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23 de mai. de 2010

Beijo de anjo

beijo de anjo, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 22/05/201Beijo de anjo, criado em 22/05/2010.

Anjo [do latim angelus e do grego ággelos (ἄγγελος), mensageiro],
criatura celestial, acreditada como sendo superior aos homens,
que serve como ajudante ou mensageiro de Deus.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Anjo)

Vou enviar um anjo adiante de ti para te proteger no caminho e
para te conduzir ao lugar que te preparei".

(Bíblia - Êxodo 23:20)
Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito,
para te guardarem em todos os teus caminhos.

(Bíblia - Salmo 91:11)

Tenho vivido momentos de grande atividade, muitas responsabilidades e poucos momentos para expressar as muitas questões e entendimentos que provocaram o meu pensamento nesses dias.

O acesso por internet a muitos dos meus queridos amigos e familiares foi, praticamente, o que pude me permitir. Contatos muito importantes, pois foram eles que me deram a sensação de alívio diante da ausência dos encontros pessoais.

Por conta desta realidade, a necessidade de escrever mais, de desenhar mais, de conversar mais fez-se essencial para que o vazio não tomasse conta.

Tomado por essa vontade imperiosa que me provoca os sentimentos, resolvi unir em uma única imagem uma imagem minha e diversas fontes artísticas de imagens recebidas dos amigos (espero, em breve, postar o nome dos autores). Sinto como se tivesse feito um remix (termo usado pelos DJs, em suas montagens), entre meus sentimentos e as propostas artísticas dos outros autores, sem perder - creio que os que conhecem meu trabalho poderão confirmar - a minha marca registrada.

Se eu pudesse inserir na imagem uma trilha sonora, gostaria de poder adicionar a música de Sarah McLachlan intitulada Angel (tema do filme City of Angels - ou Cidade dos Anjos, no Brasil - versão com Nicolas Cage e Meg Ryan).

Tomei a liberdade de traduzir o poema da música e reproduzo, abaixo, para demonstrar as sensações de melancolia e impotência que nos acometem e a vontade de encontrarmos um oásis nesse solitário deserto - uma presença amiga e querida, que nos produza um momento de tranquilidade e paz.

Dessa vez, tanto a arte quanto a tradução vai para o anjo que esteve ao meu lado e entendeu a minha ausência.
ANJO
Use o seu tempo aguardando por uma segunda chance,
por um momento que torne tudo melhor.
Sempre existe uma razão para não se sentir inteiramente bom
e isto é difícil, ao fim do dia: eu preciso de uma distração.
Ah belo descanso, memórias escoam de minhas veias,
deixe-me ficar vazio e sem peso e, talvez,
eu encontre essa noite alguma paz ...

nos braços de um anjo;
voe para longe daqui, deste quarto escuro e frio e da vastidão dos medos;
seja arrancado das ruínas de um quieto devaneio;
fique nos braços de um anjo e consiga, ali, algum conforto.

Você está cansado demais de seguir em frente e de, para onde virar,
ter abutres e ladrões atrás: a tempestade só piora.
Você continua a preencher as linhas inventando algo paras as lacunas de sua vida:
não faz nenhuma diferença escapar uma última vez.
É mais fácil acreditar nesta doce loucura,
nesta formidável melancolia que me subjuga.

Nos braços de um anjo talvez consiga algum conforto.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 22 de maio de 2010.

* Para MP que, mesmo estando sempre distante, soube estar muito próximo de mim e me apoiar.

20 de abr. de 2010

Monstro oculto nas sombras

O lado horrendo, criado em 20/04/2010.


Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade,
a benignidade, a bondade, a fidelidade.
A mansidão, o domínio próprio;
contra estas coisas não há lei.
(Bíblia - Gálatas 5:22-23)

Pessoas, às vezes, se tornam irreconhecíveis até para si mesmas, por alguns momentos.

Coisas que poderiam ser nada se apoderam dos sentimentos e nublam as referências de vida, retiram completamente a objetividade das ações: num segundo, seu modo conhecido de agir se desfaz.

Vejo isso acontecer mais vezes do que gostaria. Inclusive por que no período de duas semanas me vi protagonista de fatos assim, em duas ocasiões. Mesmo que tenha causado mais mau a mim mesmo que a outrem, não consigo ver um modo de justificar isso.

Uma vez, conversando com amigos, tomei conhecimento de ciúmes que avassalam vidas, de iras que mantém prisioneiros muitos e que encaminham à escravidão do ódio.

Nunca havia percebido que o gostar muito pode ser o disparador de ações nocivas quando o desejo sufoca. Que sem domínio próprio a mistura doçura-agressão pode tornar-se descontrolada e fazer adoecer.

Eu tenho aprendido que o jogo de gato e rato é algo que não deve fazer parte de minha vida e que se algo ou alguém está disponível tem que ser de modo natural e espontâneo, pois mesmo que haja a vontade pode não ser o momento nem o lugar de algo acontecer.

