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3 de jan. de 2014

Mexicaninha

Mexicaninha, criado por Wellington de Oliveira Teixeira, em 02-01-2014
Mexicaninha, criado em 02-01-2014

'Não importa o que faça,
cada pessoa na Terra está sempre representando
o papel principal na História do mundo…
E normalmente não sabe disso.'
(O alquimista - Paulo Coelho)


Essa é a primeira postagem desse ano, e quero dedicá-la a minha sobrinha Debora Cristina (minha mexicaninha).

Iniciei 2014 acertando-a com a rolha de um proseco (acreditem!), com isso, acredito que... bem, ela já ficou marcada para o novo ano, né? *

A intenção, apesar da falta de mira, como sempre, era só chamar a atenção para o fato de que eu torço para que esse seja 'o ano' para ela: construído com o que há de melhor da vida, o amor.

Ainda bem que ela faz aniversário logo no início do ano e vou tentar me redimir fazendo algo além das desculpas pedidas na hora.

A Debora possui um tipo peculiar de humor: o veloz. Passa de um estado emocional para outro em milésimos de segundos - entenderam porque o apelido que lhe dei?

Para nós que a acompanhamos desde pequena, um dos piores momentos foi vê-la passar por um problema de pele complicado. E, talvez por isso, uma das maiores satisfações foi vê-la superar a doença.

Tem crescido e amadurecido muito nesses últimos tempos, está construindo a sua carreira profissional, noivou e está se programando para o casamento.

De menina comunicativa, avoadinha e geniosa, que não perdia uma festinha, vejo-a repartir seus interesses com mais sabedoria. E, como já demonstrou, aprendeu a ser a anfitriã cuidadosa com todos, o que (não me bata!) não foi exatamente nos seus 15 anos (queria que ela ouvisse a risada que eu dei quando escrevi a frase anterior!).

Como nesse texto, nossa comunicação é direta, verdadeira; o prazer de estar junto é real e constante; o carinho é via de mão-dupla. É um orgulho ser tio de uma pequena como essa. [viu? eu não chamei você de baixinha!]

Agora que dei uma descrição da pessoa, queria que vocês reparassem em elementos (parte superior da ilustração acima) como um rosto sorridente, braços bem abertos e a palavra sempre. Outros detalhes (no meu modo louco de expressão) como caixa de som, flores, pássaros voando - que tem ao fundo um trilho - são elementos para dizer que meu desejo é que o caminho dela tenha o que ela gosta: musicalidade, leveza, que tudo seja muito colorido e alegre para que, se tudo servir, ela vista a carapuça (ou será um sombrero?).

Com um carinho imenso, eu lhe desejo um feliz aniversário, minha linda!

Wellington de Oliveira Teixeira, em 03 de janeiro de 2013.

* Não jogue fora a rolha, não, hein!

26 de dez. de 2013

A sustentabilidade emocional

basta amar, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 20-12-2013
basta amar, criado em 20-12-2013

Aí não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre,
mas somente Cristo, que será tudo em todos.
Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia,
de bondade, humildade, doçura, paciência.
Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem.
Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós.
Mas, acima de tudo, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição.
Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo.
E sede agradecidos.
(Bíblia - Colossenses 3:11-15).


Conheço muita gente. Me tornei amigo de algumas e o inverso também ocorreu.

Dentre aqueles que tive a oportunidade de acompanhar ou conviver por mais tempo, alguns me surpreendem até hoje pela capacidade conhecida como resiliência. Enfrentam constantemente situações de alta complexidade, sofrem com intensidade e carregam marcas no corpo e na alma. Resistem, ultrapassam e superam.

Me encanta essa disponibilidade para a vida, que até mesmo acontecimentos sórdidos não consegue desfazer.

Ponto em comum que consegui alinhar pela observação e contato foi uma forte carga emocional que tende a ser positiva: veem os acontecimentos como produtores de aprendizado e crescimento pessoal ou como um desafio a ser superado pela fé.

Todos encaram não como super-heróis as situações, não se isolam, buscam na participação de pessoas de confiança o apoio. De certa forma, é esse suporte emocional aliado ao aprendizado anterior que os permite atravessar o momento e a dificuldade sem caírem pelo caminho.

