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28 de fev. de 2010

Intenções viciosas

Intenções viciosas, criado em 28/02/2010.

Quantas intenções viciosas há assim que embarcam, a meio caminho, numa frase inocente e pura!
Chega a fazer suspeitar que a mentira é muita vez tão involuntária como a transpiração."
(Dom Casmurro - Machado de Assis)


Estou pensando em como, tantas vezes, sorrimos e disfarçamos um olhar que está tomado pela presença de alguém.

Estou refletindo no porquê de não desejarmos a transparência total em ser e estar, qualquer que seja a situação ou lugar.

Estou perplexo por a gente fingir que não sente o que sente, distrair-se para não ser levado por uma onda de sentimentos que podem ser avassaladores.

Estou tentando achar motivos para que a gente tente enganar a si mesmo em alguns momentos.

E acabo sempre me dando a mesma resposta: medo de sofrer.

E, por conta desse medo, concluo que desistimos de uma parte importantíssima de nós ou abrimos mão de uma experiência que poderia ser nova e plena.

Desorientação é um mecanismo de poder muito usado - até contra si mesmo.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 28 de fevereiro de 2010.

* Algumas vezes, me recordo dos momentos fantásticos que compartilhamos e da sensação mágica que ficava muito tempo depois. Dava vontade de cantar...

"Depois de ter você Pra que querer saber que horas são,
Se é noite ou faz calor, Se estamos no verão Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve Uma canção como esta?
Depois de ter você Poetas pra quê? Ou deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas?
Depois de ter você…
"
(Depois de ter você - Adriana Calcanhoto)

26 de jan. de 2010

Fugindo das armadilhas

Fugindo das armadilhas, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 26/01/2010Fugindo das armadilhas*, criado em 26/01/2010.

Eu gosto tanto de você Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar Subentendido
Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer
(Apenas Mais Uma De Amor - Lulu Santos / Nelson Motta)

As férias começaram e logo uma chatíssima virose veio conviver comigo (e com um monte de gente amiga). Tudo bem, já deu pra ir a praia, piscina, festas em boates e bares. Mas os planos eram bem maiores.

O que fazer? Quais as opções ou a falta delas? Como reagir e não perder o mais precioso tempo do ano?

Todo mundo já sabe: quando o médico não consegue definir seus sintomas ele diz 'Virose' e você sai de lá com aquele ar de 'Pra ouvir isso não preciso ir ao médico, todo mundo fala a mesma coisa' e, é claro, ri de si mesmo e da situação (melhor do que chorar!).

E adivinha qual a prescrição? A de sempre, ora essa. As mesmas canjas, combinação de chás, frutas, legumes e o infalível soro caseiro ('o soro tem gosto de lágrima' - diziam os Titãs). Cervejinha, nem pensar. Tudo bem, pensar pode, porque ninguém é de ferro.

E com esse calor infernal do Rio de Janeiro - já batemos um novo recorde em relação a muitos anos anteriores - não há muitos lugares onde você possa estar sem uma boa refrigeração ou muita água ao redor. Meu bronzeado já está amarelando e estou louco pra ir pra uma lagoa, rio ou mar.

Resolvi fazer algo que gosto muito: comprei diversos livros (Clarice Lispector, JR Tolkien, Khaled Hosseini), aluguei alguns vídeos e programei minha tv para gravar alguns episódios de séries que eu gosto para rever.

Ainda sou um 'Sem Avatar 3D', pode?

E outra coisa que influi muito, e que estranho, é o fato de estar sendo difícil gerar temas para escrever ou, então, iniciar e ir perdendo o fio da meada. Mas quem conhece o calor do verão sabe que o desânimo ou a sonolência são companheiros de toda tarde.

Acabei de perceber que o primeiro livro a ler é 'A cidade do Sol' (do mesmo autor de O caçador de pipas). Então, com licença
, hora de viajar na mente (já que, por enquanto, não dá pra sair de casa).

Wellington de Oliveira Teixeira, em 28/01/2010.


* Enquanto fazia essa arte eu me lembrei do trecho de uma música: 'Nada a temer senão o correr da luta. Nada a fazer senão esquecer o medo, Abrir o peito a força, numa procura, Fugir às armadilhas da mata escura'
(Luís Carlos Sá e Sérgio Magrão)

24 de jan. de 2010

Tranquilidade e incompletude

Ondas de leveza, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 21/01/2010Ondas de leveza, criado em 21/01/2010.

"Às vezes, no silêncio da noite eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado, juntando o antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto? Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho! Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem..."
('Sozinho' - Peninha*)

Momentos de tranquilidade, de paz, de segurança são algo especial.

Ainda assim, por si só, não são capazes de gerar plenitude.

Eu gosto quando chego em casa, de madrugada, e me vejo escrevendo sobre os sentimentos e pensamentos que me atravessaram durante o meu dia.

A sensação é de que (e como é bom dizer isso) mais uma vez valeu a pena.

Sei que muitos saíram, tiveram (des)encontros e voltaram um pouco frustrados - como já aconteceu comigo várias vezes.

Hoje eu tive excelentes momentos com familiares e em roda de amigos que geraram em mim esses sentimentos tão bons.

Ficou apenas a sensação de que a paz sussurrou pra mim esses últimos dias.

E, agora, quando chego em casa, me pego pensando em você, com saudade.

Claro que isso não estraga nada, mas deixa uma marca de incompletude, assim como nesse texto que não consigo achar um modo de terminar.


Wellington de Oliveira Teixeira, em 24 de janeiro de 2010.


* Curioso como as vezes alguém consegue dar potência a algo que não é seu a ponto de todos referenciá-lo e não ao autor como dono da obra, como é o caso dessa música que ficou marcada com a voz do Caetano Veloso, Sandra de Sá e Tim Maia.

8 de jan. de 2010

A vida voa

A vida voa, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 13/01/2010A vida voa, criado em 13/01/2010

A falsidade tem um infinidade de combinações
mas a verdade só tem um modo de ser.
(Jean-Jacques Russeau)

Ouvi um dia você me falar
Futuro é longe pra gente ficar
A dica que você me deu foi boa
Ao ter você eu fiquei rindo à toa

No outro dia você quis falar
De um tal futuro que pra nós não há
E a dica que você me deu foi boa
Grudar demais é o que mais enjoa

Ouvi conselhos em minha vida toda
E o que eu vivi eu não vivi à toa
Eu já fingi, fugi, corri de mim. E agora?
Eu vou sair e fazer outra história

Depois de um tempo você vem falar
Ficar foi bom, é hora de reprisar
E a dica que eu lhe dei foi boa
Melhor amar senão a vida voa.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 17 de março de 2006.

* Letra para uma música que eu apenas comecei e deixei de lado, por falta de oportunidade.