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10 de abr. de 2015

Estrelas-guias geram buracos-negros

Estrelas e buracos, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 10-04-2015.
Estrelas e buracos, criado em 10-04-2015.

Uma sugestão: promova boas recordações, se permita um pequeno túnel do tempo onde você resgate dos acontecimentos o poder que eles possuem de serem eternos em seus efeitos; faça isso sem abdicar dos novos acontecimentos que o cercam no exato momento em que você viaja ao passado. Como? Conte uma história de vida para alguém, uma que o inspire a ir adiante. O que você vive pode ser exclusivamente seu, mas pode efetuar muito mais quando compartilhado.
(Wellington de Oliveira Teixeira — Saudosismo ou saudade*)


São tão estranhos esse amor com desejo de infinitude, essa vontade poderosa de alcançar o inominável e reconstituir as teias do destino, essa forçada quietude da fala — expressa com o silêncio, mas soando alto e ecoando sem fim na cabeça e no coração.

Por que, em zilhões de estrelas-guias, justamente a ordem foi para a minha se desfazer e gerar em mim um buraco negro por pulsar seu brilho e calor onde jamais voltará a ser vista por quem mais a desejava ver?

Saudade e dor jamais deveriam formar par, deveriam ser proibidas de emitir seu gélido sopro e assentar moradia em qualquer canto da alma, não deveriam poder instigar o voo sem conceder uma par de asas.

E eu fico aqui, um terráqueo engolidor da água salgada que foi destilada no fundo da alma, que por pressão interna extravasou e escorreu na face que mirava o horizonte perdido em busca do perdido para o horizonte.

Imagino que talvez algum novo tipo de sonho permita coincidências. Quem sabe do meu com o seu? Quem sabe esses nossos corpos sonhadores encontrem-se por aí, numa esquina do universo?

Até lá, breve ou nunca, vou mirar o vazio que ficou no céu enquanto ele se manifestar em mim, vou imaginar o improvável e quase impossível reencontro enquanto encontro nas marcas do corpo e da alma os signos de sua passagem tão radiante em minha vida.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 10 de abril de 2015.

* A citação é um trecho do texto Saudosismo ou Saudade que encontra-se completo nesse blog no endereço http://bigwzh.blogspot.com.br/2014/04/saudosismo-ou-saudade.html

26 de dez. de 2014

Dia feliz

Dia feliz  criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 25-12-2014.
Dia feliz*, criado em 25-12-2014.

Left alone with just a memory, life seems dead and quite, quite unreal
All that's left is loneliness, there's nothing left for me to feel

(You Don't Have To Say You Love Me — The Floaters)


A véspera do natal é uma data interessante, com correria e tudo, porque sempre me provoca. Eu gosto do encontro que ela permite, não apenas com os familiares. Amigos que passam por aqui, numa peregrinação em casa de familiares e de outros amigos, são o ponto da minha reflexão.

É que eu andava pela noite, com um grupo de amigos, de casa em casa, mordiscando, bebendo algo, dando satisfações aos familiares, antes de seguirmos adiante em uma noite quase que inteira de movimentação.

Havia, no entanto, aquele momento quando a peregrinação acabava, o violão era sacado, nossa garrafa de vinho barato aberta e dividíamos aquilo que éramos de forma plena e feliz.

Musicalmente belo - tínhamos bons instrumentistas e vocalistas no grupo -, nos permitíamos as piadas mais infames, as perfeitas sacanagens e bullyings marotos - conscientes de ser apenas do momento -, até que chegava o momento da apresentação das verdades ocultas durante todo o ano… noite de paz. O dia seguinte, cada macaco no seu galho, cada menino com sua família.

Um prisma intenso, caleidoscópio emocional. Ontem e hoje, uma revivência similar, em outra ordem, ao receber em minha casa familiares e amigos. Ocupar o lugar do outro da minha adolescência me faz repensar os reflexos permitido sobre uma superfície quase igual.

O que ficou do garoto? O que o papai Noel presenteou? Nomes já não me importam mais. Conceitos, entendimentos, apropriações, sim!

Em um diálogo com meu cunhado, Elias, eu me recordei o motivo de ser tão importante manifestar ou agir em prol das necessidades alheias. Não apenas questão de fé. A manifestação do amor é o que nos leva a um patamar superior.

