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21 de ago. de 2014

Quem sabe?, um dia...

Contingências, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 11-08-2014.
Contingências*, criado em 11-08-2014.

A contingência é a forma de representar como determinados comportamentos surgiram e se mantêm.
É a formula que a análise do comportamento se utiliza para estudar e entender como
certos comportamentos foram formados e como eles se mantêm atualmente.
A contingência não é apenas o evento reforçador, mas todo o sistema que mostra
como/porque uma resposta foi dada, como se formou repertórios comportamentais
e como tais repertórios se mantém no presente.

(Blog Psicologia analítico comportamental)
Há um certo grau de predição na prevenção.

Os acontecimentos não seguem seu cronograma, você já deve ter percebido. No entanto, já lhe passou pelo pensamento predeterminá-los. Acontece com todo mundo.

Desde que seus projetos incluam espaço para alterações, é um método eficiente. Do contrário, o que lhe aguarda são as frustrações.

Há diversas precauções possíveis: você planta a semente, mas sabe que o verão se aproxima. Então, você se resguarda com poço e cisternas onde acumula água e a libera na medida em que as reservas estejam sempre contingenciadas. Em lugares muito frios, prepara-se uma capa que protege o plantio, fruto ou fruta, do contato direto com a geada ou a neve.

O que geralmente esquecemos é de contingenciarmos uma reserva interna para os momentos dolorosos da vida. E, todos sabemos, eles vêm.

Muitos talvez não percebam ou desconheçam, o cuidado com a mente e a alma, o desenvolvimento espiritual são instrumentos para alcançarmos esse objetivo. Funcionam quando você interrompe o fluxo louco da vida, para e medita; quando você alonga seu passeio em local aprazível ou cria esse momento de forma inusitada, fora dos seus padrões; quando você se esforça para bloquear os fluxos de pensamentos que o agitam, toma um chá quente, ouve uma música leve, lendo um texto que incentiva práticas saudáveis…

Não tenho como imaginar a sua própria forma de tranquilizar-se, de ampliar suas forças internas e externas, de criar conexões que o fortalecem - alimentos, bebidas, pessoas e outros elementos que estariam incluídos aqui. Mas, se houver disposição pessoal, você se permitirá avaliar o que realmente lhe faz bem, não apenas os pequenos agrados diários que você se oferece.

A questão é que, quando se lê esse tipo de comentário ou exortação, a gente acena com a cabeça concordando com a lógica e a proposta mas, a seguir, se permite dizer: Verdade. Quem sabe?, um dia…

Wellington de Oliveira Teixeira, em 21 de agosto de 2014.

* Natureza daquilo que acontece de modo eventual, incidental ou desnecessário, possível de ocorrer de outra forma ou não se efetivar. Algo duvidoso, possível, mas incerto. Um acaso.
Um plano de contingência ou planejamento de riscos, de continuidade de negócios ou de recuperação de desastres objetiva produzir medidas que reativem rapidamente processos vitais, de forma plena ou minimamente aceitável, evitando paralisações prolongadas geradoras de qualquer forma de prejuízo.

18 de ago. de 2014

Forças desejantes

Forças desejantes, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 17-08-2014.
Forças desejantes, criado em 17-08-2014.

O mundo é tudo o que existe trancado aqui: a vida, a morte, as pessoas e todo o resto que nos rodeia.
O mundo é incompreensível. Jamais o entenderemos, jamais desvendaremos seus segredos.
Por isso devemos tratá-lo como aquilo que ele é: um absoluto mistério.

(Dom Juan Mattus)


Desinformação gera incerteza. No plano da saúde deficiente de um ente querido essa é uma afirmação que nos leva a elucubrações díspares. Se por um lado o desejo pela melhora é forte, a falta de respaldo intelectual produz agonia.

Somos seres frágeis, os adoecidos e os que se agrupam na força desejante pelo retorno saudável destes. Somos, também, seres incríveis. Para o bem ou para o mal.

