uma palavra forte demais, ainda, para esse momento — há tanto percurso pela frente. Reconheço que estou mais cansado, porém muito mais esperançoso e esforçado: eu sei o quanto já enfrentei e o quanto já superei. De tudo o que desisti, apenas uma coisa me incomoda, até hoje. E isso é algo muito bom para se dizer, pois há ainda um vislumbre de um pequeno horizonte onde seja possível realizar: nossas utopias pessoais são o incentivo que nos fazem prosseguir tentando.

Não tenho arrependimentos, algumas tristezas, certamente. A vida, em vários momentos, rasgou um pedaço do meu coração e levou. Restou marcas e recordações que reintegro sempre que necessário, sempre que a saudade é forte demais. Não com dor. Agradecido pela partilha solidária do Caminho.

Das esperanças que me acalentam os sonhos, a de ver uma sociedade mais justa é a que me impele mais adiante. Dos prazeres, aqueles especiais e indizíveis momentos quando alguém perdeu a noção de si, comigo. Dos projetos, sempre estudar e possuir um lugarzinho pra chamar de meu, onde possa receber amigos e ver — olha a pretensão! — meus bisnetos correndo ao meu redor. Dos questionamentos, só o caminho onde se sinta pleno vale a pena percorrer. Das certezas, só o amor.

Wellington de Oliveira Teixeira, entre 20 e 21 de novembro de 2014.

* A vida continua

24 de mai. de 2014

Vulcanos

Vulcanos, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 24-05-2014.
Vulcanos, criado em 24-05-2014.

Vulcão é um tipo de montanha, uma estrutura geológica.
Sua produção é realizada por magma, gases e partículas quentes quando emergem à superfície.
Para além do magma derramado, sua função é injetar poeira, gases e aerossóis na atmosfera
— sem a dose projetada a transformação da superfície retardaria.
Mesmo que inconscientemente, somos pequenos vulcões nas relações que estabelecemos na terra.

(Wellington de Oliveira Teixeira)


Dói, para si e para quem atinge.

Mas, um vulcão que não expele suas lavas não cumpre sua função porque não basta tê-las aceitado dentro de si: sendo substrato e fruto do mundo inteiro, a ele deve retornar.

O significado da dor que sofreu ou da que causou só aparecerá depois; o entendimento da energia gasta e das consequências, muito tempo depois — talvez depois de estar extinto.

Nossa linearidade impede de entendermos o processo.

É necessário retornar à helicoide, ao cone cuja ponta está na base. Um pequeno furo capaz de transbordar imensos jarros produtores de vida.

Talvez por isso as espinhas nos rostos para corações adolescentes: hora de transformar a casca exterior.

Talvez, repito por não ter outra palavra para expressar, somente assim aprendamos que nesta vida o passageiro é apenas isso. Sua viagem por ele também.

E enquanto não entendermos as interpenetrações das realidades (cada um possui a sua) não alcancemos a beleza desse engendramento.

A terra, a areia, o tijolo, as ferramentas e tudo o mais usado, jamais alcançarão os desígnios do engenheiro. Será preciso ultrapassar o tempo da construção para se apreciar o resultado, ainda porque nenhum de nós teve a chance de olhar a planta original.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 24 de maio de 2014.

* Para Diogo de Azevedo Ramos, um filhote de vulcão.

3 de jan. de 2014

Mexicaninha

Mexicaninha, criado por Wellington de Oliveira Teixeira, em 02-01-2014
Mexicaninha, criado em 02-01-2014

'Não importa o que faça,
cada pessoa na Terra está sempre representando
o papel principal na História do mundo…
E normalmente não sabe disso.'
(O alquimista - Paulo Coelho)


Essa é a primeira postagem desse ano, e quero dedicá-la a minha sobrinha Debora Cristina (minha mexicaninha).

Iniciei 2014 acertando-a com a rolha de um proseco (acreditem!), com isso, acredito que... bem, ela já ficou marcada para o novo ano, né? *

A intenção, apesar da falta de mira, como sempre, era só chamar a atenção para o fato de que eu torço para que esse seja 'o ano' para ela: construído com o que há de melhor da vida, o amor.

Ainda bem que ela faz aniversário logo no início do ano e vou tentar me redimir fazendo algo além das desculpas pedidas na hora.

A Debora possui um tipo peculiar de humor: o veloz. Passa de um estado emocional para outro em milésimos de segundos - entenderam porque o apelido que lhe dei?

Para nós que a acompanhamos desde pequena, um dos piores momentos foi vê-la passar por um problema de pele complicado. E, talvez por isso, uma das maiores satisfações foi vê-la superar a doença.

Tem crescido e amadurecido muito nesses últimos tempos, está construindo a sua carreira profissional, noivou e está se programando para o casamento.

De menina comunicativa, avoadinha e geniosa, que não perdia uma festinha, vejo-a repartir seus interesses com mais sabedoria. E, como já demonstrou, aprendeu a ser a anfitriã cuidadosa com todos, o que (não me bata!) não foi exatamente nos seus 15 anos (queria que ela ouvisse a risada que eu dei quando escrevi a frase anterior!).

Como nesse texto, nossa comunicação é direta, verdadeira; o prazer de estar junto é real e constante; o carinho é via de mão-dupla. É um orgulho ser tio de uma pequena como essa. [viu? eu não chamei você de baixinha!]

Agora que dei uma descrição da pessoa, queria que vocês reparassem em elementos (parte superior da ilustração acima) como um rosto sorridente, braços bem abertos e a palavra sempre. Outros detalhes (no meu modo louco de expressão) como caixa de som, flores, pássaros voando - que tem ao fundo um trilho - são elementos para dizer que meu desejo é que o caminho dela tenha o que ela gosta: musicalidade, leveza, que tudo seja muito colorido e alegre para que, se tudo servir, ela vista a carapuça (ou será um sombrero?).

Com um carinho imenso, eu lhe desejo um feliz aniversário, minha linda!

Wellington de Oliveira Teixeira, em 03 de janeiro de 2013.

* Não jogue fora a rolha, não, hein!