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21 de jul. de 2011

Pais e filhos (Pais, não andem abraçados com seus filhos)

Hulk foi criado em 1962 por Jack Kirby e Stan Lee.
Hulk foi criado em 1962 por Jack Kirby e Stan Lee.

Pais, não andem abraçados com seus filhos:
o ódio pode cegar os intolerantes e vocês podem ter seus corpos mutilados e suas orelhas decepadas.
Eles têm olhos mas não vêem e, no mundo de hoje, a aparência é a única coisa que importa.
Homens abraçados? Gays.
Destruam-nos!
(Wellington de Oliveira Teixeira - Ser Pensante by Well)

Me diz, por que que o céu é azul? Explica a grande fúria do mundo...
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã,
Porque se você parar pra pensar, na verdade não há.
(Pais e Filhos - Legião Urbana)

Um simples gesto de afeto entre pai e filho motivou o espancamento. Os dois estavam abraçados quando foram cercados pelos jovens.

“Passou um grupo perguntando se a gente era gay. Eu falei que não. Falei que, como nós vamos ser gays se somos pai e filho. Aí os caras ficaram bravos: não, vocês são gays, vocês são gays”, relatou o autônomo de 42 anos, que é de Vargem Grande do Sul.

O grupo foi embora, mas voltou logo depois. Eles foram abordados novamente com violência, recebendo chutes e socos. O filho teve ferimentos leves e o pai foi espancado.

“Quando eu começei a acordar, escutei gritar: ele está sem orelha, ele está sem orelha”, disse.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 21 de julho de 2011.

* O trecho apresentado é uma reprodução do texto que se encontra em http://eptv.globo.com/noticias/NOT,3,31,359532,Cameras+flagram+discussao+entre+agressores+e+vitimas+de+homofobia+em+Sao+Joao+da+Boa+Vista.aspx

14 de jul. de 2011

Vazio, suspiros e saudades

Vazio suspiros e saudades criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 05/07/2011Vazio, suspiros e saudades, criado em 05/07/2011

Se um dia você for embora
Não pense em mim, que eu não te quero meu
Eu te quero seu

Se um dia você for embora
Vá lentamente como a noite que amanhece
sem que a gente saiba exatamente como aconteceu

Se um dia você for embora
Ria se teu coração pedir, Chore se teu coração manda,
Mas não esconda nada que nada se esconde.

Se por acaso um dia você for embora
Leve o menino que você é

(Meu Menino - Nana Caymmi*)

E, num instante, você partiu.

Não sei dizer o quanto isso me partiu, naquela época.

Eu era um daqueles que apostam nos sonhos, dos que acreditam que o amor completa todas as coisas, assim como nos completa.

Me vi diante dos pedaços de mim, sem ter como alterar os fatos.

Era tudo parte do inexorável poder do necessário da ordem dos acontecimentos.

Mas quem disse que adolescentes acreditam em consequências? Perigo? Jamais!

Tudo estava dentro daqueles desejos, por mais absurdos que fossem, por mais desesperantes nos momentos em que apareciam, por mais febril que nos deixassem durante as noites insones entrecortadas de vazio, suspiros e saudades.

Fazer loucura era normal. Expor-se além do necessário, trivial. Tudo valeria a pena para aproximar-se. Encontrar era muito.

Gato e rato. A fuga era um brinquedo perverso e a adrenalina subia tanto que não havia como fugir de tentar novamente.

Hoje, após tantos anos, um que de saudosismo bate à porta. E, apesar do que poderia imaginar, não quero abri-la: todas as feridas saram, os ossos calcificam, o coração volta a bater com outra cadência, por outro alento e por novas questões.

Ainda assim, não creio que devo abandonar as memórias, impedir os sentimentos de me inundarem por alguns momentos e transbordarem por meus olhos ausentes da vida cotidiana. Isso faz parte dessa coisa chamada amor.

E todo amor é pra sempre.

Até poderia ter dito "isto é, o amor verdadeiro", mas não acredito em nenhum outro tipo.

E daqueles que se foram para sempre - não importa para qual distância ou a quanto tempo - me permito que a alma me inunde. Revivo a força do encontro e dos muitos momentos partilhados.

É que um pouquinho de paz é necessário para vivermos uma vida plena e todos os que nos tornaram um pouquinho melhores merecem ser recordados com aquela tranquilidade linda que só os que respeitam a vida podem se permitir. E também ofertar.


