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15 de abr. de 2014

Eu queria que o tempo pudesse voltar dessa vez

Tempo, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 15-04-2014.
Tempo, criado em 15-04-2014. (clique para ampliar.)

Eu te desejo muitos amigos (mas que em um você possa confiar) e que tenha até inimigos pra você não deixar de duvidar.
Quando você ficar triste, que seja por um dia e não o ano inteiro, e que você descubra que rir é bom mas que rir de tudo é desespero.
Desejo que você ganhe dinheiro - pois é preciso viver também - e que você diga a ele (pelo menos uma vez)
quem é mesmo o dono de quem.
Desejo que você tenha a quem amar...

[Amor pra recomeçar - Barão Vermelho]

Não preciso de modelos, não preciso de heróis. Eu tenho meus amigos e quando a vida dói eu tento me concentrar num caminho fácil.
Sou eu mesmo e serei eu mesmo, então. E eu queria que o tempo pudesse voltar dessa vez.

[Comédia romântica - Legião Urbana]


Hoje, eu estava lendo uma postagem no facebook da Margareth Marcelo, onde havia uma reclamação em relação às viradas de tempo. Eu me solidarizo com a questão que ela apresentou. Para ser bem sincero, cada vez que o tempo vai mudar, meu corpo antecipa e reage com rinite alérgica. Não é nada, nada bom! Mas, como cantavam The Fevers na música Mar de Rosas, Nem sempre o sol brilha, também há dias em que a chuva cai. O jeito é relaxar e beber água. Mas uma cervejinha ou um vinho também caem bem. Para falar a verdade, cerveja combina com todos os tipos de tempo. Se fosse música eu diria 'em qualquer dia, em qualquer hora…".

Percebi que estou recorrendo a tudo quanto é música que eu recordo. Música me faz bem. Música me ajuda a superar alguns momentos, reavivar outros, imaginar vários.

A primeira música que ganhei de alguém — um costume, da época, de ter uma trilha sonora com alguém de quem você gostava (amor ou amizade!) — foi Your Song interpretada pelo Al Jareau. Digo até hoje: totalmente deslumbrante e mágica e a melhor música da minha vida! Pudera: a letra é do Sir Elton John e a voz é a de alguém cuja garganta era considerada uma orquestra completa pelos críticos de todos os estilos (assita os vídeos pelos links para ter a noção do que digo). À Valéria Thuller minha gratidão eterna por ter me acordado às 06h da manhã e me feito escutar ao telefone a versão de estúdio dessa música (And you can tell everybody, this is our song).

Mas, como dizem, águas passadas não movem o moinho. Então, prossigo recordando na trilha da minha vida outras músicas maravilhosas (aproveite para recordar a da sua vida!). Faz muito bem e ajuda a perceber que as coisas mudam, a vida segue adiante, o sofrimento passa - como tudo na vida.

Mas, sabe quando bate aquela pontada estranha, exatamente naquele dia que estava nublado mas resolveu trocar a trilha para 'Deixa chover, deixa a chuva molhar…', ou 'chove chuva, chove sem parar…'? Pois é, fui sorteado. Inundou lá dentro e acho que vi um monstrinho se aproximar da superfície.

Vou preparar uma massa no capricho, selecionar um vinho levemente frutado e me permitir saboreá-los assistindo a um bluray no meu novo home theather (é bom ser carinhoso consigo mesmo) para superar, novamente, o que me incomoda. Mas nada de afogar as mágoas.

Nem sempre, mas hoje eu desejei cantar como o Renato Sou eu mesmo e serei eu mesmo, então. E eu queria que o tempo pudesse voltar dessa vez.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 15 de abril de 2014.

* Al Jarreau - Your Song.
Versão de estúdio: https://www.youtube.com/watch?v=9tmsOJyRR94
Ao vivo! está disponível em https://www.youtube.com/watch?v=OH7xg5Eoi2E&feature=kp

26 de mar. de 2014

Sinalizando mudanças

Wellington de Oliveira Teixeira
Foto para o jornal Sete Dias, 07-03-1982 *.

Olhar as águas de um riacho, sentí-la, vivê-la,
é uma forma de se receber energias bio-físicas e se reencontrar consigo mesmo.
Espero vencer na vida, conseguir um emprego, vencer as barreiras que me esperam,
mas nunca perderei minha identidade humana.
Wellington de Oliveira Teixeira, em 07-03-1982.

Não dê as costas a possíveis futuros antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles.
O que a lagarta chama de fim de mundo, o mestre chama de borboleta.

Richard Bach - Ilusões - As aventuras de um Messias indeciso


Alguns pensamentos me contagiam, talvez porque possibilitam a inversão de um modo de encarar determinadas questões. É o caso do que definimos como fim.

Se nos permitirmos o cuidado de analisar, o ponto que finaliza uma frase é o mesmo que já possibilita o início de outra.

Por algum motivo o fechamento não ocorre, a questão se estende para uma perda, suscita em nós um certo saudosismo, a vontade de não abrir mão. Em qualquer dos casos, produz acorrentamento. Selecionei uma palavra forte, não é? Mas, não se iluda, ela representa muito bem a cadeia de pensamentos que nos obriga a manutenção e impede o afastamento ou desligamento.

Nem tudo, porém, deve ser visto como impeditivo, uma vez que a capacidade de referenciar-se está ligada à retenção de alguns aspectos importantes da vida. Assim, ao se guardar um acontecimento ou experiência passada, sustentamos o bom ou mau sentimento que nos proporcionou: isso é o que podemos chamar, em sentido amplo, de aprendizado emocional ou intelectual.

