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15 de mar. de 2016

Espaço para a inquietação

Devaneio, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 09-10-2015.
Devaneio*, criado em 09-10-2015.

Devaneio
é o desprendimento das próprias imediações de um indivíduo, durante o qual seu contato com a realidade é difuso e parcialmente substituído por uma fantasia visionária: um estado de espírito de quem se deixa levar por lembranças, sonhos e imagens. Popularmente conhecido como sonhar acordado.

Um pequeno estremecimento em seu pensamento, uma inquietação, talvez tardia, capaz de subtrair a sua atenção ao mundo (do que quer que você esteja fazendo), um devaneio, uma força carregada da conexão que realmente foi importante se vivenciar. Como a saudade que assoma determinado momento, interfere no cotidiano, não pede licença e se apropria dele.

Em alguns momentos, essa experiência é suficiente e a divagação é o que basta; em outros, só registram o limite do possível, algo é inatingível. Cuidado! Não é indicado ativar qualquer mecanismo de defesa ou plano de fuga, mas acatá-la, acolhê-la cuidadosamente.

Proporcionar-lhe o seu momento devido é abrir espaço para uma parte de si mesmo que exige a sua atenção. É um elemento necessário à vida. Isso não significa vivenciá-la na passividade ou reatividade — como em uma explosão de sentimentos.

Traga à consciência de, forma clara, os sentimentos envolvidos. Reacenda o que de bom pode ser ativado nessas memórias e despeça-se para continuar o seu cotidiano em paz. Do mesmo modo que necessidades biológicas que precisam ser satisfeitas reclamam incessantemente a sua atenção — e é bem viável essa analogia —, as emocionais claramente o fazem, também. É preciso lhes proporcionar seu espaço específico.

A importância de desenvolver o pensamento crítico, é que, nessas horas é possível avaliar o fato de que nenhum ser humano é pleno sem o equilibrar as suas emoções: submeter-se sem controle é adoecer; ignorá-las ou bloqueá-las é — semelhante ao privar-se de atender às biológicas —, encaminhar o sujeito à morte. A construção do equilíbrio é certamente um grande desafio. Mesmo quando conquistado, ele pode ser algo frágil e momentâneo. Portanto, seja sábio. Recorde e reafirme para si mesmo que o que é exercitado constantemente, aos poucos torna-se mais fácil e, simultaneamente, fortalece ou capacita quem o pratica.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 15 de março de 2016.

* O estado de espírito aqui apresentado não é o mesmo que ocorre em pessoas adoecidas ou com algum distúrbio mental. É uma experiência que se manifesta em um pequeno lapso de tempo e que, por trazer à mente recordações importantes, induz uma pessoa a revivenciá-las para 'matar as saudades'.

30 de mai. de 2015

Matéria e energia escuras

Matéria-energia escura criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 29-05-2015
Matéria-energia escura*, criado em 29-05-2015.

E, entrando no templo, começou a expulsar todos os que nele vendiam e compravam, dizendo-lhes:
Está escrito: A minha casa é casa de oração; mas vós fizestes dela covil de salteadores.
Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira.

(Bíblia — Lucas 19:45,46 e Efésios 4:26)

A não-violência é a maior força disponível da humanidade. É mais poderosa do que a arma mais poderosa de destruição já criada pela ingenuidade do homem.
Não precisamos converter uns aos outros por meio de nossos discursos ou pelas nossas palavras. Só podemos fazê-lo com nossas próprias vidas.
Que nossas vidas sejam um livro aberto para que os outros possam estudá-lo.
A não-violência é a arma dos fortes.

(Mahatma Gandhi — frases escolhidas**)


As aventuras são a constante de quem ousa ser e estar e não quer permitir que o poder da desconstrução e do enfraquecimento assuma o controle das propostas e práticas de vida. Ser aventureiro também é estar aberto ao entendimento de que há riscos. Por vezes há questões sérias a serem abordadas e, se possível, resolvidas em qualquer percurso que alguém se proponha seguir.