Wellington de Oliveira Teixeira, em 14 de julho de 2011.

* Obrigado a você, Dê, por ter me ensinado a apreciar a Nana e a preferir o amor que cuida.

26 de jun. de 2011

Ser o único a acreditar

Refratar-Refletir, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 26/06/2011Refratar-Refletir, criado em 26/06/2011

É típico do futuro ser perigoso...
Os principais avanços da civilização são processos, todos eles,
que destroem as sociedades em que ocorrem.
(Adventures in Ideas - Alfred North Whitehead)

É algo difícil ser pioneiro, ter ideias inovadoras, criar novos costumes, construir pensamentos e estruturas fora do modelo padrão. Crer é tão ou mais difícil que esses.

Não é incomum a valorização nas referências históricas, nas parábolas, nos mitos antigos e modernos, nos contos de fadas, de personagens da vida ou de um conto que, de alguma maneira, tornaram-se primeiros em um determinado campo de pensamento ou em prática de vida.

No afã de tornar única a sua forma de agir e pensar, os preservacionistas fazem de tudo para calar qualquer outra voz que se erga apontando uma nova perspectiva ou direção: para a manutenção da tradição como única forma de ação, valem-se de toda forma de recursos, e a memória da história humana está cheia de ações, principalmente as belicosas, que comprovam essa tese.

Na contramão deles, com bravura ou perspicácia, foram muitos os que conseguiram escapar às suas tramas e tramóias e nos trouxeram a um novo patamar científico e social.

Resolvi focar aqueles que nos inspiraram a fé e as práticas beneficentes e aqueles que sobrepuseram o interesse coletivo aos seus próprios, principalmente os cientistas e os educadores que conseguem olhar o campo de possibilidades adiante como metas a serem alcançadas, como desafios a serem vencidos e como obstáculos a serem superados.

Desisti de escolher um bom exemplo, que era minha ideia inicial, quando fui me lembrando de uma imensa lista de pessoas ousadas que, mesmo pagando o preço da inovação com a própria vida, seguiram em frente e se tornaram ícones para todos no presente, e, quem sabe, no futuro.

Resolvi desafiá-lo a fazer um pequeno inventário, incluindo pessoas próximas e distantes, famosas ou anônimas, e mostrar de algum modo a sua gratidão por eles. E para dar o pontapé inicial, fiz esse texto.


Wellington de Oliveira Teixeira, em 26 de junho de 2011.

* A imagem que produzi, veio da ideia de luzes se refletindo e se refratando, tentando ultrapassar os obstáculos: vidros, chuvas, rios, mares, poças, espelhos e o que mais se apresentasse.
* Hoje é o aniversário do meu sobrinho Raphael, então, esse texto vai pra ele. Parabéns, meu guri!

15 de jun. de 2011

O choque

O choque, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 14/06/2011
O choque, criado em 14/06/2011

Não estejais inquietos por coisa alguma;
antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento,
guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.
(Bíblia - Filipenses 4:6-7)

O dia-a-dia é aquele mestre que prega peças em seus alunos: de vez em quando dá uma prova surpresa e, é claro, pega quase todo mundo desprevenido.

Em alguns momentos, faz-nos sentir que as portas começaram a se fechar, as cores a desbotar e a vida a murchar.

É algo muito estranho: o positivo pode tornar-se negativo e, com isso, levarmos um choque.

Bichos soltos esse tal de medo, essa tal de insegurança. Bicho estranho esse tal de humano.

É... um dia de tristeza é algo assim.

Mas dias tristes são normais, tanto quanto os felizes. Aprendemos com os dois tipos. É meio estranho o fato de ser típico acabarmos destacando apenas os tristes.

Mas, de repente, basta um pouco de esforço nosso para que pareça que a porta começou a se abrir, a luz começou a brilhar e aquela flor a florecer.

Descobrimos que somos mais do que pensamos e que podemos ir além.

E a vida entra nos trilhos, a caminhada prossegue.

Sorrindo? Ainda não, mas quase.

Um esboço já vale a pena: é suficiente para nos encorajar e para despreocupar os que estão ao nosso redor buscando nos fazer sentir melhor.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 15 de junho de 2011 .

* Para o meu irmão, Beto Lobo, que está aprendendo a ver a mão de Deus e a Sua ação nos fatos de sua vida diária.