Alguns amores não vieram e a saudade bateu. Entendi os motivos, mas o coração sofreu. É assim mesmo. A vida tem desses momentos. A perfeição exige. Pensei no Arthurzinho, que está muito próximo de chegar, senti seus chutes na mão, os sonhos do meu sobrinho aguardando a chegada do seu filho eram visíveis.

Quem sou eu para desqualificar a vida? Louvado Seja! Que o tempo dessa vida, que não consegue ser suficiente para se viver uma amizade sequer, seja meu aliado nessa jornada; que eu aprenda a ser sensível aos seus signos, que eu entenda que até mesmo os meus limites (não consegui fazer tudo o que queria) são parte importante desse momento do viver.

Um dia o sino pequenino toca e eu não estarei aqui. Até lá, bem… vou aproveitar o que há para se fazer.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 25 de dezembro de 2014.

* A felicidade nunca é tão plena a ponto de impedir as pequenas tristezas causadas pela incompletude que as chamadas faltas nos trazem. Sensação essa que para mim é muito bem representada no trecho de uma música muito antiga que citei na abertura: Fiquei sozinho somente com memórias. A vida assemelha-se a morte, muito próxima do irreal. Quando tudo que resta é a solidão, nada mais resta para sentir.

3 de jun. de 2014

Posição, direção e determinação

Atomizando, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 02 de junho de 2014.
Atomizando, criado em 02-06-2014.

O homem é uma corda, atada entre o animal e o além-do-homem — uma corda sobre um abismo.
Perigosa travessia, perigoso a-caminho, perigoso olhar-para-trás, perigoso arrepiar-se e parar.
O que é grande no homem, é que ele é uma ponte e não um fim:
o que pode ser amado no homem, é que ele é um passar e um sucumbir.
[…] Amo Aqueles que não procuram atrás das estrelas uma razão para sucumbir e serem sacrificados:
mas se sacrificam à terra, para que a terra um dia se torne do além-do-homem.
Amo Aquele que vive para conhecer e que quer conhecer para que um dia o além-do-homem viva.
E assim quer ele sucumbir.

(Nietzsche — Trecho de Zaratustra, prefácio §4, ano de 1883)


Escolher um caminho a seguir é o que sempre recomendo a todos que se veem diante de escolhas muito díspares, ou que conflituam os sentimentos, pensamentos e relações sociais. E quando — quase sempre — ouço 'Falar é fácil!', sou o primeiro a concordar. Ainda assim, mantenho a proposição inicial.

Certa vez, alguém me confrontou com uma frase que soou o gongo interior: 'você é um masoquista!'. O porque de soar é inteligível, uma vez que em sociedade abrimos mão do desejo puro e simples em prol de uma coletividade. No meu caso, a de suma importância para mim — a família.

O quanto vale a pena ou não é algo variável. Encarar os momentos solitários tende a diminuir, enquanto os de convívio a maximizar. Certamente, a questão se espelha em cada um que encarou a questão — talvez, todo o mundo.

Direcionar as ações com base na razão pura e simples é o maior criador de recalques que conheço. Cada desejo reprimido se anexa aos anteriores acumulando mais um grau na escala da insatisfação. Certamente você conhece pessoas que julgam todo mundo o tempo inteiro, os primeiros a jogarem a pedra, os que ignoram seus erros apontado os demais. Devo dizer sinceramente: seja piedoso com eles, são os que mais estão sofrendo.

A questão se encaminha mais para como canalizar a energia do desejo, em que momentos acatá-la e como utilizar o potencial que lhe é inerente.

Para avaliar a proposta, não é necessário ir muito longe, já que alimentação é um exemplo simples e preciso: comer o que se gosta, sempre, gera problemas sérios. Basta avaliar as consequências — físicas, sociais, emocionais, financeiras e outras mais — para a si mesmo e para os que estão ao seu redor (em especial nos casos em que se torna uma questão de doença).

