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4 de jun. de 2016

Efervescências produtivas

Efervescências produtivas, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 04-06-2016
Efervescências produtivas*, criado em 04-06-2016.

O mundo grego é um mundo em que a lei vem sempre em segundo lugar; ela é a potência secundária em relação ao logos que abrange o todo e o refere ao Bem. […] Parece que a consciência moderna do antilogos impôs à lei uma revolução radical. Na medida em que ela rege um mundo de fragmentos não totalizáveis ou totalizados, a lei se torna primordial; ela não diz mais o que é bom, mas é bom o que diz a lei.
(Gille Deleuze — Proust e os Signos, p.130)


Insistir e reproduzir o mesmo é algo antinatural, o modo da natureza agir é produzir novos equilíbrios pelo encontro de elementos parciais e diferenciados, que podem ser de composição ou de decomposição, de união ou de separação, de fortalecimento ou enfraquecimento.

Me encanto de ver um comprimido de vitamina C na água, as pequenas bolhas que, lá do fundo, vão alcançando a superfície. O desgaste do comprimido foi necessário: gerar é [re, de]compor — é assim 100% dos processos que ocorrem nos seres vivos e no mundo mineral.

Sob um olhar atento, processos sociais são nascedouros: circunstâncias, práticas e seus efeitos promovem a gestação do necessário — sementes que abrigam a transição e efetuam a transformação.

Moralizar ou valorizar previamente, além de atrapalhar, deforma a visão do acontecimento. Não se entristece por células da pele, da unha, do cabelo descartadas. Inclusive, isto é a reafirmação da vida: novas composições entre os elementos, surgimento do diferenciado e manutenção das condições para a sua perpetuação.

Agir pedagogicamente é identificar, na fonte, as potencialidades, suas condições e apenas interferir para interceptar as forças que as podem degradar ou enfraquecer.

Não imponha seus conceitos, suas valorizações, suas formas de conquista. Foram úteis e fundamentais à você. Reflita cuidadosamente: cabe ao aprendiz ser dono de seu processo de maturação, não ao mestre determiná-lo.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 04 de junho de 2016.

* efervescência
1.evolução de um gás borbulhante em um meio líquido, por efeito de diminuição da pressão ou de ação de um agente químico.
2. ato ou efeito de ferver; ebulição, fermentação.
3. fig. inquietação do espírito; comoção, excitação.

18 de jul. de 2014

Fragmentos recuperáveis

Fragmentos recuperáveis, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 16-07-2014.
Fragmentos recuperáveis, em 16-07-2014.

Da Vinci sempre fora um tema embaraçoso para os historiadores, especialmente na tradição cristã. Apesar do seu gênio visionário, era um homossexual assumido e um adorador da divina ordem da Natureza, dois "crimes" que o colocavam em perpétuo estado de pecado contra Deus. Além disso, as bizarras excentricidades do artista projetavam uma aura admissivelmente demoníaca: da Vinci exumava cadáveres para estudar a anatomia humana, mantinha misteriosos diários em uma ilegível escrita invertida, acreditava possuir o poder alquímico de transformar o chumbo em ouro, julgava-se até capaz de enganar Deus criando um elixir que adiava a morte, e as suas invenções incluíam horríveis e nunca antes imaginados instrumentos de guerra e de tortura.
A incompreensão gera a desconfiança, refletiu Langdom.
(Dan Brown - Código Da Vinci - edição especial ilustrada, p.52)

Há quem reclame de tédio, mas quer apenas novidades mais ou menos — do tipo que não altera o status quo padrão: ir para novos restaurantes e casas de show, nova tendência da roupa (agora a calça tá mais apertada e colorida!); a gíria, cantor ou banda da moda.

Os retornos constantes de tudo que marcou época, mesmo com pequenas modificações, são a marca da falta de construções realmente novas. Mas, quem as quer realmente?

