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3 de jun. de 2010

O sabor do inesperado

Dor, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 03/06/2010Dor, montagem com escultura grega antiga em 03/06/2010.

A vida sem freio me leva, me arrasta, me cega
no momento em que eu queria ver.
O segundo que antecede o beijo, A palavra que destrói o amor
Quando tudo ainda estava inteiro No instante em que desmoronou
Palavras duras em voz de veludo E tudo muda,
Adeus velho mundo.
Há um segundo tudo estava em paz.
Cuide bem do seu amor. Seja quem for...
(Cuide Bem Do Seu Amor - Os Paralamas do Sucesso)

"Vem e me diz o que aconteceu, Faz de conta que passou
Quem inventou o amor? Me explica por favor.
Enquanto a vida vai e vem, você precisa achar alguém,
que também possa lhe dizer: 'Quero ficar só com você'.
Quem inventou o amor?"
(Antes Das Seis - Legião Urbana).


Preciso escrever algo bem intimista. Produto deste feriado e da frente fria que veio com ele. Vontade de ficar encolhido, enrolado, protegido.

Gosto de novidades, mas, como uma grande parte da população, fico receoso quando a encaro: dizem que temos medo do novo ou do diferente.

As possibilidades produzem um pouco do efeito surpresa e muitos preferem não ter expectativas relativas a algo ou a alguém. Protegem-se, com certeza, com essa atitude. Mas a que preço?

A espera e a esperança carregam o desconhecido consigo, porque estão sempre no futuro e sempre na incerteza, do mesmo modo que a expectativa.

O mais interessante disso é que, mesmo quando já intuímos algo, ou antecipamos um acontecimento, dificilmente agimos. Assim, o necessário nos atropela ou nos faz desviar da rota que havíamos traçado.

Pena? Não sei. A vida não é uma linha reta e percursos se cruzam em locais e momentos diferentes. Nova chance? Não sei. Pode ser...

E, a despeito do que possamos encontrar em algo ou alguém, do quanto possamos nos assustar com as novidades, é melhor ter sempre descobertas que viver na mesmice.

Um grande barato desta vida é o fato de, a cada passo que
você dá, ser supreendido: o inesperado é uma das maiores potências desta ordem em que vivemos. Ao contrário do sal, o inesperado não tem dosagem exagerada e, talvez seja ele o tempero que torna este mundo mais saboroso.

Alguém quer um salzinho para colocar na batatinha frita?

Wellington de Oliveira Teixeira, em 03 de junho de 2010.

* Me reapaixonei pela cultura grega. Antes eram as filosofias de vida, agora são as esculturas.

30 de mai. de 2010

A vida corrida

Corrida - autor desconhecidoCorrida, não consegui achar o autor da montagem

Amor é uma benção.
Amar e ser amado é como um extraordinário tesouro que é enviado, do céu, para alguém.
(Amor - Wellington de Oliveira Teixeira)

A vida é uma cachoeira
Nós bebemos do rio, depois o rodeamos e levantamos nossas cercas.
Nadando através do vazio, nós escutamos a palavra,
Nós nos perdemos, mas achamos tudo o mais.

(Aerials - System of a down - trad. Wellington O Teixeira).


Sejam de curta ou longa distância, ou de velocidade, com ou sem barreiras no percurso,
corridas fazem parte do cotidiano de todos: a maratona da vida.

A maratona envolve grande resistência física, e sua origem é atribuída à distância que teria percorrido Filípides, um soldado grego, para anunciar a vitória dos helenos sobre os persas: da planície de Maratona (onde ocorreu a batalha) até a cidade de Atenas.

Antes de assumir o caráter esportivo, as competições tinham um caráter religioso: o espírito agonístico era composto do ideal do belo, do heroísmo sagrado e do espírito de disputa. A preocupação com a formação do caráter de um cidadão e do guerreiro passava por aprender estratégias e técnicas e praticá-las.

A vida de alguém pode ser comparada a uma corrida e, dependendo da pessoa, tem curta, média ou longa duração - sendo, para todos, uma maratona de desafios.

As escolhas do caminho em que seguir, dos alvos, dos momentos de ultrapassagem, o que usar, a força de vontade, tudo tem o poder de modificar o resultado.

Às vezes os obstáculos impedem apenas um determinado trecho do caminho e são como os desafios que encontramos na vida para conquistar uma etapa de nosso desenvolvimento. São geradores de tensões, de temores, de inseguranças, mas os propulsionadores de nossas ultrapassagens e conquistas de novos patamares.

Há, porém, aqueles que são os produtores de impotência, do sentimento do vazio da ausência. Os que fazem com que os corredores saiam da corrida, antes do término esperado. São acidentes de percursos que estabelecem o fim de um curso de vida.

E a linguagem figurada, aqui usada, é um mecanismo de defesa para reduzir a dor, a tristeza, porque diz da perda dos companheiros de vida, de amigos e amados que se foram, precocemente. Daqueles que percorreram apenas os 50 ou 100 metros e chegaram ao fim de sua jornada.

Aqui fica a minha homenagem a esses corredores-guerreiros que marcaram a minha vida.**

Wellington de Oliveira Teixeira, em 30 de maio de 2010

* Produzi um musical gospel chamado The race is on (A corrida continua/Foi dada a largada no Brasil) que trabalhava essa questão da vida como uma maratona. Até hoje eu sou apaixonado pela música que deu o título ao musical (letra de Deborah D. Smith e música de Michael W. Smith)
** Tentei de várias maneiras, e várias vezes, colocar os nomes aqui, mas não consigo. Meu amor é inteiro: não dá pra falar de ausência, quando estão tão presentes em mim.

