Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador inventar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador inventar. Mostrar todas as postagens

22 de jun. de 2014

Ah, é só um recado.

Recado, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 22/06/2014.
Recado*, criado em 22/06/2014.

Mas, para meu desencanto, o que era doce acabou.
Tudo tomou seu lugar depois que a banda passou.
E cada qual no seu canto, em cada canto uma dor,
depois da banda passar cantando coisas de amor.

(Chico Buarque de Holanda — A Banda)

— Muitas vezes – disse ele resignado – tudo se afigura não só como se tivéssemos
duas maneiras diferentes de exprimir-nos e falar,
cada uma delas só podendo ser traduzida na outra em forma de insinuações,
porém, mais ainda, como se fôssemos dois seres absoluta e radicalmente distintos,
que jamais poderão chegar a se entender mutuamente.
Parece-me extremamente duvidoso apurar quem de nós dois seria propriamente o ser humano,
autêntico e de pleno direito, tu ou eu, se é que um dos dois o é realmente.

(Hermann Hesse — O jogo das contas de vidro, p.370-371)


Da minha janela eu vejo um céu lindo: azul, com nuvens e iluminado.

Lá no fundo tem alguém soltando cafifa, não muito hábil, tal como eu fui. Absorvo o fato: o sentimento estrutura a felicidade no momento.

Chatice são as antenas no alto dos prédios, só querem enroscar a linha que passa ao seu redor. Vida de cidade bem desordenada, a área de lazer é o meio fio asfaltado — o da casa do vizinho.

Desbota, para mim, as cores da felicidade alheia, que continua alheia a minha avaliação.

Há um povo chamado de brasileiro, cuja resiliência é ímpar, que possui a habilidade de tornar brinquedo qualquer lixo que encontrar pelo caminho. Na falta, se corre de um lado para outro, ou um do outro.

É uma chama que se acende no interior e teima em fazer mágica com a triste realidade que ainda cerca tantos: sua riqueza é a alegria.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 22 de junho de 2014.

* Nenhuma proposta de vida política que despreze a capacidade de [re]criação dessa brava gente brasileira terá condições de permitir que sua felicidade aflore, onde quer que seja.

26 de mai. de 2014

Cavalgar furacões

Cavalgando furacões, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 26-05-2014
Cavalgando furacões, criado em 26-05-2014.

Ele abriu os céus e desceu; nuvens escuras estavam debaixo dos seus pés.
Montou sobre um querubim e voou; elevou-se sobre as asas do vento.

(Bíblia — 2 Samuel 22: 10-11)

Sopra o Vento!
Voam pelos ares cadeiras, o lixo. Dança a Sacola Plástica.
A bola inalcançável já não faz mais a criança feliz,
Nem o boné aperta os miolos de mais uma Cabeça de Vento.
Ri o Vento pois não há nada mais rebelde do que ele.

(Quando o Vento sorri — C. A. Albani da Silva - 19-09-2012)


Apenas uma sugestão a você que se aventurou por essa leitura: o intrincado jogo de palavras que utilizo aqui não deve ser um elemento paralisador. Ilusões nos dirigem sem controle, mas no mundo tudo é ilusão, a tal ponto que, no pensamento cristão, para superar as limitações todos serão transformados.

Para pontuar o motivo do texto, vou dizer: Vá por mim, a razão não é o melhor instrumento quando você é surpreendido ao ser engolido por um furacão. Uma outra via deve ser ativada, e de forma urgente.

Minha sugestão é que você permita-se adotar as práticas dos inventores, especialmente quando os instrumentos existentes são defasados para uma determinada tarefa. Um modo de entendimento sobre o que eles fazem é exemplificar que quando seus sentidos falham na tentativa de enxergar pelas ondas luminosas (está escuro, há bloqueios) descobrem um meio de usar a detecção de ondas de calor, que permite.

Não é bem uma surpresa, para quem já viu algum filme que utiliza tecnologias avançadas, certo? É um simples processo de usar nível de ondas diferenciadas. Vou me apropriar — nesta prática de escrita-proposição — dessa lógica da viabilidade de trocar o método de percepção. E vou perguntar: Por que acontece o abandono das percepções inimagináveis por uma fixa, se a capacidade de absorção que possuímos ao nascer é virtualmente infinita?

Uma das respostas que me deram foi a inexistência de verdades estabelecidas até que a lei da sobrevivência física toma a dianteira (não há percepção sem uma estrutura que perceba) na forma de uma intricada relação simbiôntica que permite a sobrevivência do todo: um filhinho descobre que sem a mamãe não irá adiante e, com isso, o seu possível torna-se limitado — sem aprender os modos desse ser que lhe dá o suporte, não conseguirá descobrir nem vivenciar suas próprias descobertas.

Dê um pequeno salto e avalie que os seres humanos são frutos de uma adaptação ao planeta mãe. Isso bastaria como apresentação (bem básica) para a inserção de uma alma no mundo, mas não explica o porque de tantos não desenvolverem práticas que permitam retornar àquele desconhecido, optando por permanecer cativos dessa realidade fixa.

Dizem que as almas migram. Se o fazem deveria ser pelo prazer de novas descobertas. Mesmo os que assim acreditam, divergem com relação ao tempo: entre vidas, na própria vida (tipo viagem astral) ou na pós-vida. Será que, adotando-se a eternidade da alma, a questão se resolveria?

Duas vertentes geradoras de modos de pensar-agir me tomaram, a arte e a filosofia. Com filósofos entendi que as pessoas podem usar a alma para ir à fonte primordial do pensamento e, com isso, estruturar ideias dos possíveis existentes por lá. Com artistas entendi que uma obra de arte deve permitir à alma uma subversão das estruturas estabelecidas no mundo das verdades.

Vejo nesse conjunto de pensadores, práticas que são pedagógicas em si. Mas, e cada vez mais, gosto de imaginar que é a transformação pessoal provocada pela experiência estética o motivo para torná-las tão valiosas. Afinal diante de uma arte plena, inexplicavelmente, somos remetidos ao mundo sem fixidez, onde todos os significados vivem na dança das cadeiras, com a pequena distinção de que ninguém é excluído.

No mundo desses seres pensantes, não há determinação de um modo correto de viver, são vários; não há interpretação verdadeira, há modos de apreensão. Só que uma proposição como essa não tem sido o que, em geral, a humanidade deseja ou adota. Ela exige que cada um envolva-se por si e para si mesmo. O desafio, a diferença, a divergência tornam-se o campo de forças sem o qual não somos motivados nem nos deslocamos.

Encará-la exige muita coragem: corre-se um risco sério ao tentar cavalgar furacões. Mas, à rigor, sempre há momentos em que é possível enlouquecer, não importa se você é algum dos que fazem da vida uma busca consciente ou dos que preferem o deixa a vida me levar.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 26 de maio de 2014.

* Uma curiosidade para mim, é que quase desisti de colocar o ser alado cavalgando o furacão, na imagem.

11 de mai. de 2014

O cérebro e o arbítrio

Arbítrio, criado por Wellington de Oliveira Teixeira, em 09-05-2014
Arbítrio, criado em 09-05-2014.

Precisamos ensinar à próxima geração de crianças,
a partir do primeiro dia, que eles são responsáveis por suas vidas.
A maior dádiva da espécie humana, e também sua maior desgraça,
é que nós temos livre arbítrio.
Podemos fazer nossas escolhas baseadas no amor ou no medo.

(Elizabeth Kubler-Ross)


Um cérebro é um mecanismo tão incrível que não nos damos conta de sua fragilidade. Isto é, até que ocorra uma mínima falha em seu funcionamento.

Tudo o que conhecemos, aprendemos, observamos e vivenciamos se constroem ou se estruturam nele e sem ele não há qualquer pequeno prazer que nos permita o acesso à felicidade.

Nascemos e passamos a usar o olfato, o tato, a audição, o paladar e a visão para nos referenciarmos no mundo. E, ao adicionar registros para o maior banco de dados que se conhece, ele se constitui como o centro de nossas vivências. Sua rede neuronal vai se ativando e se interligando — uma multiplicação espetacular das experiências — até que passamos ter uma visão mental multidimensional da vida.

Quanto mais nos permitimos ampliar o campo sensóriomotor, mais ele consegue fracionar e relacionar os estímulos e a construir o que chamamos de totalidade de uma percepção.

Ao tentar descrever todas as suas capacidades, percebe-se que é preciso uma linguagem que não descreva impulsos elétricos apenas, mas uma poética interposição do conglomerado de estímulos que somos capazes de receber e de absorver: a beleza dos detalhes de uma experiência de vida.

Essa rede tão intricada é o que nos possibilita alcançar o cerne do mundo. E, ao concatenar as dimensões do possível e do imaginável, estabelecemos aquilo que podemos denominar de os olhos da alma. É aqui que testemunhamos o surgimento de um ser humano e suas distinções em relação a todos os outros.

E a linda mítica poética religiosa, que o denomina como o ser especial, estabelece o maior dos dons divinos para a criação: o arbítrio.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 11 de maio de 2014.

* Idealmente, o arbítrio deve ser entendido como o poder ou faculdade de decidir, de escolher, de determinar e de estabelecer juízo com base exclusiva na vontade.

30 de mar. de 2014

Os construtos carregam voce

Construtos criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 30-03-2014
Construtos, criado em 30-03-2014.

Eu sempre amei o deserto. A gente se senta numa duna de areia.
Não vê nada. Não escuta nada. De repente, alguma coisa irradia no silêncio…
— O que torna belo o deserto — disse o principezinho — é que ele esconde um poço em algum lugar.
[…] "O que eu vejo não passa de uma casca. O mais importante é invisível…".

(Antoine de Saint-exupéry - O pequeno príncipe)


Quer produzir algo? Não o faça se não for para trazer à tona um pedaço de você, representar ou apresentar uma instância não alcançada antes: os construtos carregam você.

Pode ser algo estranho, mas que possua uma determinada visão de belo para os seus próprios olhos. Ou não. Às vezes acontece de você alcançar uma beleza que o encanta, porém, ao olhá-la, naquele momento não representa nem parcialidade nem totalidade de você. Melhor 'piorar' o que se produziu. Igual ao jeans surrado, que representou uma geração por muito tempo: apenas uma calça puída - por uso, não por fábrica! - que era mais desejada do que uma nova.

Uma vez me perguntaram do que eu tive medo antes de começar a desenhar, escrever, tocar ou reger, programar. De não poder aprender, creio ter sido a minha resposta. Do que eu lembro: mesmo não sabendo os fundamentos da música, errando ou acertando as notas, eu tocava; mesmo não tendo um português correto e copiando muito do que eu lia e aprendia, eu escrevia; mesmo fazendo traços primários ou apenas utilizando sobreposições do que eu gostava, eu desenhava; mesmo não tendo formação de teatro, adaptava peças para os musicais; mesmo não tendo domínio do inglês, eu traduzia.

Ainda carrego um certo temor de não conseguir trazer minha plenitude ao começar qualquer coisa, não o de obter uma obra de arte ou não. Há pouco tempo atrás eu descobri que algo que eu fazia para dar vazão a minha alma - tocar piano - mexeu com a vida de algumas pessoas que sequer conheci pessoalmente. E, entenda bem, eu nunca fui um grande pianista. Segundo alguma dessas pessoas, sabiam quando era eu quem tocava, porque a música ganhava alma. Talvez, por isso, o que eu transmitia, mesmo com a pobreza do que era construído, ultrapassou a fronteira do eu e repercutiu até hoje em outros.

É disso que eu falo, quando faço essa proposição: apenas seja pleno, utilize o seu potencial, expresse aquilo que você possui. Se isso vai torná-lo um artista ou não, que importa? A construção de si, a expressão de si, o lidar com o que há dentro de você deve ser prioridade.

E, quem sabe?, tentando uma determinada atividade, você encontre um caminho a enveredar. Se for com o coração, poderá até não ser útil por um determinado padrão mas certamente será bom.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de março de 2014.

* Me encantei ao saber que uma das repercussões foi ganhar um xará.

17 de dez. de 2013

Ousar ser mais que uma parte

Ousar, criado por Wellington de Oliveira Teixeira, em 17-12-2013 Ousar, criado em 17-12-2013

Seus atos, bem como os atos de seus semelhantes em geral, parecem-lhe importantes
porque você aprendeu a pensar que são importantes.
Aprendemos a pensar sobre tudo — disse ele — e depois exercitamos nossos olhos para olharem como pensamos a respeito das coisas que olhamos. Olhamos para nós mesmos já pensando que somos importantes. E, por isso, temos de sentir-nos importantes! Mas quando o homem aprende a ver, entende que não pode mais pensar a respeito das coisas que ele olha, e se não pode mais pensar sobre as coias que olha, tudo fica sem importância […] tudo é igual, e dessa forma sem importância.

Você teme o vazio da vida de seu amigo.
Mas não existe vazio na vida de um homem de conhecimento, posso garantir-lhe.
Tudo está cheio até a borda.
(Carlos Castaneda - Uma estranha realidade pp.79-85)


Pedaços estão para além de partes de um todo.

Sabe quando você tem uma tarefa a executar que possui camadas de um roteiro a seguir ou uma construção que depende do passo anterior para poder ser executada? Na universidade me ensinaram a classificar essas partes como pre-requisitos: assim, não seria possível alcançar o topo sem percorrer os degraus.

Relativo. Como tudo, aliás.

Nossa mentalidade mecanicista só (re)afirma aquilo que ela foi programada para aceitar. Nosso comportamento padrão recompensa-castigo: meu ratinho branco e velho companheiro, Tommy, das aulas de psicologia comportamental o expressaria. Estímulo e respostas que constroem como agimos e pensamos.

Meu ratinho, parceiro de curso básico — que, para desespero das meninas, me acompanhava dentro da jaqueta às outras aulas —, ganhou esse nome por que eu havia assistido ao filme(*) de mesmo nome onde um autista era brilhante em jogar pimball (ou pebolim, em alguns locais do país). Um autismo programado.

Como o nosso.

Somos brilhantes em reproduzir o cotidiano, suas rotinas, em nos apegarmos ao costumeiro até que não haja mais qualquer gota de prazer a ser retirada das nossas práticas. E, ainda assim, continuamos indefinidamente apegados à crença de precisarmos delas para continuar.

A ruptura, que sempre é possível, precisa acontecer. Mas passei da fase da iconoclastia por si mesma. Já não sou tão punk assim.

Minha fé no poder do desfazer algo vem do crer que a energia que gastávamos para manter determinada rotina pode ser empregada para fortalecer outras diferenciadas.

Gosto de período a período fazer modificações amplas no meu habitat - além daquelas pequenas e quase imperceptíveis a outros olhos. Mas não o faço por fazer. Me obrigo a detectar uma necessidade, que aparece quando meus atos se tornam inócuos, insossos, não representativos daquilo que estou no momento.

É nesse campo propício que invisto nas tentativas de criar um novo, não apenas um renovado estar na vida. E, para obter isso, ouso coisas que não havia tentado, ainda.

Recordo-me de haver sentido esse movimento quando quis aprender a tocar instrumentos de teclas. Foi um desafio imenso para quem não tinha recurso nenhum: as pernas eram as teclas, onde meus dedos simulavam tocar um piano.

Parece um contrassenso, mas deu certo. Aprendi. E depois vivenciei um conjunto de momentos tão maravilhosos quanto inesquecíveis. Inclusive amar além de qualquer possibilidade de resistir.

Bem, isso não é confessionário. Uso o acontecimento como exemplo de o quanto o voo pode ser longo quando nos decidimos a ultrapassar o maquinismo, aquilo que em nós acredita que a roda não pode ser reinventada, que os descobrimentos são apenas tirar a coberta de cima de algo.

Uso porque quero me incentivar a viver situações como a de agora: transição.

Quero ser um transeunte da vida, não um expectador em uma estação de trem, de ônibus, de avião ou de espaçonaves. Quero ir além e transitar seus pensamentos e gerar novas emoções em você também, como o resíduo de minha vida, como a energia que se expande para além de sua fonte.

Um dia eu quis ser veículo, instrumento do sagrado em mim. Hoje entendo que não há dissociação entre mim e o sagrado, já que seu sopro é minha vida.

Ainda bem que, um dia, Deus ousou e disse "Haja Luz!".