Esse ano, nas postagens de rede social, vi muitos pedidos de amigos que precisavam desse suporte. Enfrentaram situações drásticas que atingiram a si mesmos ou a pessoas muito próximas. E o impacto gerado foi avassalador. Vi, também, o retorno de muitos com palavras de conforto, de incentivo e de solidariedade. E foi com essa ampla rede sustentadora que o dia-a-dia de alguns desses meus amigos foi conquistado e seus males minimizados.

Está até parecendo que estou escrevendo algo como os conselhos que infestam os livros de 'auto-ajuda'. Mas minha meta diverge disso. O que pretendo é demonstrar que cada um tem o enfrentamento necessário para a sua vida. Deve encará-lo singularmente, pois é uma luta pessoal. A rede de apoio é algo a se acessar nos momentos em que a lucidez não é uma companheira. Não é um suporte fixo, onde me jogo e todos me seguram, menos eu.

Creio que o sinal que deve ser dado é: me incentive a ultrapassar; me mostre os pontos fortes que possuo, pois não estou vendo neste momento; amplie minha rede de contatos naqueles lugares que ainda não fiz algum; participe desse momento naquele aspecto em que eu sou imaturo ou sem aliados.

Bem, presença física, em alguns casos é essencial. Mas, talvez, na maioria dos outros, um bate-papo, uma mensagem, uma imagem com mensagem clara relativa à situação, podem ser a melhor opção. Permitem aquela solidão que impulsiona o ultrapassamento.

Acredito que seres humanos são dotados de uma capacidade de enviar pensamentos, sentimentos e outras formas de energia para outros, assim (repito, é uma opinião minha), uma rede de seres desejando intimamente um bem a outro podem influenciar o campo de forças que essa pessoa se encontra e auxiliá-la a atravessá-lo.

Por isso escolhi como tema sustentabilidade. Há um texto bíblico que exorta esta rede com um 'suportai-vos em amor'. E minha turma, rapidamente, passou a usar numa brincadeira, a de ter que suportar um sujeito chato. Mas tive a oportunidade de estudar um pouco mais profundamente o texto e verificar que falava de um conjunto de pessoas que com a manifestação de seu amor formam uma viga de sustentação. Peças em um emaranhado que auxiliam no completar o quebra-cabeça.

Hoje, embora busque até o último momento seguir com minhas próprias forças, não me impeço de recorrer àqueles que confiantemente me permito estar próximo para buscar a crítica, auxílio na elaboração de estratégias de vida para mais uma vez vencer um desafio.

Somos únicos. Indivíduos que nascem e morrem sozinhos. Mas nada nos impede de, ao percorrer este intervalo, nos aliarmos e nos fortalecermos naquilo que cada um traz de melhor em si.

Por isso, desejo que tudo que intento em favor daqueles que amo (dos conhecidos e dos desconhecidos) possa se concretizar: um mundo onde o respeito à diversidade inerente ao ser humano produza a paz.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 26 de dezembro de 2013.

* Notas

17 de dez. de 2013

Ousar ser mais que uma parte

Ousar, criado por Wellington de Oliveira Teixeira, em 17-12-2013 Ousar, criado em 17-12-2013

Seus atos, bem como os atos de seus semelhantes em geral, parecem-lhe importantes
porque você aprendeu a pensar que são importantes.
Aprendemos a pensar sobre tudo — disse ele — e depois exercitamos nossos olhos para olharem como pensamos a respeito das coisas que olhamos. Olhamos para nós mesmos já pensando que somos importantes. E, por isso, temos de sentir-nos importantes! Mas quando o homem aprende a ver, entende que não pode mais pensar a respeito das coisas que ele olha, e se não pode mais pensar sobre as coias que olha, tudo fica sem importância […] tudo é igual, e dessa forma sem importância.

Você teme o vazio da vida de seu amigo.
Mas não existe vazio na vida de um homem de conhecimento, posso garantir-lhe.
Tudo está cheio até a borda.
(Carlos Castaneda - Uma estranha realidade pp.79-85)


Pedaços estão para além de partes de um todo.

Sabe quando você tem uma tarefa a executar que possui camadas de um roteiro a seguir ou uma construção que depende do passo anterior para poder ser executada? Na universidade me ensinaram a classificar essas partes como pre-requisitos: assim, não seria possível alcançar o topo sem percorrer os degraus.

Relativo. Como tudo, aliás.