Dou exemplos: todos conhecemos o uso como gíria da palavra legal (legal, cool, nice, do inglês). Alguém sabia que 'legal' vem do inglês do século XII, e significa tolo ou estúpido? Como eu disse, as coisas se transformam e o novo modo pode suceder ao uso que era comum, até mesmo o padrão assumido. Pense, então, no uso da palavra 'sinistro', que foi febre há algum tempo atrás, no Brasil, ou o irritante 'tá ligado?' carioca. Em breve outros termos ocuparão seu lugar.

Quando pararmos de encarar os términos como negativos, poderemos absorver um encantador conceito: desenvolver-se é ultrapassar o limbo das repetições e buscar o novo, o diferencial ou as mudanças. É ir adiante carregando apenas o que se conquistou que nos fortalece. É avançar.

Talvez, fim seja apenas isso: a marca da transição.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 26 de março de 2014.

* Essa é a primeira vez que publico essa foto e o trecho da primeira entrevista que dei na vida, para o jornal Sete Dias, quando passei em primeiro lugar para o curso de Psicologia da UFF, há 32 anos atrás. Muitas coisas mudaram, inclusive eu mesmo. Mas meus ideais conseguiram superar o tempo.

10 de mar. de 2014

Ré menor

Ré menor, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 10-03-2014
Ré menor*, criado em 10-03-2014

Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço.
Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza.
Eu não mexia o braço e pensei: "e essa agora? que devo fazer?"
Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim.
Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada.
(Felicidade Clandestina, p.94 - Clarice Lispector)


Desejei demonstrar, lhe fazer entender que eu sinto em seu beijo um reflexo, um lampejo que ultrapassa o normal

É que aprendi deixar você ir e voltar: a saudade me ajuda e desfaz toda dúvida desse meu querer bem.

Assim, me permito escutar o silêncio que faz quando eu fico sozinho repensando o caminho que eu quero trilhar.

Já tentei desenhar, de algum modo escrever o que ocorre em meu peito se recordo ou lhe vejo, mas não há nada igual.

Muda o modo de olhar, passear por aí com você junto a mim. Brisa fresquinha como o risinho na esquina quando vem me amar.

Aprender a deixar você ir e voltar: é a verdade que me ajuda e desfaz toda dúvida e me faz querer bem.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 10 de março de 2014.

* Nossos encontros e desencontros, nossas idas e vindas. Quando nossos amores tornam-se os nossos temores são como uma melancólica música em ré menor.

Toda a Arte da Fuga de Johann Sebastian Bach está em Ré menor.

*precisei mudar duas ou três frases para ultrapassar as pequenas fraquezas produzidas pelo momento de tristeza.

16 de out. de 2009

Aniversariantes

Ilumine-se, criado por Wellington de Oliveira Teixeira, em 16/10/2009 Ilumine-se, criado em 16 de outubro de 2009.


“Podem os quilômetros separar-nos realmente dos amigos?
Se você quer estar com alguém a quem ama, já não está lá?”.

(Longe é um lugar que não existe - Richard Bach)



Demorei a entender que são as conquistas que geram a satisfação de alcançar um novo estágio para a vida e que é fundamental desejar muitas ao percorrer o caminho. A sensação de plenitude é o acréscimo que a vida oferta àqueles que se empenham em vivê-la intensamente: os bônus para a nova etapa.

As datas especiais são como um marco que deixamos em nosso percurso para referenciar os instantes de nossa vida, mas podem virar apenas um ato de rotina quando não lhes damos o devido valor.

Valorizar é uma arte que aprendemos nos encontros que fazemos e dos quais gostamos e queremos repetir.

Um aniversário deveria ser sempre assim. Mesmo que a nova idade dure um ano inteiro dedicamos a ela um dia especial.

Aniversário é algo interessante. Algumas pessoas esperam com ansiedade a chegada do dia da comemoração, alguns não querem nem lembrar, há os que o esquecem nas situações complicadas da vida e os que se dizem indiferentes.

Há os que vão mudando a forma com o passar do tempo. E não creio que seja da forma como o senso comum acredita, isto é, adorando no início e odiando quando mais velho. Identifico as flutuações mais na linha de o quanto se está engajado na vida ou numa relação afetiva.

Mesmo quando não se conhece uma pessoa é possível perceber o pulsar do 'algo mais' quando aniversaria.

Tenho costumes diversos e até mesmo estranhos. Por exemplo, já escrevi (poucas vezes) uma mensagem para alguém que está para nascer ou recém-nascido e acompanhei ou estou acompanhando as transformações progressivas, até o dia em que, maior, leia a mensagem que lhe foi dedicada anos antes. Tenho um prazer de imaginar como será. Outras ocasiões eu fiz uma música, uma crônica, uma imagem na busca de algo para ofertar.

O que mais fica claro para mim é que o importante é gerar grandes momentos pra si e para os que estiverem ao seu redor.

Então, enquanto recebe os melhores votos para o novo período, dedique um momento para marcar esse dia como especial, como fazemos nós que somos seus amigos e pessoas que o amam.

Eu também gosto de, simplesmente, dar um grande abraço e dizer: Felicidades. Cai na PAz. Amigos São Amigos Pra Sempre!!!


Wellington de Oliveira Teixeira, em 16 de outubro de 2009.


* Fotos que tirei do meu irmão, Beto Lobo, no Tributo a Legião Urbana, versão 2009.