Wellington de Oliveira Teixeira, em 17 de dezembro de 2013.

* Filme baseado na ópera rock lançada em 1969 pelo The Who. Durante a II Guerra Mundial o Capitão Walker é considerado morto em batalha. Sua esposa Nora Walker fica com a tarefa de cuidar sozinha de Tommy, filho recém-nascido do casal. Nora se envolve com Frank Hobbs, mas em 1951 seu antigo marido retorna repentinamente e é morto por Frank. O garoto Tommy presencia tudo, mas sua mãe e seu padrasto insistem que ele não viu, ouviu e não vai falar nada a ninguém, e em consequência Tommy se torna cego, surdo e mudo. Já adolescente, Tommy se torna um campeão de pinball, trazendo fama e fortuna para sua família. Depois de curado, ele se torna uma espécie de figura messiânica e angaria um culto de seguidores, que no final rejeitam seus ensinamentos e o abandonam. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Tommy_(filme))

30 de set. de 2009

Nudez de alma


misturadedesenhosdeoutros, foi feita em 31-08-2009 misturadedesenhosdeoutros**, foi feita em 31-08-2009.

"Posso voar mas não posso controlar o corpo
Que sorri para o mundo, escuta a música
Faz a dança e cativa sem parar."

Pós TPM - Dirty Fastfood*
(http://dirtyfastfood.blogspot.com/pos-tpm.html)


Que minha arte não me represente, mas me apresente; que não seja marcas que eu fiz, mas minhas marcas que ousei deixar vir à tona e tonalizar a tela; o meu próprio voo de descobrir nas misturas e formas iniciais a ideia que sobressai e ganha plano e me força às mudanças e alterações no que já estava dado - até que eu perceba que apenas um dado no todo e não algo estabelecido como um todo.

E me deixo levar, inventar, descobrir e redescobrir porções, criar camadas sobre outras e efeitos sobre efeitos até que algo em mim olha e vê e sabe que disse algo e que, por isso, me disse.

Então é só inventar uma moldura e não deixar que ela modele todo o caminho traçado e domine a conquista feita com o processo da descoberta.

É melhor ficar sem cobertura, nem cercas. Só de vez em quando, pra dizer que uma ideia se fechou por alguns instantes. E, depois, me permitir modificá-la, restabelecer o vínculo apenas para permitir que fluxos outros tenham vez, talvez os que não tiveram voz no primeiro embate, no primeiro encontro, no primeiro olhar.

E por que não? Há mais olhares possíveis pra cada cena, sempre, como há mais de uma forma de ler, tocar, cantar, escrever, sonhar.

É só um voo. E vôos são as coisas mais difíceis da vida: raridade hoje em dia, porque voo é o encontro de você com a vida, é a expressão de tudo que se armazena e se guarda e se destila. Voo é o encontro consigo mas num plano superior, onde se consegue tudo. Voo é o momento em que nada lhe toca, nada lhe detém, nada lhe contém, nada desvia você de você. E é o momento em que não havendo nada mais para acrescentar, basta crer. Crer que a plenitude se instalou e proporcionou a um ser o se tecer sem temer o vir a ser, o devir e o se desfazer. Por que é bom me dizer, me desdizer, para que haja um novo dizer sobre mim: alteridade em mim, novidade em si, uma nova idade para se viver.

Risco, sim, porque é arriscado viver, se sustentar no fio da teia de uma aranha, mas sem se prender, sem se perder, nunca se esconder, talvez, se proteger.

Um pouco de exposição, mas sempre a ação, sempre a expansão e a busca pela captura do instante do seu olhar, para provocar e fazer fluir e para passar adiante o que me provocou de início.

E torcer para que a construção seja outra, distinta e tão potente quanto a minha e aninhe outras questões: um processo sem fim que se irradia e ilumina quem quiser ser elo e se permitir ser verso ou qualquer outra forma de expressão.

Quem sabe uma nudez de alma, a luz da aura para poder sorrir?


Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de setembro de 2009.


* Uma pessoa que eu amo a maneira como se expõe e que, da mesma forma que se joga largada, se permite uma consistência de ser e estar.
** Espero ter em breve o nome do autor do anjo e da foto para fazer os créditos da minha mixagem.