Tentei me posicionar a respeito, quando da criação da imagem (para ver esses detalhes, clique nela com a rodinha do mouse).
  • Sabe aquela plantinha do bem-me-quer—mal-me-quer?
  • Sabe a órbita que o elétron faz em torno do núcleo do átomo?
  • Já viu uma rosa dos ventos ou utilizou uma bússola?
  • Já encarou um paredão de rochas durante uma caminhada pela areia de uma praia?
Tudo isso me remete a posicionamento. Exatamente o que é necessário ter diante das questões da vida. Não se escapa: em cada situação encarada, haverá as perdas e danos como, também, seu oposto ganhos e restauração. Simultaneamente.

Fugir, fica claro por esse raciocínio, não resolve a questão, muito menos a adia — a faz piorar. É como o medo de um fantasma que paralisa. Só piora quando não encarado.

Todos temos nossos fantasmas e medos. Sabemos o terror que nos causam. Vi um filme em que ensinavam uma criança a ter coragem de se levantar da cama e acender a luz, quando sofria de terror noturno e tinha pesadelos imobilizadores e catalizadores de reações físicas muito fortes. Envolvia diretamente posicionamento e direção, junto com uma determinação construída por uma tática simples.

Com os olhos fechados, pense naquilo que tornou o seu dia mais legal, levante-se da cama e se prepare para ir em direção ao interruptor. Em 5, 4, 3, 2 , 1.

Abra os olhos, vá e acenda a luz!

Wellington de Oliveira Teixeira, em 03 de junho de 2014.

* Esse texto acabou antecipando o que gostaria de fazer para homenagear meus familiares que aniversariam no mês de junho.

2 de mai. de 2014

A mensagem do pombo correio

Pombo correio, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 02-05-2014
Pombo correio, criado em 02-05-2014.

Solte-me para que eu possa voar por terras longínquas
onde há campos, árvores e montanhas verdejantes; flores, fontes e florestas:
um lar além do horizonte.
Pombo correio a voar além dos sonhos há muito esquecidos.

(tradução livre do trecho de Skyline Pigeon - Elton John*)


Uma vez citei a forma como as pessoas assimilam músicas que tocam a sua alma transferindo-as para as suas relações pessoais, referindo-me a um costume entre pares de namorados. Não me ocorreu, na época, um outro uso. Um que me foi revelado apenas hoje, por conta de um depoimento feito por um sobrinho para seu tio que havia falecido.

Meu filhote Claudinho narrou o momento quando Paulo Roberto o ensinou a primeira música em inglês que havia aprendido, com isso, reproduzindo nele a mesma experiência - já que foi, também, a sua primeira.

A música é um fio condutor do espírito, produz um nível de sensibilidade cujo espectro ultrapassa palavras. Porém, o que me sensibilizou tanto não é o fato de que a experiência tenha se reproduzido ou que seja a primeira. É a disponibilidade em uma relação familiar para partilhar vivências e abrir portas novas, ocorrendo entre um tio e um sobrinho.

O convívio com os meu sobrinhos é uma das coisas na vida que mais me dão prazer. Para nós, brincar, discutir, analisar faz parte de todos os nossos movimentos juntos. Sempre um movimento aberto para a franqueza e compartilhamento dos fluxos de alma.

No caso do Claudio, a recordação acontece após cerca de 40 anos daquele movimento conjunto e, na narrativa do meu amigo, tornou-se aquela que retornou, no momento da morte do tio.

A letra da música, certamente, tinha correlação com o momento. No entanto, não creio que apenas isso bastaria - há tantas outras que falam do mesmo tema -, uma marca assim se aprofunda e só ganha sentido com a maturidade, com o entendimento de que os momentos são fugidios, evaporam facilmente. E aqueles momentos que não trazem algo para o nosso caminho se perdem pela estrada.

Desejei retratar a mensagem da música com um quadro com traços claros e fundo bem definido: um pombo voando pela linha do horizonte. E foi o que eu fiz. Isto é, até que reli o depoimento de despedida. Na dureza de um sentimento de perda, a dor muitas vezes se escamoteia em palavras exatas, traduções rígidas e, com isso, perdemos a aura poética, espiritual e emocional que sempre ronda a questão vida e (vida-pós) morte.

Voltei ao projeto e o refiz utilizando de aquarelas e movimentos sinuosos - como são os nossos caminhos de vida, como são os nossos pensamentos em momentos como esse, como entendi ser o intento dele ao utilizar de um instrumento de expressão de si para os familiares (muito além do de para si mesmo). Escolhi, para manter o mesmo grau de inferência, refazer a tradução feita por ele da música. E os correlacionei. Desejei reafirmar o seu entendimento de que hoje é o dia em que ele [o tio] pode estender suas asas e voar novamente.