Me assombra o poder que a raiva possui de redução da luz na alma e de bloquear o brilho da vida, ao ponto de descolorir tudo o que fazemos. Você pode compará-la a matéria e a energia escuras que ocupam quase todo o universo. Ao campo de força produzido por um buraco negro que consome toda luz ao seu redor. Esmaga estrelas.

Vivi isso durante essa semana. Fui tomado pela ira direcionada à presidência do Congresso, ao abuso do poder na condução das sessões em prol do interesse do grande capital de fazer investimentos nas campanhas eleitorais (consequentemente, sua capacidade de comprar congressistas).

A raiva tem garras e seu poder de consumir nossa luz é subestimado. Quando dei por mim, já havia feito um estrago na opção de não violência, mesmo a produzida no pensamento.

Sem moralismo, tudo na vida depende do uso. Usar da propulsão que a ira possibilita deve ser algo raríssimo e momentâneo. Apenas para atuar contra o que é nefasto e o que produz dor e sofrimento.

Seu uso exige um nível de equilíbrio imenso: a distinção clara entre a ação e a atitude objetos da raiva e o ser que a produziu. Sem equilíbrio o que se produz são sentimentos destrutivos e desintegração em si mesmo, que geralmente são propagados a outros.

É possível lutar sem perder a humanidade e a energia pessoal que permite expandir a chama da vida.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 29-30 de maio de 2015.

* 1) Buraco negro é a concentração de massa imensa em um ponto infinitamente pequeno produz densidade suficiente para causar deformação no espaço-tempo. Nem mesmo a luz escapa de um buraco negro e nada se move mais rápido que a velocidade da luz. 2) Matéria escura não interage com a matéria comum e interage muito pouco (ou nada) consigo mesma. Seu modo de interação é o gravitacional, sua presença é inferida a partir de efeitos gravitacionais sobre a matéria visível, como estrelas, galáxias e aglomerado de galáxias. A soma da energia escura com a matéria escura resulta em 95,1% do conteúdo total de massa-energia do universo.
** Mahatma Gandhi impactou gerações com suas palavras sobre coragem, trabalho, não-violência, aprimoramento pessoal e convicção. Sua prática de vida tocou o coração de milhares de pessoas. Veja algumas de suas ideias, em frases selecionadas, em https://www.epochtimes.com.br/20-frases-gandhi-mover-coracao

2 de mai. de 2015

Esconder-se é vital

Brado, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 02-05-2015.
Brado, criado em 02-05-2015.

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhou no céu da pátria nesse instante.

(Hino Nacional Brasileiro — Joaquim Osório Duque Estrada e Francisco Manuel da Silva)


Esconderijo é um lugar para onde você vai quando necessita de refúgio.

Em algum momento da vida, certamente, a necessidade de um recanto irá sobressair diante do aglomerado de questões cotidianas. Engana-se quem acredita que ele não é necessário e fundamental à construção de um indivíduo equilibrado. A vida se constitui de atividade e repouso, manifestos no gradual ciclo climático, da noite e dia, do acordar e dormir. Do mesmo modo, a mente humana.

Incrível mesmo é perceber como uma estrutura que não para consegue fazer esse balanceamento. Todos os nossos sistemas vitais são mantidos porque os nossos órgãos — especialmente coração e cérebro — conseguiram desenvolver um mecanismo de repouso relativo.

A razão que durante o período de atividade ocupa grande parte de nossas atividades cede lugar a um intricado sistema de absorção e rejeição de informações recolhidas: geramos sonhos e pesadelos. Por meio dessa reciclagem constituímos um ambiente emocional melhor. É a tal da higiene mental.

Nos períodos em que a carga de elementos alcança um nível muito elevado e não conseguimos durante o processo comum dar conta, surge uma exigência de refúgio e descanso. Nessa hora construímos um esconderijo. Será para lá aonde iremos em situações semelhantes.

