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30 de set. de 2015

Sintonia com a plenitude.

Sintonia, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 30-09-2015.
Sintonia, criado em 30-09-2015.

Distonia
Distúrbio neurológico que promove contração involuntária e espasmos; afeta locais específicos (músculos, membros) ou o eixo corporal. Inclui Tremores, cãibra, deterioração da escrita e dificuldade ou incapacidade para manusear objetos (caneta, flauta ou tacos de golfe.
Uma forma comum é que acontece com quem ficou muito tempo em pé numa fila e, de repente, a perna treme, mas há casos bem mais graves.

Um mundo confuso gera confusão, em alguns momentos ocorre uma ego ou sócio distonia, que pode ser entendido como um desacordo entre as questões internas e externas de um indivíduo ou deste com o seu meio. Se isso acarretar inação ou imobilismo poderá gerar depressão. Já aconteceu de entrar num processo semelhante e ser surpreendido com uma mensagem ou contato revigorante *.

É tão bom quando alguém sintoniza sua necessidade momentânea e age, mesmo sem racionalizar. Logo a seguir me alertei: 'Não espere que isso aconteça sempre!'. Momento de conspiração entre seres é um alívio que a Ordem proporciona ao guerreiro que, apesar de uma vida de lutas, se fragiliza.

Nada se mantém inabalável — toda a natureza flutua em estações ou ciclos: fraqueza ou fortaleza, suavidade ou intensidade e outras oposições são apenas modos que o núcleo dos seres vivencia em seu desenvolvimento. As máscaras momentâneas utilizadas nas interações não dão conta da totalidade, mas podem ser expressivas ao refletirem características pessoais. O silêncio, o não dito, o ocultado são como uma pausa que invariavelmente modifica o fluxo da música.

Ser pleno é viver conscientemente a impossibilidade humana de expressão de todas as potencialidades simultaneamente e de modo diário. Brilhos tem efeitos surpreendentes, mas com duração. A mesmice, a repetição, a imutabilidade gera adaptação e tédio, produz distonia. Só na transformação o frescor da plenitude se mantém.

Sintonize os fluxos ao seu redor, permita-se vagar por momentos, vivencie alguns instantes de ócio. Faça-os por nada, não defina resultados prévios. Experimente o não fazer e, aos poucos, seus efeitos (como os da pausa na música) se insinuarão até que se manifestarão de fora para dentro e de dentro para fora — se quer uma analogia, é como um fluxo de respiração que energiza a sua vida e o mantém vivo.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de setembro de 2015.

* Há coisas cujo valor não pode ser medido em preço. Como a mensagem que recebi em 1996, que finaliza com essas frases:
Mas, neste momento apesar de nossos corpos limitados pela distância (talvez, seja até por isso) eu conseguiria gritar sem medo para você: EU TE AMO! Pois como não poderia amar alguém que me mostrou caminhos que nunca sonhei trilhar, mundos que eu nunca sonhei explorar e coisas que nunca sonhei descobrir.
Espero que você se contente com meu amor, pois é a coisa mais pura e verdadeira que eu tenho para lhe dar.
Eu te amo, amigão!
Friends are friends forever!!!

29 de set. de 2015

Superficialidades, mas intensivas

Amálgamas, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 29-09-2015.
Amálgamas, criado em 29-09-2015.

Se lhes perguntassem, os habitantes de Leônia, uma das cidades invisíveis de Ítalo Calvino, diriam que sua paixão é 'desfrutar coisas novas e diferentes': A cada manhã eles 'vestem roupas novas em folha, tiram latas fechadas do mais recente modelo de geladeira, ouvindo gingles recém-lançados na estação de rádio mais quente do momento'. Mas a cada manhã 'as sobras da Leônia de ontem aguardam pelo caminhão de lixo' e cabe indagar se a verdadeira paixão dos leonianos na verdade não seria o 'prazer de expelir, descartar, limpar-se de uma impureza recorrente'. Caso contrário, por que os varredores de rua seriam 'recebidos como anjos' mesmo que sua missão fosse 'cercada de um silêncio respeitoso' (o que é compreensível: 'ninguém quer voltar a pensar em coisas que já foram rejeitadas')?
Pensemos…
Será que os habitantes de nosso líquido mundo moderno não são exatamente como os de Leônia, preocupados com uma coisa e falando de outra? Eles garantem que seu desejo, paixão, objetivo ou sonho é 'relacionar-se', mas será que na verdade não estão preocupados principalmente em evitar que suas relações acabem congeladas e coaguladas?
Estão mesmo procurando relacionamentos duradouros, como dizem, ou seu maior desejo é que eles sejam leves e frouxos […] postos de lado a qualquer momento?
(Zygmunt Bauman — Amor Líquido, p. 13)

Um paradigma não superado por outra via de pensamento, a proposição de sutis toques ou contatos superficiais, lidar com instáveis estruturas, permitir a fugacidade de interesses — a tal da metamorfose ambulante — reflete no mundo interno a incessante transformação do mundo externo.

Diverge de algumas práticas: no plano político, não se coligar nem aderir a qualquer causa; no plano das relações, na exposição completa dos recônditos da alma em redes sociais; no campo amoroso, aos CSSs (casais semi-separados). Só para esclarecimento, supostamente, CSSs são revolucionários que romperam a sufocante bolha do casal, seguindo caminhos próprios dedicando-se tempo parcial. Tudo separado e encontrando-se apenas para fazer alguma atividade de lazer seguida de um sexo casual — a evolução ao ficar junto.

Identifico na atualidade a aposta no eclético. A rigidez das formas, dos modos, dos conceitos não atrai mais. A fluidez das misturas em tempo ínfimo desconstrói qualquer adesão a estruturas específicas. Não me oponho a isso, questiono o que fazer com essas coisas que formam um bloco de massas aglutinadas uma sobre as outras, sem qualquer sentido, inclusive o prazer da montagem. Superficialidades não intensivas visando superar o tédio: apenas ajuntamento.

Penso no conceito social de amálgama: mistura ou fusão de coisas ou pessoas distintas para formar um todo. É como formar um grêmio, um time, uma equipe para produzir ou desenvolver práticas de lazer ou outras. A tal da mistura perfeita de eus promovida por amizade ou amor permitindo um rico processo de compartilhamento de vivências, riquezas de experiências e incorporações de diferenças.

Nenhuma amálgama precisa ser uma apropriação de sua subjetividade, pode ser algo pleno em cada momento. É que quando se desqualificam as possibilidades de absorção de novos modos de ser e estar, manipula-se individualidades a viver sob a sufocante determinação das classes que comandam o jogo das generalizações momentâneas: vista-se, fale, ande, vá a determinado lugar. Tudo assim, desconexo. Igualzinho aos produtos com prazo de substituição pelo novo modelo*, você não precisa vivenciar intensivamente as coisas, basta seguir a onda.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 29 de setembro de 2015.

* Conceito de Obsolescência programada que move a indústria do lucro incessante.

27 de set. de 2015

Viver sem ilusões, nem desiludido

Lentes, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 27-09-2015.
Lentes, criado em 27-09-2015.

Os jornais são aparelhos ideológicos cuja função é transformar uma verdade de classe num senso comum, assimilado pelas demais classes como verdade coletiva - isto é, exerce o papel cultural de propagador de ideologia. Ela imbute uma ética, mas também a ética não é inocente: ela é uma ética de classe.
(Antônio Gramsci)

Uma das lições aprendidas com a miopia — pena que, no meu caso, demorou a ser detectada — é que não dá para simplesmente acreditar no mais aparente. Ano após ano, busco reavaliar o grau e aprimorar a qualidade das lentes que uso para que eu alcance um nível de visão mais acurado.

Transpondo ao nível intelectual o conceito, não dá para nos prendermos aos absolutos, ao contrário, temos que submeter qualquer verdade atual às mais duras provas de reavaliação utilizando de novos métodos, estabelecendo novos princípios e formas para a análise crítica.

Todos (ou quase) desenvolvemos um quê de preguiça científica, alimentados pelos discursos prontos e, invariavelmente, somos desestimulados de questioná-los. Por conta dessa miopia intelectual, esquecemos de avaliar: quem decide, seleciona, estrutura o que recebemos como verdades? O que se omite, desqualifica ou não se aprofunda em prol destas?

Num mundo onde o que se divulga e o modo como é feito é capaz de manipular pensamentos e sentimentos induzindo a práticas nefastas, não deveríamos estar constantemente preocupados com essa questão? Não seria sensato, mais do que desejarmos, exigir fontes diversas e divergentes de raciocínios para que pudéssemos compará-los, criticá-los, antes de adotarmos quaisquer pontos de vista?*

Ao me contrapor a muitos raciocínios hegemônicos — aqueles que são divulgados pela grande maioria dos meios de comunicação — tento, mesmo entendendo ser em uma escala infinitesimal, promover um novo olhar, mais crítico, argumentativo, avaliativo das posições e contraposições. Sobretudo, que evita ataques pessoais e, em últimas das consequências, os preconceitos, as injúrias e as agressões (já reparou como é comum a quem perde a razão partir para o ataque pessoal?).

Como ponto simples em favor desse pensamento, diria que é lógico supor — já que são apenas cerca de seis famílias que controlam a mídia nacional — que os pontos de vista político, financeiro e social de uma determinada elite, certamente não abrangerão uma campo mais vasto ou avaliarão positivamente conceitos que podem questionar seu poder e manipulação sobre o povo. Disse simples? Perdão!

Wellington de Oliveira Teixeira, em 27 de setembro de 2015.

* Gramsci dizia que o desafio da modernidade é viver sem ilusões, sem se tornar desiludido. Que coisa difícil de efetivar!

26 de set. de 2015

A versão atualizada de Mamom

Detalhamentos, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 12-09-2015.
Detalhamentos, criado em 12-09-2015.

"Sou um socialista, Jesus também era. Essa é a nossa doutrina."
Alguns defendem […] que todo o crescimento econômico, favorecido pelo livre mercado, consegue por si mesmo produzir maior equidade e inclusão social no mundo. Esta opinião, que nunca foi confirmada pelos fatos, exprime uma confiança vaga e ingênua na bondade daqueles que detêm o poder econômico e nos mecanismos sacralizados do sistema econômico reinante. Entretanto, os excluídos continuam a esperar.

Para cada herói centenas ou milhares de ordinários marcham. Pelo menos é assim que tem se considerado e atuado no mundo dos comandados. Um é medalhado enquanto o resto é explorado.

Claro que, por conta disso, sempre haverá aqueles que se indispõem a esse sistema de valorização, haverá protestos e, como a história comprova, revoltas. Em algum momento da vida, me perguntei: Para que, se no final das contas é só para trocar quem encabeça?

É preciso educar para a liberdade, para o bom questionamento, para a criação de uma cultura colaborativa. Sem a mudança dos paradigmas que aceitamos, que fomos induzidos a aceitar, isso nunca acontecerá. Um desses paradigmas atuais é o Mercado. Tudo por e para ele. Uma espécie , literalmente, dinheiro que, na literatura pagã ou cristã, é o desviador da construção da verdadeira comunidade e da adoração.

Entidade maligna, parte da trindade de satanás, ao lado de Lilith, é citado em Paraíso Perdido e em Fausto, John Milton ele é o construtor de um palácio com veios de ouro ardente para Satã, e ganha o sentido de ouro e a representação da ganância.

Na bíblia, logo após a oração do Pai Nosso lê-se: Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. (Mateus 6:24)

Respeitosamente, muitos evitam a questão. Mas não dá para pregar como boas novas os ensinamento de um líder comunitário judeu que acabou sendo crucificado por ser subversivo e ensinar o enriquecimento individual. Paradoxo ou não para você, o que ele ensinou não tem nada a ver com o atual discurso religioso dos discípulos e pregadores do Mamom: um egocentrismo baseado no sucesso financeiro e imposição de suas vontades à divindade cristã, estabelecida na barganha, no quanto mais dinheiro você dá para a instituição religiosa mais rico você fica; o bem-aventurado é quem possui riquezas e pode ostentá-las.

Daquelas raízes que nomearam os primeiros grupos como cristãos (o cuidado uns com os outros e o compartilhamento voluntário das próprias capacidades e coisas para sanar as necessidades individuais alheias) o que restou se tornou insignificativo para que se possa ousar usar o mesmo nome. Exortar* significa "animar, incentivar, estimular", e é isso que eu faço em relação a mudar seu ponto de vista. Trabalhe com o nós, o nosso, com o coletivo, com o comunitário, com aquilo que visa o bem comum. Reparou que na oração ensinada por Jesus e a mais repetida no mundo inteiro, a terceira pessoa do plural é a tônica? Antes de ensiná-la (Bíblia — Mateus 6:8-13), ele faz um alerta: "Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes. Portanto, vós orareis assim: "
Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;
O pão nosso de cada dia nos dá hoje;
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;
E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal;
porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre.
Amém!
Wellington de Oliveira Teixeira, em 26 de setembro de 2015.

* Encontrei um sítio na internet (Cristão confuso, mais um zé) cujo lema é "Questione a fé cega, e você confundirá os que creem assim. Mantenha-se crendo e os céticos não entenderão.". Na única página que vi, encontrei algo bem interessante — As 5 expressões evangélicas mais sem sentido usadas nas igrejas: 5- Exortar; 4- Levita; 3- Profeta; 2- Unção e 1- Ato profético. Leia e avalie o porquê.