E o que era para ser apenas uma postagem na rede social, generalizou-se, tornou-se um motivo de questionamento e, por isso, um texto do Ser Pensante. Explico. É aqui que eu penso o mundo que meu mundo produz, sob a única e exclusiva ótica que eu tenho: eu mesmo.

Mas saliento (e digo isso com toda a clareza, pois meu filhote sabe) porque ele sempre é parte do meu mundo: simplesmente doeu em mim, também.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 01-02 de maio de 2014.

* Os trechos da música utilizados aqui são:
Turn me loose from your hands Let me fly to distant lands
Over green fields, trees and mountains, Flowers and forest fountains
Home along the lanes of the skyway

For just a Skyline Pigeon Dreaming of the open
Waiting for the day He can spread his wings And fly away again

Fly away, skyline pigeon, fly
Towards the dreams You've left so very far behind.


a música encontra-se disponível em: http://letras.mus.br/elton-john/64492/

30 de abr. de 2014

Reviravolta

Reviravolta, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 30-04-2014.
Reviravolta, criado em 30-04-2014.

s.f. Ato ou efeito de desfazer a volta;
giro ou volta sobre si mesmo, firmando-se apenas em um dos calcanhares;
volta rápida, pirueta, contravolta: o ginasta fez uma reviravolta.
Mudança brusca: reviravolta de opiniões.

(http://www.dicio.com.br/reviravolta/)


Hoje eu escolhi focar nos momentos felizes de pessoas conhecidas, amigas e ver como a vida é diversificada: estonteantemente capaz de produzir felicidade nas situações onde prevalece uma tristeza.

A bem da verdade, acredito que é mais uma capacidade humana de determinar a dosagem que se permitirá vivenciar de cada uma - a cada momento.

Sim, às vezes precisamos desviar o foco da nossa atenção, por alguns momentos, de determinados aspectos da realidade. Ela pode ser bastante dura, especialmente naquelas situações de grandes dificuldades que envolvem você e uma pessoa amada.

Há um determinado desgaste, que surge nesses casos, que ultrapassa o cansaço físico. Ele mina com as certezas e seguranças e corrói a esperança. Isto é, se não houver o devido cuidado e respeito a si mesmo.

É certo que somente encarando o desafio poderemos ultrapassá-lo. Mas é certo, também, que focar um ponto apenas, por muito tempo, provoca uma visão turva ou nebulosa.

Então, equilibrar-se nessas horas é precisamente dosar o foco no alvo, permitindo-nos um descanso de tempo em tempo para que, ao voltar, a visão esteja mais liberta e possa perceber e avaliar os detalhes, novamente.

Para ampliar a analogia, é ousar criar uma nova perspectiva, fazer um giro sobre si mesmo e dar uma reviravolta.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de abril de 2014.

* Adorei saber que é o Mathias quem está a caminho, Mariana!

14 de abr. de 2014

Quando a vida se desbota

Desbotando, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 14-04-2014.
Desbotando *, criado em 14-04-2014.

Mas quando a noite chega e eu não tenho mais pra quem fingir, só eu sei o que isso dói.
Eu te vejo sorrir demais e esse olhar que pode tudo.
E eu nem sei se acho graça ou não, porque eu sei, eu sei que lá no fundo,
sempre que a noite chega e você não tem pra quem fingir
Sempre que a noite chega, você queria tanto alguém igual a mim.
E a gente acaba a noite sempre assim:
bebendo orgulho e solidão, chorando em frente a televisão, mantendo silêncio pra ninguém ouvir.
Pra ninguém ouvir. Shh…

(Silêncio - Heróis da Resistência)


Quantas vezes você já viu fotografias do amanhecer? Geralmente, apresentadas com frases que realizam uma ode ao dia ensolarado que se inicia, definido como um espetáculo da natureza. Evidente que a luz tem um poder incrível de avivar as cores e suas tonalidades, destaca inclusive as áreas sombreadas. Em muitos, produz, também, o mesmo efeito nas emoções.