Sendo franco, acredito que, no fundo, poucos gostam das alterações radicais das rotinas, do desconhecido, do que exige um esforço para se concretizar. O incerto carrega, potencialmente, o medo em sua composição, daí a resistência. Mas, se houver vontade de avaliar, creio que se perceberá que, para contornar a questão, a cultura dominante promove sempre a aproximação com alguma antiga radicalidade que foi apropriada pelo sistema, como o foram as culturas limítrofes do skate, do surf, do rock. Os novos, controlados e lucrativos esportes radicais.

Não é difícil você encontrar expressões com a expressão inglesa new — como foi com o new hippie — para caracterizar o controle. O que era uma marca registrada de um modo de ser aventureiro, o velho jeans amaciado no corpo, surrado com o uso até tornar-se puído, tornou-se uma calça novinha, produzida com as mesmas características - com um preço justo, por isso, é claro: sua pressa foi atendida.

Em um mundo orientado para produtos ou orientado para clientes e não pessoas, o new você já virou padrão: renove-se! A questão que se apresenta é que a proposta não propõe a existência de nenhuma mudança real, são apenas enfeites e penduricalhos no velho manequim — que continua o mesmo de sempre.

Não gostamos do medo, mas deveríamos, mesmo sendo ele paradoxal: se a sobrevivência é impossível sem ele, a impotência se sustenta nele. E você fica entre um extremo e outro, deslizando em função dos acontecimentos e das emoções.

A ousadia na vida é algo tão sui generis que as pessoas já adotaram a expressão isso não é pra mim, quando confrontadas ou incentivadas a tentar.

Então, e essa é a proposta dessa reflexão, não se preocupe, ouse um pouco mais, deixe cair alguns pedaços. Um dia você reabsorverá grande parte dos fragmentos que ficaram dispersos pela vida — repletos de histórias e emoções que o contagiarão de revivências. Os outros, os que não importam de verdade, é melhor que realmente não voltem.

Mas haverá, certamente, haverá uma questão a que você será confrontado: reconstruir, renovar ou construir algo novo?

Wellington de Oliveira Teixeira, em 18 de julho de 2014.

* O código Da Vinci, como livro ou filme, permite aventura e descobertas. Mais ainda, pensar em inventividade: o mundo do explorador de possibilidades, Leonardo, é uma mostra do espírito humano em sua incansável busca por transformação, aperfeiçoamento e expressividade. Todos os códigos apresentados na obra são fragmentos que precisam ser questionados, avaliados e aglutinados para criar um painel completo. Crítica à perda de reverência pelo sagrado, afloram mais que às instituições religiosas ou práticas perversas individuais. Encantadoramente subversivo.

15 de jul. de 2013

Nosso interno-ambiente


Conhecimentos, fotografia base: desenho no banheiro do ICHF.*

"Pois então" — pensou —, "já que todas aquelas coisas passageiras me escorregaram por entre as mãos, acho-me novamente sob o sol, sozinho, como nos dias de infância. Nada possuo, nada sei fazer, nada posso realizar, nada aprendi. Não é mesmo estranho? Agora, que já não sou nenhum jovem, que meus cabelos já ficaram grisalhos, que minhas forças diminuem, volto à estaca zero, lá onde estive em criança!" Mais uma vez, esboçou um sorriso. Sim, seu destino era deveras singular. Ele ia abaixo e novamente se encontrava nessa terra totalmente vazio, tolo, desamparado. Mesmo assim, sentia-se incapaz de afligir-se por isso. Antes, pelo contrário, tinha vontade de dar uma gargalhada, de rir-se de si, de zombar desse mundo esquisito, estúpido.
(Sidarta - Herman Hesse, p.81-82)


A novidade é a coisa mais antiga no mundo.

Está na moda o conceito de inovação. Ele carrega em si a ideia de criar algo novo, diferenciado, transformador, ruptor de uma sequência ou de um modo de ser, estar ou desenvolver.

Empresas procuram a preço de outro pessoas com o talento de produzir o inesperado e, para isso, vão buscar em locais ou práticas mais inusitados. Vou propor apenas um exemplo: músicos para empresas de tecnologia. Você deve saber que a Lady Gaga é a nova diretora de criação da Polaroid e que o William Adams, mais conhecido como Will.i.am (do grupo Black Eyed Peas), vai colaborar no desenvolvimento de novas tecnologias da Intel.