Penso nessa condição como férias. Depois de uma sequência grande de trabalho têm-se que trocar os pontos de referência, do contrário a visão embaça e não conseguimos mais perceber os detalhes, produzindo a degradação da atividade.

Só que refúgio é algo muito pessoal e suas tramas nos envolvem como uma rede. Ficamos suspensos numa espécie de casulo e nos regeneramos e nos transformamos. Saímos dele prontos para encarar o novo ciclo adiante e tudo se repete, ou quase.

É como uma imagem complicada*. Lá no cantinho da base direita é você quem estende os braços e brada, produzindo vibrações que, mais que afastam a obscuridade, produzem luz e brilho bem dentro do coração e da mente.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 02 de maio de 2015.

* Basta clicar na imagem, caso você a queira ampliar para ver o detalhe indicado.

21 de mar. de 2015

Antídoto urgente

Antídoto, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 21-03-2015
Antídoto*, criado em 21-03-2015.

O único transformador, o único alquimista que muda tudo em ouro, é o amor.
O único antídoto contra a morte, a idade, a vida vulgar, é o amor.

(Anaïs Nin)


Vejo, diariamente, quem só conseguem sentir-se bem agredindo: detratam, difamam, desonram. Imagino — e é apenas isso que posso fazer — que não lidam bem consigo mesmos. Desviar-se do foco da luz para iluminar as questões de outros é, claramente, colocar na penumbra ou escuridão as próprias.

Prezo muito a capacidade de manipular minhas próprias emoções, quando realmente preciso. Agradeço à filosofia, à psicologia e aos bons amigos. Mais ainda aos sofrimentos. Para evitar induzir uma interpretação errônea, esclareço que o uso desse recurso limita-se aos momentos quando estou só. Pode-se afirmar que é o meu modo de lidar com as fraquezas ou inconsistências pessoais. Recuperar o equilíbrio.

Imagine que a rigidez está exacerbada e apropriando-se das ações ou dos pensamentos. Antídotos especiais se tornaram os filmes e as músicas, em minha trajetória, que permitem ativar a sensibilidade. Em outros momentos, é necessário erguer barreiras: livros e diálogos complexos ganham prioridade. Se me questiono qual, no fim das contas, é o mais importante, creio que, sendo muito sincero, nenhum.

Capto que a melhor expressão de mim só ocorre quando invisto na produção de textos e imagens. O que eu faço não tem valor em si, mas o que o processo realiza em mim. Cada um precisa descobrir como erguer ou baixar suas defesas pode fortalecê-lo.

Deveríamos ser cautelosos para não usar outros para tal. Manipular as emoções tornou-se moeda corrente, todos querem vender o seu peixe. É uma futilidade, tão cretina quanto aceita, do cotidiano. E, como todos estão sob seu julgo, ninguém escapa da esfera de sua influência.

Vivemos em um mundo onde o extravasar, antes algo apenas necessário, constituiu-se fonte de lucro incessante. A diversão, atualmente, está contaminada e produz tédio. Algo foi retirado de nossa da natureza e de nossa alma e, junto disto, a capacidade de nos reencontrarmos, de sair por aí, de qualquer jeito, sem direção, sem tempo definido; de parar para meditar ou refletir; de ser sensível ao interagir com o suave toque da vida de uma brisa, de uma pétala, da areia, da grama e da água.

Não nos encontramos mais, nos agrupamos solitariamente. Nos trancamos entre paredes que protegem demais ou facilmente escancaramos as portas em momentos de solidão. Falta-nos o equilíbrio. E o antídoto urge ser descoberto e usado de forma individualizada, a custa da vida perder seu valor. Que é um sopro, temos consciência, mas, pelo menos, que seja um refrescante.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 21 de março de 2015.

* Algo que impede ou reduz efeitos destrutivos, seja por impedimento, fortalecimento ou transformação do agente ou do alvo.

23 de dez. de 2014

A lição do Flamboiã

Flamboiã, fotografado por Wellington de Oliveira Teixeira em 10-12-2014
Flamboiã, fotografado em 10-12-2014.

Gostaria de ter começado essa história assim:
"Era uma vez um pequeno príncipe que habitava um planeta pouco maior que ele, e que precisava de um amigo…".
Para aqueles que compreendem a vida, isso pareceria, sem dúvida, muito mais verdadeiro.

(Antoine Saint-Exupéry — O Pequeno Príncipe, p.18)*


O Flamboiã é um tipo de árvore que conquista muito a minha simpatia: adoro suas cores, o formato de suas folhas e flores, o contraste estabelecido entre a leveza de suas sementes em floração com a robustez dos seus galhos. Mas a possibilidade dessa apreciação ocorre apenas em determinadas épocas do ano.

Com ele obtive o aprendizado que compartilho: há momentos para que muitas das coisas desejadas tornem-se viáveis ou seus processos sejam mais propícios ao desenvolvimento.

Alguns países possuem, nessa época do ano, um inverno rigoroso e as tradições natalinas e de passagem de ano auxiliam no processo de restauração da esperança de que a próxima primavera irá trazer o renascimento do mundo e a colheita de tudo o que ficou oculto sob a neve ou a terra.

Nós, os sortudos habitantes do Rio de Janeiro e do Brasil coroado de belezas naturais, somos brindados, durante todo o verão, por exuberâncias. Em terra, no céu e no mar sua manifestação é estonteante. Isso facilita a lição dos ciclos: término de um, reinício em outro.

Como sugestão, aproveite essa época para permitir-se momentos de uma reflexão positivista, esperançosa. Imagine o mundo dos seus desejos e - independente dos desafios necessários - já se prepare para ir ao seu encontro.

Como desejo, que você consiga ver o outro, que está ao lado ou distante, como um ser plenamente semelhante em necessidades, mesmo que divirja frontalmente em conceitos, propostas ou práticas.

Não podemos ocupar o lugar do outrem, mas podemos nos imaginar nele, a partir de nossas próprias necessidades na vida: de alegria, de amor, de esperança, de paz e de realização pessoal.

Isso, tente! Deseje de coração que ele obtenha tudo isso, mas o faça sem mesquinharia e sem invejas. Algo que aprendi há muito tempo embasa esse pensamento: quanto mais gente feliz e realizada no mundo, melhor será o mundo em que vou viver e também aqueles a quem amo tanto.

Bons festejos e reinício de ciclo de vida.
Wellington de Oliveira Teixeira, em 23 de dezembro de 2014.

* Às vezes, para se iniciar um novo ciclo, é preciso nos reinserirmos em um acontecimento do passado e resgatarmos o aprendizado que nos foi proporcionado. No reencontro desses dias com a família Prét, rememorações se fizeram necessárias e eu pude reacender o encontro com um pequeno príncipe na Vila de Trindade (Parati-RJ), o Alisson Gley. À potente memória daqueles momentos e meu grande aprendizado, fica meu agradecimento (e a vontade de experimentar o sabor da melhor geleia de minha vida).

21 de ago. de 2014

Quem sabe?, um dia...

Contingências, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 11-08-2014.
Contingências*, criado em 11-08-2014.

A contingência é a forma de representar como determinados comportamentos surgiram e se mantêm.
É a formula que a análise do comportamento se utiliza para estudar e entender como
certos comportamentos foram formados e como eles se mantêm atualmente.
A contingência não é apenas o evento reforçador, mas todo o sistema que mostra
como/porque uma resposta foi dada, como se formou repertórios comportamentais
e como tais repertórios se mantém no presente.

(Blog Psicologia analítico comportamental)
Há um certo grau de predição na prevenção.

Os acontecimentos não seguem seu cronograma, você já deve ter percebido. No entanto, já lhe passou pelo pensamento predeterminá-los. Acontece com todo mundo.

Desde que seus projetos incluam espaço para alterações, é um método eficiente. Do contrário, o que lhe aguarda são as frustrações.