Quem já apreciou um aquário de peixes ornamentais provavelmente vai lembrar de como as cores de um peixe embelezam determinado local. Os que são iluminados, mais ainda.

Não sou biólogo, mas já aprendi que, no mar, quanto mais profundo se vai mais escassa é a iluminação, assim, deve ser extremamente difícil avaliar a coloração dos peixes - se é que ela existe.

Carl Jung também considerava esse fato com relação à psique e questionava: de quais instrumentos dispomos para alcançar determinadas áreas dentro de nós mesmos nesta busca da compreensão de quem somos e o que desejamos? O quanto eles podem colaborar para destacar os elementos encobertos até mesmo de nossa consciência?

É preciso ter clareza de que há diversos níveis de situações. Em algumas delas devemos ser bastante cuidadosos, inclusive buscar ajuda profissional para encará-las. Uma delas é quando ocorre níveis crescentes de depressão.

Se eu tivesse que explicar depressão, sem usar os termos mais específicos, diria que é um processo que ocorre e reduz, em nós, os sentimentos positivos em relação à vida; desbota o colorido que embelezava as coisas ao nosso redor. E, mesmo que esteja tudo maravilhoso, não conseguimos compartilhar dos sentimentos de todos. Nos tornamos um peixe sem cor no aquário.

Nas várias vezes em que me dispus a participar de um processo colaborativo ou psicoterápico, me deparei com a mesma questão: é importante não complicá-lo, mas é preciso facilitá-lo sem banalizar.

Se encontro questões mais superficiais - no sentido de apreendidas com mais facilidade - no dia-a-dia, evito utilizar de instrumentos padrões. Para que 'psicologizar' nesses casos? Todos podemos fazer um exame das situações que vivemos; compartilhar questões que nos afligem; evitar enfrentamentos desnecessários; cuidar melhor de nossa saúde física e mental por meio de atividades físicas e recreativas. Estes são instrumentos que podem ser considerados terapêuticos numa forma ampla.

É porque eu gosto quando as pessoas encaram suas dificuldades e tentam por si mesmas ultrapassá-las que incentivo esse posicionamento perante a vida. Tenho consciência do poder que cada um possui de se construir e reconstruir e sou coerente com esse raciocínio. Colaboro na avaliação da situação e deixo o barco seguir seu rumo: em um mar tão grande, é quase impossível não haver peixes para pescar.

Sou muito fã das relações de amizade, mas avalio que sejam um suporte maravilhoso, desde que por alguns momentos. Processos de dependência nunca devem ser encarados como benéficos. Divida as suas questões mas não aceite ficar na situação de 'coitadinho'. Pena pode ser o pior sentimento que alguém lhe dedique.

Crie coragem, pegue seus pincéis e vá colorir a sua vida!
Wellington de Oliveira Teixeira, em 14 de abril de 2014.

* Para ver detalhes do peixinho, clique na imagem.

2 de abr. de 2014

Pontos & Perspectivas

Pontos e perspectivas, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 31-03-2014
Pontos e perspectivas, criado em 31-03-2014.

Pense em Adão e Eva como um número imaginário, como a raiz quadrada de menos um:
a gente nunca vê uma prova concreta de que ele existe,
mas quando incluímos esse número nas nossas equações,
podemos calcular todo tipo de coisa que seria impossível imaginar sem ele.

(Philip Pullman - A bússola de ouro p.341 *)


Preciso encontrar um ponto de equilíbrio, aquele que aprendi e construí como conhecimento. O problema é que, quando penso que me aproximei, ele se distancia e tenho que recomeçar do zero a busca. Fico distante.

Pois bem, eu gosto de caminhar à beira-mar e não sei bem o porque de não estar me proporcionado isso, atualmente. Sendo um pouco mais honesto, há muito tempo. Fico olhando apenas as luzes distantes, tanto que são apenas pontos na escuridão. É que as pessoas ligam as suas lâmpadas em casa durante as noites. Esse exercício está tão constante nesses últimos dias que até as distinguo das que são de postes. E olha que eu estou muito, muito longe. De mim.

Acho que estou procurando, também, uma bússola. Não a de ouro do Philip Pullman. Se bem que eu gostaria de ter um Dimom (daemon) - a personalidade de alguém que assume formas de animal - que compartilhasse pensamentos e sentimentos e me acompanhasse por aí. Quem sabe, assim, a loucura de conversar comigo mesmo incansavelmente me parecesse menos grave. Insano.

É que ao se chamar alguém assim cria-se um paradoxo: um sujeito (de)mente não seria o mais sóbrio e racional, em sanidade? Julgo que as áreas 'psi' ainda não chegaram a um acordo sobre o que é e o que não é, estão meio borderline, limítrofes ou fronteiriças. Não conseguem ultrapassar a questão e entrar para valer no novo território. Será que é por que quem foi não quis voltar ou fica como um iô-iô, num vai e volta constante? Retorno.

Talvez, apenas aprendendo a caminhar circundando a realidade, sempre retornando ao mesmo ponto, consigamos maiores esclarecimentos sobre o que se vivencia. Mas isso soa tanto repetição que me incomoda. Não gosto do andar circular. A expressão circular por aí me incomoda, prefiro um andar por aí, não é direcionado previamente. É que eu me esqueço algumas vezes de que não preciso apenas andar num círculo, posso fazer uma espiral ascendente. Com isso, mesmo que percorrendo o mesmo ponto posso estar num outro nível e avaliar sob uma nova perspectiva. Prospecção.

Ter um olhar dito mais profundo, que examina mais cuidadosa ou atenciosamente os fatos é o que me proponho todas as vezes que virtualizo meus pensamentos e sentimentos. Será que a natureza humana aprende com o universo que tudo é compartilhado equilibradamente? Bem, talvez eu esteja apenas esquecendo dos problemas que ocorrem quando um item da equação (talvez a sinalização de igual) se perde na formulação. Igual ao que me fez começar a escrever depois de desenhar. Projetar.

Um projetor é sempre alguém que tem uma proposta de iluminar algo ou dar conta de alguma questão. O exercício de projeção auxilia quando é preciso dar um tempo a si mesmo, colocar para fora algo e, ao vê-lo projetado, visualizar com mais clareza a situação em seu todo. Nem sempre dá certo, por conta do aprisionamento a ela ou do sofrimento que produz. Aí não tem jeito. É preciso retornar ao início porque é

[Preciso encontrar um ponto de equilíbrio…].

Wellington de Oliveira Teixeira, em 02 de abril de 2014.

* A Bússola de Ouro é o primeiro livro da trilogia de ficção Fronteiras do Universo (os outros são A Faca Sutil e A Luneta Âmbar), escrita por Philip Pullman. Publicado em 1995 no Reino Unido, traduzido em 2007 aqui no Brasil. Um ponto importante é a crítica à dominação por meio da religião, representada pelo Magisterium.
** É importante notar que o título original da trilogia His Dark Materials remete à matéria obscura (matéria escura ou matéria negra) que só pode ser inferida a partir de efeitos gravitacionais sobre a matéria visível, como estrelas e galáxias. Pullman epigrafa seu livro com um trecho do Paraíso Perdido de John Milton, Livro II: "[…] A não ser que o poderoso criador lhes ordene Seus materiais obscuros para criar mais mundos,[…]"

(http://pt.wikipedia.org/wiki/His_Dark_Materials)
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Mat%C3%A9ria_escura)

28 de mar. de 2014

Caverna inexplorada

caverna inexplorada, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 28-03-2014
caverna inexplorada *, criado em 28-03-2014

Há um lugar místico em mim. Algo assim bem escondido:
um planeta inexplorado, um horizonte perdido.

(Ego Trip - Viagem ao Fundo do Ego)


Imagino que todos possuem um lugar místico em si, onde experimentam as forças que o desafiam nessa vida. Uso esta proposição filosófica nas avaliações dos encontros e desencontros diários, não relacionando-a com ser ateu ou proferir uma fé.

Sendo seres espirituais, teríamos nesta dimensão propriedades e habilidades diferenciadas das biológicas e psicológicas.

E, entenda: proposições genéricas, como essa, me permitem viajar sem ter que comprovar, apenas especular.

Por isso, prossigo propondo que essas sensações de alinhamento com a natureza, os sentidos de integração com o universo, a capacidade de doação de um amor que ultrapassa a própria vida (instinto ou lógica) teriam seu lugar de desenvolvimento nela. Especialmente aquelas que nos dão uma sensação de crescimento interior, de aperfeiçoamento na vida.