Algo estranho, que percebo por trás desse movimento de transformação, é a produção da insaciável sede consumista: o capitalismo vendendo que velho é ruim, novo é bom. Quer saber, o pior é que acreditamos nisso: dizemos que um celular ou laptop de 2 ou 3 anos atrás é uma porcaria.

Na contramão disso, o espanhol Benito Muros está sendo ameaçado de morte por causa de sua criação: uma lâmpada que dura no mínimo 25 anos - que tem por base uma que existe em um parque de bombeiros de Livermore (Califórnia), acesa há mais de 111 anos.

Poucos, talvez, conheçam o conceito, mas a Obsolescência Programada é um acordo de muitos fabricantes para desenvolverem produtos de curta durabilidade de modo a obrigar-nos a adquirir novos produtos que seriam desnecessários se produzidos como antigamente. Você pensa: até aí, tudo bem, tem sempre novidade no pedaço. Mas esquece de que o seu inconsciente absorve, também, esse conceito para as outras áreas de sua vida, inclusive a afetiva.

Apresento de forma não-moralista a questão dos relacionamentos: vejo, a todo momento, imagens e frases nas postagens de redes sociais, nos diálogos ao vivo, que há o desejo de encontrar alguém para amar, para construir um vínculo e (para alguns) constituir uma família e viver uma experiência até a morte como em UP Altas Aventuras. Na prática, apresentamos imagens dos pequenos vôos das baladas, dos encontros fortuitos em finais de semana, dos namoros que duram até a primeira briga e o status do face serem alterados. Essa incoerência surge de onde?

A questão do novo que os negociantes expõe exaustivamente em seus comerciais é a coisa mais velha que o mundo já produziu e se chama transformação: nada se perde, tudo se transforma.

Assim, o inverno dá lugar à primavera, o frio ao calor, a cobra troca a pele e você suas células mortas, as unhas, cabelos... Isso se chama renovação.

Mas a natureza ensina que não é necessário desqualificar o antigo: ele é a estrutura eficaz que permite as mudanças. É na harmonização entre o antes e o depois que se estrutura um presente.

Algumas pessoas optam pelo caminho do monge e se retiram da agitação para meditar. Querem, com isso, não impedir o novo, a novidade de vida, mas melhorar a base deste processo abrindo mão do desnecessário. Isso se chama purificação.

Como eu disse, meu objetivo não é moralização de uma forma de ser social, mas propor uma avaliação dela. A sua própria avaliação. A experiência e a observação ensinam que só precisamos ter elementos que nos ativem a capacidade de pensar, o resto somos nós que fazemos, inclusive trilhar um outro caminho.

Por falar nisso, os antigos chamavam isso de metanóia ou mudança de mente que determinava um novo rumo para a vida.

Viu?, antigos tem muito para a ensinar-aprender com os novos. Essa é a proposição simples e diária da natureza: a busca do equilíbrio.

A palavra que eu queria dizer, que só agora me tomou é transitoriedade. Exatamente o que acontece com tudo. É o Iazul! (Tudo passa!) da história de Malba Tahan**.

Existe algo na ordem do necessário que determina que parte do antigo permaneça no novo e a essa forma de permanência nós humanos aprendemos a denominar de eu. Hora de melhorarmos nosso interno-ambiente.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 15 de julho de 2013.

* Me encanto com a gurizada do ICHF - Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da UFF. Essa é uma amostra do que eles produzem por lá e nos incentiva a reavaliar toda a estrutura de conhecimento.

** "Quando o homem atravessa período de felicidade, de alegria, de sorte e tranquilidade, deve pensar no futuro e ser comedido em suas expansões, sóbrio em suas atividades.
Convém que o afortunado não esqueça: IAZUL (isso passa). A roda do destino é incerta. A vida é cheia de mudanças.
Há ocasiões, porém, em que nos sentimos tristes, enfermos, feridos sentimentalmente, caminhando sob nuvens de infortúnios.
Para que o ânimo volte ao nosso espírito, proferimos cheios de fé, fortalecidos de esperança: I A Z U L! Isso passa. Sim, tudo passa.
Virão dias melhores, dias calmos e felizes. A prosperidade e a boa sorte voltarão a iluminar a nossa jornada. A saúde será reconquistada. E a serenidade procurará pouso em nosso coração."