23 de mai. de 2010

Beijo de anjo

beijo de anjo, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 22/05/201Beijo de anjo, criado em 22/05/2010.

Anjo [do latim angelus e do grego ággelos (ἄγγελος), mensageiro],
criatura celestial, acreditada como sendo superior aos homens,
que serve como ajudante ou mensageiro de Deus.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Anjo)

Vou enviar um anjo adiante de ti para te proteger no caminho e
para te conduzir ao lugar que te preparei".

(Bíblia - Êxodo 23:20)
Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito,
para te guardarem em todos os teus caminhos.

(Bíblia - Salmo 91:11)

Tenho vivido momentos de grande atividade, muitas responsabilidades e poucos momentos para expressar as muitas questões e entendimentos que provocaram o meu pensamento nesses dias.

O acesso por internet a muitos dos meus queridos amigos e familiares foi, praticamente, o que pude me permitir. Contatos muito importantes, pois foram eles que me deram a sensação de alívio diante da ausência dos encontros pessoais.

Por conta desta realidade, a necessidade de escrever mais, de desenhar mais, de conversar mais fez-se essencial para que o vazio não tomasse conta.

Tomado por essa vontade imperiosa que me provoca os sentimentos, resolvi unir em uma única imagem uma imagem minha e diversas fontes artísticas de imagens recebidas dos amigos (espero, em breve, postar o nome dos autores). Sinto como se tivesse feito um remix (termo usado pelos DJs, em suas montagens), entre meus sentimentos e as propostas artísticas dos outros autores, sem perder - creio que os que conhecem meu trabalho poderão confirmar - a minha marca registrada.

Se eu pudesse inserir na imagem uma trilha sonora, gostaria de poder adicionar a música de Sarah McLachlan intitulada Angel (tema do filme City of Angels - ou Cidade dos Anjos, no Brasil - versão com Nicolas Cage e Meg Ryan).

Tomei a liberdade de traduzir o poema da música e reproduzo, abaixo, para demonstrar as sensações de melancolia e impotência que nos acometem e a vontade de encontrarmos um oásis nesse solitário deserto - uma presença amiga e querida, que nos produza um momento de tranquilidade e paz.

Dessa vez, tanto a arte quanto a tradução vai para o anjo que esteve ao meu lado e entendeu a minha ausência.
ANJO
Use o seu tempo aguardando por uma segunda chance,
por um momento que torne tudo melhor.
Sempre existe uma razão para não se sentir inteiramente bom
e isto é difícil, ao fim do dia: eu preciso de uma distração.
Ah belo descanso, memórias escoam de minhas veias,
deixe-me ficar vazio e sem peso e, talvez,
eu encontre essa noite alguma paz ...

nos braços de um anjo;
voe para longe daqui, deste quarto escuro e frio e da vastidão dos medos;
seja arrancado das ruínas de um quieto devaneio;
fique nos braços de um anjo e consiga, ali, algum conforto.

Você está cansado demais de seguir em frente e de, para onde virar,
ter abutres e ladrões atrás: a tempestade só piora.
Você continua a preencher as linhas inventando algo paras as lacunas de sua vida:
não faz nenhuma diferença escapar uma última vez.
É mais fácil acreditar nesta doce loucura,
nesta formidável melancolia que me subjuga.

Nos braços de um anjo talvez consiga algum conforto.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 22 de maio de 2010.

* Para MP que, mesmo estando sempre distante, soube estar muito próximo de mim e me apoiar.

20 de abr. de 2010

Monstro oculto nas sombras

O lado horrendo, criado em 20/04/2010.


Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade,
a benignidade, a bondade, a fidelidade.
A mansidão, o domínio próprio;
contra estas coisas não há lei.
(Bíblia - Gálatas 5:22-23)

Pessoas, às vezes, se tornam irreconhecíveis até para si mesmas, por alguns momentos.

Coisas que poderiam ser nada se apoderam dos sentimentos e nublam as referências de vida, retiram completamente a objetividade das ações: num segundo, seu modo conhecido de agir se desfaz.

Vejo isso acontecer mais vezes do que gostaria. Inclusive por que no período de duas semanas me vi protagonista de fatos assim, em duas ocasiões. Mesmo que tenha causado mais mau a mim mesmo que a outrem, não consigo ver um modo de justificar isso.

Uma vez, conversando com amigos, tomei conhecimento de ciúmes que avassalam vidas, de iras que mantém prisioneiros muitos e que encaminham à escravidão do ódio.

Nunca havia percebido que o gostar muito pode ser o disparador de ações nocivas quando o desejo sufoca. Que sem domínio próprio a mistura doçura-agressão pode tornar-se descontrolada e fazer adoecer.

Eu tenho aprendido que o jogo de gato e rato é algo que não deve fazer parte de minha vida e que se algo ou alguém está disponível tem que ser de modo natural e espontâneo, pois mesmo que haja a vontade pode não ser o momento nem o lugar de algo acontecer.

Descontrole de falas, de gestos, de respeito: é incrível ver o corpo reagir desproporcionalmente em qualquer ocasião. Parece, como num filme de terror, o assalto do monstro que estava oculto nas sombras.

Muito ruim sentir-se assim. Melhor não se aproximar do fogo que permitir que chamas incendiárias alcancem os bons sentimentos e os gestos mais ternos de carinho.

Avalio que, quando algo assim acontece, é preciso expressar melhor o auto-controle e urgentemente desfazer alguns caminhos trilhados.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 20 de abril de 2010.

* Tem horas que, mesmo o mais equilibrado que eu consiga ser, há uma dissociação latente que vem à tona.