Como todas as outras dimensões, poderia ser manejada permitindo um determinado nível de decisão de iluminá-la, de aprender com ela, de expressá-la.

Como desenvolvemos capacidades físicas e psicológicas, como emocionalmente estamos à merce do equilíbrio conseguido nessas esferas, dependeríamos de sua manipulação ou desenvolvimento para nos tornarmos seres espirituais plenos.

A ideia pode ser fascinante, não é?

Daí, o meu respeito a todos, religiosos (independente de seu credo) ou não, que produzem diariamente práticas de encontro, de harmonização, de respeito, de integração e de solidariedade.

Um olhar diferenciado, sim. Mas uma proposta não tão inovadora, assim. E, mesmo não desejando adotá-la, fica um desafio aqui: descubra a parte de si que atende a esses requisitos e a desenvolva.

Quando se começa explorar uma caverna, a escuridão pode ser o primeiro obstáculo a se encarar, que, aos poucos, sendo ultrapassado, poderá gerar descoberta e prazer.

Aonde a busca o levará eu não sei. Mas posso apostar que tem o potencial de torná-lo muito mais feliz.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 28 de março de 2014.

* Quando nos permitimos iluminar aquela parte de nós que ficou obscura, podemos descobrir que a caverna pode nos trazer imensas aventuras e descobertas.

10 de mar. de 2014

Ré menor

Ré menor, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 10-03-2014
Ré menor*, criado em 10-03-2014

Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço.
Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza.
Eu não mexia o braço e pensei: "e essa agora? que devo fazer?"
Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim.
Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada.
(Felicidade Clandestina, p.94 - Clarice Lispector)


Desejei demonstrar, lhe fazer entender que eu sinto em seu beijo um reflexo, um lampejo que ultrapassa o normal

É que aprendi deixar você ir e voltar: a saudade me ajuda e desfaz toda dúvida desse meu querer bem.

Assim, me permito escutar o silêncio que faz quando eu fico sozinho repensando o caminho que eu quero trilhar.

Já tentei desenhar, de algum modo escrever o que ocorre em meu peito se recordo ou lhe vejo, mas não há nada igual.

Muda o modo de olhar, passear por aí com você junto a mim. Brisa fresquinha como o risinho na esquina quando vem me amar.

Aprender a deixar você ir e voltar: é a verdade que me ajuda e desfaz toda dúvida e me faz querer bem.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 10 de março de 2014.

* Nossos encontros e desencontros, nossas idas e vindas. Quando nossos amores tornam-se os nossos temores são como uma melancólica música em ré menor.

Toda a Arte da Fuga de Johann Sebastian Bach está em Ré menor.

*precisei mudar duas ou três frases para ultrapassar as pequenas fraquezas produzidas pelo momento de tristeza.

30 de jan. de 2013

Anna Carolina

Anna Carolina 17, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 30/01/2013
Anna Carolina 17, criado em 30/01/2013

Não dê as costas a possíveis futuros antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles.
Richard Bach


Bem, hoje é o aniversário de Anna Carolina Vieira e eu posso dizer, com certeza, da minha satisfação em vê-la crescer dessa forma linda. Tão linda que torna sua bela aparência apenas um complemento que dá moldura para todas as outras belezas que também possui.

Na busca de palavras para lhe dizer, meu amorzinho, que não fossem contrárias à expressão do seu modo de ser e estar no mundo, escolhi essas: viva todos os momentos que Deus lhe conceder nessa nova idade com graciosidade e com a firmeza de quem busca afirmar a sua plenitude.

Após reler o que havia escrito e pensar que nem sempre o caminho é florido e o sol brilha sem queimar, resolvi acrescentar algumas outras palavras...

E se algum momento for um pouco mais difícil, creia estar encarando um novo e bom desafio: é com eles que nos superamos e ultrapassamos nossos próprios limites.

Mas ainda estava faltando um detalhe: o olhar de todos os que a rodeiam. É verdade que é sempre bom ser agradável com todos, respeitar mesmo quem não conhecemos e ser cuidadoso de modo especial com quem amamos. E, é claro, isso não é simples nem fácil. Depois de refletir mais um pouco, resolvi escrever...