Nossa mentalidade mecanicista só (re)afirma aquilo que ela foi programada para aceitar. Nosso comportamento padrão recompensa-castigo: meu ratinho branco e velho companheiro, Tommy, das aulas de psicologia comportamental o expressaria. Estímulo e respostas que constroem como agimos e pensamos.

Meu ratinho, parceiro de curso básico — que, para desespero das meninas, me acompanhava dentro da jaqueta às outras aulas —, ganhou esse nome por que eu havia assistido ao filme(*) de mesmo nome onde um autista era brilhante em jogar pimball (ou pebolim, em alguns locais do país). Um autismo programado.

Como o nosso.

Somos brilhantes em reproduzir o cotidiano, suas rotinas, em nos apegarmos ao costumeiro até que não haja mais qualquer gota de prazer a ser retirada das nossas práticas. E, ainda assim, continuamos indefinidamente apegados à crença de precisarmos delas para continuar.

A ruptura, que sempre é possível, precisa acontecer. Mas passei da fase da iconoclastia por si mesma. Já não sou tão punk assim.

Minha fé no poder do desfazer algo vem do crer que a energia que gastávamos para manter determinada rotina pode ser empregada para fortalecer outras diferenciadas.

Gosto de período a período fazer modificações amplas no meu habitat - além daquelas pequenas e quase imperceptíveis a outros olhos. Mas não o faço por fazer. Me obrigo a detectar uma necessidade, que aparece quando meus atos se tornam inócuos, insossos, não representativos daquilo que estou no momento.

É nesse campo propício que invisto nas tentativas de criar um novo, não apenas um renovado estar na vida. E, para obter isso, ouso coisas que não havia tentado, ainda.

Recordo-me de haver sentido esse movimento quando quis aprender a tocar instrumentos de teclas. Foi um desafio imenso para quem não tinha recurso nenhum: as pernas eram as teclas, onde meus dedos simulavam tocar um piano.

Parece um contrassenso, mas deu certo. Aprendi. E depois vivenciei um conjunto de momentos tão maravilhosos quanto inesquecíveis. Inclusive amar além de qualquer possibilidade de resistir.

Bem, isso não é confessionário. Uso o acontecimento como exemplo de o quanto o voo pode ser longo quando nos decidimos a ultrapassar o maquinismo, aquilo que em nós acredita que a roda não pode ser reinventada, que os descobrimentos são apenas tirar a coberta de cima de algo.

Uso porque quero me incentivar a viver situações como a de agora: transição.

Quero ser um transeunte da vida, não um expectador em uma estação de trem, de ônibus, de avião ou de espaçonaves. Quero ir além e transitar seus pensamentos e gerar novas emoções em você também, como o resíduo de minha vida, como a energia que se expande para além de sua fonte.

Um dia eu quis ser veículo, instrumento do sagrado em mim. Hoje entendo que não há dissociação entre mim e o sagrado, já que seu sopro é minha vida.

Ainda bem que, um dia, Deus ousou e disse "Haja Luz!".

Wellington de Oliveira Teixeira, em 17 de dezembro de 2013.

* Filme baseado na ópera rock lançada em 1969 pelo The Who. Durante a II Guerra Mundial o Capitão Walker é considerado morto em batalha. Sua esposa Nora Walker fica com a tarefa de cuidar sozinha de Tommy, filho recém-nascido do casal. Nora se envolve com Frank Hobbs, mas em 1951 seu antigo marido retorna repentinamente e é morto por Frank. O garoto Tommy presencia tudo, mas sua mãe e seu padrasto insistem que ele não viu, ouviu e não vai falar nada a ninguém, e em consequência Tommy se torna cego, surdo e mudo. Já adolescente, Tommy se torna um campeão de pinball, trazendo fama e fortuna para sua família. Depois de curado, ele se torna uma espécie de figura messiânica e angaria um culto de seguidores, que no final rejeitam seus ensinamentos e o abandonam. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Tommy_(filme))

21 de nov. de 2013

A spinozidade da vida

spinozidade, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 21/11/2013
Spinozidade, criado em 21/11/2013

Não é por julgarmos uma coisa boa que nos esforçamos por ela, que a queremos, que a apetecemos, que a desejamos,
mas, ao contrário, é por nos esforçarmos por ela, por querê-la, por apetecê-la, por desejá-la, que a julgamos boa".
Espinoza, Ética, parte 3 prop. 9 esc.