Descontrole de falas, de gestos, de respeito: é incrível ver o corpo reagir desproporcionalmente em qualquer ocasião. Parece, como num filme de terror, o assalto do monstro que estava oculto nas sombras.

Muito ruim sentir-se assim. Melhor não se aproximar do fogo que permitir que chamas incendiárias alcancem os bons sentimentos e os gestos mais ternos de carinho.

Avalio que, quando algo assim acontece, é preciso expressar melhor o auto-controle e urgentemente desfazer alguns caminhos trilhados.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 20 de abril de 2010.

* Tem horas que, mesmo o mais equilibrado que eu consiga ser, há uma dissociação latente que vem à tona.

28 de fev. de 2010

Intenções viciosas

Intenções viciosas, criado em 28/02/2010.

Quantas intenções viciosas há assim que embarcam, a meio caminho, numa frase inocente e pura!
Chega a fazer suspeitar que a mentira é muita vez tão involuntária como a transpiração."
(Dom Casmurro - Machado de Assis)


Estou pensando em como, tantas vezes, sorrimos e disfarçamos um olhar que está tomado pela presença de alguém.

Estou refletindo no porquê de não desejarmos a transparência total em ser e estar, qualquer que seja a situação ou lugar.

Estou perplexo por a gente fingir que não sente o que sente, distrair-se para não ser levado por uma onda de sentimentos que podem ser avassaladores.

Estou tentando achar motivos para que a gente tente enganar a si mesmo em alguns momentos.

E acabo sempre me dando a mesma resposta: medo de sofrer.

E, por conta desse medo, concluo que desistimos de uma parte importantíssima de nós ou abrimos mão de uma experiência que poderia ser nova e plena.

Desorientação é um mecanismo de poder muito usado - até contra si mesmo.

Wellington de Oliveira Teixeira, em 28 de fevereiro de 2010.

* Algumas vezes, me recordo dos momentos fantásticos que compartilhamos e da sensação mágica que ficava muito tempo depois. Dava vontade de cantar...

"Depois de ter você Pra que querer saber que horas são,
Se é noite ou faz calor, Se estamos no verão Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve Uma canção como esta?
Depois de ter você Poetas pra quê? Ou deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas?
Depois de ter você…
"
(Depois de ter você - Adriana Calcanhoto)

26 de jan. de 2010

Fugindo das armadilhas

Fugindo das armadilhas, criado por Wellington de Oliveira Teixeira em 26/01/2010Fugindo das armadilhas*, criado em 26/01/2010.

Eu gosto tanto de você Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar Subentendido
Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer
(Apenas Mais Uma De Amor - Lulu Santos / Nelson Motta)

As férias começaram e logo uma chatíssima virose veio conviver comigo (e com um monte de gente amiga). Tudo bem, já deu pra ir a praia, piscina, festas em boates e bares. Mas os planos eram bem maiores.

O que fazer? Quais as opções ou a falta delas? Como reagir e não perder o mais precioso tempo do ano?

Todo mundo já sabe: quando o médico não consegue definir seus sintomas ele diz 'Virose' e você sai de lá com aquele ar de 'Pra ouvir isso não preciso ir ao médico, todo mundo fala a mesma coisa' e, é claro, ri de si mesmo e da situação (melhor do que chorar!).

E adivinha qual a prescrição? A de sempre, ora essa. As mesmas canjas, combinação de chás, frutas, legumes e o infalível soro caseiro ('o soro tem gosto de lágrima' - diziam os Titãs). Cervejinha, nem pensar. Tudo bem, pensar pode, porque ninguém é de ferro.

E com esse calor infernal do Rio de Janeiro - já batemos um novo recorde em relação a muitos anos anteriores - não há muitos lugares onde você possa estar sem uma boa refrigeração ou muita água ao redor. Meu bronzeado já está amarelando e estou louco pra ir pra uma lagoa, rio ou mar.

Resolvi fazer algo que gosto muito: comprei diversos livros (Clarice Lispector, JR Tolkien, Khaled Hosseini), aluguei alguns vídeos e programei minha tv para gravar alguns episódios de séries que eu gosto para rever.

Ainda sou um 'Sem Avatar 3D', pode?

E outra coisa que influi muito, e que estranho, é o fato de estar sendo difícil gerar temas para escrever ou, então, iniciar e ir perdendo o fio da meada. Mas quem conhece o calor do verão sabe que o desânimo ou a sonolência são companheiros de toda tarde.

Acabei de perceber que o primeiro livro a ler é 'A cidade do Sol' (do mesmo autor de O caçador de pipas). Então, com licença
, hora de viajar na mente (já que, por enquanto, não dá pra sair de casa).

Wellington de Oliveira Teixeira, em 28/01/2010.


* Enquanto fazia essa arte eu me lembrei do trecho de uma música: 'Nada a temer senão o correr da luta. Nada a fazer senão esquecer o medo, Abrir o peito a força, numa procura, Fugir às armadilhas da mata escura'
(Luís Carlos Sá e Sérgio Magrão)