Se pudéssemos medir com um espetrômetro* os níveis energéticos que produzimos quando mentes e corações se agregam com uma única finalidade ficaríamos estarrecidos com a imensa e intensa gama de cores.

O pensamento antigo de que a união é capaz de produzir fortalecimento tem aqui seu respaldo. Assim também, o cuidar do elo que mais se fragilizou e, por isso, se abateu na situação presente, mesmo que em contextos semelhantes tenha se apresentado como o mais forte.

Incapazes que somos, na maioria das vezes, de produzir previsões realísticas quando influenciados pelos confusos sentimentos que nos agitam a alma, esperamos uma palavra, um gesto, uma compreensão que nos permita dissipar as nuvens carregadas e abrir uma brecha para solarizar nosso interior.

Na verdade, queremos um pouco de certezas. Mas, isso é o que nunca temos exatamente, e as parcialidades das informações que nos chegam nos sacodem de um lado para o outro e temos que redescobrir a todo instante uma nova forma de equilíbrio para continuarmos a lidar com a nossa vida.

Se refletirmos bem, a única certeza que possuímos em vida é que um dia conheceremos a morte. E, por isso mesmo, a jornada é tão importante e cada experimento que a vida nos proporciona enriquece o conjunto acumulado que nos torna mais plenos.

Raciocínio válio para quem ocupa a posição de doente ou de são.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 17 de agosto de 2014.

* Espetrômetro é um instrumento óptico que mede as propriedades da luz em determinada faixa do espectro eletromagnético.
Composto por rede de difração e captador, a rede isola em feixes individuais de cor a luz incidente sobre a abertura do espectrômetro. Cada um destes incide sobre os sensores fotovoltaicos (captadores), permitindo a leitura da intensidade luminosa de cada comprimento de onda presente na sua composição, qualificando-os, dentre outras formas, pela fluorescência, absorção luminosa e transmissão.

17 de ago. de 2014

Vício intrínseco

Vício intrínseco, criado por Wellington de Oliveira Teixeira, em 17-08-2014.
Vício intrínseco, criado em 17-08-2014.

Ela é uma droga pesada que te arranca de casa e, ao mesmo tempo, é o motivo de voltar pra casa.
Ela é lunática e perfeita, essa é pra casar; daquelas que mata o noivo no altar, se atrasar.
Te arremessa na cama e te poe no divã; é o veneno mortal no seu café da manhã;
é o amor matinal e a roubada de brisa. Até sua foto 3x4 é arte Mona Lisa.
Mano, avisa lá que hoje eu não vou jogar
porque ela acaba de ligar dizendo que tá muito louca pra que eu fique muito louco, também,
esperando ela voltar pra me fazer de refém.
Isso parece crime, mas eu não quero abrir ocorrência, senão eu sofro de abstinência:
ela combina carinho e dependência com poesia e inocência. Essa mina vicia.
(Rashid - Vício)


É como a gravidade, de que não se escapa. A gente foge, se dirige para a direção oposta. Desvia o pensamento e tenta preencher os vazios que repentinamente se impõem.

É inviável tentar se policiar o tempo todo. Um pequeno vacilo, uma brecha: lá se vai o controle e o pensamento vai em busca do desejo interditado, guardado, ocultado por tanto tempo, até da própria consciência.

É a vontade de comer ou qualquer outra forma de prazer, que se achega e nos seduz e nos reduz de forma inescapável ao que nos constitui.

Avaliando por moral, o imoral é temporal e isso para quem não é ingênuo é algo de que é difícil não resvalar sempre.

Queria que cada um se permitisse o que merece, inclusive um pequeno jantar acompanhado de um bom vinho. Pequenos, deliciosos e desejáveis prazeres.

Fugir do enrijecer: não dá para ser o que quer que seja em tempo integral, aceite! Somos parciais e desejamos as diferentes formas de nos satisfazer: todo excesso enjoa e destrói o encanto. Até mesmo um talento, uma profissão ou uma paixão.

