Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador teologia da prosperidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador teologia da prosperidade. Mostrar todas as postagens

26 de set. de 2015

A versão atualizada de Mamom

Detalhamentos, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 12-09-2015.
Detalhamentos, criado em 12-09-2015.

"Sou um socialista, Jesus também era. Essa é a nossa doutrina."
Alguns defendem […] que todo o crescimento econômico, favorecido pelo livre mercado, consegue por si mesmo produzir maior equidade e inclusão social no mundo. Esta opinião, que nunca foi confirmada pelos fatos, exprime uma confiança vaga e ingênua na bondade daqueles que detêm o poder econômico e nos mecanismos sacralizados do sistema econômico reinante. Entretanto, os excluídos continuam a esperar.

Para cada herói centenas ou milhares de ordinários marcham. Pelo menos é assim que tem se considerado e atuado no mundo dos comandados. Um é medalhado enquanto o resto é explorado.

Claro que, por conta disso, sempre haverá aqueles que se indispõem a esse sistema de valorização, haverá protestos e, como a história comprova, revoltas. Em algum momento da vida, me perguntei: Para que, se no final das contas é só para trocar quem encabeça?

É preciso educar para a liberdade, para o bom questionamento, para a criação de uma cultura colaborativa. Sem a mudança dos paradigmas que aceitamos, que fomos induzidos a aceitar, isso nunca acontecerá. Um desses paradigmas atuais é o Mercado. Tudo por e para ele. Uma espécie , literalmente, dinheiro que, na literatura pagã ou cristã, é o desviador da construção da verdadeira comunidade e da adoração.

Entidade maligna, parte da trindade de satanás, ao lado de Lilith, é citado em Paraíso Perdido e em Fausto, John Milton ele é o construtor de um palácio com veios de ouro ardente para Satã, e ganha o sentido de ouro e a representação da ganância.

Na bíblia, logo após a oração do Pai Nosso lê-se: Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. (Mateus 6:24)

Respeitosamente, muitos evitam a questão. Mas não dá para pregar como boas novas os ensinamento de um líder comunitário judeu que acabou sendo crucificado por ser subversivo e ensinar o enriquecimento individual. Paradoxo ou não para você, o que ele ensinou não tem nada a ver com o atual discurso religioso dos discípulos e pregadores do Mamom: um egocentrismo baseado no sucesso financeiro e imposição de suas vontades à divindade cristã, estabelecida na barganha, no quanto mais dinheiro você dá para a instituição religiosa mais rico você fica; o bem-aventurado é quem possui riquezas e pode ostentá-las.

Daquelas raízes que nomearam os primeiros grupos como cristãos (o cuidado uns com os outros e o compartilhamento voluntário das próprias capacidades e coisas para sanar as necessidades individuais alheias) o que restou se tornou insignificativo para que se possa ousar usar o mesmo nome. Exortar* significa "animar, incentivar, estimular", e é isso que eu faço em relação a mudar seu ponto de vista. Trabalhe com o nós, o nosso, com o coletivo, com o comunitário, com aquilo que visa o bem comum. Reparou que na oração ensinada por Jesus e a mais repetida no mundo inteiro, a terceira pessoa do plural é a tônica? Antes de ensiná-la (Bíblia — Mateus 6:8-13), ele faz um alerta: "Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes. Portanto, vós orareis assim: "
Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;
O pão nosso de cada dia nos dá hoje;
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;
E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal;
porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre.
Amém!
Wellington de Oliveira Teixeira, em 26 de setembro de 2015.

* Encontrei um sítio na internet (Cristão confuso, mais um zé) cujo lema é "Questione a fé cega, e você confundirá os que creem assim. Mantenha-se crendo e os céticos não entenderão.". Na única página que vi, encontrei algo bem interessante — As 5 expressões evangélicas mais sem sentido usadas nas igrejas: 5- Exortar; 4- Levita; 3- Profeta; 2- Unção e 1- Ato profético. Leia e avalie o porquê.

22 de mar. de 2015

Desgraçados

Graça, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 21-03-2015
Graça, criado em 21-03-2015.

Na antiguidade, alguns judeus rotulavam como alguém 'sem a benção' ou 'sem a graça de Deus' os muito pobres ou miseráveis. A palavra desgraçado, atualmente, ainda carrega esse sentido.
Conceito original do cristianismo, a Graça consiste em uma dádiva ou um presente imerecido. Pelo pecado original, todos mereciam a morte, mas, ao invés do castigo, a manifestação do amor suplantou a Lei e determinou o perdão e proporcionou a plenitude da vida. Ato divino, impossível de ser obtido de outra forma, resta-nos aceitá-lo com gratidão e reproduzir em nossa vida esta manifestação do amor.
Interessante é a diferenciação que pode ser feita entre a Graça e a Misericórdia: se em uma se recebe o imerecido; noutra, não se recebe o merecido. Num ato de amor, elas são complementares.

(Wellington de Oliveira Teixeira — Ser Pensante by Well)
Mas para vocês que reverenciam o meu nome, o sol da justiça se levantará trazendo cura em suas asas.
(Bíblia — Malaquias 4:2)


Um dia eu adotei a palavra Ordem* para evitar usar Deus — palavra que se tornou sinônimo dessa coisa horrível que manda matar, agredir, discriminar, isolar —, esse verdadeiro pistoleiro à espreita e apontando seu projétil matador para ínfimas criaturas do universo. Exatamente o mesmo que é capaz de mandar matar, em nome da fé, famílias. Ideia tão absorvida e aceita que justifica o ódio em nome do amor, contra os inimigos da sua verdade verdadeira — qualquer outra interpretação é diabólica — é preciso entrar em guerra. Só que esse Nós contra Eles é a total reversão do evangelho.

Não, não estou raivoso, creia-me! Estou tomado por compaixão e amor. Por isso, indiquei os passos que me levaram a uma das melhores decisões da minha vida: distanciar-me da estrutura religiosa.

Desde então, vi ampliar-se a multidão de pregadores pronunciando maldições mais que bençãos; dos que querem convencer a população a construir seus castelos financeiros, citando maldições e propondo milagres. Há muito que já nem ocultam seus escusos motivos pessoais, nem a prioridade dos seus interesses corporativos: hora de eleger mais um líder da fé, o escolhido de Deus — que agora também é miliciano e apoia o armamentismo.

Se funciona, não se mexe. Hora de reutilizar discursos da KKK e do nazismo:
  • anuncia-se o fim do mundo, dos bons costumes, da moral e da família;
  • define-se o alvo dos preconceitos (judeus já deram a sua cota) — negros pobres periféricos e homossexuais são os novos desgraçados!
  • vozes possantes e inflamadas, fazem do medo o melhor método de conversão;
  • propaga-se incessantemente interpretações visando controlar comportamentos e vidas.
A fé sempre foi manipulada, usada, corrompida, destituída da pureza e de tudo o que permite a conexão com o que ultrapassa a realidade absorvível. Hoje, continua assim, diferindo pela massificação televisiva e os efeitos especiais. A pedra fundamental da fé perdeu seu lugar.

Não sinto ódio, mas uma extrema tristeza e asco ao ver a música que abre os recônditos de uma alma à Ordem, conecta-nos de forma ímpar por acender a centelha divina em cada um, ser usada por seres abomináveis para instrumentar um discurso de enriquecimento acima de tudo. O culto ao dinheiro, de bençãos barganhadas com trocas de favores com o tal Deus: dê para a igreja e receba em troca prosperidade. A riqueza destronou o amor e transformou-se em o maior sinal da graça.

Minha esperança é que possamos acordar desse pesadelo. Do fundo da alma desejo que, sobre esse mundo cinzento — fruto dessa tal ira santa consumidora de vidas — seja estendido o manto multicolorido da Graça, da mudança que ocorre por um único e exclusivo meio escolhido pela Ordem: o amor. Não à toa, nas origens dessa forma de crer, amor e deus eram sinônimos e sua manifestação, por quem quer que fosse, comprovava de forma inequívoca a semelhança ou filiação. Afinal, uma das mais impressionantes analogias feitas sobre deus é a de quem ama é uno com Ele, porque Ele é o próprio amor.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 21 de março de 2015.

* A expressão Ordem, que uso, se refere à potência geradora de toda a vida, que na narrativa bíblica se manifesta a partir de comandos, como o 'Haja Luz!'.