22 de mai. de 2013

Tempo de comemorar (todo dia é!)

Memória, criado por Wellington de Oliveira Teixeira, em 01-05-2013.
Memória, criado em 01-05-2013. (clique para ampliar)


O fato real é quando o corpo entende que pode ver.
Só então ele é capaz de saber que o mundo para o qual olhamos todo dia é apenas uma descrição.

E assim, dançará a sua morte aqui, em cima desse morro, no fim-do-dia.
E, em sua última dança, você contará sua luta, as batalhas que venceu e as que perdeu;
contará suas alegrias e perplexidades ao encontrar o poder pessoal.
Sua dança contará os segredos e maravilhas que você armazenou. E sua morte ficará aqui sentada, assistindo.
O sol poente brilhará sobre você sem queimá-lo, como fez hoje.
O vento será suave e o topo do morro tremerá.
Quando você chegar ao fim de sua dança, olhará para o sol, pois nunca mais o verá, desperto ou sonhando
e, então, sua morte apontará para o sul. Para a vastidão.
(Viagem à Ixtlan - Carlos Castañeda)

Avalio que transformações se estabelecem em nossos relacionamentos, com o passar do tempo. Manutenção também. Por isso, mesmo que não seja a mesma coisa do início - aquilo que chamamos de amor -, algo que se manteve não permitiu que ele fosse descaracterizado.

Em meio às tentativas, os considerados erros e os acertos reprogramam a nossa mente.

A descoberta da capacidade de efetivar algo proporciona segurança, mesmo quando a realidade não garante que obteremos resultados semelhantes na tentativa posterior.

Então, troféus e comemorações são a forma de colocarmos nossa estaca no topo da montanha e nos deslumbrarmos com um novo horizonte - o fruto da nossa vitória.

No entanto, coisas se perdem na viagem e nenhum poder da terra pode fazê-las retornar, ou mesmo recuperá-las do modo que desejaríamos. Ficaram para trás. Marcas daquilo que denominamos morte, as mesmas que vão produzindo, em tudo e a cada momento, milésimos de transformações que possibilitam a sua renovação em outra forma, outro modo ou patamar.

Mesmo não mais acreditando em nossa permanência (mudamos com o passar do tempo), apostamos numa certa imanência que permite que não nos desconheçamos, mesmo quando olhamos para o espelho e ele não reflete mais aquela imagem de tempos atrás. Nossas pequenas e acumuladas descaracterizações, realizadas pela ação da temporalidade, não pode tirar aquilo que em nós se manteve. Isso vale para os relacionamentos mantidos.

Eu considero isso uma conquista que deve ser bem apreciada. Por isso erguerei minha taça para um brinde a essa forma de experiência que inclui as transformações e as manutenções, às pequenas conquistas diárias, mensais, anuais e de vida, porque entendo que todo dia é, sim, tempo de comemorar.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 22 de maio de 2013.


Não sei bem porque, mas esses seis meses, após catorze anos, produziram uma tatuagem no meu coração.

6 de out. de 2009

Poderia ser diferente

Focinho, criado por Alexander Kharlamov Focinho, criado por Alexander Kharlamov*


"…vai dizer que você prefere o ódio ao amor? Então neguinho, me diz, qual é?"
(Qual é? - Marcelo D2).


Não!, é algo inteiramente distinto do ódio o que nos faz ir adiante, aprender. Mas acredito que o ódio seja a mais primitiva forma de aprendizado: com a dor.

O ódio, em si, não ensina, ele causa o sofrimento e a dor, estes sim, são capazes de trazer algum aprendizado; o mais básico, do tipo 'doeu, eu evito'. Já levou um choque? Já se queimou? Já tropeçou?

O ódio é um mecanismo de autodestruição. É um modo de usar a energia da vida para desfazer a vida, transformá-la em partes menores, rompendo os encontros que, acumulados, aglutinam e geram novas formas de ser e estar no fluxo, no complexo energético que é este mundo.