Encenamos um espetáculo de encontros e desencontros e, na medida do possível, tentamos dar um toque de infinitude nos sentimentos que nos tomam e até nos encantam, como esta enevoada mas enluarada noite que convida para voos nos recônditos da alma. Que pede um surpreendimento dos covardes e escravizadores padrões como se gritasse 'É preciso ultrapassar(-se)'.

E enquanto a cortina do novo dia não ilumina o rosto, aprontando com o sonolento despertar e afugentando os resquícios dos pequenos, pulsantes, mas resguardados indícios dos verdadeiros sonhos, a gente fica de olhos fechados. Faz de conta que dorme. Disfarça que a vida tropeçou e quase xingou e engoliu em seco para seguir em frente. Não se diz que, lá no cantinho, se permitiu sentir a dor que tumultuou a alma. Respira-se fundo, tenta-se preencher qualquer espaço raso ou profundo, se preparando para abrir as cortinas e, de novo, saudar o respeitável público.

E lava-se o rosto, para espantar o que não pode ocupar o dia, e enfrenta-se as realidades produzidas ou admitidas como se fossem ansiadas. É como um vício intrínseco. Mesmo esfacelando-o em milhões de pequenos e inofensivos pedaços, não se pode garantir a impossibilidade de que a sua regeneração instantânea ocorra em um determinado segundo onde a trama do destino nos coloque no palco dos acasos ou dos encontros. A inevitável negação de si talvez seja a única possibilidade para quem dirige a peça. E para todos que a assistem.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 17 de agosto de 2014.

* O termo originado do latim intrinsecus - interno, inerente, constitutivo - pode qualificar algo na parte interior de outra coisa e que é fundamental para a sua existência. O âmago, íntimo e profundo.
É o que se estabelece fora de qualquer convenção:
  • o valor intrínseco de uma moeda é o seu valor conforme o peso do metal precioso à cotação comercial.
  • anatomicamente, o que se origina e incide no local em que age: o músculo.
  • na Física, o que decorre de maneira igualitária; o semicondutor ideal sem quaisquer influências e/ou impurezas.

15 de ago. de 2014

Momento do equilíbrio

Momento do Equilíbrio, criado por Wellington de Oliveira Teixeira entre 14 e 15-08-2014
Momento do Equilíbrio, criado entre 14 e 15-08-2014.

Mas a mim me interessa exclusivamente que eu seja capaz de amar o mundo,
de não sentir desprezo por ele, de não odiar nem a ele nem a mim mesmo,
de contemplar a ele, a mim, a todas as criaturas com amor, admiração e reverência.

(Hermann Hesse - Sidarta, p.122-123)


Podemos ignorar ou não perceber, mas vivemos, instante após instante, sob o signo do desequilíbrio.

Instabilidades construídas intermitentemente impedem o saborear aquelas brechas onde a quietude assume - mas não a confunda, de forma alguma, com o fazer nada. É um não fazer da rotina diária que intuitivamente nos leva a restaurar os pontos que nos conectam às correntes de forças do universo, ampliar nossa integração com o todo.

É quando sentimos a paz emergir, controlar, até mesmo quando situados no centro de um campo de força de uma tempestade — tudo ao redor desabando e nada o atingindo.

É como meditar em movimento, uma espécie de Tai chi chuan: vencer o movimento por meio da quietude; a dureza pela suavidade e o rápido pelo lento.

Entender naturalmente a sua natureza, na natureza, usando apenas as grandes forças naturais: um fluxo contínuo de água, que percorrendo aclives, declives e obstáculos segue continuamente a encontrar-se com o equilíbrio.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 15 de agosto de 2014.

* No taiji (ou tai chi) há um entendimento das energias ampliado filosoficamente. O ji (极) remete à grandeza suprema enquanto o qi (气) do kung fu ao desenvolvimento da energia interna do praticante. Nas duas vertentes o equilíbrio é um ponto central.
Amplie seu conhecimento sobre o taichi em http://pt.wikipedia.org/wiki/Tai_chi_chuan