Há diversas precauções possíveis: você planta a semente, mas sabe que o verão se aproxima. Então, você se resguarda com poço e cisternas onde acumula água e a libera na medida em que as reservas estejam sempre contingenciadas. Em lugares muito frios, prepara-se uma capa que protege o plantio, fruto ou fruta, do contato direto com a geada ou a neve.

O que geralmente esquecemos é de contingenciarmos uma reserva interna para os momentos dolorosos da vida. E, todos sabemos, eles vêm.

Muitos talvez não percebam ou desconheçam, o cuidado com a mente e a alma, o desenvolvimento espiritual são instrumentos para alcançarmos esse objetivo. Funcionam quando você interrompe o fluxo louco da vida, para e medita; quando você alonga seu passeio em local aprazível ou cria esse momento de forma inusitada, fora dos seus padrões; quando você se esforça para bloquear os fluxos de pensamentos que o agitam, toma um chá quente, ouve uma música leve, lendo um texto que incentiva práticas saudáveis…

Não tenho como imaginar a sua própria forma de tranquilizar-se, de ampliar suas forças internas e externas, de criar conexões que o fortalecem - alimentos, bebidas, pessoas e outros elementos que estariam incluídos aqui. Mas, se houver disposição pessoal, você se permitirá avaliar o que realmente lhe faz bem, não apenas os pequenos agrados diários que você se oferece.

A questão é que, quando se lê esse tipo de comentário ou exortação, a gente acena com a cabeça concordando com a lógica e a proposta mas, a seguir, se permite dizer: Verdade. Quem sabe?, um dia…

Wellington de Oliveira Teixeira, em 21 de agosto de 2014.

* Natureza daquilo que acontece de modo eventual, incidental ou desnecessário, possível de ocorrer de outra forma ou não se efetivar. Algo duvidoso, possível, mas incerto. Um acaso.
Um plano de contingência ou planejamento de riscos, de continuidade de negócios ou de recuperação de desastres objetiva produzir medidas que reativem rapidamente processos vitais, de forma plena ou minimamente aceitável, evitando paralisações prolongadas geradoras de qualquer forma de prejuízo.

15 de ago. de 2014

Momento do equilíbrio

Momento do Equilíbrio, criado por Wellington de Oliveira Teixeira entre 14 e 15-08-2014
Momento do Equilíbrio, criado entre 14 e 15-08-2014.

Mas a mim me interessa exclusivamente que eu seja capaz de amar o mundo,
de não sentir desprezo por ele, de não odiar nem a ele nem a mim mesmo,
de contemplar a ele, a mim, a todas as criaturas com amor, admiração e reverência.

(Hermann Hesse - Sidarta, p.122-123)


Podemos ignorar ou não perceber, mas vivemos, instante após instante, sob o signo do desequilíbrio.

Instabilidades construídas intermitentemente impedem o saborear aquelas brechas onde a quietude assume - mas não a confunda, de forma alguma, com o fazer nada. É um não fazer da rotina diária que intuitivamente nos leva a restaurar os pontos que nos conectam às correntes de forças do universo, ampliar nossa integração com o todo.

É quando sentimos a paz emergir, controlar, até mesmo quando situados no centro de um campo de força de uma tempestade — tudo ao redor desabando e nada o atingindo.

É como meditar em movimento, uma espécie de Tai chi chuan: vencer o movimento por meio da quietude; a dureza pela suavidade e o rápido pelo lento.

Entender naturalmente a sua natureza, na natureza, usando apenas as grandes forças naturais: um fluxo contínuo de água, que percorrendo aclives, declives e obstáculos segue continuamente a encontrar-se com o equilíbrio.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 15 de agosto de 2014.

* No taiji (ou tai chi) há um entendimento das energias ampliado filosoficamente. O ji (极) remete à grandeza suprema enquanto o qi (气) do kung fu ao desenvolvimento da energia interna do praticante. Nas duas vertentes o equilíbrio é um ponto central.
Amplie seu conhecimento sobre o taichi em http://pt.wikipedia.org/wiki/Tai_chi_chuan