Não é preciso ser um gênio para perceber que há formas mais elegantes, elevadas, eloquentes de se aprender que não a pelo ódio. Mas quão difícil é acessá-las conscientemente e optar com convicção por essas vias.

Todos ainda carregamos uma espécie de primitivismo espiritual, uma barbárie em nossos elementos constituintes, algo de que precisamos apenas para dar os primeiros passos e que logo se tornou obsoleto diante dos novos instrumentos ao nosso dispor - obtidos após os aprendizados iniciais da vida.

É como uma tralha que enche de peso a nossa bagagem e impede um caminhar mais confortável e, no entanto, parece que nos apegamos a ela.

Como é difícil entender: aprendeu, segue adiante, descubra novas formas de aprender. A experiência absorvida se tornou a parte integrante de nós que nos ensina a não repetir os erros anteriores. Não será necessário usar os mesmos mecanismos ou deixá-los a disposição para um possível uso futuro.

Alguns argumentam que nosso cérebro-quase-pré-histórico é o que nos mantém vivos, pois é acionador dos reflexos nos momentos de perigo. E a nossa intuição não seria um elemento muito mais eficaz para nos proteger, nos resguardar quando damos ouvidos e atenção necessários?

A adrenalinha da raiva é o melhor meio de tornar o corpo pronto para responder às agressões externas? Será que o ataque é a melhor defesa? Será que já não acumulamos o suficiente para não invadirmos o espaço alheio e provocarmos esse tipo de reação de ataque para a defesa? Respeito aos seres não garante atitudes melhores de ambas as partes, de modo a evitar a maioria dos conflitos que existem no mundo?

Qualquer que seja o sistema político, econômico, religioso, ele é apenas uma forma de interação social de modo a podermos compartilhar nossas vidas, criarmos os meios de colaboração e de desenvolvimento. São instrumentos e não um fim. O que quer que seja mais essencial para cada um de nós não está atrelado a nenhum deles.

Por que, então, somos tão sectários? Quem gosta do vermelho, e não do azul, não presta? Quem não torce pelo mesmo time, quem não está na mesma religião ou professa nossos conceitos filosóficos não serve? Geramos guerra e discórdia, diariamente, por optarmos por viver assim.

É isso mesmo! É opção. Todos podem agir por interação, compartilhamento, visando o desenvolvimento mútuo e a superação dos obstáculos coletivamente.

Indivíduos, sim, mas partículas de um todo. Partes da mesma natureza que luta para alcançar equilíbrios cada vez mais bem sucedidos. Exercitando uma troca de energia constante, onde o que eu tenho de melhor e em maior quantidade, meus dons e minhas capacidades, vão em auxílio a outro que o possui em menor escala e, num fluxo maravilhoso, este que recebeu colabora com o que um outro não possui: um organismo vivo, onde cada peça é fundamental e essencial; nem melhor, nem pior.

Imagino esse movimento como um fluxo de energia que percorre todo o fio, se transmitindo por meio de cada parte, numa grande conexão universal.

Comecei falando de ódio porque uma ideia me fez tremer quando pensei nesse incrível mecanismo de doação universal (amor é uma boa palavra para ele?), algo que não havia pensado antes, em toda a minha vida: o ódio também se propaga dessa maneira só que, em vez de acrescentar, ele retira algo de cada elemento, que ficando deficiente retira do elemento a seguir, como elos de um cadeia que aprisiona e suga sempre, sem acrescentar nada.

E quanto mais vejo ou ouço ou participo de um fluxo de ódio (roubos, assassinatos, guerra, discórdia, ira), ativa ou passivamente, mais eu me envergonho com o pouco que contribuí para a transformação dessa realidade e desejo, ardentemente, me aperfeiçoar para poder contribuir um pouquinho mais com a vida.


Wellington de Oliveira Teixeira, em 06 outubro de 2009.


* Desculpem-me aqueles que esperavam uma arte minha, aqui. Ódio é um tema muito difícil pra mim.