Ser o melhor de si mesmo é um presente de extremo valor que podemos ofertar primeiramente a nós mesmos e depois aos que nos amam de verdade. E, esse modo de ser, certamente, refletirá algo bom para todos.

Bom, aniversário deve marcar mais que uma etapa nas suas conquistas (mesmo aquelas que lhe proporcionam os melhores prazeres que a vida tem para dar), deve expressar com clareza: ultrapassei um limite. E, agora, independente do que venha, eu já estou indo além.

E eu creio que há no mundo apenas uma coisa melhor que se ultrapassar: é saber que foi dando e recebendo amor que se conseguiu.

Agora que eu compliquei tudo, melhor não deixar de falar como todo mundo: Feliz Aniversário!

(E deixo entre parênteses o que diz minha alma: O meu amor, a minha alegria e o meu agradecimento por você ser uma neta tão maravilhosa.)

Grande beijo.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de janeiro de 2013.

30 de set. de 2009

Nudez de alma


misturadedesenhosdeoutros, foi feita em 31-08-2009 misturadedesenhosdeoutros**, foi feita em 31-08-2009.

"Posso voar mas não posso controlar o corpo
Que sorri para o mundo, escuta a música
Faz a dança e cativa sem parar."

Pós TPM - Dirty Fastfood*
(http://dirtyfastfood.blogspot.com/pos-tpm.html)


Que minha arte não me represente, mas me apresente; que não seja marcas que eu fiz, mas minhas marcas que ousei deixar vir à tona e tonalizar a tela; o meu próprio voo de descobrir nas misturas e formas iniciais a ideia que sobressai e ganha plano e me força às mudanças e alterações no que já estava dado - até que eu perceba que apenas um dado no todo e não algo estabelecido como um todo.

E me deixo levar, inventar, descobrir e redescobrir porções, criar camadas sobre outras e efeitos sobre efeitos até que algo em mim olha e vê e sabe que disse algo e que, por isso, me disse.

Então é só inventar uma moldura e não deixar que ela modele todo o caminho traçado e domine a conquista feita com o processo da descoberta.

É melhor ficar sem cobertura, nem cercas. Só de vez em quando, pra dizer que uma ideia se fechou por alguns instantes. E, depois, me permitir modificá-la, restabelecer o vínculo apenas para permitir que fluxos outros tenham vez, talvez os que não tiveram voz no primeiro embate, no primeiro encontro, no primeiro olhar.

E por que não? Há mais olhares possíveis pra cada cena, sempre, como há mais de uma forma de ler, tocar, cantar, escrever, sonhar.

É só um voo. E vôos são as coisas mais difíceis da vida: raridade hoje em dia, porque voo é o encontro de você com a vida, é a expressão de tudo que se armazena e se guarda e se destila. Voo é o encontro consigo mas num plano superior, onde se consegue tudo. Voo é o momento em que nada lhe toca, nada lhe detém, nada lhe contém, nada desvia você de você. E é o momento em que não havendo nada mais para acrescentar, basta crer. Crer que a plenitude se instalou e proporcionou a um ser o se tecer sem temer o vir a ser, o devir e o se desfazer. Por que é bom me dizer, me desdizer, para que haja um novo dizer sobre mim: alteridade em mim, novidade em si, uma nova idade para se viver.

Risco, sim, porque é arriscado viver, se sustentar no fio da teia de uma aranha, mas sem se prender, sem se perder, nunca se esconder, talvez, se proteger.

Um pouco de exposição, mas sempre a ação, sempre a expansão e a busca pela captura do instante do seu olhar, para provocar e fazer fluir e para passar adiante o que me provocou de início.

E torcer para que a construção seja outra, distinta e tão potente quanto a minha e aninhe outras questões: um processo sem fim que se irradia e ilumina quem quiser ser elo e se permitir ser verso ou qualquer outra forma de expressão.

Quem sabe uma nudez de alma, a luz da aura para poder sorrir?


Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de setembro de 2009.


* Uma pessoa que eu amo a maneira como se expõe e que, da mesma forma que se joga largada, se permite uma consistência de ser e estar.
** Espero ter em breve o nome do autor do anjo e da foto para fazer os créditos da minha mixagem.