A cada novo dia, outra teoria clássica é derrubada. Fundamentos que nos embasaram o pensamento, construídos a partir de definições pré-estabelecidas, perderam seu poder sustentador.

Bem, muitos não gostam e nem desejam aceitar que as definições que fizer se perderão com o tempo. Talvez, por isso, a temporariedade da construção do pensamento como um enigma é o que se propõe para nós outros.

Da física e da química que aprendi no fundamental e no secundário quase nada mais resta de pé. Que bom! Não tenho que me estabelecer como base de estrutura sólida, imutável, independente da variação que se estrutura no momento.

Pego o spin como exemplo: ele definia a direção do giro de uma partícula atômica. Portanto, seu campo magnético. Mas (e físicos, por favor, me ajudem), essa é uma visão muito estreita da realidade, uma vez que o fator giromagnético depende de carga, da espécie de partícula, da vetorialização e angulação, etc.

Me permitam utilizar essa entidade matemática e suas consequências como apoio para repensar meu caminho.

Em cada época, as ondulações do mar da vida produziram as condicionantes de minha apropriação da realidade. Houve épocas em que a dor era tão poderosa que nublava qualquer tentativa de raciocínio, mas o pensamento se estabelecia e produzia o necessário. Aconteceu, da mesma forma, quando era a alegria que assomava o terreno e quando todos os meio-termos se apresentaram, também.

Quem ou o que sou está diretamente relacionado com isso. A vida é isso. Momento.

E como uma mecânica quântica, o campo magnético da vida (que eu adotei com o nome de campo de possibilidades) proporciona e propulsiona atitudes, atos e encontros.

Meus queridos amigos mais jovens têm dito que me tornei hermético e com isso tenho produzido uma escrita obscura para eles. Talvez. Mas o simples preto no branco não se estabelece mais como parâmetro para minhas interpretações da realidade.

Os gestos que meu corpo aprendeu tiveram que receber adaptações ou reconstruções. Fiz o mesmo com meus julgamentos.

O olhar que produzo, diariamente, como realidade é apenas isso: uma produção e não é algo em si. O si, aí, sou eu. A realidade em mim e para mim.

Meu mundo se expandiu a ponto de acoplar outras realidades e a diferenciação se tornou o ponto central para qualquer raciocínio.

Gosto muito da ideia dos criacionistas de que Deus não repetiu nada, produziu a diferença em si, no mundo e nos relacionamentos. A beleza que observamos e vivenciamos se sustenta nisso.

O modo como cada um se propõe a vivenciar, a partir de suas próprias construções de mundo uma determinada realidade, é algo que cabe exclusivamente a essa pessoa. Assim, nossas valorações sobre o outro, seus atos, suas características acabam se tornando nada mais que uma forma de incluirmos a sua participação em nosso mundo.

Tenho sido conhecido como um ativista, especialmente com relação à Educação que considero a pedra fundamental na abertura dos mundos existentes em cada ser. Vou para a vida, participo de discussões, enfrento cacetetes por acreditar nisso.

E agora, nessa etapa de uma jornada que me é mais surpreende por não ter que se estabelecer em instituições estruturantes, e por possibilitar as (des)cobertas e (des)construções, eu honro os vínculos estabelecidos sem os laços que aprisionam. Sou grato pelos encontros que tive e por aqueles que se estruturaram de tal forma que estão aí na ordem do mundo. E do meu mundo. Sem nenhuma obrigação ou determinação de modo.

Talvez, uma das maiores conquistas da minha vida tenha sido essa: adotar, como prática, esse respeito ao tempo do outro, do momento do outro, e de estar aberto ao encontro - quando este se apresenta como possível, viável ou necessário.

Apenas uma visão (uma dentre tantas outras) que vou adotando conforme o aprendizado do ser e sua completude o exigem. Plenitude não é mais uma palavra para mim. É um desafio que altera o meu modo operandis para ser e estar de um modo pleno nessa ordem que a Ordem me permitiu vivenciar.

Se isto servir para dar partida para um outro ou novo pensamento, fique a vontade. Compartilhar é algo que me faz bem.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 21 de novembro de 2013.

* Li na wikipedia que o Spin não possui uma interpretação clássica, ou seja, é um fenômeno estritamente quântico, e sua associação com o movimento de rotação das partículas sobre seu eixo - uma visão clássica - deixa muito a desejar.

** Baruch Spinoza foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz.